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26/abr

O oposto de um massacre? Uma palestra! A proposta desse episódio de Doctor Who me deixou com as sobrancelhas arqueadas em expectativa pela razão óbvia: como um grumpy Time Lord se comportaria no dito lugar em que a felicidade é completa? E, pior, onde tudo passa a depender de um sorriso, independente do seu estado de espírito/humor? Puxadíssimo para quem ainda segue firme se habituando as nuances humanas, mas sem perder o azedume.

 

Esse episódio me fez lembrar de um aprendizado absorvido com sucesso da seriezinha chamada One Tree Hill: a felicidade é um estado de espírito. Acredito piamente nisso porque, independente de quem você é, sensações e impressões têm a duração de segundos. São passageiras, embora nos marquem de alguma maneira por estar correlatada a algo ou alguém. É um humor de alternância, em que uma hora você está radiante e no outro na bad fortíssima ouvindo Lana Del Rey. Basicamente, o que os Vardies demonstraram nessa trama em que sorrir para sobreviver foi preciso.

 

Tudo começou com o assentar da nova companion no universo Who e, de graça, ganhamos uma pulguinha quanto ao mistério de um cofre que, sem dúvidas, será o movimento dos últimos episódios dessa temporada. Enquanto esse triste fim não chega, Bill preencheu o espaço com ótimas perguntas e realizações. Além disso, embarcou na TARDIS pela primeira vez já que a verdadeira primeira vez não passou de plano de fuga. Agora, a real jornada começou e essa linda teve o direito de escolher sua primeira aventura – como manda a etiqueta desse alienígena de dois corações. O futuro foi a decisão sob a curiosidade de saber se tudo estaria bem. É, nem tanto.

 

Resenha Doctor Who - Vardy

 

Considerando o pouco que aprendemos sobre Bill, fez muito sentido presenteá-la com uma trama bastante sci-fi. Melhor dizendo, um sci-fi mais próximo da humanidade visto que os Vardies eram robôs que cuspiam emojis. De quebra, o passeio serviu para lhe mostrar a dinâmica de quem chama de tutor (adorável!) e ela acompanhou de perto o tipo de serviço que esse senhor presta. Nesse passeio em uma nave da Xuxa regada de falsa felicidade, a companion sentiu na pele o quanto as decisões dele podem afetar vários ângulos de uma única história. O Time Lord se viu em uma zona de tiro e a resolução foi um resetar que ficou mais no verbal. O que não deixou de ser encantador.

 

E que poderia ter dado errado uma vez que o 12º compreendeu a logística de um plano que nada tinha a ver com mais uma nave querendo dominar a Terra. Os Vardies estavam tão vivos quanto os humanos que vieram depois, mas o problema único estava na emoção. E emoção afeta o humor.

 

Quem é que gosta de tristeza? Eu mesma não, mas não podemos evitar tal emoção.

 

Houve alguns pontos em torno desses inimigos não tão inimigos que me fizeram liberar exclamações positivas. Como a ideia de ter como “medir” nosso humor. Ter uma noção dele para tentar dar uma amenizada. Mas, como bem pontuou o 12º, uma empreitada dessas poderia ser boa e ruim. Gostei também do conceito da dita colônia, que rebateu um tantinho na chance de Bill em romantizar o trabalho do Time Lord. Ao menos, dessa versão que segue como se estivesse fazendo um favorzão aos humanos de cérebros chauvinistas molhados. Era o happy place que também não fica tão longe de ser romantizado. Afinal, voltemos a pergunta: quem é que gosta de estar triste?

 

E, pergunto mais, quem é que não gostaria de viver em um lugar radiante como esse?

 

Resenha Doctor Who - Doctor e Bill

 

Essa trama trabalhou singelamente o famoso “seria ótimo se não fosse trágico”. Lugares totalmente felizes é de se duvidar no mesmo tanto que ocorre o interesse. Infelizmente, não há chances de termos tudo 100%. Essa colônia foi uma baita ilusão porque as emoções humanas não são unilaterais. Há quem realmente não sinta nada, mas as emoções ainda seguem como uma dita vulnerabilidade e essa vulnerabilidade surtiu na falha desse lugar. Não dá para reprimir coisa ruim.

 

A tristeza em forma de luto se revelou como a maldita falha em um sistema idealizado para o pensamento positivo. Ótimo, mas o pensamento negativo, feliz ou infelizmente, também nos ajuda a fomentar uma identidade. Inclusive, nos ajuda na busca de amadurecimento pessoal. Nem sempre isso ocorre, mas precisamos dessas emoções para nos compreendermos melhor.

 

Penso que um termômetro do nosso humor nos ajudaria a lidar um pouco melhor com algumas adversidades. Eu acho, não sei. Talvez, impulsionar o olhar para dentro que é sempre difícil. Nada como ter um selinho desses para expor como estamos em dado momento. E seria ótimo para pegar mentirosos, fatos reais!

 

Os Vardies foram “feitos” para manter esse climinha formidável. O ambiente era claro, tempo limpinho, bosques quase verdejantes. Quem não queria viver em um lugar assim (confesso que eu não seria tão fã porque aquele céu nublado tem meu voto)? Um clima de bem-estar que estava pronto para receber uma nova civilização, mas houve uma grande perda. Um impacto que respingou nos robôs que mostraram que não lidavam com o luto. Os sorrisos soaram para mim como o ditado “estou rindo para não chorar” porque é um modo de negação da realidade. A tristeza veio como proposta de contaminação, mas até da tristeza precisamos.

 

Embora a pegada tenha sido sobre a coexistência entre duas espécies diferentes em uma colônia que precisava de cuidado, de progresso e de manutenção, foi muito fácil matutar sobre estado de espírito. O Time Lord estava corretíssimo ao dizer que se soubéssemos do nosso humor na íntegra, as chances de ser afetado por isso seriam altíssimas. Eu não ia querer um Vardy denunciando isso não. Para favorecer o assunto, ainda sou geminiana, então, pensem em quem acorda radiante e quando chega de noitinha só quer saber de praguejar contra a humanidade like 12º.

 

A moral é que os robôs estavam ali para manter o clima feliz. Eles só compreendiam uma reação e ao aderir outras entrou em parafuso. O que aprendemos é que o que sentimos afeta nossos arredores e isso foi possível capturar no combate entre humano e máquina. No cenário em si. Nossas emoções são capazes de mudar o cubículo que ocupamos, além de nos influenciarem de maneira geral. Daí, podemos entrar no papo de energia, que também procede demais da conta.

 

Resenha Doctor Who - Doctor e Bill

 

Na companhia dos Vardies, vimos que certas nuances da mentalidade humana não se alteraram no futuro e isso foi um tanto decepcionante para Bill. A Terra foi devastada e uma colônia surgiu para abrigar as pessoas com o rótulo de futuro da humanidade. Para evitar confrontos como os vistos naquele livrinho digital, nada como um ambiente contente e ameno para manter os ânimos no lugar. Foi uma proposta até que bem sacada e que encontrou seu ponto de conflito nas armas de fogo. Ato que correspondeu às guerras testemunhadas pela companion e que a arrasaram.

 

De fato, tudo fica bem se isso partir de nós mesmos. Ato que também rima com humores. O bacana desse episódio veio no equilibrar de sensações que de alguma forma bizarra tem rebatido no 12º desde a premiere dessa temporada. Ainda está um tanto confuso, mas segue tangível. Como na semana passada, tudo parece bem até ficar sinistro, como um contraposto do Doctor e de Bill.

 

O 12º é o peso pesado do humor e Bill vem com aquela suavizada. Ela fez perguntas maravilhosas, mas não chegou na fase do confronto. Em contrapartida, o Time Lord mostrou de novo que está mais aberto. Ele compartilhou o conflito ainda secreto dessa temporada e fiquei meio passada. Saiu com uma facilidade que me indaguei se esse senhor tinha batido a cabeça. A companion mostrando que tem capacidade de influenciar no humor do seu tutor. Ao contrário de Clara que o deixava bastante rabugento (porque ela era meio rabugenta, me perdoem).

 

Mesmo um tanto ameno, talvez por influência do brilhantismo do ambiente, não quer dizer que o senso de humor distorcido do 12º não estava presente. Ele me surpreendeu em vários instantes e ainda me é impossível de descrever. Por isso que disse que esses humores do personagem estão confusos, mas dá para senti-los com força total. O abalo das estruturas foi desde o dito otimismo do lugar que o deixou encantado até intervir na guerra humano vs. máquina. Os sentimentos dessa versão estão cada vez mais palpáveis, porém, seguem uma bagunça. Esse senhor é uma bagunça emocional!! Quando você espera que ele vá se abrir, ele se fecha, e mistura todas essas emoções temporárias. O que me fez concluir que esse Doctor é o próprio estado de espírito. Emoções por segundo.

 

Quando acho que estou prestes a entender esse senhor, ele rodopia para outro canto. O 12º não é tão transparente quanto o 10º e o 11º, sendo mais imprevisível. Mesmo com clara bagagem de experiências – considerando essa versão isoladamente. É quando fico pensativa porque acho que o 9º seguiria um ritmo parecido. Não é à toa que puxaram um pouco o traço do Doctor de Eccleston para o Doctor de Capaldi. Uma hora espero entender esse emocional.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Doctor e Vardys

 

Tudo era uma questão de sorrir mesmo diante de uma tragédia. Fácil demais da conta para um tutor que não demorou a desenrolar essa trama não tão complexa no verbal e de um jeito deveras cativante. De novo, Bill influenciou demais na leveza do 12º e preencheu os mencionados espaços com uma conversa interessante sobre o conflito e o papel do seu tutor. Essa menina é muito inteligente e pegadora das entrelinhas, o que tem facilitado no poder das suas conclusões.

 

Houve muitos instantes preciosos nesse episódio. O melhor mesmo foi o retorno dos sorrisos do Capaldi que estão longe de ser naturais. O sorriso mais assustador que você respeita.

 

Outra coisa que amei foi a “atualização” da linguagem de Doctor Who. TARDIS agora tem Netflix, quem aguenta? O 12º bem tentou combater esse tipo de tecnologia nas temporadas passadas, mas acabou se rendendo. Acho graça! Impossível se esquecer do go away humans, que estava bem presente quando ele deu uma chamada de atenção em Bill sobre não zombar do que lhe é estranho.

 

Mas Bill me deixou sem chão ao ser abalada por toda a medida de demolição do Time Lord. Em uma aventura, ela conheceu o lado bom e resta saber como reagirá ao lado ruim. Quando não se tem saldo positivo e o tutor está sangue nos olhos. Se a companion ficou abalada com o que ocorreu nesse episódio, gosto nem de pensar no que acontecerá daqui pra frente. A moça é compasso moral também, vide teor das perguntas que faz o senhorzão pensar bravamente. Acompanhemos!

 

Enfim, saímos daqui com aprendizado sobre humores. Estamos felizes agora e daqui uns três segundos podemos ser rabugentos. Se houve alguém que representou essa oscilação, esse alguém foi o Time Lord. E isso casou com a proposta do roteiro.

 

PS: tenho que dizer que os Vardies me lembraram da dinâmica dos weeping angels. Saudade weeping angels.

Stefs
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