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18/abr

Sinto que se passaram uns cinco anos desde que assisti a última temporada de Doctor Who. Nem me atrevo a incluir o especial de Natal no pacote, pois, por mais que tenha assistido recentemente, tenho a mesma impressão de que o vi há uns bons meses. Ugh! O importante é que a série retornou e com aquele risinho que transita para a tristeza porque esse é o último ano do Capaldão. Quando encontro o meu Doctor, lá vem ele dizer adeus. Esse não é meu mundo.

 

Antes mesmo da exibição desse episódio, considerei a escolha do título um tanto intrigante. Não por estar consciente da regeneração do 12º, mas porque piloto se refere ao primeiro de uma série estreante. Não é o caso de Doctor Who, óbvio, mas é fato que tudo pareceu muito novo visto o tempão que ficamos sem a companhia desse Time Lord. O Twelfth estava um tanto diferente, de mãos abanando, realidade reforçada com a introdução da nova companion. Devido ao efeito do postergar dessa série, demorou um bocado para a estranheza que rola tanto quando tem Doctor novo ou companheira nova se dissolver. Tudo era novidade, independente dos mesmos rostos.

 

Dessa vez, foi tudo junto e misturado. Doctor repaginado no emocional. Companion nova. Para caber tudo, foi preciso de um reconhecimento de território já que essa história se manteve fechada por um tempo muito longo. Revivê-la e compreendê-la, só resgatando quem é esse personagem, o que ele faz e o que o move. E, claro, o que diabos fazia no papel de professor (que berrou Clara).

 

O retorno veio com o intuito de reavivar a chama de Doctor Who e nos relembrar (como se fosse possível esquecer) quem é esse alienígena de dois corações e o status atual em que se encontrava. Não menos importante, como o cidadão estava depois de uma perda impactante e que o especial de Natal trabalhou o luto apenas em pinceladas. No final das contas, piloto soou bem para esse episódio. Assentou-se que dessa vez teremos continuidade e que podemos esperar qualquer coisa. Que a vida flui mesmo quando estamos parados no mesmo lugar.

 

A estranheza que comentei ali em cima cabe perfeitamente ao fato de ver o 12º se virar. Sentimento que não cabe ao fator trabalho porque é algo nato do personagem, mas sim do emocional e das suas relações com as pessoas. Inserido em uma universidade, deu para capturar as novas nuances desse Time Lord que se mostrou mais aberto para os humanos. Um milagrinho visto que esse senhor é o diferentão distante de exatas. Algo que no passado não ocorreu com tanta facilidade, afinal, quem deu a mãozinha para ele foi menina Clara. E não havia menina Clara.

 

No especial de Natal, ele ficou na sombra de Grant, embora tenha salvado o dia. Contudo, e desde lá, o 12º tem mensurado mais esse “tipo” de relação interpessoal. Não é à toa que voltou a ser abalado com essa de temer ficar sozinho.

 

Além dessa nova adaptação entre humanos, a missão do Time Lord foi recrutar, sem querer querendo, uma nova companheira de aventuras. E aí estava algo que tinha muita curiosidade porque não o via sendo simpático e nem liberando o convite para Bill. Por essas e outras que os saltos temporais meio que beneficiaram no aprimorar dessas ditas relações interpessoais do personagem. Ato que o tornou um pouco mais consciente das pessoas ao redor. Que o fez notar uma nova amiga em suas aulas e a cultivar um interesse. Mesmo um tico aberto, não quer dizer que ele se entregou a uma vulnerabilidade completa. O garotão segue firme ignorando outras “trivialidades” humanas, como lágrimas. Nem tudo é perfeito e nem precisa ser porque o 12º está cada vez mais maravilhoso.

 

Para quem tratava Nardole como o ciborgue que é, ver o 12º interessado em ser tutor de Bill me fez dar várias risadinhas e chamá-lo de otário. Ele se deixou encantar pela garota e eu só consegui visualizar menina Clara liberando piadinhas na direção desse senhor. A versão do Time Lord durona e “contra humanos” sendo mais “humano” do que gostaria de ser. Ironias entre tempo e espaço.

 

Resenha Doctor Who - Bill

 

E como não se encantar por Bill? Amei a escolha de Pearl logo de cara. Pela representatividade e pela maneira como a atriz articulou como essa personagem no primeiro teaser. Quando a companion entrou em cena, foi complicado acompanhá-la. Ato que tornou impossível tirar os olhos dela. As expressões confusas e assombradas do 12º foram as minhas porque a garota, além de ser adorável e ter esse sotacão maravilhoso, é certeira nos questionamentos e tem ótimos argumentos.

 

Em apenas um episódio, Bill foi doce, vulnerável, engraçada, preocupada e dona daquele comportamento que acha que não se envolverá com um problema, mas acaba se envolvendo de qualquer forma. Um comportamento muito 12º que segue hesitando até não ter mais solução. Nos entregaram bastante do background da moça graças ao discurso cheio de energia de um Doctor que fazia propaganda da sua própria TARDIS na universidade. Houve muito desses recortes em forma de paralelos que beneficiaram demais o correr da trama e o parecer desses dois personagens.

 

O mesmo vale para a existência de Heather que propiciou as viagens entre o tempo e o espaço para assim encantar quem seria a nova companheira dessa temporada. Instantes mágicos e que arrancaram suspirinhos. Não precisaram de muito para introduzi-la e nem dar um parecer dos ânimos do Time Lord, o que foi ótimo. Tudo corridinho, mas capturável em uma olhadela de canto.

 

Se eu gostei dela? Gostei muito e tenho medo disso. Meramente porque amei Clara à primeira vista e depois caí do cavalo. Deu vontade de apertar Bill todas as vezes em que surgia em cena, verdade seja dita. Melhor coisa é que ela não tem presunção e quero acreditar que se mantenha dessa forma. Fizeram das indagações dela tão naturais com essa pegada de amo sci-fi e o Doctor não é nem um pouco sci-fi, uma ponte inteligente que os fez falar a mesma língua. Além disso, que tornou esse primeiro contato com a série relacionável. A personagem teve sacadas ótimas, amei e ri demais.

 

Resenha Doctor Who - Doctor e Bill

 

E o 12º também amou muito isso, deu para notar em cada olhadela desse senhor. Foi engraçado vê-lo ficar mudo ou embasbacado com Bill porque ele é todo pimposo quando o assunto é ciência. Outrora, se tratou de uma admiração de comportamento, mas foi no troca a troca que o encantamento do Doctor pela jovem aumentou – e fomos no embalo. A companion não se mostrou acuada, nem quando comparou o Time Lord a um pinguim corredor. A discussão do sci-fi foi a cereja da premiere, um peso importante já que intentam trazer a fase científica hardcore nessa temporada. Que assim seja por intermédio de dois personagens que falem a mesma língua, mas de uma forma que ainda fica oposto. Afinal, Bill vê sci-fi como nós. O 12º nem um pouco.

 

O que calha em uma das frases de efeito desse episódio: o fato de que tem alguém nos procurando. Foi isso que moveu a premiere. Assim que houve a regeneração do Eleventh para o Twelfth, Clara contribuiu para essa transição. Agora, não havia ninguém por essa versão do Doctor que teve que arranjar seu próprio jeito para superar perdas e se fazer autossuficiente. Não é uma novidade também, mas para essa versão é um processo mais complexo. A companion anterior foi apenas uma mão enquanto Bill tem a chance de realmente mostrar do que os humanos são feitos e como são capazes de pensar de maneira sacal e inteligente. O lado bom é que o 12º está um tanto livre de julgamentos, detalhe que ainda combate sua personalidade científica. Será interessante acompanhar.

 

Bill vem de igual para igual. Um apoio não apenas de resolver problemáticas, mas de propiciar o encantamento sobre seu universo humano. E o 12º acabou sendo encontrado e encontrando uma pessoa com quem pode agora compartilhar esse novo arco da sua vida em um posto equiparado. Melhor de tudo, por conta própria. Afinal, Clara já estava ali por ele. Agora, ele teve que pedir.

 

Alguém aí aprendeu a arte de pedir e achei graça (é bom demais ver o 12º quebrando a cara).

 

A cena da TARDIS era uma das mais esperadas por mim. O instante sempre mágico quando uma nova companion salta para dentro dessa falsa cabine de polícia. Um passeio truncado, mas que foi o bastante para apurarmos as reações do 12º. Juro que esperei algo mais carrancudo. Acho que Nardole foi um benefício e tanto como companheiro do Doctor porque até direito a fazer piada teve – e ri demais quando Bill finalmente fala o épico “maior por dentro”. Gente, que episódio!

 

Resenha Doctor Who - 12º

 

Mesmo que não tivesse sido programado por essa versão do Doctor, lá estava ele sendo norteado pelos sentimentos típicos de querer alguém imerso em seu universo. De acompanhar uma pessoa encantada por tudo que ele pode propiciar com apenas um giro da TARDIS. E é aí que entramos na motivação. Bill topou embarcar nessa jornada pelo mesmo motivo que tirou Rose da sua zona de conforto: um despertar para a vida. A cena de espera do 12º me lembro do 9º e chorei em meu canto.

 

O 12º acha que não se importa, mas esse episódio mostrou que se importa demais. Ter as fotos de pessoas queridas foi um indicativo tremendo de mudança. Ainda tem que manter aqueles defeitinhos, como jurar que tudo está bem só porque o saldo do dia foi positivo.

 

Mas isso nem chegou perto de mover o inferno perto da sugestão dele em apagar as memórias de Bill. WTF dude? Como se fosse um pedido para lavar a louça. Fiquei completamente sem chão e as palavras seguintes dela foram maravilhosas. Essa versão não tem essa ainda de se colocar nos sapatos do outro, como o Eleventh fazia sem medo de ser feliz. Alá os defeitinhos que não podem ser dissolvidos ou o personagem não desenvolve.

 

Ver uma companion apertar um novo botão do 12º com tanta indignação e tanta sensibilidade mostrou que dessa vez quem ensina é a companheira de novo. Enquanto os anteriores manejavam mais a situação de perto, esse Time Lord se limita ao que sabe e o que não sabe está nas mãos de Bill para dar aquela traduzida marota.

 

Gostei muito do episódio e me encantei demais com menina Bill. Foi uma premiere cheia de vida e não houve um só momento que não dei boas risadas. A mensagem de que a vida se encontra em um saltinho dentro da TARDIS foi recebida com sucesso. Ao menos, no mundo de Doctor Who.

 

Agora, e esse cofre?

Stefs
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