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22/abr

A tristeza está comigo só de pensar que esse é o último passeio na montanha-russa chamada Pretty Little Liars. Antes de entrar na resenha, é importante que saibam que decidi por uma experiência sem spoilers, sem promos, sem teorias porque não há mais muito o que julgar visto que essa é a temporada final. Da mesma forma que fiz com The Vampire Diaries, apenas sentarei toda semana na minha cadeirinha e aceitar o máximo o que vier na minha direção. Mas podem ficar tranquilos que as cutucadinhas seguirão firmes. É meio irresistível, né?

 

O que dizer desse retorno? Foi um tanto melhor que a premiere dessa temporada. Quero acreditar que os roteiristas tiveram a singela noção de que não precisam esmagar tudo de uma vez só para dizer que alguma coisa está acontecendo – e quando paramos para pensar não aconteceu nada. Digo isso porque o retorno de Pretty Little Liars veio pronto para criar conversas. O intuito foi assentar parte do que ficou no 7×10 e o novo clima de suspense. Para isso, foi preciso esticar a ponta de interesse, no caso, Spencer e Mary. Deu-se a largada nesse último ciclo e não há ainda muito o que raciocinar e duvidar. O que considero ótimo também porque a trama ganha um único foco central – e nem dá para ficar totalmente feliz porque está aí um universo volúvel. Seguimos.

 

A maternidade de Mary foi aquela informação que me deixou a ver navios tão quanto CeCe ser A. Lembro-me que gostei da revelação porque uma das Liars estava interligada ao mistério. Porém, confesso que rolou aquele WTF? nos dias seguintes que a série entrou em hiatus, mas não tinha o que discutir já que não deram um motivo no 7×10. Apenas, jogaram a bomba e nos botaram para dormir. Considerando que a S5-6 representam a vergonha alheia na hora de responder perguntas pertinentes ao enredo de PLL, essa de Veronica não ser a mãe de Spencer embrulhou meu estômago. Posso ter ficado meio satisfeita com o viés, mas passei mal. O cliffhanger do mid-season passado deu a liga que você confia desconfiando porque foi assim que a série nos educou e não é que o babado procedeu?

 

Fiquei com a cara no chão e não sabia se ria ou se chorava. Assim, não deixa de ser absurdo, ainda mais para o papel de Peter. O cara nunca mereceu Veronica e Veronica nem tinha que tá com ele. Nem consigo chamar de amor o posicionamento dessa mulher. Não tem como chamar de nada porque meu cérebro explode só de pensar no quanto esse homem é muito podre.

 

Passada a euforia do episódio, ponderei sobre a confirmação de quem é mãe de Spencer. De certa forma, esse viés de trama tem um pouco de sentido, o que é um tanto milagroso. Afinal, a última coisa que Pretty Little Liars anda tendo é sentido porque se tornou um caos completo de pontas soltas e de personagens que ganham serviço aleatório para sustentar o mistério. Holden?

 

Essa revelação veio para centralizar Spencer, a Liar que puxou todo o conflito e isso é de uma importância sem precedentes. Não é a primeira vez que ela gira em torno do cerne de comando de A e Cia. e o recebimento do tabuleiro que sinaliza o endgame não foi pouca coisa. Relembrando toda a trajetória dessa personagem em Pretty Little Liars, não haveria outra pessoa a receber tamanho presente a não ser ela. Nem digo isso porque a moça é minha favorita, mas sim pelo fato de que os roteiristas a cutucam faz tempo. Desde sua internação no Radley. Um tiro certíssimo porque Hastings, e os Hastings em geral, tem muita podridão. Quando a mãe não é a mãe só fica o questionamento do que mais essa família esconde. Espero que esse jogo revele.

 

Resenha Pretty Little Liars - Spencer e Veronica

 

Fiquei satisfeita que não prolongaram esse mistério sobre a revelação de Mary porque estava aí uma coisa que os roteiristas poderiam se embolar ainda mais. Se há algo que Pretty Little Liars não pode fazer agora é inventar mistério aleatório e resgatar demais o passado. Primeiramente porque não há mais tempo. Segundamente porque é mais brecha para plot hole. Encontraram um tom certo para entregar essa verdade, aproveitando da sensibilidade de uma inquieta Spencer e da preocupação cega de Veronica sobre o que ocorrera com a filha. Com direito a um bendito flashback para reforçar a adoção, só restou o agridoce que impulsionou o início do jogo.

 

O que me faz pensar que tudo isso é mais por motivos de Spencer que de Alison. Acompanhemos.

 

O relato de Veronica foi de partir o coração e só restou sofrer no cantinho da sala. Não sei como essa mulher conseguiu respirar ao lado de Peter pelos anos conseguintes, sério. É meio sádico… Não sei, mas é um maldito red flag. Não tem como dar um nome para esse casamento porque o que abalou em acréscimo foi imaginar o quanto essa mulher deve ter sofrido em silêncio. Não apenas para segurar o segredo que esmagaria a reputação dos Hastings, como comprometeria Spencer de todas as formas possíveis e inimagináveis. Pensem se Ali soubesse do parentesco na adolescência? Isso se não sabe porque em PLL todo mundo sabe de tudo e a gente nunca sabe de nada.

 

Não sei se dou os parabéns ou um chacoalho mental na Sra. Hastings. A primeira traição foi “fácil” de engolir apesar do inconformismo. Porém, ouvir o mesmo erro com direito a uma nova criança foi de acabar com o pique do rolê. Peter precisa saber o significado de caráter e de camisinha.

 

Resenha Pretty Little Liars - Veronica

 

O peso dessa revelação veio quando pensei brevemente sobre a parte problemática da trajetória de Spencer. Passeios no Radley, medicamentos sem prescrição, dúvida sobre ter matado ou não Ali, competitividade, descaso de Melissa… Na conversa com Veronica, o que apitou foi o problema de saúde mental que deve correr no DNA dos DiLaurentis. Eles são marcados por instabilidade emocional, como bem disse a mama Hastings. O que poderia explicar os motivos da Liar ter picos que se inclinam ao drástico se não forem contidos antes. Vamos recordar das teorias de dupla personalidade que aumentaram na época em que a moça ficou internada.

 

Jessica passou anos desfilando no Radley, mas Mary é o reflexo dos problemas dessa irmandade. Inclusive, de saúde mental e emocional que, se pensarmos em hereditariedade, Spencer ganhou de presente. A Liar nunca hesitou em tomar medicamentos. Perde a cabeça sob estresse e perdeu o centro ao saber de Toby como parte do A-Team. Mesmo que tenhamos esse ponto de vista mais, digamos, inocente, ela é manipuladora, sabe seduzir, o que enlouquecia Melissa. Ponte que também traduz a rejeição dessa personagem dentro do próprio cerne familiar. A agora meia-irmã nunca foi flor que se cheirasse, mas a não tão Hastings sentia a pressão de sempre ter que estar um andar acima para ser aceita. Seja para provar que era capaz, como também para ter aprovação dos pais.

 

Male, male, conseguiram embasar essa maternidade de Mary. Basta revisar os comportamentos anteriores de Spencer e até dos Hastings. Havia um tanto de desequilíbrio emocional quanto um tanto de negligencia dos pais. E o peso maléfico de Melissa que sabe disso com certeza.

 

Peter sempre demonstrou um afeto maior por Melissa. Veronica, apesar dos pesares, nunca deixou de dar um jeito de apoiar Spencer, uma relação bastante conturbada devido à existência de A. Parece que o pai encontrou seu “método recompensador” ao “amar” mais a filha mais velha que a mais nova que foi outro fruto de traição. No popular, diria que foi castigo pela renegação de Jason, mas a menina não tão Hastings merecia um pouco mais.

 

Muito se explica agora do comportamento desse homem em encobrir praticamente tudo sobre os DiLaurentis porque só viriam suas nhacas pessoais à tona. Se não fosse Jessica abrir a boca sobre Mary para Veronica, não teríamos essa informação na íntegra. Spencer não seria Spencer. E o cara sairia ileso pela 2ª vez consecutiva.

 

Quem aguenta um negócio desses, gente? Sabia que Peter era imprestável, mas atingiu o limite.

 

Não sei o quanto isso mudará Spencer porque, se não bastasse, ela recebeu o tabuleiro indicando que ela é a chave de tudo. O intuito do endgame é abarcar as Liars, mas não é de hoje que a história encontra seu jeito de voltar aos Hastings. De quebra, ainda houve a carta de Mary que, milagrosamente, não duvido que seja verdadeira. Simplesmente porque a cara desse jogo é botá-las no limite. Desafiá-las como nunca antes e o que ganhamos essa semana foi um petisco. Para sentirmos que agora não haverá mais SMS, mas jogo prático e tátil. Algo me diz que será a rodada de respostas prometidas por Marlene e Cia., bastam as meninas apertar verdade e não desafio.

 

E senti certa verdade na carta, mas por quais motivos Mary fugiria? Ou ela estaria mortinha?

 

Resenha Pretty Little Liars - Spoby

 

Nesse rebuliço, Spencer ainda teve tempo de visitar Toby. Um desafio do tabuleiro deveras suave, o que correspondeu a uma recompensa suave, mas não menos avassaladora. A cena pode ter sido para preencher espaço e alimentar o shipper, mas ela reforçou a sensação que ficou com o acidente dele. No caso, a verdade que ninguém consegue sair de Rosewood. Não enquanto o A game não finalizar. Quem tenta ou volta ou sofre um tipo de hecatombe ou morre. Puxadíssimo!

 

E coitadinha da Yvonne. Gostava da menina, especialmente porque não foi inserida para ser, do nada, membro do A-Team. Pelo menos, arranjaram um motivo razoável para tirá-la de cena. Em outras palavras, pode não ter morrido com o acidente, mas coma não é lá sinal de otimismo.

 

Com o tabuleiro acionado, ainda houve o dissipar de outra sensação. Aquela de uma semana sem danos já que a lógica era de fim de jogo com a morte de Noel. Ah, coitadas!

 

Os outros plots

 

Resenha Pretty Little Liars - Hanna e Mona

 

Além de instalar o conflito central, aproveitaram bem o roteiro para dar um parecer das outras Liars. Gostei do apoio de Caleb para Hanna e de Hanna na companhia de Mona. Esse projeto tinha estagnado e foi muito bem vê-lo ganhar vida. E a atriz da Katherine é um amorzão, me fez lembrar de Bunheads e que saudade da seriezinha cancelada pela ABC Family.

 

Esse triângulo Emison com Paige… Quem deixou isso acontecer? Péssimo! Emily segue firme sem ter nada de pertinente a contar, mas também fiquei contente por ela finalmente ter conquistado algo que remete de alguma forma à sua storyline em PLL. Porém, nem tudo é perfeito e enfiaram a garota em saia justa para alimentar sabe-se lá o quê com Alison. Afinal, ainda não vejo esse sentimento todo que geral anda comentando, serei sincera.

 

Difícil engolir Ali e Paige se bicando, como se ainda fossem duas adolescentes. Se eu já achava forçado as beijocas Ali e Emily, Paige meteu um elefante na sala e que precisa sair dali. Vê-la repetindo o discurso de quem precisa ser salvo e de quem precisa salvar…. Sono em meu escritório.

 

Fora dessa bolha, não dá para julgar Ali pelo que anda sentindo. Compreensível seu azedume porque ninguém merece um rebuliço desses. O que a coloca em um lugar muito próximo ao de Spencer, mas não chega a ser igual porque toda a realidade de Hastings se alterou com um golpe na cabeça. Mas agir daquele jeito mais por Emily meio que descredita tudo que a ex-Queen Bee tem que passar daqui pra frente. A personagem precisa enfrentar que Rollins lhe deu uma rasteira e que está grávida. Além disso, engolir logo de uma vez que tudo cedeu e que precisa ser reconstruído. Não é fácil, mas se não centralizarem DiLaurentis para focar nisso será obviamente impossível.

 

Evito ao máximo meter o bedelho em Ezria, mas esse relacionamento se tornou um mar de red flags. Ezra precisa de ajuda, gente! Pelo amor da Deusa, não consigo engolir esse casamento que nem aconteceu ainda. Ele segue claramente desequilibrado, sem eira e nem beira, e é zoado empurrar um relacionamento nesse nível. Está problemático e não sou obrigada a torcer por isso.

 

E juro que estou tentando entender o objetivo de Nicole na trama. Se for para tremer Ezra, a mensagem está vindo toda errada e problemática. Ao menos para mim.

 

Concluindo

 

Resenha Pretty Little Liars - Liars

 

O episódio foi um misto de várias coisas, mas conseguiu se manter equilibrado. Conflito de um lado, os objetivos das meninas do outro. Importantíssimo resgatar o individual das Liars. Todas podem não terminar plenas e seguras, alguém ali pode morrer também, mas é importante encaixar essa esperança. Essa muleta de apoio interpessoal, o que contribui para se ter história de plano de fundo para apoiá-las. Enquanto a brincadeira do tabuleiro transcorre, chances baixas de encheção de linguiça. É a reta final e negligenciar essa via da vida das personagens centrais seria relaxo.

 

Fato é que escolheram uma ótima Liar para intrigar e empurrar o que vem aí. Para os moldes de Pretty Little Liars, esse episódio trouxe muitas coisas que ficaram lá atrás sem amassar uma em cima da outra. Tendo foco em um ponto, o resto fluiu que foi uma beleza. É de se imaginar que tudo fique corrido daqui por diante e confesso que esse roteiro me deixou curiosa para o esquema do tabuleiro. O que mais deve haver ali dentro e que tipos de desafios proporcionará a essas garotas? Me faz lembrar da fase de proteger quem ama, mas tenho a singela impressão de que será muito mais que isso.

 

E espero não estar tão errada. Mas… É Pretty Little Liars e sempre tem uns amadorismos.

 

As pontas soltas

 

Quem está na França ainda? Jenna apareceu na companhia do Doctor A.D. belíssima, como se nada do 7×10 tivesse acontecido, mas cadê Mary? Da onde saiu dois revólveres? O que Holden está fazendo aí?

 

Confesso que estou curiosa para ver se as bonequinhas se moverão no tabuleiro. Tô esperando!

Stefs
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