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19/maio

Depois de recuperar a dignidade e retocar a maquiagem, chego aqui nem acreditando que essa é a última resenha dessa temporada de Chicago Fire. E para eu chegar abalada desse jeito é porque a S5 conseguiu me fazer feliz na medida do possível. Não nego o fato de que há algumas séries que bato palmas de alegria pela liberação após um ciclo completo, porém, esse ano dos bombeiros não faz parte desse combo. Foi um ano um tanto mais proveitoso, mais lógico e melhor produzido e pensado em comparação aos dois últimos – esses dois que queria que terminasse o mais rápido possível. A realização que acabou me deixou de cara e com aquela tristeza de fim de S2.

 

Esse season finale me fez lembrar de uma frase, que sei que não transcreverei corretamente, que exaustei de tanto ouvir em um passado distante: nunca vá dormir brigado com alguém que você ama/considera pacas. Tentei, e ainda tento, botar isso em prática, mas existe algo chamado orgulho que vez ou outra pode ser confundido com o dito amor-próprio. Ah, eu tenho amor-próprio para não abaixar a cabeça e seguirei firme enquanto aguardo a outra pessoa pedir desculpa. Quem nunca? Essa situação voltou com força total na minha mente porque foi o cerne desse episódio.

 

Cruz não abaixou a bola, o orgulho ferido, e o efeito foi visto na situação com Mouch. O mesmo vale para Casey e Dawson que entraram em um último chamado depois de fragmentos de discussões sobre Ramon. O tema em si, além de resgatar memórias, se embasou no poder do diálogo. De nunca deixar para depois o que precisa ser dito. Ou seja, não dormir com bronca de ninguém.

 

Dormir com bronca de alguém é uma das piores sensações humanas. Ao menos comigo. Você sai da cama e a primeira coisa que vem à mente é a briga mais o plano de como manter a poker face. Afinal, você está correto, certo? Nem sempre e é “ruim pra caramba” ter que dar o braço a torcer. Por essas e outras que não me foi difícil compreender o comportamento de Cruz porque eu já reagi daquela forma. Sim, um babacão, mas quem nunca cutucou a ferida alheia para se sentir melhor? Ainda mais quando você se sente um zero à esquerda? Nem sempre é intencional, eu sou de ímpeto, e se colocar no lugar do bombeiro tornou suas mancadas um tanto mais “toleráveis”.

 

Repito que algumas coisas do que ele disse, apesar de ter sido ditas no calor da emoção, fizeram sentido e teriam feito um pouco mais se o papo tivesse rolado em um antro apaziguador. Cruz não hesitou um só segundo em culpar o amigo por seu fracasso atual e lhe faltou humildade para reconhecer que esse amigo, que fez questão de avacalhar o episódio inteiro, tentou ajudá-lo. O tentar era o relevante, especialmente quando o contexto propicia uma chance de um personagem remediar a situação por si só. Tanta gente nas Chicagos com emprego extra e esse jovem não podia ter conquistado um? Dispêndio de energia, mas combinou com a proposta do season finale.

 

Eis o resultado de ir dormir brigado com quem se considera pacas. O dia seguinte só deixa aquele amargo na garganta, aquele clima pesado e a expressão amuada. Um misto de sensações e de reações que tende a nos fazer caçar no inferno a quem culpar para aliviar o que precisa ser urgentemente desabafado. Assim, a parte do gelo de Cruz foi totalmente compreensível. Ele estava magoado e o desemprego realmente o afetou, mas discordei do ponto de pagar de man-child e jogar para cima do amigo o atraso na matrícula do irmão. A minha testa ficou quente, mas daí a gente lembra que tudo isso fazia parte de um plano maior. Os roteiristas queriam clima de animosidade para impactar no final e conseguiram com extremo sucesso.

 

Resenha Chicago Fire - Mouch e Platt

 

No fim, machucar as pessoas, machuca as pessoas. E Mouch seguiu seu dia sendo ferido.

 

O efeito de sair de cena brigado com quem se considera muito pode refletir em decisões um tanto errôneas. Precipitadas. Eis o caso. É todo direito de Mouch revisar sua carreira, proposta lançada no episódio passado e que atingiu seu ultimato nesse. O martelinho sobre a aposentadoria transmitiu a sensação de ter sido uma medida pelos motivos errados e os motivos errados vieram de Cruz. Ouvir de novo sobre seu fracasso claramente não fez bem e isso refletiu na tangível baixa autoestima de um bombeiro que se viu em um beco sem saída. Ele poderia ir trabalhar com Nick ou tentar um cargo mais importante e equivalente à sua idade, mas a decisão foi parar tudo. Ato que não me pareceu honesto. Apenas uma medida para evitar uma nova decepção com outro amigo.

 

A parte da quebra de confiança fez sentido nesse atrito. Cruz botou uma fé cega em Mouch e é humano não ficar satisfeito com o resultado + ficar chateado. Ainda mais dentro de uma situação tola – porque foi de uma tolice tremenda suspendê-lo por nada. Ok também chamar a atenção sobre como o sistema do Departamento de Bombeiros funciona atualmente. Mouch foi falho, mas acabou resumido pela cruz de Joe. O que me faz refrisar o quanto ficou a impressão de que a aposentadoria se tornou opção por somar a infelicidade de alguém querido e o receio de repetir a dose no futuro.

 

Quando se tem um elo tão forte e se decepciona esse elo, a última coisa que você quer é repetir a dose. Foi exatamente isso que aconteceu com Mouch, o que abriu brecha para o famoso clichê de tretar uma dupla leal para que essa treta fosse sentida em algum leito de morte. Tcharam!

 

Nisso, refletimos sobre o quanto Mouch ficou largado no sofá. Convenhamos que não faz sentido o personagem pensar subitamente que chegou a hora de sair de cena, pois a série em si nunca lhe deu tamanha importância. Contudo, o efeito da decisão mostrou que, ao menos nessa storyline, conseguiram entregar em curto espaço de tempo, e mil vezes melhor em comparação a de Anna com Severide, conflito e drama. Mexeram em uma ponte de amizade outrora intocável e, com isso, na confiança de uma das partes. Ver o bombeiro referido revisitando sua carreira, caminhando pelos cantos chateado, chegando perto de embarcar na empreitada de Nick, partiu o coração. Ele foi consumido pelo desolamento e a sua imagem sozinho no último chamado do 5×21 veio rápido à mente. Será mesmo que não havia mais nada que esse senhor pudesse fazer?

 

O que veio acompanhando Mouch foi uma autossabotagem velada. Ninguém deu uma opinião. Ele fez a cabeça por si só e teve apenas Platt com quem contar. Mesmo sem querer, Cruz o machucou e o resultado veio de uma medida que, talvez, seria incogitável. Afinal, ninguém ali quer largar o Batalhão e essa opção calha quando há confronto entre os profissionais.

 

Mouch estava confortável e nunca atrapalhou em nada. De uma hora para a outra, veio o peso de ser um estorvo e vê-lo tombado no último resgate não só partiu meu coração (de novo), como também mandou a mensagem de injustiça. Ele decidiu pela aposentadoria pelo calor do momento também. Como se fosse um grande favor sair de cena já que fora incapaz de ajudar um amigo. Duvido que essa seria a solução se houvesse paz entre ambas as partes. Tudo pelo drama!

 

E não estou aqui para criticar o drama desse season finale. Ainda mais quando se reconhece que muito da fórmula das primeiras temporadas foi repetida. O que precisa se apegar aqui é a mensagem de como lidar com as pessoas porque isso influência em alguma coisa. Chicago Fire optou pelo escândalo para inserir culpa em Cruz e só veremos o efeito no futuro. Essa é aquela repetição que você olha, ignora e segue porque uma experiência dessas não pode ser destruída.

 

Resenha Chicago Fire - Casey e Ramon

 

Uma experiência que cabe a Dawsey que também não escapou do mais do mesmo em fim de temporada, mas quem diabos se importa? Primeiro: a temporada foi clara no desenvolvimento desses dois. Segundo: nunca os roteiristas os deixariam em paz. Terceiro: essa S5 fez de tudo pra recuperar Chicago Fire das antigas e Chicago Fire das antigas só tem desgraça entre brigas. O caráter aqui foi de humanização e digo isso, especialmente, porque esse ano da série focou bastante no trabalho dessa dupla. E foi em mais uma cena de trabalho que o casal rendeu uma das cenas mais lindas, potentes e verdadeiras nos entornos da fall season 2016. Speechless.

 

Antes disso, Dawsey entrou em cena regados de muito estresse. Ramon nem se acomodou direito na vizinhança e entrou embaixo da pele de Casey em segundos. Rápido demais, fatos, mas está aí um homem que não precisa de muito para ficar com a testa quente. Somando ainda o quase fiasco em seu plano político, o sogrão estava cutucando o formigueiro. A cena com Mark me fez querer jogar a toalha. Dawson é seu pai, eu sei, mas olha essa criança beberrona!…

 

Casey e Dawson também estrelaram o tema de não ir dormir brigado com alguém. E eles são mestres nisso. Ambos seguiram separados o episódio inteiro e isso já sinalizava tragédia das grandes. Enquanto Gabby tentava apaziguar o efeito da presença de Ramon, Matt lidava com seu cargo político e chegou à conclusão de que precisava abrir mão de certas coisas. A paramédica não teve tanta história, mas o Tenente conflitou entre suas duas identidades e escolheu a de bombeiro. Linda demais a atitude de passar a tocha para Tamara, fiquei toda arrepiada.

 

Uma decisão que aumentou a descarga emocional no último chamado. Lá estava Casey, o bombeiro. Cercado por chamas de todos os lados e com uma única certeza: o quanto ama Dawson. Chicago Fire pecou demais nos dois últimos anos com o casal, alfinetando cada um deles para saber o que dava certo, e chegamos a uma S5 que foi um tanto satisfatória para ambas as partes. Gabby retornou para a ambulância e Matt parou de se preocupar em ter a esposa entrando de prédio em prédio em chamas. Imaginem se essa mulher estivesse dentro da fábrica também?

 

Fato é que conseguiram tirar o casal do tártaro, da inércia, e lhe dar o status de consolidado. Deu para sentir melhor o desenvolvimento da dupla, principalmente a parte de ter que conversar e de combater as diferenças. Algo que, óbvio, faltou nesse episódio. Ambos retornaram para o modo de operação da S3/S4, em que apenas se sondam e se pinicam, e nada se resolve. A partir do momento que retornaram a esse ponto morto, lá foi Casey meter aquele textão verbal que me deixou doente.

 

Nunca deixe para depois o que se pode fazer assim que se salta da cama. Lição aprendida. Sério, aquela cena final me perseguirá pelos próximos meses de tão bem construída em vários aspectos. Não apenas de Dawsey, como Mouch tombando, o desespero daquelas chamas. Um olhar intimista de tragédia que mexeu com vários nervos que Chicago Fire vinha falhando miseravelmente. Embora mais do mesmo, parecia tudo muito novo. Não apenas porque você não quer que ninguém morra, como também porque faz parte do trabalho. E é quando a lealdade de cada um vem à tona.

 

Resenha Chicago Fire - Boden

 

Todo esse estresse de brigas e de assuntos inacabados refletiu no mencionado último chamado. Quando o rádio avisou, berrei um bendito não porque, apesar do drama interpessoal, eu queria que as coisas seguissem um tanto bonitinhas. Boden sendo o chefe que amamos; Brett amiguinha adorável; Herrmann e Hogan. Mas, por ser fim de temporada, tinha que rolar aquela rasteira e que rasteira mais S2. Não reclamo. Prefiro fingir que fui manipulada emocionalmente a ter que queimar Chicago Fire até a próxima temporada. E, gente, é bom demais sair daqui um tanto plena.

 

E o que dizer dessa cena arrebatadora? Nem sei que momento de dor excruciante escolher porque todos foram dolorosos de excruciantes. O ataque cardíaco de Mouch que caiu nas mãos de Herrmann (que fingiu ter um para ajudar o Batalhão); Casey preso e Severide bloqueado; Herrmann de novo rodeado pelo fogo e incapaz de salvar o amigo; Boden e Cruz sendo freados de entrar para prestar ajuda extra; Brett pedindo para Dawson se manter focada; a narrativa de Matt para Gabby alternando as cenas dessa maldição para não dizer outra coisa. Lágrimas.

 

E a Kidd entrou nesse prédio, pela Deusa, eu quero dar riot!

 

Não há o que dizer sobre o encerramento porque ele disse muito por si só. Sobre o fato de que não se deve ir dormir brigado com quem se ama, o que arremata no que Casey disse rapidamente para Severide sobre a vida ser curta. Esse tipo de trabalho sinaliza que a vida é curta porque uma hora você se dá bem, na outra não. Pensamento óbvio, mas que se tornou real nesse season finale.

 

O orgulhinho que te impede de pedir desculpa pode não render um incêndio em uma fábrica, mas com certeza atinge alguém e/ou algo no processo. Além da existência ser curta, é fato que não conversar e não aproveitar uma chance renderá em revés negativo. Só que a turma de Chicago Fire trabalha com elefantes e resolveu explodir uma equipe quase toda.

 

Cancela tudo isso que escrevi porque eu vou dormir de mal de Chicago Fire sim!

 

Concluindo

 

Resenha Chicago Fire - Gabby

 

Independente dos deslizes que tiveram, a saideira daqui foi com certa dignidade. Sim, usaram a mesma fórmula – grande incêndio + corte seco + morte de alguém + suposta morte de todo mundo. Porém, a temporada começou com Dawsey e terminou em Dawsey. Full circle!

 

E vale dizer que esse final foi muito contraposto com o 2×22. Severide e Shay se perdoaram antes da tragédia iminente. Eu fiquei apenas: não podicê!

 

Além disso, foi um episódio de chamados rápidos para lembrar do trabalho dessa turma. De humanização por intermédio de pequenas ações e de memórias. Um tom de despedida muito bem assentado por Mouch que impregnou a trama de tristeza antes do instante drástico. Não menos importante, foi sobre não remoer nada depois de uma briga.

 

O season finale cravou seu objetivo de animosidade entre alguns personagens, o que culminou no resultado avassalador. Melhor que ter man-child com uma faca dentro do seu apartamento…

 

Para concluir, vale dizer que temi demais a qualidade do season finale. Na realidade, eu temi a temporada toda de tão traumatizada que fiquei nos últimos anos. De certa forma, foi bom dar uma contornada em spoiler e evitar ao máximo as promos. Uma prática que colocarei em Chicago Med porque a gotinha de decepção com essa turma seguirá firme até a próxima fall. Em contrapartida, Chicago Fire se recuperou de vários trancos, pecando no viés de Severide.

 

Considero meio impossível Mouch sair vivo e o mesmo pensamento cabe aos demais bombeiros dentro da fábrica. Cada tomada certeira fez o favor de garantir que a chance de salvamento é inexistente. Ao contrário do que fizeram no 2×22, que simplesmente explodiram tudo e ninguém sabia o que rolou lá dentro, aqui investiram em um olhar intimista sobre desespero e mãos atadas. Amargurou no peito. Quero saber como vão trazer geral dos mortos – e tem que trazer Casey ou serei acusada de bruxaria (e foi sem maldade comentar várias vezes sobre possível tombo do Jesse).

 

Matt Casey foi o grande personagem da temporada e teve uma finalização forte e que bota na roda o fato de dizer tudo que você sente para alguém antes que seja tarde. Não precisa ser uma declaração de amor e nem dizer algo ao estar diante da possibilidade de morrer. Acredito piamente que certas ações coordenam o fluxo do universo e o fluxo aqui foi regar um time de discórdia, pelo que diria por besteira, e como essa discórdia retornaria para a cobrança. O Tenente entregou uma baita finalização, justamente em um dia que reconheceu no que deveria dar prioridade na vida.

 

E resta ser Dawson e ficar chorando até os próximos meses – ou ser “plena” like Boden.

 

Chegamos aqui com algumas lacunas e um arrombo. Nos vemos na próxima temporada de Chicago Fire. ♥

Stefs
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