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05/maio

Por algum motivo, esse episódio de Chicago P.D. me fez lembrar daquela discussão acalorada sobre redução da maioridade penal. Com isso, todos os programas jornalísticos e sensacionalistas deram um jeito de dizer que sim, apoiamos tal assunto. A trama delicada dessa semana resgatou tal pauta do fundo da minha mente e meio que empurrou a mão na consciência. É real que adolescentes estão no crime e a diferença do que transcorreu aqui é que não era totalmente por vontade própria. Havia um adulto de mentor, o inspirador, como geralmente acontece, o que deu uma amaciada em qualquer opinião definitiva. Mas e se não tivesse um adulto mentor?

 

É um tópico delicado que acho que é de cada um refletir sobre.

 

Para o agora, basta começar dizendo que o tema escolhido rendeu uma ótima semana para uma Chicago P.D. que também ruma para o seu final de temporada. A investigação foi extremamente puxada e delicada, e houve uma quantidade desconcertante de cenas frias e barulhentas que ajudaram a intensificar a gravidade desse esquema de assalto a banco. Aquele medo de que tudo terminaria sem pé e nem cabeça era real e verídico, mas não é que acertaram a mão?

 

De um lado, havia um homem que usou da sua liberdade pós-cana para treinar adolescentes a fim de repetir um modo de operação de assalto a banco e assim seguir com seus negócios interrompidos nesse respectivo “isolamento”. Do outro, havia os menores em que não ficou muito claro o motivo da participação nos crimes, mas foi fácil presumir de que se resumiu a dinheiro. Fácil ludibriar uma pessoa justamente na adolescência. Ainda mais quando se vive em bairro carente.

 

De uma forma um tanto gratificante, o caso deu destaque para Linstead. Quando digo gratificante, é porque ambos não estavam nos holofotes para conversar sobre sofá. Aí estava uma coisa difícil de engolir e que estressava, sincera. A parte boa é que, dessa vez, e pelo milagre divino, tais personagens puxaram o caos e o assumiram em várias tomadas que me fizeram esquecer completamente de que havia um romance aqui. Parece que só foi separar os dois que o foco no trabalho retornou e glória! Aí estava a dupla que passou a interagir por coisas banais e boring. Quero o parzinho na ação.

 

Resenha Chicago P.D. - Linstead

 

Linstead passou praticamente a temporada toda tratando de coisas intimistas e ficaram ausentes dos cernes de vários conflitos. Agora, ambos entraram em cena regados com uma dose dos velhos tempos e com suavidade na face. Não havia cobranças e nem clima pesado – esse último, meu verdadeiro terror porque essa turma da UI sabe ser 4ª série quando quer. Deram espaço para que cada um exercesse seus respectivos trabalhos como se nunca tivessem relaxado e great! Depois de eras, eles contaram com circunstâncias que enalteceram o potencial que costumavam esbanjar.

 

A cena do tiroteio foi uma das mais potentes desse episódio de Chicago P.D. e realçou o quanto Linstead funciona melhor como parceiros. E que cena, né? O foco que deram no rosto da Sophia antes do tiro fatal, pela Deusa, eu liberei um gritinho. Estava no aguardo de alguém ali tomar bala gratuitamente, só para dar uma regada no drama que tinha aos baldes nesse roteiro. Não rolou, mas não significa que o que desencadeou a partir desse queima-roupa tenha sido menos emocional.

 

Chegar na conclusão de que esses detetives funcionam melhor como cobertura um do outro arde a testa porque sempre fui a favor do romance dessas crianças. Só que queimaram etapas demais para dar em instaromance. Resultado? Um término pobre porque não havia embasamento na história. O que ambos compartilharam essa semana foi o que chamo de superação porque estava osso.

 

Ambos agiram no nu e no cru no tiroteio e lidaram com esse caos com muito jogo de cintura. Foi um momento-chave que modificou algo em Lindsay e estou em meu escritório querendo saber se preciso me preocupar. Ela é muito intensa quando as coisas ruins acontecem embaixo da sua guarda e isso nunca é bom sinal. Tudo bem que o garoto falecido tem nada de Nadia, mas o estrago foi feito. De novo, a detetive se viu com sangue nas mãos e se saiu como a responsável direta.

 

Bastou ver o arraso na face de Erin para os red flags apitarem. Houve choque e penso que isso se refletiu no instante em que ela recusa a bebida no Molly’s. Como foi que a personagem tentou afundar o luto por Nadia mesmo? Por substâncias nocivas. A detetive tem facilidade em espiralar, então, podemos sair aliviados. Ao menos por enquanto porque esses roteiristas amam repetição.

 

Mas como assim repetição? O ato de Erin negar a bebida me fez lembrar de fins da S2, época em que prometeram um caos emocional para essa personagem para chegarmos na S3 e ter aquele salto temporal monstruoso. Foi uma negativa em tempo propício porque, adivinhem, Bunny logo mais dá as caras e aquela ponta solta com Voight pode fazer Lindsay ingerir a bebida. Algo me diz que haverá novo estrago e seguiremos com mais um capítulo de reprise de trama. Nem tem como cogitar outra coisa depois de uma semana também repetitiva em Chicago Fire. Dá nos nervos essas reciclagens.

 

Fora esse receio de mesma storyline se repetindo, Erin estava ótima nesse episódio. Houve cenas preciosas tanto sozinha quanto com Upton. Mas vale deixar o post-it sobre as chances de fundo do poço. Torço para que esse tiro não se transforme em uma nova bola de neve junto com o que Bunny poderá lançar na roda porque nada será desenvolvido. Além de ter as chances de ser igual ao ocorrido com Nadia, queimarão etapas as always. Exausta!

 

Resenha Chicago P.D. - Voight e Upton

 

A frente do foco em Linstead, houve a inserção de Hailey Upton, a novata que alteou as sobrancelhas. No meu caso, foi um altear positivo. A personagem é divina. Só tirava o convite para a UI que me soou mais forçado que o ocorrido com Burgess lá no leito de hospital. Voight, stop!

 

Upton entrou seca na trama e conquistou minha atenção de cara. Mulher que confronta homem sem pestanejar, estou sempre pronta. Ainda mais Voight que teve que ficar na miúda nos minutos iniciais e isso me fez rir de novo. Amando essa chacota suave para cima da chefia (mas eu te amo boss!). Como a série se chama Chicago P.D. e Hank segue de Sargento, a risada morreu rapidinho porque o caso de Hailey passou para a UI. Confesso que essa troca me deixou de testa quente.

 

Assim, não tem liderança feminina nas Chicagos e quando tem o elefante masculino senta em cima.

 

A parte boa é que ela não foi excluída porque exausta de tudo ter que ter mãos masculinas. Upton montou essa investigação sozinha e seria um escândalo deixá-la de fora. A UI pegou tudo pronto, mamadeira quentinha, e tinham que inseri-la nem que fosse de consultoria. Depois que vi Burgess sambar e Erin liderar o salão, quero saber de homem sendo líder mais não. Confesso. Pena que isso é um paradoxo da minha mente porque nunca que isso rolará em Chicago. Triste.

 

O que dizer de Upton? Além de cair na estatística de ser mais uma personagem feminina branca em meio ao baixíssimo leque de diversidade nas Chicagos, ela é badass as fuck. Por detrás desse badass as fuck, há uma vulnerabilidade vista no rigor da sua investigação. Por mais que a moça tenha toda uma postura de líder, há inexperiência no burocrático, como nas entrevistas, mas em compensação há experiência em trabalho de campo. Esse último, muito bom para quem ganhou o vale entre na UI com facilidade.

 

A moça mostrou atitude e isso é bom também. É incisiva, consciente de que não estava naquele jogo apenas porque queria ganhar no final das contas. Confiante, disciplinada e a novidade sobre trabalho disfarçado me fez gritar Ruzek porque o garoto está outra pessoa depois da experiência. Hailey se mostrou dedicada, treinada, centrada, um baita contraste perto de uma Erin que foi golpeada no início do episódio justamente para a novata mostrar serviço em destaque.

 

Um destaque que, pela Deusa, foi muito bem encomendadinho. Justamente para que a aceitação dela fosse rapidinha e comigo isso funcionou. A ligação com Platt foi o chamariz para dizer que a personagem é especial e não um adendo à toa dentro da UI. Quer mostrar que alguém é relevante? Só conectar com alguém que trabalha no Distrito. Sean. Rixton. Nadia. Mas isso nem incomoda.

 

Até porque eu vivo para que Platt tenha mais relevância nessa série. Upton ter um bonding com ela me fez feliz porque deu história das duas e nothing hurts. Só acho que já deu de cenas de elogios e de histórias positivas para cima da Sargento. As reações são sempre fofas, mas ela merece mais!

 

O que incomodou um tantinho foi Voight baixar a guarda muito rápido, claramente fascinado pelo trabalho e pela destreza de Upton. É fato que Hank gosta de mulheres com o perfil de trabalho de Hailey. Burgess e Lindsay são da mesma linha. Só que dar cargo de cara mexeu com meu orgulho e com a caracterização desse personagem que guarda seu ambiente de trabalho como uma igreja. Rixton ainda foi diferente porque o Sargento o encobriu. Agora, com Upton, não havia nada a não ser um caso pesadíssimo e que chegou a ser um tanto brutal quanto ao tratamento dos adolescentes.

 

Honestamente, nem tenho o que dizer porque Voight sempre sabe o que faz. O que espero é que não seja a famosa repetição de gente suspeita na UI para afundar alguém de lá.

 

Flanelão

 

Resenha Chicago P.D. - Corey

 

Mesmo que não tenham imposto o tema família, os personagens se mantiveram unidos do começo ao fim e isso deixou meu coração quentinho. Os elogios de um ao outro foram importantíssimos porque davam um novo ânimo para ninguém amolecer no decorrer de uma investigação extremamente emocional. O caso era pesado e não havia uma abordagem exata. Tudo poderia soar ofensivo, o que calha no que comentei na abertura dessa resenha.

 

Muitos detetives disseram que eram apenas adolescentes, mas o treinamento que esses meninos receberam, a falta de respeito pelas pessoas que acabavam como reféns do assalto ao banco, eram atitudes de “gente adulta”. Como ter uma opinião?

 

Corey amoleceu essa situação pouco a pouco. Drama que calhou na figura do adolescente carente de várias coisas e que encontra no adulto um tipo de exemplo a ser venerado. Spann era um mentor que sabia o que e como direcionava o esquema na penumbra e corrompeu vários jovens. O futuro ali era único – morte – e o adultão não estava ali para agradar essas crianças. Ele só as queria pelo job sujo e se suas expectativas não fossem atendidas, como a UI farejar no canto certo, lá ia tiro.

 

Houve um rigor quanto ao treinamento desses adolescentes e a atitude na abordagem de cada um me deixou um tanto passada. Não tanto quanto a repetição da mesma frase para pedir um advogado. Isso me deu arrepios junto com a consciência de que cada um ficaria na gaiola por curto espaço de tempo por serem menores diante da justiça. Atitudes que não são distantes da realidade. Adulto paga adolescente pra evitar cana e a atitude convicta de Voight em tirar Spann da rua foi preciosa demais. Por pouco a trama encerrou sem vitórias, mas não quer dizer que tenha sido feliz. Corey foi preso no final das contas. Escolha dele. Pato dele, independente da influência.

 

Essa situação rendeu ótimas estrelinhas para Atwater que não tem brilhado e brilhou um pouco nesse episódio. Finalmente ele fez uma entrevista mano a mano que não envolveu sua influência em algum buraco de Chicago. Era similaridade e houve respeito com Corey. Rigor. Os demais também se comportaram bem, como Al e Ruzek que seguem firmes parecendo pai e filho.

 

Concluindo

 

O episódio foi bastante humano e atingiu sua gota visceral – a cena dos meninos assassinados me deixou bem triste. Cutucaram a ferida da indignação de como uma pessoa pode fazer isso com aqueles que apenas acreditam em um futuro melhor. Ao menos, dentro da proposta da trama. Quando Corey falou da praia, eu apenas peguei a bolsinha e fui passear. Tears.

 

Voight não podia ter saído de cena sem exercer um milagrinho e lá foi ele proteger o garoto. Tudo para manter a criança viva e isso rendeu mais um final nada feliz para a UI. Afinal, não encerraram o caso, apenas tiraram o provocador de cena. Mas melhor mesmo foi Hank calando aquele lá da mana falsa. Cês juram que não ri de novo? Esse Sargento só rendendo as comédias, adoro.

Stefs
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