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23/maio

Que episódio incrível de Doctor Who! É fato comprovado que nada do que direi aqui traduzirá a magnitude dos desdobramentos do último final de semana. Estou embasbacada! Moffat estressa, mas, quando quer brincar de verdade,  faz o serviço direito. Nem sei por onde começar, se na atuação maravilhosa do Capaldi ou se nessa trama que encaixou alguns assuntos truncados que foram esparramados no início dessa temporada. Perfeição ainda é pouco, real e verídico.

 

Começarei pelos assuntos truncados e um deles foi sobre o que havia no cofre. Confesso que cogitei a Mestre, mas fiquei quietinha por considerar uma pegada um tanto óbvia. Não deixou de ser óbvia, mas houve lá sua diferença. Tal flashback, que nos mostrou a que fim levou Missy depois da treta com os Daleks, mexeu no cerne da dignidade desses dois viajantes do tempo e deu mais uma chance de ambos resolverem suas diferenças. Em um leito de morte. Será que ficou tudo bem depois disso?

 

Confesso que, apesar dos discursos lindinhos, tenho lá minhas dúvidas.

 

O flashback explicou como e o por quê de Missy estar guardada pelo 12º, como Nardole se fez presente na TARDIS e por quais motivos o ciborgue é bossy com esse senhor. Uma revelação atrás da outra que contou com um apelo dramático e com a sutileza de um toque cômico. Uma balança emocional que se amarrou na trama do presente que, no fim, nem era tão do presente assim.

 

Tudo porque o roteiro propôs uma simulação e eu caí como um patinho nos desdobramentos. Quando o episódio chegou perto do derradeiro fim, com aquele discurso maravilhoso do 12º, soltei um palavrão aqui em meu quartinho. Como assim? Fiquei chocadíssima e só penso no pior.

 

Abriram esse papo de verdade e de virtude para estender o aspecto da escuridão. Uma vez que se acredita nesses dois V, só assim para combater as sombras. Algo que o 12º não é o mais fã. Principalmente porque se abre brecha para remontar seu passado e bater na quina do famigerado comentário de ser uma pessoa má. A cada episódio, o personagem tem conversado com o cofre em busca de orientação. Orientação sobre o quê? Teremos que aguentar a continuação dessa storyline.

 

Esse papo de escuridão criou um paralelo excelente com a cegueira do 12º. Não digo apenas da impossibilidade de enxergar, mas da cegueira sobre sua situação atual. O personagem está privado de sair da Terra porque fez um juramento e quebrar esse juramento lhe renderá riscos – conforme os autos de Nardole. O Time Lord está sendo privado do que o move e, ao contrário da semana passada, a parada da vez não foi tão excitante. Só rendeu em coisa ruim e mais tristeza.

 

Mas a experiência em si foi excitante pra caramba. Gosto bastante dessa impressão de não soluções e o 12º estava propício a isso ao ponto de ter Nardole como sua muleta. Os instantes divertidos que davam uma quebrada em um roteiro extremamente denso.

 

Resenha Doctor Who - Veritas

 

Um tal de Veritas foi o que desencadeou a trama, visando a busca pela verdade. O cenário do Vaticano foi de tirar o fôlego e isso entra para minha aba suspeita para falar porque amo história. A biblioteca dos hereges, ugh!, eu quero dar um passeio ali. Esse papo de texto secreto. De linguagem extinta, de cópias que se expandiram e que começaram a destroçar as pessoas. Ler ou não ler esse negócio? Digo aqui que não teria coragem, mas geminiano é a raça da curiosidade. Enfim, fato é que esse primeiro arco do roteiro foi tão O Código Da Vinci que vomitei arco-íris.

 

A partir do momento que o Cardeal lançou a premissa, esperei muito para ver como amarrariam história e religião com ciência. Disciplinas que brigam eternamente e o 12º é o mais cético dos alienígenas. A demora de aparecer o lado Doctor Who na trama deu espaço para se assentar um bom suspense, que se fortaleceu com a cegueira do herói que mergulhou em seu próprio drama. Nem mesmo o portal pareceu alienígena (embora claramente fosse) porque o roteiro estava afinado e resoluto para infiltrar a impressão de que tudo aquilo era verdade.

 

Além disso, a ausência do peso científico carregadíssimo em comparação aos episódios passados deu espaço suficiente para Capaldi brilhar na solitude de seu personagem. Um benefício e tanto porque não havia uma coisa conflitando com outra, o que provavelmente roubaria o drama.

 

Definitivamente, se tratava de um jogo sobre um demônio que quer dominar a Terra. Para isso, se criou Sombras que mimicam os humanos para praticar essa meta apocalíptica e torná-la real. Uma vez absorvida com maestria, adeus humanidade verdadeira. Um game dentro de uma biblioteca do Vaticano. Com uma treta entre religião, ciência e tecnologia. Se o 12º pudesse enxergar, é quase certo que teríamos sorrisos bobos de quem acabou de descobrir ovo de Páscoa atrás da cortina.

 

Esse episódio foi sci-fi soft fortíssimo. A tecnologia e a ciência se fizeram presentes, mas o intuito era trazer um aspecto mais humano. Porém, o lado “alienígena” da trama não destoou de todo o resto. Fez sentido e combateu na medida do possível o ceticismo na vida e a dita fé da humanidade. O papo de suicídio em massa me deixou preocupada porque está aí um assunto frágil que me faz dar pitaco sem hesitar. Embora exista várias histórias sobre tal ato, eu simplesmente não posso.

 

Uma vez que a simulação foi descoberta, lá veio Matrix na cabeça. Nardole sendo engolido me deixou muito tensa porque, até essa parte, nada da falsidade do roteiro tinha sido confirmada. E mesmo assim essa falsidade não importou tanto, embora tenha chocado. Digo isso porque esse episódio só queria saber do desempenho de um cego Time Lord. Em como ele superaria tal adversidade inserido em uma tramoia deveras articulada e que precisava do visual para ser desvendada. Formidável. Cada ato desse jogo me deixou em alto estado de tensão. Alertíssima.

 

Resenha Doctor Who - 12º

 

Essa storyline me fez lembrar de um filme de suspense chamado Stay Alive (que não deve ser o único com essa premissa, mas me marcou por motivos de Sophia Bush). A história envolve um jogo de videogame sinistro as hell e as pessoas que acabavam por jogá-lo terminavam tombadas. Nesse caso, os Monges criaram um texto para testar a fé e a verdade para desestimular os humanos ao ponto de cada um desistir da vida. Tarefa para tornar a empreitada de dominar a Terra muito mais fácil e quem acabava por descobrir a tramoia saía eliminado. Tratava-se de um texto que empurrava as pessoas para as sombras, o que me fez indagar: como você combate as trevas dentro de si?

 

As trevas do Doctor nesse episódio foi sua cegueira, o que rendeu uma atuação fantasticamente vulnerável e um tanto desesperadora. Por se tratar do herói, não tem como não sentir inquietude. Aquele que tem a missão de salvar o dia estava completamente “impossibilitado” disso. Uma vez diante do Veritas, esse senhor caçou soluções que não estavam diante dos seus olhos, mas em sua mente. Talvez, em suas próprias trevas que, de certa forma, rebateram em Missy.

 

Ao sacar que aquela situação não era o que aparentava, o 12º moldou a sua situação. Às cegas, literalmente. Para isso, o personagem teve que olhar para dentro e admitir determinadas coisas. Como não ter fé e não ter esperança. Daí, entramos no extremo. É no extremo que, às vezes, damos o melhor de nós e o Time Lord agiu no seu extremo. Com uma visão oscilante. Pagou o bem com o bem ao encaminhar um e-mail para si mesmo. Berrei!

 

Da pegada histórica, a ciência se fez presente, mas com seu toque de modernidade. Ninguém ali era real, mas a força que coordena a simulação já estava forte demais. Quem reconhece a verdade, bem, geralmente é descartado. A rebelião de quem estava cansado de morrer na mesma estratégia.

 

Sutilmente, o episódio colocou em cheque a treta entre ciência e religião. Em meio aos seus aparatos tecnológicos, o 12º teve que buscar nos confins da sua mente a solução. De quebra, a trama colocou em cheque essa de que matar um Time Lord é um privilégio e agora sabemos que Missy realmente está em cena e viva. E que ele era também um tipo de teste a ser confrontado uma vez que sempre salva a Terra. O Doctor afirmou que não tem fé, nem esperança, mas esse lado mais alienígena nunca o fez abaixar a cabeça. Mesmo quando tudo parece perdido. E isso é ter muito taco em si mesmo, o que nada mais é a soma de esperança e de fé em si só. O que dá em coragem.

 

Não é preciso ser o Doctor para ser real, basta apenas não desistir. E não desistir já é um grande ato de fé. É um ato de reivindicação. O Time Lord tentou se reivindicar várias vezes ao longo desse episódio, se esborrachando em uma das cenas contra os monges e que merece um forte highlight. A luta do 12º apenas esfregou a maior verdade desse episódio: não desista. Uma vez que se luta por si, você terá plena capacidade de fazer isso pelo outro. É a virtude.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Missy

 

Nada desse episódio foi real salvo os instantes com Missy. E que momentos com Missy!

 

A partir do momento que o Doctor saca que pode “se desligar” da simulação, as coisas se tornaram Doctorish e foi uma pena ter terminado com uma grande lacuna. O manual foi apenas o pontapé da chamada escuridão e os Monges se mostraram muito bem treinados. Agora, os vilões precisam botar tudo em prática e começo a ficar triste em meu quartinho. O motivo? Falou-se demais sobre regeneração nesse episódio e tais diálogos doeram na espinha. Sinto que sofrerei mais que o combinado com a saideira do Capaldi, fatos reais.

 

Esse papo de verdade e de virtude não apenas casou com o flashback de Missy, mas com o aspecto da religião em si. O episódio não dependeu tanto da ciência, mas de uma tecnologia que movimentasse um Doctor ainda abatido pelos desdobramentos da semana passada. A grande pergunta era como esse personagem lidaria com mais uma adversidade e, para isso, o roteiro precisava dar espaço. Era necessário lhe dar o cerne mais limpo possível e foi isso que aconteceu. A sensibilidade diante do cofre de Missy, a pausa reflexiva na sua sala de aula, a chegada do papa e do cardeal pedindo por ajuda… Tiraram o alienígena de quem assume a TARDIS e trouxeram o humano que, completamente desarmado, teve que usar e abusar do raciocínio.

 

Como os humanos de maneira geral.

 

O intento real era fazer todo mundo mergulhar na angústia do 12º e torcer por um saldo positivo. Não houve corte seco para dar aquele tranco de realidade no quesito trama, o que fez a história fluir, sem levantar suspeita. Está certo que ainda me debato em busca do ponto em que tudo deixou de ser realidade, independente do Nardole ter dado sutilmente as coordenadas. SOS!

 

Foi uma trama bastante humana, de dificuldades, de crença em si mesmo. Do benefício da dúvida, inclusive, do por que alguém leria o Veritas consciente do seu dito efeito. A verdade que combaterá a escuridão, mas que escuridão é essa?

 

E todas as coisinhas sinalizando Gallifrey, amo, mas morro de medo também.

 

PS: Nardole sendo badass ri à beça igualmente das cenas dele sendo os olhos do 12º. Já me apeguei a esse personagem e já sei que ficarei triste diante do seu fracasso em não chutar a traseira do Time Lord o bastante para evitar tragédias. Afinal, a regeneração segue confirmadíssima.

Stefs
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