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08/maio

Primeiramente, vocês precisam saber (ou relembrar) que sempre serei suspeita para falar de qualquer coisa que envolva uma pitada de suspense e de terror. São gêneros que aprecio bastante, até nas piores das versões. O que isso quer dizer? É certo que direi que a experiência valeu a pena. Um exemplo simples é Atividade Paranormal. Ruim né? Sim, mas fiquei tensa no primeiro filme, mas dali por diante foi impossível não rir com tanta coisa absurda. Sensações e impressões que me encontraram durante esse episódio de Doctor Who que seguiu essa linha de raciocínio. A tensão, algumas risadinhas e o culminar de uma sequência awesome de absurdos.

 

A história da vez abriu com uma garota comum, em seu espaço comum e com um objetivo comum. Junto com alguns colegas, Bill foi atrás de uma casa que abrigasse todos e que fosse detentora de um aluguel justo. Inclusive, que tivesse um pouco de dignidade e que atendesse algumas necessidades óbvias – como ser em um bairro seguro, por exemplo, ou não dar a impressão de que o teto ruirá a qualquer instante. Como se farejasse essa necessidade, um homem surge e paga de carta coringa ao ofertar essa possibilidade. Que belo dia de sorte… Ou quase!

 

Quem é que nunca quis morar em uma mansão como aquela? Quem é adepto dos gêneros que citei, e até mesmo drama histórico, sabe que uma locação dessas é um sonho de consumo. Foi fácil compreender o entusiasmo do grupo de jovens, reação que afogou o raciocínio lógico sobre uma empreitada que foi de se desconfiar antes mesmo de se adentrar o ambiente. A única pergunta coerente que pipocou na hora de fechar o contrato veio de Bill. A verdade que vem daquele ditado de mãe: tudo que é barato custa caro. Dito e feito ao ponto do Doctor não arredar o pé assim que também farejou que tal espaço poderia ter uma energia sobrenatural.

 

Não era uma energia sobrenatural, mas, independente disso, o episódio não perdeu seu intento de inserir uma dose de horror. A mansão atendia o perfil do gênero imposto pelo roteiro, com vários quartos, corredores estreitos e uma torre inacessível. Um espação digno de dar calafrios, especialmente pela sequência irritante de rangidos – outra característica crucial de um viés desses. Era um ambiente que, querendo ou não, aguça a curiosidade e acarreta nas malditas explorações. Um desbravar de cada pedaço para se dar conta de que não se vasculhou inteiramente.

 

No fundo, até esperei que tais corredores se repetissem ou algo assim. Justamente para dar a sensação de se estar perdido. Fica pra próxima!

 

O ranger comum de casas muito antigas parecia até charminho, um plus para dar susto, mas tal efeito sonoro escondia a verdade de que cada madeira, que contrastou com o fato das árvores rangerem sem vento, devorava quem vivia ali. O motivo? Alimentar a filha do senhorio. Não de qualquer maneira, mas com quem era jovem. O perfil dito cheio de energia. Uma sobrevivência nem um pouco digna, não interessando a revelação de que o velhinho era o filho que queria salvar a mãe – que se tornara basicamente uma árvore.

 

A piadinha para cima do Doctor, que nem aceitou a condição de vovô, de que ele era velho, sobre não ter mais energia, me fez rir aqui em meu escritório.

 

Resenha Doctor Who - Doctor

 

Como manda um suspense, houve o misto de duvidar ou não dos rangidos. De achar normal um membro do grupo ficar enfiado no quarto quase o dia todo e ouvindo a mesma música. O dar de ombros para a precariedade de uma mansão nitidamente antiga, em uma área sem sinal, e ficar ok com a promessa de que as coisas se resolverão no dia seguinte. Só faltava o episódio ter transcorrido perto de alguma floresta para a sensação de estar perdido no meio do nada ser latente. Mas daí a casa ganhou vida e lacrou todo mundo lá dentro, o que me lembrou suspenses que ocorrem dentro de uma casa de vidro. A cena de tudo se fechando gerou um medinho suave.

 

Uma tensão leve que abriu várias brechas para o Doctor inserir nuances cômicas ao episódio. Como manda a etiqueta, o personagem se deixou levar pelos causadores desse suspense, tatuzinhos, que embrulharam meu estômago. Ato que não abalou Bill em dar uma cutucada nesse Senhor do Tempo ao dizer que aquela parte da sua vida pertencia a ela e não a ele. Literalmente, um “você nem tinha que tá aqui, lindo”. Apesar do suspense, o episódio intentou impôr limites entre alienígena e companion. Contudo, ambos falharam miseravelmente.

 

Bill e o 12º não conversaram muito nesse episódio, mas se começou a discutir a questão do espaço. Algo exposto em cada quarto da mansão. Semana passada, se assentou a confiança e que deu certo visto que o Time Lord a auxiliara na mudança – e foi lindinho. Mas a intromissão constante do Doctor se tornou incômoda pelo simples fato de que era para ser um dia comum para uma garota comum. Dando um contraste sutil ao que ele dissera sobre ser um Senhor do Tempo nada mais que um Senhor do Tempo – porque ir além seria o mesmo que desbravar o passado e sem chances.

 

Foi uma experiência que conseguiu engajar atenção em vários ângulos, mas nem tudo foi perfeito. Bem nos dez minutos finais, as coisas começaram a perder o sentido. O roteiro engatou o aspecto do seu suspense, do seu suposto terror, movendo o elenco de jovens que agiu como manda um viés como esse: no absurdo. Só que o surgimento do aspecto humano, a conversa sobre viver confinado não ser um estilo de vida, destoou de todo o resto. Em um confronto entre o humano e os tatuzinhos, a conclusão trazida por Eliza e o senhorio pareceu encaixe de última hora.

 

Resenha Doctor Who - Eliza

 

Foi necessário rebobinar para saber o que se perdeu na história para o Doctor chegar à conclusão quanto ao parentesco do senhorio e de Eliza. Foi preciso repetir mentalmente o raciocínio de Bill para aceitar tal conclusão – e ainda sim foi um tanto difícil de engolir. A emoção que intentaram engatar no reencontro mãe e filho não envolveu porque a solução foi truncada. Deveriam ter mantido apenas o suspense ou dar um jeito de trazer a pincelada do drama dentro da experiência de cada jovem com a mansão. O final se desconectou do resto, sem um pingo de sutileza.

 

Apesar disso, gostei do episódio – eu disse que era suspeita. Foi uma questão de sacrifício, algo que logo mais terá nessa temporada de Doctor Who e que esse roteiro fez o favor de cutucar – o papo de regeneração. Foi uma trama muito boa para terminar com a inocência que ainda existia em Bill sobre a ideia de que uma casa é apenas uma casa. Uma vez com o Time Lord, nada é apenas uma casa. Não quando um de seus colegas é sugado por uma parede embaixo do seu nariz.

 

Concluindo

 

A parte positiva é que ninguém morreu, o que refletiu bastante nas reações de Bill. A companion lidou melhor com as circunstâncias dessa vez. Não que ela tenha ficado menos chocada com os desdobramentos da casa, mas o sustão passou. Agora, é adaptação.

 

Tão lindinha com as coisinhas dela e a fotinha da mãe. ♥

 

Acho que não preciso dizer nada mais sobre o comportamento do Doctor, certo? Certo! Maravilhoso! Fingindo que manjava de Little Mix, então, gargalharei até 2018 – mas daí lembro que Capaldi sairá e perdeu a graça.

 

Quem está atrás do cofre, pela Deusa!?

Stefs
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