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15/maio

Estou tristíssima com esse episódio de Doctor Who, mas ao mesmo tempo bem satisfeita. Ele conseguiu ser um bocado mais assustador e apreensivo que o anterior. Além disso, de tirar o fôlego graças ao aspecto mais humano da trama. O passeio da vez nos levou ao espaço, um desejo que partiu de dois corações de um alienígena que parece viver em contagem regressiva para tirar os pés da Terra. Com isso, as emoções afloraram já que tudo partiu de uma vontade insana de reconexão.

 

Novamente, lá estava o 12º em sua experiência falsa de professor universitário, entoando seu fascínio latente pelo universo. Ouvimos reflexões sobre a vida ser curta, que o espaço é a fronteira final e que está sempre pronto para nos aniquilar. Uma preparação para o que viria ser uma grande prova para um personagem que, outrora, careceu da famosa preocupação com os humanos. Inclusive, uma resposta em reação a quem se sente preso a um juramento diante de um cofre.

 

Atrelado a isso, acompanhamos também o que se tornou a experiência que aniquilou de vez a inocência de Bill. Agora, ela foi a prova viva dos riscos que realmente transcorrem quando se embarca na TARDIS. Ser companion não é apenas andar nos calcanhares do Time Lord, certo?

 

O interessante dessa temporada é que dá para sentir com mais firmeza, nas pontas dos dedos, esse compasso que ritma o desenvolvimento de Bill dentro de Doctor Who. Isso está deveras precioso porque, aos pouquinhos, se quebra a mencionada romantização do Time Lord do ponto de vista dela. O negócio é sempre mais embaixo e essa aventura no espaço deixou isso muito claro. Não é só sobre soluções, mas também sobre sacrifício – e está aí algo que o 12º não hesita.

 

Resenha Doctor Who - Bill

 

Bill foi o drama de uma trama que tentou engatar leveza, mas se tornou um monstro claustrofóbico. Enquanto a gravidade não afetava ninguém, houve uma sequência bacaníssima de discussões fortes, e até cômicas, entre o 12º e Nardole. Ambos assentaram uma preocupação ainda não vista sobre o cofre e a aventura no espaço serviu de motivo para relembrar que esse senhor não pode sair da Terra. Conversas que tensionaram a história porque rebateram na negligência do Time Lord. Ele não pensou duas vezes em sair do tédio em nome de seu saudosismo espacial. Atitude que poderia ter rendido mil maravilhas, mas quase deu em morte. Tal coisa não pode ocorrer. Ao menos, não agora.

 

A proposta de trazer a verdadeira face do espaço acabou por refletir mais na dita verdadeira face do 12º. A vida na Terra pode ser maravilhosa, mas não é o suficiente para esse Time Lord. Ele dá conta de ser professor, mas deixou claro que suas verdadeiras origens ainda o chamam e lhe são atraentes demais para ser ignoradas. E um dos principais traços dessas origens é estar entre o tempo e o espaço. Mesmo com os alertas de não poder passear além do presente terráqueo, lá foi esse senhor quebrar as regras mais uma vez. Acima de tudo, testar uma Bill que botou a confiança nele em cheque visto que esse “pacto” sempre será mais prático que verbal.

 

Quando o espaço pede por ajuda a resposta que damos nos mostra o nosso verdadeiro caráter também. A abertura engatou a tensão de um problema que se revelou ser mais uma nuance do capitalismo. Um capitalismo espacial. Como responder a isso? Humanizando a história. A vida custava caro, então, nada como a morte ser cara também. O Time Lord reagiu sob o código de uma dita vingança, viés que me fez lembrar um bocado do Sleep No More. Aquelas máquinas do sono foram construídas pela ganância humana, tema que cerca o 12º desde que roubou o cerne de Doctor Who. Lá no passado, quem fez o maior sacrifício foi Clara. Aqui, foi Bill. Ambas servindo de exemplo para os limites das pessoas em ter nada mais que lucro.

 

Resenha Doctor Who - Bill, Nardole e 12º

 

Mas quem acabou por pagar o preço maior do mercado foi o 12º ao fazer de tudo para proteger sua companion. Se antes essa versão não hesitava em colocar quem estivesse ao seu redor em risco para provar um ponto, dessa vez houve mais rigor. O alienígena não hesitou em se sacrificar por alguém que perdeu a inocência sobre seu papel de companheira. Foi uma troca de confiança um tanto surpreendente considerando que é dessa versão que falamos.

 

E penso que nunca deixará de ser surpreendente, pois o 12º sempre engatou o cold shoulder. Ver essa desconstrução emocional tem sido uma das coisas mais preciosas do arco desse Time Lord.

 

A claustrofobia de saber que cada respiração contava rebateu demais em uma Bill que foi espremida de vários jeitos diferentes para salvar o dia. Aquele traje dando defeito me deixou completamente agoniada! E logo o capacete! Cada passo tinha que ser estratégico a fim de não queimar o oxigênio. Cada medida imposta pelo 12º pedia sacrifícios que abriram margem para uma sequência de cenas-chave de partir o coração. A começar pela que a companion deu de cara com o vácuo e, depois, sozinha para que o Time Lord provasse um ponto. E veio o resultado, a cegueira do Doctor que berrou regeneração em todos os seus poros. Só tristeza!

 

Não posso sair sem mencionar Nardole, cidadão que teve um papel influente nessa aventura do Doctor. Ele representou o compasso moral tanto pelo peso do que acontecia no espaço quanto no que se mantém preso no cofre. A preocupação do ciborgue com Bill também me deixou derretida porque o clima estava muito propício para culpá-la pelas movimentações imprudentes do 12º. Esse serumaninho, que não é serumaninho, é formidável. Eu fico toda heart eyes.

 

É fácil compreender as defensivas de Nardole, mas, voltemos ao que disse lá em cima: quando as origens chamam, às vezes, não tem como confrontá-las. O 12º se moveu pelo saudosismo do espaço e pela necessidade de estar em contato com uma das poucas coisas que ama – e que não são terráqueas. Como proibir essa criança de dois corações de tamanha aventura?

 

Ok que se eu soubesse que esse passeio espacial terminaria mal, eu mesma algemaria o 12º.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Nardole e 12º

 

A narrativa de abertura deu um tom poético a esse episódio. Capaldi é maravilhoso demais!

 

Voltar ao espaço quando se faz um juramento mostrou que tem seu preço. Foi impactante saber que o 12º seguiria cego, afinal, tudo na TARDIS se cura. Tudo com a chave de fenda sônica se resolve. Relembrar que esses artefatos são falhos rendeu uma pontinha de desespero. O lado bom (vamos ser otimistas só um tico) é que Capaldi tem excelência e não espero nada menos que maestria daqui por diante. Se o personagem já moveu o inferno naquelas curtas cenas que renderam a conclusão desse episódio, quero nem pensar no que desenrolará no próximo sábado. Já estou aos prantos!

 

Bill chamou a atenção mais uma vez e ela contou com grandes cenas. Foi possível sentir o pavor da personagem, a aflição de ser abandonada e esperar uma piada para afirmar que o que aconteceria em seguida seria indolor e consertável. Penso que a companion passou no teste do confiar em um Time Lord e aquele abraço em grupo me deixou toda choradinha em meu escritório. Por que diabos você tem que sair logo agora Capaldi? Poxinha!!

 

Apesar daquela mesma sensação de resolução final muito rápida, estabeleceram melhor o intento humano desse episódio. Deu para sentir mais o peso daqueles trajes, seus objetivos, e o que poderiam ter feito. O ponto de vista de Bill pesou demais para o desenrolar dessa trama que botou o 12º em uma nova saia justa. Tudo era uma questão de planilha, de ineficiência, e morrer se tornou mais caro que sobreviver. A tática irônica contra o capitalismo.

 

E a gente segue querendo saber quem está no cofre. E podemos nos animar com a volta de Missy.

 

PS: então quer dizer que o 12º só enxerga dentro da TARDIS? A cena final deixou isso a entender.

 

Stefs
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