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30/maio

Eu simplesmente adoro quando os episódios de Doctor Who rendem continuidade por motivos de desenvolvimento e de aprofundamento de plot. Na medida do possível, os desdobramentos dessa semana mostraram um pouco mais sobre as intenções dos Monges, personagens apresentados em Extremis, o que me deixou com aquela contradição na mente. Eles são bons ou ruins? Man, todo aquele discurso de consentimento puro e regado de amor, apoiado na crença de uma humanidade mais próspera em comparação a que vivemos agora, me bugou seriamente. Gerou-se mais uma discussão sobre o mundo que habitamos hoje visto todas as crises que nos faz pedir para que o meteoro avance logo de uma vez. Os shades políticos seguem lindos, real e oficial.

 

Os Monges representaram esse meteoro contra a humanidade e criaram dois tipos de plano para que o consentimento que os faria donos da Terra acontecesse de qualquer maneira. Pelo dito bem, eles inseriram uma pirâmide estratégica entre os exércitos mais poderosos do mundo, um escritório para um aparato tecnológico que mostrava o futuro da humanidade caso o trato não fosse feito. Era a zona de observação desses seres que, a cada foco, pareciam estar infiltrados na tela do notebook (meu caso). Na outra via desse plano, lá estavam dois cientistas que representaram o famigerado errar é humano e quase aniquilaram a vida pelas suas próprias mãos. A ressaca maligna que quase provocou o fim do mundo e que quase levou o 12º a tiracolo.

 

Esse episódio serviu de um reflexo bastante sutil do convívio humano. Detalhe que não deixa de rebater em nossa existência tanto no individual quanto no interpessoal. Além disso, o roteiro trouxe duas camadas de uma storyline que deu alguns cutucões em cernes políticos. No quanto embates não ajudam em nada e no quanto o poder que coordena nossas vidas deve partir do amor e não do medo ou de uma estratégia. E não é esse tempo que vivemos agora? Não só agora, claro, mas é fato que acompanhamos mais um caso nesse assunto e não é só no Brasil.

 

Os poderes de hoje, sejam dados pelo voto ou tomados por um golpe, não são de amor, são de estratégia e que visam beneficiar a camada privilegiada da sociedade. Penso que o que seria o “resto” se encaixaria perfeitamente na menção dos Monges sobre sermos cadáveres. Por mais que lutemos, ainda somos subjugados por governos e aí entra uma das contradições do episódio: o amor escraviza. Então, o que diabos queremos com a humanidade de maneira geral?

 

Os Monges podem ter se oferecido para salvar a Terra, mas foi perceptível o outro fato de que nada está bom, independente do que sentimos no momento. Independente do que for, ainda rola aquele desespero em que simplesmente pedimos para o meteoro vir mais rápido a fim de dar um reboot em tudo. Se adaptarmos essa storyline para o agora, consentir para se ter uma dita humanidade melhor seria igualmente tentador. Afinal, a cada dia que passa, parece que a realidade está angustiante e insustentável. Eu mesma sendo contra os otimistas nesse momento (mas os amo).

 

Daí entramos no sacrifício que tem muito a ver com uma reduzida no orgulho. O que, supostamente, deveríamos fazer, pois gera uma ação genuína que rebate no que está lá em cima. Aka na perspectiva de um mundo melhor com base nos nossos governantes. O consentimento trazido como divisor de águas, que parte do que é puro, é algo que penso que nunca veremos em dias atuais. Não quando status, por exemplo, ainda é o mais relevante e que define “quem é gente”. Sem contar essa de quem é melhor que quem, o que confronta fortes potências.

 

Uma das cenas do episódio que fortaleceu isso foi o dar de mãos entre as chefias dos exércitos. Uma demonstração de paz que, pelo lógico, deveria afetar o poder no geral. Essa foi uma ilustração do quanto é possível melhorar sem essa competição. Obviamente que não depende só de quem está lá em cima. Precisamos mudar nossas atitudes em pró de um mundo melhor também.

 

Resenha Doctor Who - Bill

 

O que os Monges intentaram desde o início foi criar uma nova humanidade, mas pensei: como fazer isso sendo que os parâmetros dessa reconstrução partiram do dia um até o fim da humanidade? Que tipo de diferença isso traria visto que a simulação partiu de tudo que aconteceu na Terra e entre os humanos? Esses seres absorveram culturas, traquejos, ideologias. Ao menos, é o que se supõe para quem brincou de Big Brother. Querer consentimento para montar uma sociedade distópica não é animador e o 12º estava correto em manter em alerta o pretexto dessa liberação de domínio. Afinal, os humanos ainda não aprenderam a ser bons entre si para fortalecer um amor que não escraviza. Um amor que soou como devoção da parte desses “bonitinhos”.

 

Esse roteiro me deixou fervida dos mais variados pensamentos e prefiro segurar um pouco para saber o que virá no próximo episódio. Mas, se vale de algo, só consigo pensar em uma sociedade mais cruel. Os tempos atuais estão de uma atrocidade sem fim.

 

A premissa também foi relevante para tirar o Doctor de duas semanas de denso drama. Como presidente do mundo, uma ironia do caramba visto o foco do episódio, lhe foi conferido um poder que exigiu movimento e medidas cautelosas. O 12º fora da simulação atendeu ao chamado com sucesso e tentou apaziguar ânimos. Além disso, impedir um desastre.

 

O momento de choque foi o 12º dar aval de atacar a pirâmide, o que me fez pensar no episódio 9×08. Lá, o Time Lord teve outro tipo de posicionamento em comparação ao que ocorreu essa semana diante de uma iminente guerra. Roteiros paralelos que me fizeram gritar (já que uma das autorias é a mesma). O personagem mandou textão verbal para Clara e para Kate, teve até puppy face. Tempos e tempos depois, esse senhor ordena uma guerra? Fiquei tão passada quanto Bill e Nardole. Ninguém quer 3ª Guerra Mundial e o alienígena foi lá e bang! Por algum motivo, lembrei dos mísseis de Trump.

 

Situação que também me fez pensar em outro ponto de contradição. Os Monges venderam essa de serem vilões, mas não explodiram o avião e o míssil. De quebra, devolveram as equipes com vida. A bendita verdade de que os humanos são responsáveis pela Terra de maneira geral e a verdade disso veio na eliminação do que não era genuíno. Mas até onde esse papo vai? Afinal, uma oferta muito boa essa de trazer uma “nova humanidade”, só que a troco do quê? Não ter essa razão fulminante me estressou demais porque tudo pareceu muito bonitinho de sedutor.

 

No fim, o reboot da Terra estava programado de qualquer maneira pelo laboratório, independente de consentimento. Foi com Erica que tivemos a cena mais arrebatadora do episódio. Depois de adiar sua verdade, o Doctor se viu na saia justa e rendeu aquela pausa dramática. Segundos o bastante para partir o coração junto com a expressão de uma Bill que pode ter salvo ou condenado a humanidade. E de alguma forma isso me fez lembrar de Martha Jones.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - 12º

 

Esse episódio foi puramente desenvolvimento e deu um arrepio suave com esse papo de que “o fim da sua vida começou”. Quanto mais a temporada avança, mais eu fico triste, real e oficial.

 

Foi uma trama de várias mensagens que refletiram no tempo atual. Pode não haver uma pirâmide no meio dos exércitos pesados do mundo, mas há uma em cada canto do mundo e que precisa ser removida. Como um elefante no meio da sala, que sinaliza um problema que precisa ser resolvido.

 

Muito me interessa saber como é esse novo mundo dos Monges. A promo do próximo episódio me deixou animada e ao mesmo tempo temerosa. Quero saber se confirma o que eles aprenderam com a simulação da humanidade e que modelo de vida inserirão na Terra. O que eles sabem e o que pretendem fazer?, como bem foi indagado nesse episódio.

 

Assim como o episódio anterior, esse roteiro foi bem humano e esquentou com eficiência o que virá. Foi bem conduzido ao ponto do mundo quase acabar pela própria mão da humanidade. Irônico seria se não fosse uma verdade. A analogia com os vidros simbolizou o quanto a vida é frágil e como pode ser controlada em uma simples sequência de eventos. E o quanto governar por medo não rende lá muitas coisas. Mas o que seria governar com amor – que soou como devoção?

 

Houve um swan song puxado essa semana e vamos acompanhar as consequências.

 

E o bichinho Nardole como fica?

Stefs
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