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12/jun

Doctor Who pode ter encerrado sua trilogia maravilhosa na semana passada, mas os desdobramentos desse episódio continuaram focados em encaminhar uma mensagem bastante política. O norte de pensamento ainda seguiu sobre guerra e o raciocínio estratégico em que os meios justificam os fins. Além disso, se sinalizou a questão de sobrevivência e de coexistência entre humanos e Guerreiros de Gelo. Gatiss veio naquele jeitinho de aliviar a trama rumo a mais um fim de ano, mas não deixou de entregar pautas a se refletir. Tais como intolerância, respeito, convivência e autoridade. Abordagens que não precisaram dos Monges para ressaltar que a humanidade anda cada vez mais pensando com o próprio umbigo. Evitando o modo apaziguador.

 

Tudo começou com o que parecia um passeio de criança na NASA. O 12º surgiu com seu jeito atualmente palhacitos, Bill passada com a chance e Nardole, bem, sendo Nardole. A visitação poderia seguir normalmente se não fosse uma mensagem que desengatilhou uma trama em Marte. 1881. Inclusive, que encontrou seu auge e ponto de bala para esclarecer e definir sua proposta quando a Rainha despertou. Enquanto isso não ocorria, passamos um bom tempo em um sondar de território que aos olhos de um Time Lord sempre terá alguma coisa errada.

 

Para entender a mensagem, saltamos para o passado e quem dera se isso fosse possível na nossa realidade. Friday se apresentou como o Guerreiro de Gelo remanescente e alteou uma sobrancelha diante do que pareceu subjugação nas mãos dos humanos. Mais precisamente, de Catchlove, um nome irônico dentro da premissa. O cidadão não sentia amor a não ser por si mesmo (se é que podemos chamar de amor-próprio porque foi egoísmo) e traiu para se safar. Um personagem que pesou dentro dessa história, pois mandou a mensagem bem-sucedida de perdoar. De não julgarmos o grupo pelo erro ou pela fraqueza de um. De quebra, resgatou o comentário do quanto esquecemos a história em vez de aprendermos com ela. Um costurar com os últimos episódios bem awesome porque não se perdeu a linha de raciocínio sobre o que essa temporada intenta como moral.

 

O papinho na hora do chá deu muito dessa história. Um ser de outro planeta pedindo ajuda para retornar ao seu lar e os humanos tirando vantagem para alcançar alguma vitória no processo. Intenção que deixa o Time Lord de testa quente, por mais ranzinza que ele possa ser. Nesse caso, se repetiu o interesse em riquezas. Afinal, diante de um alienígena quereremos saber seu valor para assim lucrar em cima, certo? Sim, há quem pense assim e foi o que assistimos. Uma vez dentro da tumba da Rainha, os olhares cobiçosos despertaram, o que revelou uma das piores facetas do ser humano. Que não se importa em violar e romper para ter o seu. Uma falta de respeito que tirou a dona do episódio da sua hibernação e a partir daí foi só correria e textão verbal para evitar guerra.

 

Resenha Doctor Who - Catchlove e Queen

 

A Rainha foi deveras importante para o auge do episódio até sua conclusão, mas é importante ressaltar o tratamento dado ao Coronel e ao Catchlove. Geralmente, em circunstâncias como essa, o Time Lord fica com a grande missão de tentar apaziguar o clima. Ainda mais quando o papo é guerra, algo que o alienígena lidou pela segunda vez nesse ano. Ao contrário do comum, a decisão final caiu nas mãos dos humanos e não houve muito o que fazer a não ser tirar o 12º de cena. O papel do personagem diminuiu essa semana, sua condição de alienígena não serviu de muito, e os cidadãos mencionados tiveram a responsabilidade de engatar uma conclusão satisfatória.

 

Quem acabou com a grande resolução foram os dois soldados mencionados acima. Dois personagens dúbios que trataram os Guerreiros de Gelo de formas diferentes. Mesmo pensamento que coube aos demais companheiros que empacaram em Marte. Uns realmente cobiçosos e outros só almejando a hora de retornar para casa. O papo de caráter foi dado mastigadinho, até do ponto de vista de Friday que foi julgado ao compactuar com humanos para retornar ao seu planeta. Houve várias nuances de mentira estratégica e quem acabou dizendo a verdade salvou o dia. Outra ironia que combate os Monges, que simularam uma verdade para manter a Terra em seu poderio.

 

Doctor e Bill apenas correram de um lado para o outro e permaneceram de mãos atadas. Não era uma causa deles, embora tenham caído naquela zona de quase guerra e se sentiram automaticamente responsáveis. Os humanos eram os invasores, mas a irracionalidade diante da ganância os cegou e cegos são difíceis de combater. Nem com muita insistência Catchlove caiu e a resolução se encontrou nas mãos daquele que expressou coragem. O Coronel, personagem que merece honrarias por ter conquistado um singelo desenvolvimento que se entremeou na mensagem estrondosa do episódio: não julgue a humanidade por sua crueldade ou pela minha covardia.

 

Resenha Doctor Who - Coronel

 

Desenvolver um personagem quando se tem o Time Lord, ainda mais em roteiro do Gatiss, é o que chamo de grande milagrinho que precisa ser celebrado. O cidadão transitou da covardia para a coragem, e isso foi ótimo de acompanhar mesmo sem grande aprofundamento.

 

As circunstâncias desse roteiro me fizeram pensar no ISIS, que segue com os mais variados ataques, em diferentes partes do mundo. Sua existência e suas ações “determinam” todas as pessoas que existem no mesmo lugar da sua fundação e Doctor Who não espelhou algo muito diferente de tempos que não são atuais em seu episódio. Embora a trama tenha sido histórica, houve certa pontualidade. Houve incluso o estereotipar de uma comunidade com base nas ações de um. Aqui pode não ter rolado tanto o medo, afinal, homem e marciano tiveram tempo de convívio. Porém, houve briga de superioridade. Houve a discussão de não caracterizar um devido a atrocidade do outro.

 

Esse episódio mostrou que é possível negociar para vivermos em uma logística de paz. Que nem sempre pensar como guerreiro vale a pena, a sacada final que amarrou toda a proposta de Gatiss nesse roteiro bem clássico em vários âmbitos (olar, Alpha Centauri, vamos brincar?). Nem tudo se resolve com bombas e aqui calhou novamente o quanto não tem se aprendido com a história.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - mensagem

 

Doctor Who entregou uma trama sem grandes reviravoltas, sem desenvolvimento de personagem e sem uma dose imensa de raciocínio. Foi meramente uma passagem de tempo, uma distração para encaixar Missy na trama. O que essa linda quis dizer com a perguntinha do “bem” ao 12º? Só lembro do 10×07 e a sensação de que aquela situação no centro de pesquisa o infectou. Nardole tombou rapidão, o bichinho, não vamos esquecer (e tudo pode acontecer).

 

No fim, não passou de mais uma historinha relaxante. Um capítulo de livro que você curte a fim de recuperar algum tipo de mensagem perdida entre o tempo e o espaço. O próximo episódio parece que seguirá essa mesma linha e estou pronta em meu quartinho.

 

Vale uma ressalva sobre as menções culturais de Bill. Todas as vezes que a personagem dizia alguma coisa, só ficava eu mesma. Essa pessoa cada vez mais adorável, I can’t. E, claro, o pedido da Rainha em um papo de mulher para mulher. O berro que eu dei!

 

Agora faltam 3 semanas para o Capaldi regenerar e queria que o tempo congelasse.

Stefs
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