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19/jun

Pode começar a abrir o berreiro porque só faltam mais duas semanas para o fim dessa temporada de Doctor Who, bem como da presença do Capaldi em nossas vidas? Já me sinto no direito!

 

O episódio da vez veio minimamente impactante e sem desenvolvimento de storyline, mas mostrou Capaldi no que eu diria ser seu habitat natural. Ou seja, a Escócia, o que só piorou meus sentimentos de viúva que eclodirão daqui uns dias. O roteiro entregou mais uma história sólida e, por algum motivo esquisito, um tantinho saudosista. Isso pode ser meramente uma impressão particular, mas fiquei um tantinho pensativa depois que tudo acabou. Além disso, esse capítulo também somou aos debates de política que têm rolado nessa temporada e o shade da vez foi destinado ao medo, à covardia e como guerras tendem a ser iniciadas por razões infantis.

 

Assim como na semana passada, esse episódio de Doctor Who largou a isca e deu a volta no passado para justificá-la. Inclusive, para trazer uma moral. O roteiro se apresentou um tanto mais fraco em comparação ao de Gatiss, com um compasso mais lento, sem grandes piruetas. Foi uma nova pausa para aproximar Missy da trama a fim de impedir que seu salto para o cerne do caos ocorra do nada. Ato que dá a impressão de que a personagem anda acompanhando essas aventuras, o que justificaria o fato do 12º entrar no cofre com lanchinhos e tudo mais.

 

A aventura da vez surgiu do nada e quebrou qualquer tipo de ligação com a trilogia dessa temporada e o início da jornada de Bill. Time Lord, companion e ciborgue saltaram da TARDIS em busca de provação de quem manjava mais sobre a Grã-Bretanha romana e de quem acabaria ganhando uma estrelinha dourada por tal entendimento. Um teste de pontos de vista que culminou no encontro da Nona Legião e dos bárbaros liderados por Kar.

 

Resenha Doctor Who - Bill

 

Em meio à lentidão, o episódio permitiu que se pescasse vários pretextos para culminar na união de dois grupos discrepantes contra o devorador de luz. A começar pelo papel sempre brilhante da TARDIS em representar a tecla SAP e fazer com que todo mundo se comunicasse na mesma língua. Ato que evitou qualquer medida mais drástica. As experiências de Bill com os soldados foram igualmente preciosas, não apenas pela jura de que manjava mais do assunto que o Time Lord, mas porque houve uma singela pincelada do patriarcado que também tem seu jeito de afetar os homens.

 

Não é apenas um traço da antiguidade o fato de que homem precisa ser bravo e que qualquer sinal de vulnerabilidade é sinônimo de fraqueza. Os jovens da Nona Legião estavam apavorados e Bill foi formidável em seus discursos. Ela quebrou um pouco esse “conceito” e a afirmação de que sentir medo é ok me fez dar gritinhos. Mesmo encurralada após seu ataque, a companion exerceu um imenso papel em diluir essa parede que trouxe o melhor desse grupo em cena.

 

Não podemos nos esquecer do breve debate sobre sexualidade que foi mais que demais. Cada chance que aproveitam para pincelar esse tópico me deixa feliz. É da caracterização da personagem e pontuá-lo em uma era não tão moderna assim firmou a questão de ponto de vista. Uma questão que combateu muito sutilmente várias situações ao longo desse episódio.

 

A começar pelo Time Lord que se pôs na obrigação de diluir a faceta de guerreira de Kar. Ela era ou não uma guerreira? Houve alguns instantes dessa interação que queria que o 12º se calasse porque podemos liderar sim. Em contrapartida, criaram um revés ao se revelar que a garota iniciou uma guerra ao liberar o devorador de luz. A partir daí, o ponto de vista se alterou um pouquinho.

 

E, não sei vocês, estava meio óbvio desde o início que Kar tinha liberado a criatura. O que anulou bastante o peso do mistério sobre os devoradores de luz.

 

O 12º estava no nível sem paciência para principiantes e estava com saudade dessa demonstração que o fez quase assumir uma responsabilidade que não lhe pertencia. O último diálogo com a guardiã do portal, antes do embate com o devorador de luz, tocou lá no fundo. Uma emenda ao papo de medo e que uma hora todo mundo precisa combater seu monstro interior. Nessa conversa, o personagem mexeu com meus botões, confesso. Eu sempre ficarei passada sobre o quanto Doctor Who conversa comigo em momentos inesperados e quando mais preciso. Fico passando mal aqui na minha casa. Bem que gostaria que esse senhor viesse aqui bater um papo comigo. Tô precisada!

 

Resenha Doctor Who - Kar

 

Kar representou um tipo de contraposto com relação aos episódios anteriores quando conversamos sobre o mau, o malicioso, que se usa do bom/bem para prosperar. Aqui, se mostrou que o bom também pode pisar na jaca, mesmo que o intento nessa história tenha sido a busca para salvar uma comunidade. Uma comunidade vítima da Nona Legião. O desejo da guardiã do portal foi meio que pagar com a mesma moeda. Um pensamento que encontrou seu ponto estreito de egoísmo, aquele que o 12º não gosta e aperta sem pensar duas vezes. Secamente, o Time Lord assinalou o que se ganhou com tal ato e voltamos ao pensamento estratégico e no quanto ele pode ser ruim.

 

Com a liberação do devorador de luz, o planeta passou a correr risco. Graças a uma atitude impensada de Kar. Um método que poderia ser justificado como um senso, mas se tratou de uma decisão irresponsável. Tudo visando a possibilidade de destruir o dominador. A ganância falou mais alto e o 12º não deixou isso passar em branco. Não foi uma ideia estratégica, como se tanto comentou no 10×09. Aqui, foi decisão de criança e como não pensar no atual presidente dos EUA e no possível presidente que poderemos ter em 2018? Sinto-me mal em comparar a garota com essas amebas, mas a mensagem embutida cabe a essa situação. Os mísseis….

 

Bill e o 12º se dividiram para dar uma ótima lição sobre se ouvir antes de atacarmos. De compreendermos o que ocorre para assim descobrir o que é necessário para o momento. Como temos que enfrentar o medo e transpassá-lo. Foi um episódio bastante sentimental em vários pontos, apertando botões, e que rebateu no reencontro de Missy lá no final. Personagem que segue em seu regime de compreender a humanidade e essa tal de esperança que o Time Lord se agarra.

 

As lágrimas dessa mulher me arrancam risadas porque falsa demais suponho – e a promo do próximo episódio já soltou um teaser de que amorzinho entre esses dois é temporário.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Grupo

 

Além do medo, houve a moral sobre a importância de ouvir a música do mundo. Algo comentado ao longo do episódio na forma dos corvos – que tenho certeza que foram ignorados. As aves eram o único som do passado que importava contra o sotaque escocês e a trilha sonora. Precisamos dar mais atenção aos arredores, sem dúvidas, e as necessidades das pessoas.

 

Novamente, Doctor Who entrega um conto que vale guardar no coração. Foi uma sequência de mensagens que, com certeza, serão cobradas nas duas próximas semanas. Nunca comento nada sobre som e edição, algo que particularmente não me afeta já que sou sugadora de mensagem, mas amei o conjunto da obra. Meramente porque Escócia. Alguém poderia me levar até lá?

Stefs
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