Menu:
05/jun

Estou aqui em posição de derrota e choramingando pelos cantos depois desse episódio de Doctor Who. Penso que tal comportamento não se alterará até o final dessa temporada porque está difícil segurar essa marimba. Que dramatização, que mensagem, que atuações! Tudo tão magnífico e fico tristíssima sobre essa storyline dos Monges ter conquistado uma conclusão. E que conclusão! Como disse anteriormente, gosto bastante quando a série investe em continuidade e aqui chegamos a um ponto importantíssimo de resolução com base no baita cliffhanger da semana passada.

 

Como um documentário do History, os primeiros minutos do episódio mostraram detalhes sobre o quanto a humanidade se alterou no poderio dos Monges. A narrativa envolvente do 12º, que compôs majestosamente essa trilogia, assegurou que tais seres estavam entre os humanos desde a Pré-História. Uma mentira deslavada, mas que se enraizou na mente das pessoas como uma verdade universal. Ato que delineou vilões convincentes que mantiveram a ordem, garantiram avanços e tiraram a Terra de um processo retrógrado e estagnado – nossa dura realidade.

 

Entre os resultados dos Monges no nosso querido planeta estava o grande e real questionamento de saber como a decisão de Bill influenciou nesse quadro. Foi-se comentado sobre o link da companion com esses seres uma vez que pediu por ajuda. Tópico trabalhado ao longo dessa tramoia que se manteve por longos seis meses. Ao votar pelo sim na semana passada, nessa testemunhamos a humanidade não tão diferente. Independente da presença dos vilões marcada em cada esquina. O clima parecia o mesmo, a rotina… Até vermos que bastava dizer a verdade que você deixava de existir. Tratou-se da inserção da simulação-teste que impregnou como a simulação-real.

 

Uma baita de uma ditadura. Thanks, Bill!

 

As alarmantes estátuas dos ditos salvadores da Terra marcaram presença de forma um tanto assustadora. Mas não tanto quanto a propaganda do 12º que abriu essa trama no intento de nos fazer refletir sobre como a mídia e o Estado conseguem ser narcotizantes sem impor tanta força. Isso, se taparmos o Sol com a peneira, algo que os humanos desse episódio fizeram com gosto. Uma vez que se conhece o comportamento humano, é proposto uma fácil manipulação. Os Monges fizeram sua lição de casa e no decorrer de seis meses recolheram apenas satisfação e aprovação.

 

Os Monges atuaram, dentre tantos fatores, em pontos fracos da humanidade e os detentores da verdade pagaram caríssimo. Quem via a mentira, desaparecia. Os vilões se acharam os solucionadores de todas as mazelas da Terra, mas se destacou a verdade de que uma fatia de resultados de impacto também está nas nossas mãos. A mudança tem que partir de todos os lados, mas é a população quem comanda. É a população majoritária que tende a ser o reflexo de seus governantes, mas, uma vez insatisfeito, há direito de agir e de lutar para ser ouvido – e os inimigos privaram a humanidade disso com base na mentira. Uma mentira que criou uma ditadura.

 

Não havia resistência. Bill era a única voz que chegou perto de não se pronunciar. Um exemplo do quanto os Monges manjavam sobre manifestações ao longo da história que destruíam governos opressores. Fiquei arrasada com a invasão do esquadrão na casa da família na abertura do episódio.

 

Resenha Doctor Who - Monges

 

Falar se tornou o maior crime nessa humanidade “criada” pelos Monges. O engraçado é que a mídia não se tornou o grande chavão da trama e estava muito propício com essa de falsificar e de manipular. Optaram por mexer nas lembranças, viés que foi condizente visto que a simulação tinha como cerne os comportamentos humanos para assim domá-los sem empecilhos. Inclusive, de ter uma ideia de que tipo de realidade queremos ver ao ponto de nos conformarmos e deixarmos rolar. O que basicamente aconteceu se não fosse por Nardole sair e representar a carta coringa.

 

Além da sua primorosidade visual e sonora, houve muito a se refletir diante da realização confirmadíssima de que os Monges só tinham discurso bonito. Os vilões se maquiaram em falsa benevolência e estavam à espreita para manter seu governo intocado. Tudo não passou de uma transmissão, da propaganda que rolava e do sinal desses seres que se expandia. A partir do momento que Bill assinou o contrato, obediência foi a barganha final. Obediência que sustentou tais mentiras promovidas na voz do 12º. O espelho de quanto os governantes estão supostamente mandando bem enquanto a falta de reações negativas deu nitidez à opressão.

 

Não havia o amor e a bondade genuínas que os Monges venderam no episódio anterior. Eles usaram perfeitamente o discurso e conquistaram um voto precioso. Eles mexeram no coração, o órgão mais sensível da humanidade (e de quem tem um, vale dizer). Uma pessoa foi capaz de mudar o norte da história e impor, sem querer, um estado de narcotização. Bill representou a marionete que tendemos a ser se não quebrarmos o silêncio e acompanhar seus passos só aumentou aquele gostinho de tristeza com tamanha verossimilhança.

 

Como bem citou o 12º, o crime foi roubar memórias. Alterá-las. Nas entrelinhas de cada diálogo, havia a mensagem do quanto se calar e aceitar uma falsa verdade pode ser catastrófico. Não havia resistência nesse novo mundo, apenas uma propaganda ludibriosa e uma Bill que tinha pleno convencimento de que vivera o antes da negociação em troca do resgate da visão do Time Lord. Estava um completo caos e todo aquele clima cinzento só aumentou o desespero.

 

Com o ruído criado pelo forte sinal dos Monges, essa nova humanidade foi impedida de refletir também. Sem reflexão, não há fala que se preze. Outra porta de opressão e de controle. Se você não sabe o que está rolando, as chances de agir são mínimas. Foram seis meses de confusão mental dentro desse simulacro e ter consciência disso soa realmente a tortura. Uma realização que foi tão impactante quanto o papo de que Bill teria que morrer para interromper essa inverdade. Já basta a regeneração do 12º e chegar a acreditar que essa companion vai junto é too much.

 

Essa trilogia encontrou sua verossimilhança com o ponto do qual vivemos hoje e que arrematou no comentário do 12º do quanto é irritante ver a humanidade repetir os mesmos erros. Agora, estamos naquela maldita roleta-russa coordenada por uma pancada de man-child (para não dizer outra coisa) que quer nos reduzir a uma mentalidade obtusa, tirar direitos e calar a resistência. Aqui, o roteiro não pontuou o quanto a humanidade cresceu, mas o quanto o controle, a manipulação e quem acredita nessa simulação também prejudica o resto. Não é uma novidade, óbvio, mas esse episódio teve seu jeitinho de usar da ficção para mandar a mensagem da atualidade nociva que vivemos. Principalmente no âmbito político. Basicamente, você quer mesmo fingir que não vê?

 

Pela série, Bill se saiu como uma em um bilhão. A população em sua maioria é que mostra quem manda e é essa população que governos como o dos Monges temem. Uma vez que perdem pela voz do povo, são consumidos pelo esquecimento. Tornam-se apenas um capítulo da história que, feliz ou infelizmente, encontra seu jeito de retornar e fazer os humanos viverem a mesma coisa.

 

Como se não tivessem aprendido nada da última vez. É. Isso é irritante as hell.

 

Highlights

 

Resenha Doctor Who - Missy

 

O bate-papo entre Bill e o 12º, uma simulação dentro de uma simulação, me deixou sem chão. Por um breve momento, não acreditei que se tratava de uma regeneração-pegadinha. A cada semana que passa, é impossível não sentir a dor da saída do Capaldi e cair nessa mentira me deixou com raiva!! O Time Lord fez cosplay de demônio nesse episódio, com direito aos sorrisos cabulosos. Gargalhei de nervoso, mas que interpretação, né? Que dupla maravilhosa, pela Deusa!

 

A aproximação de Bill e de Nardole está cada vez mais preciosa. Nesse episódio, ambos estavam no ápice da preciosidade e quero comprá-los. Ugh, fiquei contente de ver o ciborgue bem porque estou em um nível preocupante de apego com relação a esse personagem, pela Deusa.

 

O que a gente faz com Missy? Ela é maravilhosa sem fazer muito esforço e me pergunto se essa malhação em busca da bondade se provará verdade. Afinal, penso que não acompanhamos três episódios de grandes mentiras para cair na dessa Time Lady. As lágrimas… Sinto-me mal de dizer que achei maior de crocodilo. Mas gostei do argumento de tipo de bondade. Há várias formas e os Monges se usaram de uma versão falsa para ludibriar a humanidade.

 

O que dizer do grande sacrifício de Bill? Eu mesma fiquei só o 12º porque acreditei que a fotografia foi apenas ato de cortesia. Fiquei emocionada porque calhou na necessidade humana de criar lembranças agradáveis para seguir adiante. A companion está sozinha na maior parte do tempo e a mãe acaba por movê-la. E acabou por movê-la ainda mais porque o Time Lord abriu brecha para um rememorar. O vislumbre que realmente basta para muita gente – eu mesma – para se ter algum tipo de paz. Inclusive, para não nos esquecermos de quem somos. Da nossa essência.

 

O papel que Bill exerceu nesse episódio praticamente crava um ponto final nos seis meses de experiência em um trabalho desses. Hipoteticamente falando, claro. Ela fez uma decisão e teve que arcar com a mesma. E foi triste e desesperador, mas libertador. Um rio de emoções.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Bill e mãe

 

De certa forma, tudo que é genuíno permanece. Basta não esquecermos da benevolência, que acabou sendo usurpada pelos Monges. Acima de tudo, é preciso acreditar, algo testado como no 10×06. Você tem que acreditar que a simulação é apenas simulação para assim cair fora dela. O treino deixou de ser treino e os inimigos perderam ao não notar que as emoções humanas ultrapassam os limites de qualquer razão. Podem ser maravilhosas quanto devastadoras.

 

Passamos da metade da temporada com um episódio digno de ser rememorado. Esse amarrou toda a história do início desse ano de Doctor Who e fiquei passadíssima. Profundidade e eu vivo por isso.

 

O roteiro brincou com emoções que frisaram a impotência de saber que o mundo do qual se vive está errado. No contexto, parecia que não existia alguém capaz de enxergar isso. Bill estava em um posto difícil dentro dessa simulação e deixou seu impacto ao usar da artimanha dos Monges para destruir essa mentira que não beneficiava ninguém a não ser os opressores. Discutiram essa simulação em atos, como o quanto de cada um estava sendo tomado no processo para empurrar a condição de falsa bondade, gentileza e ordem. Quem sempre paga por isso é a humanidade em âmbito geral e a mensagem que ficou é que precisamos enxergar com mais rigor nossos arredores. Principalmente em épocas como essa em que devemos ser aliados.

 

Foi no Veritas que tudo começou e foi no Veritas que tudo terminou. Se é que tudo terminou, né? Um entrelaçar de fatos que pincelou todo o percurso entre Bill e o 12º, com direito a menção das tarefas universitárias. O Time Lord não estava de brincadeira com essa de ser tutor.

 

Saio daqui completamente apaixonada por essa trilogia. Não apenas pelo seu cerne, como também por ter viés histórico, narcotização, resistência e cheiro de guerra.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3