Menu:
28/jun

Esse episódio me deixou em estado de choque e sentindo uma imensa tristeza. Confesso que estou um tanto horrorizada e aterrorizada em vários aspectos depois de navegar nesse penúltimo capítulo da saga de Capaldi em Doctor Who. SOS! De início, pareceu uma história à parte, que nada tinha a ver com os desdobramentos anteriores e alguns focos de premissa, como política, guerra, alianças, discurso vs. estratégia, e assim por diante. Os novos acontecimentos me deixaram estarrecida não apenas por se apoiarem na condição humana dessa vez, na frase-chave de que devemos evoluir para sobrevivermos, mas na bomba completa dos minutos finais.

 

Até chegarmos nessa frase-chave, que entregou a proposta de uma missão que nem era missão, Missy nos empolgou com sua teatralidade e com as expectativas quanto à sua personificação de Doctor. No caso, Doctor Who, que se traduziu para mim como a demarcação de uma Era. Afinal, vale lembrar que Moffat também vai embora oficialmente junto com Capaldi logo menos. Além disso, é dele também o questionamento em torno desse nome. Um nome que se tornou uma das marcas do showrunner que mastigou e mastigou o mistério desse tópico no arco Eleventh. Duas palavras que se destacaram aqui como a verdadeira identificação desse alienígena, mas não passou do objetivo de uma Time Lady provocar Bill e querer ser a diferentona, real e oficial.

 

Inicialmente, Missy não estava levando nada a sério, mas cumpriu parte da sua missão. Porém, no fim o que importou foi o peso do plano para que a personagem se prestasse a esse papel. Um plano bolado com muita emoção da parte de um 12º que seguiu preso à ilusão de que essa mulher se tornaria uma pessoa melhor em algum momento. Dessa vez, a curiosidade era vê-la reagir diante de adversidades com assinatura Doctor Who e nem dá para chegar a alguma conclusão.

 

Por tal crença do Time Lord ter sido alimentada ao longo dos episódios dessa temporada, aqui ela atingiu seu ápice. O 12º bolou uma tarefa para apurar reações, o climinha inicial cheirou a possibilidades, mas era óbvio que as coisas se perderiam. Em contrapartida, não podemos tirar os méritos de Missy. Ela se comportou, se mostrou empenhada e confortável no espaço cedido. De quebra, descobriu aonde é que todo mundo estava, mas ver sua versão anterior desandou o bonde. Chills!

 

Ao longo da primeira metade desse episódio, aguardei ansiosa um tipo de reação ao ocorrido com Bill. Algo meio parecido com a falsa regeneração do 12º. Quando isso não ocorreu, o drama substituiu o científico rapidamente e sugou todas as possibilidades de que aquela incursão terminaria positivamente. Aguardei rolar o recurso de retrocessos, ou o famoso rebobinar, para revelar que tudo não passava de uma mentira e que todos estavam na TARDIS. Bem, não foi, e a promessa de não deixar a companion morrer caiu por terra. Sua transformação fez um salto aterrorizante para a Era Clássica de Doctor Who e a agonia foi o que restou ao vê-la de Cyberman.

 

Resenha Doctor Who - hospital

 

Uma agonia que arremata o hospital que mais pareceu um manicômio. O grande personagem que conseguiu até mesmo ofuscar a presença de Missy. Nada mais importou uma vez que Bill se viu em um antro que cheirava a dor e a desespero. Inclusive, morte. Humanos doentes, postos na fila de experimentos para evoluir, para ser mais fortes, e assim tomar a parte de cima de uma nave que nada mais era a civilização. Razor foi o guia, ritmando a dramática horripilante com um senso de humor que enganou direitinho. Um cara superlegal que se revelou no maior traíra. Não menos importante, no próprio Mestre que não gostou nem um pouco da sua versão como Missy.

 

A condição humana em fase de experimento me deixou desconfortável. Deixou-me contraída. Foi horripilante! A voz mecânica e repetida traduzindo dor e vontade de morrer logo se fez lembrar dos maiores inimigos do Doctor (que usam da repetição). A partir daí, se aumentou a expectativa quanto ao investimento excessivo em um espaço que não contava com o protagonista. Tudo ficou nas costas de Bill graças ao artefato tecnológico no centro de seu peito, o falso coração, o que entregou o propósito de evoluir a humanidade ao mesmo tempo em que se expurga sentimentos.

 

Até diria que essa empreitada criou um paralelo com os Monges, quase santos dentro do pretexto de controlar à humanidade. Afinal, eles não mexeram na raça humana, apenas anuviaram os pensamentos e narcotizaram a população. Contudo, estamos diante de duas tentativas de upgrade em busca de uma dita sociedade melhor e foi nessas circunstâncias que a temporada encontrou seu novo feixe de amarração. Não havia politicagens, mas o ultrapassar de limite para atingir um objetivo. Um objetivo que era ser maior que aqueles que vivem na Terra (ou na gêmea dela). Não havia ganância, mas o quanto seria hipoteticamente lindo e perfeito viver sem sentir.

 

Resenha Doctor Who - Bill

 

Logo, vimos uma sociedade doente e que precisava encontrar seu meio de libertação. Uma sociedade que parecia viver em uma nave, mas era Mondas, a gêmea da Terra e lar dos Cybermen. O cenário gravitacional, o buraco negro, a diferença de tempo e a clara evolução acelerada, denunciaram um palco já visto. Ao menos, por Missy, que gelou ao reconhecer sua coincidência.

 

O horror dessa mulher nem chegou perto do medo de se perder quem lá vivia, o que impulsionava o upgrade. A meta maior nem era o cenário, mas o símbolo mecânico no peito de Bill. Silenciar a dor, o desalento, o que mais pudesse contribuir para o mal-estar social. Assim, para expurgar a emoção, bastava a conversão.

 

A conversão. Uma palavra que só pode ser associável aos Cybermen. E vimos o seu gênesis na companhia do aliado certo: o Mestre em sua última versão. Se eu gritei? Gritei sim!

 

Embora houvesse o Q de doença, esse episódio de Doctor Who foi sobre coração. O 12º entregou dois diante da possibilidade de Missy ter seu upgrade de redenção. Bill perdeu o dela, um enorme coração que não deixou de expressar sua verdade sobre uma empreitada que não precisava ser gênio para sacar que fracassaria. A companion foi drasticamente exposta e deixou de sentir – ou quase. Aquela lágrima me deixou tristíssima.

 

Quem estava naquele hospital sentia dor o tempo inteiro, o que trouxe outra frase-chave maravilhosa e ao mesmo tempo horripilante: eles sentem dor a cada minuto de suas vidas. Nada melhor que silenciar emoções, mas de que adianta se há a criação de uma geração que é apenas cruel no futuro? Vale mesmo a pena? Evoluir desse jeito para sobreviver? Certeza que não!…

 

Em um ambiente que parecia não ir a lugar algum, Missy se viu dentro do seu próprio retrocesso. A personagem se viu em um ponto que sua história mudou. E, talvez, se tornou muito pior em nível de crueldade, pois o upgrade na humanidade não foi nada bonito de se assistir.

 

Concluindo

 

Resenha Doctor Who - Missy

 

Os minutos finais deram forma a esse bolo que sentiu o impacto de discordância entre tempo e espaço. Um bolo que tragou Bill, 12º e Missy em uma nova realidade que não é tão nova. É nesse ponto de conflito que teremos a regeneração que contou com um bendito teaser no início do episódio, agindo como o mesmo artifício de isca apresentado nos dois últimos. Quem aguenta? Apenas senti o agridoce do quanto essa transformação ocorrerá pelos motivos errados. E penso também que será injusta as hell e muito mais dolorosa para o personagem. Dor. Dor. Dor.

 

Além da crueldade da humanidade, muito se mostrou sobre o benefício da dúvida. É um sentimento bonito, mas que, feliz ou infelizmente, manda boleto de cobrança. Principalmente a quem claramente não merece. Não tenho uma opinião sobre Missy nesse quesito porque ela se comportou bem. Contudo, duvido que seja possível ainda dar esse benefício diante da cara e da coroa do Mestre.

 

O 12º acreditou nas chances de mostrá-la que é melhor ver todas as estrelas em vez de explodi-las. Contudo, certos modos de operação não morrem. Isso me deixa triste pelo Time Lord porque vícios de comportamento, por assim dizer, ficam omissos até ressurgirem dentro de um ambiente propício. Aqui ganhamos um ambiente propício. Agora, teremos que aguardar o season finale.

 

Tudo que ocorreu nesse episódio foi estranho desde o princípio. Quase ilógico. Parecia um caso isolado, visando apenas o início do fim de uma era de Doctor Who. Ao ter dois planos de storylines, se permitiu ver o lado humano pelos olhos de Bill e o mais científico pelos olhos de Missy. Foi um misto dos dois em que a ciência perdeu totalmente o apelo diante da aventura da companion que resultou em algo nada bonito. O objetivo se sustentou segregado na narrativa de Razor e agora resta saber se a Time Lady é ainda digna desse cuidado.

 

Bill não estava errada ao dizer o quão tal missão era absurda. O 12º estava no auge de seus sentimentos, nenhum resquício racional, e podemos prever mais sentimentos. Se um coração já sente demais, imaginem dois. Ainda mais engolfados em uma esperança de que a primeira pessoa que o aceitou tem grandes chances de renegá-lo e de causar sua regeneração. Inclusive, ser mal-agradecida devido ao trabalho de proteção no cofre. É sempre bom ouvir a companion de vez em quando não é? Nossa, nem sei mais o que dizer de tão debochado que foi esse episódio. Um monstro impressionante desses bicho!

 

Enfim, sigo triste e seguirei mais triste com a sequência dessa história.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3