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22/jun

Eu realmente não sei o que dizer desse penúltimo episódio de Pretty Little Liars. A não ser tentar me explicar da mesma maneira truncada, sem sentido e sem aprofundamento desse roteiro: fraquíssimo, sem reviravoltas de impacto, lento e repito o truncado porque uma interação não se conectava com a outra. Além disso, não deu senso de continuidade – a não ser pelo fato de que seguiram a partir da descoberta de Caleb sobre Mona e o tabuleiro – e nem gerou imensa tensão. O medo agora nem é mais sobre quem será A.D., mas a construção do series finale de maneira geral. Passaram-se sete anos e os roteiristas perderam a chance de sair da zona de conforto. Triste!

 

Mona foi o ponto de gatilho e estou exausta de dar desculpas referente ao descaso dos roteiristas sobre essa personagem. O problema aqui sempre foi a questão do pertencer e a maioria dos seus atos, ao menos se considerarmos o dito, partiu do desejo de proteger as Liars. Mais precisamente Hanna, cuja lealdade tortíssima nunca morreu. Nem mesmo quando ficou muito claro que a moça não pertenceria ao grupo principal. Agora, torná-la culpada pela morte de CeCe, de um jeito esdrúxulo, sem emoção e lógica, ao ponto dela estimular a vilã a um suicídio (não precisava, né?), destruiu qualquer possibilidade de expectativa do que virá na semana que vem.

 

Comentei no Twitter que esse episódio seria meu termômetro para o futuro e estou decepcionada. Tanto a revelação de A e essa fogem do nó da série. Parece que tomaram essa decisão via sorteio.

 

Quando digo foge é porque tivemos uma boa quantidade de personagens em cena que poderia assumir essa bronca. O mesmo vale para a escolha de A, em que descasquei a banana na resenha do episódio referente a essa revelação. O que me restou foi o famoso rir para não chorar.

 

Não consigo nem me explicar sobre o resultado de mais um mistério dissolvido, pois são escolhas desconexas e por isso não geram impacto. Sério, a única vez que me senti impactada de verdade, de ficar transtornada em minha residência, foi na revelação de Toby. Vale até mencionar Mona e seu covil e a revelação de Ezra, cujo estopim de raiva em ser descoberto me deixou deveras preocupada (e foi aí que Ezria perdeu todo o sentido para mim). A série estava ótima nessa fase, mas, depois disso, entraram no comodismo. Sempre na hora do vamos ver, fica claro que não houve mais rigor com a história (aquela de Ali que não serviu de nada, por exemplo, ruim demais) e com a sequência do que se foi estimulado como parte do mistério. Mona ser culpada pela morte de CeCe saiu como conveniência já que era a única que estava em cena desde o início dessa temporada. WTF?

 

Por essas e outras que sempre defendi e sempre defenderei as teorias que colocam alguma Liar no contexto do stalk. Tenho uma singela dificuldade de aceitar imunidade de protagonista dependendo da premissa, acho que deu para notar, e Pretty Little Liars se encaixa nesse quesito. A série terminará, provavelmente, em um mundo cor de rosa e isso é inadmissível. Ok que aqui se preza a amizade das meninas, amo de paixão, mas nem tudo é perfeito, infelizmente. E o mesmo se aplica a esses relacionamentos amorosos.

 

Penso que essa revelação sobre Mona contaminou (e encerrou) o desejo da personagem em pertencer. Esse episódio trouxe de novo o debate de que todo mundo fez nhaca e que ninguém ali tem direito de apontar erros. Correto, Ezra, mas só vale para a panelinha. Perdoar Vanderwaal renderia um pico excelente, sem dúvidas. Porém, queimaram mais o filme dela e a enlouqueceram a troco de nada. De quebra, lhe deram uma morte proposital, o que descreditou seus esforços. Basicamente, se intentou mostrar um efeito colateral dessa brincadeira, o que é ótimo. Porém, não deixa de ser ofensivo porque nem Ali era para estar tão sã como aparenta. Me respeitem!

 

Já começo a me conformar que Pretty Little Liars terminará sem grandes rebuliços. Usarão gatilhos descordantes para dizer que alguma coisa está acontecendo, sendo que essa era uma chance de ouro para fazer diferente. Infelizmente, optaram pelo seguro e entregaram mais uma péssima revelação. E o que resta pensar é que fizeram isso porque se perderam na história.

 

Resenha Pretty Little Liars - Mona e CeCe

 

A parte boa do viés dado a Mona é que seu comportamento remeteu a sua internação no Radley. Toda aquela pegada de Psicose retornou, uma pegada que torci o nariz apesar de Marlene ser fanzoca do cara. Amo referências do cinema clássico em Pretty Little Liars, mas, no passado, considerei de uma falta de necessidade sem tamanho a chance dessa personagem ter, digamos, dupla personalidade. Foi um insight interessante, não nego, mas nunca desenvolveram.

 

Assim, Mona é a personagem dessa série que sempre sinalizou muita bagagem. Justamente por ser afetada pelo jogo, pelo stalk, enquanto as meninas resolvem tudo com chamego dos boys. Não dá!

 

Esse episódio meio que deu aquele tapão ao conectar duas vias da storyline de Mona. Ela estava diferente sim e assumiu sua identidade anterior por ser seguro, como sabiamente disse Hanna. Processo semelhante ao de Norman que assumia a versão da mãe para evitar sua culpa ao desejar outras mulheres. Até a briga entre CeCe e ela foi uma referência, com todo aquele cenário de madeira, sinalizando a treta entre Norman e o policial. E, claro, o fato de Norman ter matado Marion (a loira da história). Esse foi o único ponto que curti dessa ladainha de revelação, mas é fato que a moça merecia mais que ser culpada por uma morte X. Poderiam ter mantido o vício pelo jogo, pois é seu ponto de estrago e que engatilha uma fileira de coisas negativas que nunca saberemos.

 

E ainda bem que respaldaram o efeito do encontro com Hanna e a proposta de ajudar no tabuleiro. Mona tem sérios problemas psicológicos, nunca reagiu bem diante do jogo e quando o jogo lhe foi tomado. Um paralelo com seu conflito de identidade que encaixou bem na trama. Se há algo para destacar na presença de CeCe foi o fato de roubar isso dela e das outras meninas. Ninguém ali se conhece verdadeiramente. Não é à toa que repetem os mesmos processos, como acusar a primeira pessoa que destoa do resto de ser A e A.D., etc.. Juro que ri da cara delas porque não é possível.

 

De novo, Mona perdeu a chance de brilhar. De ter sua história mais trabalhada. Enfim, espero que no series finale ocorra uma mudança nesse aspecto. De preferência, que ela permaneça vivíssima.

 

Resenha Pretty Little Liars - Mary

 

Outro ponto muito cômodo da trama, e que me deixou de testa quente, foi Mary assumir a culpa pela morte de Dunhill. Não sei se o assunto morrerá como deu a entender, mas está aí outra passada de flanela que impediu revelações e soluções de impacto. O potencial que esse fim de temporada poderia ter foi sugado pela necessidade de querer shipper e de tentar fazer todo mundo feliz. Caramba, ninguém que passa por essa experiência fica feliz ou sossegado, vide Mona.

 

E vale criar um adendo aqui: foi uma ofensa do caramba as Liars dizer que acabariam como Mona. O que me faz repetir o que comentei na semana passada – essas meninas estão equilibradas demais, sem gatilho, para quem passou por todos os perrengues de CeCe. Inclusive a Dollhouse. A única que pareceu fora do pino foi Aria, mas todas parecem subitamente saudáveis e está errado. Tinham que alimentar nuances traumáticas, como fizeram um pouco ao longo da S6 (e ninguém contou com amparo psicológico).

 

Voltando a Mary, a mulher assinou a tortura de Ali e encontra saída cômoda ao ir para a cadeia. Não que desejaria morte, mas uma punição de mesmo nível seria bem-vinda. A série já perdeu todos os seus escrúpulos e A.D. mostrou ser cruel, o que custava enlouquecer todo mundo mais um pouco? O medo, não sei, de destroçarem esse universo por meio de escolhas erradas foi sentido essa semana. Colocaram um teto de vidro nas Liars e tomaram cuidado para não espatifar – e, com isso, não mexerem no que criaram e que nem se lembram. Uma pena porque havia potencial nessas revelações. Vamos lembrar que Hanna foi torturada e a pessoa que fez isso tem que ser escabrosa.

 

Fato é que chegamos em um ponto de denúncia sobre o quanto a escrita da série se perdeu de vez. Não que não tenha se perdido antes, mas o roteiro não comunicou nada essa semana. De quebra, aquele cliffhanger do salto temporal ser incluso como sonho, pela Deusa, que desperdício.

 

O roteiro seguiu firme nessa de encerramento para provavelmente investir em mais salto no tempo. Só arrumaram o lado pessoal para ele ser destroçado no series finale. Mas não haviam prometido um monte de revelações por metro quadrado? O tabuleiro era lindão, começou rendendo várias coisas legais, até morrer por descobrirem quem matou CeCe? Me poupem!

 

Resenha Pretty Little Liars - Ezria

 

Mas se vale de alguma coisa, havia vários comportamentos estranhos em cena e que inflaram uma leva de teorias. Uma que li é que Ezra é o grande autor desse jogo. Tudo não passaria de um livro propriamente dele, ainda em processo de finalização. Bem, o personagem meio que corroborou várias vezes com isso, especialmente ao dizer que era graduado em literatura. Aka, posso criar saídas, ou seja, só dar um tapa na escrita. A mesma teoria se aplica a indecisão do teacher em definir se Spencer ou Aria norteiam essa bagunça de codinome A.D..

 

O que é interessante visto que Aria estava sem razão ao lidar com Dunhill e se acalmou muito rápido ao cair na lorota de Ezra – e o corpo subitamente sumiu do porta-malas. Em seguida, Spencer voltou a ganhar o cerne assim que Montgomery baixou a guarda e soltou algo em língua de cobra diante do túmulo de Charles. Nessa teoria, o teacher, em tese, trabalharia essa transferência de suspeita por não ter decidido quem é a/o vilã/vilão. O que daria um pouco de força para a tacada de Mary ser tanto temporária quanto proposital. Ambas estão livres no fim das contas e tinham que seguir assim rumo ao finale.

 

Essa é uma ótima teoria, confesso (tem vídeo no YouTube). Uma das poucas que guardei comigo e seria bom se rolasse. Interessante até para amarrar o serviço de Ezra em seu covil criado anos atrás. Contudo, considerando a falta de conteúdo e de pretexto nesse episódio, não dá para exigir muita coisa semana que vem a não ser um amontoado de personagem, flashback, mais pauta da vida pessoal e amorosa, e uma revelação provavelmente tão meh quanto CeCe e quem matou CeCe.

 

Em suma, foi um episódio prático. Com decisões práticas. O encerramento do jogo então nem se fala. Nenhum engajamento emocional. Nada de expressão de choque sobre quem matou CeCe.

 

Concluindo

 

Resenha Pretty Little Liars - Liars

 

Honestamente, não curti nem um pouco esse episódio. Foi uma semana de momentos, mas nenhum forte o bastante para prender quem assiste. Cliffhanger sempre foi um vício de PLL e fez falta dessa vez, viu? Justamente porque a história de Mona rendeu uma trama fraquíssima. Tentaram ser Hitchcock, mas Hitchcock sabia muito bem como injetar adrenalina em seu público. O que fizeram foi injetar mais decepção sendo que tiveram sete anos para arrumar essa história.

 

Não tenho mais adendos, a não ser Ezra meter um SHE na conversa com as meninas. A.D. as Melissa tão dizendo. Mas daí temos Toby, Wren e o próprio teacher que apareceram no piloto e Marlene disse que essa incógnita se fez presente lá. E Toby do nada sumiu hein?

 

Mas acho que: pode entrar Ezra. Justificaria demais o ranço que peguei desse cara, sério. Problemático demais da conta depois do pega-pega Red Coat. Vale até mencionar esse cidadão manipulando Aria para se afastar das amigas por causa de uma treta e o quanto ele é bom nisso. Foi demais para minha saúde e, se ele for A.D., que cômodo a promo do series finale vender sua morte.

 

Particularmente, acho que ficaria ok com Ezra as A.D.. É o único que tem bastante material em cena junto com Mona. A diferença é que os roteiristas sempre tiveram um jeito de driblar a atenção dele.

 

E Mona deserves better!

Stefs
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