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16/jun

 

Mas olhem quem está tentando inserir normalidade neste site. Eu mesma, Stefs Mello. Tão bem?

 

Eis aquele texto desafio em que admirei o cursor por uns pesados minutos, me perguntando se ainda tinha plena capacidade de escrever alguma coisa decente. Assim, eu só tenho escrito resenhas das séries, algo que não me é tão difícil porque tal rotina não morreu. Em contrapartida, a rotina de outros textos morreu faz uns bons meses e rolou a famigerada insegurança profunda de retornar.

 

Esperei ser atingida pelo tom certo que queria dar a esse texto. Pulei várias vezes as músicas que ouvia para afinar a inspiração e mandar bala. Olhei várias vezes para a lista de coisas que tinha que cumprir no exato dia em que determinei começá-lo. Até o momento de protelar esse serviço chegar com força total. Quando decidi abrir mão da missão, bateu a culpa e continuei no ciclo em busca da emoção e da coragem para tentar dar um pontapé aqui. Um novo pontapé.

 

E cá estamos.

 

Como vocês sabem ou recordam (e se não sabem ou não recordam, eis a chance), desde a existência do Random Girl trago uma proposta, um tema, que me influencia durante o ano todo. A diferença de agora é que meu ano começou meio que tardiamente – mas melhor do que nunca mais. No caso, foi assim que março entrou, período que decidi me reconquistar e acessar de novo tudo que abdiquei no decorrer do 2º semestre de 2016 (período que a casa caiu). Desde livros até os textos que deixei de produzir para essa casinha, para o Bela e as Feras e para outros veículos que escrevo.

 

Normalmente, as coisas vêm ao meu caminho com extrema naturalidade e o tema que resolvi abraçar não foi muito diferente. Mas, antes, preciso explicar o que diabos aconteceu. Uma lacuna que influenciou na demora de começar esse texto. Afinal, eu poderia ir para o caminho mais fácil – escrever uma introdução para 2017, dar uma camuflada ali, uma maquiada acolá, mas, como vocês também sabem ou recordam, não consigo mentir em texto. É me trair no processo.

 

Muitas coisas aconteceram na minha vida a partir do segundo semestre de 2016 e farei um resumo porque vocês podem ler o texto na íntegra sobre isso aqui. Resumindo, esse foi um período do qual eu realmente acreditei que atingiria o status de deprimida e que dali por diante só restaria o fundo do poço. Antes de setembro chegar, tentei manter minha vida em certa ordem, mas as coisas começaram a sair completamente do meu controle até todo meu sistema se interromper. Quando digo todo, é todo mesmo. Nada do que fazia antes seguiu em frente. Resultado: me fechei as hell.

 

E fechei meu escritório, largando a proposta do ano passado de vestir minha capa.

 

Trabalhamos com déjà-vu

 

Entre julho e agosto de 2016, ainda tinha impulso e inspiração para escrever, para compartilhar um link aqui e outro acolá. Lembro-me que escrevi um mês especial sobre Harry Potter que não consegui ter forças em publicar. Eu já me sentia meio abatida nesse período, mas continuei tentando, como produzir um especial sobre o Setembro Amarelo que também não foi publicado, dessa vez no Bela e as Feras. Sem contar a fila de textos sobre as séries que saíram na fall season passada, escritos com muito amor e carinho, e que ninguém viu sombra deles. Esses, e outros processos (como o We Project que também morreu), foram interrompidos pelo forte sentimento de fracasso que se resumia a minha verdade, e a mais de milhões de brasileiros: desemprego.

 

A mentira que minha mente contou me tirou de cena. Se eu não conseguia resolver meu profissional, em que cheguei a escrever um desabafo neste site, o que me restou foi abraçar a ideia de que não seria capaz de fazer qualquer outra coisa. Acreditei firmemente nisso. Pensamento que me enfraqueceu e que se entrelaçou a outros problemas que começaram a ocorrer embaixo do meu teto. Um looping, um flashback de um dos piores anos da minha vida: 2011. Um ano em que também “curti” o fracasso profissional e minha casa estava um caos. Uma reprise que me derrubou de vez. Assim, de um jeito que me será eternamente impossível de descrever. Literalmente, sinto que dormi de fins de setembro até a virada do ano. No fim disso, perguntei: mas e agora?

 

Não entrarei em detalhes, mas muito do que me aconteceu nesse período me paralisou completamente e foi quando realmente acreditei que a depressão seria o próximo passo. Eu não conseguia sentar e escrever qualquer coisa que fosse (a não ser longos e longos turnos em um RPG). Não conseguia sentar para ver uma série por mais boba que fosse porque me lembrava das resenhas atrasadas e mais o fato de que não tinha talento para manter esse tipo de coisa (a mentira mental). Não conseguia ler porque minha concentração estava direcionada ao “drama” da minha vida. Pelos meses que se seguiram, não via prazer em fazer o que fazia e resolvi largar de mão.

 

No fundo, eu queria voltar muito a fazer as minhas coisas, mas escolhi evitá-las. Houve dias que ficava a Ludmila, no “é hoje”, mas o hoje sempre se tornava em amanhã. Esse evitar se justifica no medo de assistir meu próprio fracasso nos meus projetos pessoais. Não queria isso… Macular minhas coisas com a negatividade que carregava na época. Ou notar que nem para isso servia. Não me perdoaria. Dessa vez, meu parar foi automático, já que, normalmente, eu decido parar para respirar.

 

Cathy

Isso nem representa o rebuliço interno em totalidade, mas tão linda AK

 

O que veio nesses meses foi um evitar extremamente forte. Assim, de fingir que nada daquela saudade de escrever ou postar algo novo existia ou me afetava. Foi uma relutância em resgatar o fato de que dentro daquela pilha de caos eu realmente sou ótima em alguma coisa. Mas eu me apaguei. Não conseguia abrir o Random Girl, nem o Bela e as Feras, nem os Tumblrs da vida e nem ter vida longa nas redes sociais porque parte de mim apitava a culpa de não fazer o que devia estar fazendo. Só que minhas emoções indicavam que não havia propósito em seguir fazendo o que fazia.

 

Mesmo nadando em problemas, eu ainda tinha certa consciência dos meus esforços. Que aquele adiamento não me levaria a canto algum, mas, de novo, eu tinha medo de fracassar nessas coisas. Resolvi esperar porque não suportaria a ideia de, por exemplo, publicar um texto aqui sem sinceridade. Resolvi sentir o que tinha que sentir até quebrar. Até explodir. Mais de três meses para o grande evento e, nesse ínterim, fiquei me debatendo no limbo.

 

Um limbo que, vejam bem, tive tempo de refletir para cair na real de que nunca me foi uma expressão negativa. Na verdade, o limbo é meu refúgio. É onde me desligo e me entupo de arte. De série. De escrita. É o lado introvertido pedindo aquela folga e é quando me torno inacessível. Nesse período de angústia, a essência disso também se perdeu e nem sei aonde fui parar mental e emocional. Inclusive, espiritualmente. Às vezes, acho que nem existi no final do ano passado porque não tenho nada palpável a ser compartilhado. É um maldito blur de tanta dor que senti.

 

Sou a pessoa que trabalha em conformidade com minhas emoções. Não adianta eu forçar a barra para fazer alguma coisa acontecer porque não acontecerá. Eu precisava me voltar para dentro e foi o que fiz. Uma das minhas experiências mais dolorosas do condado, mas a mais corajosa.

 

chicago fire

Mas só teve Chicago, eu sei, I’m so sorry. kkkkkkkkkkk

 

Como alguns puderam conferir no ano passado também, eu consegui manter o pique das resenhas. Pelo famoso piloto automático e, no fundo, não gosto tanto do que produzi nesse período. Eu realmente fiquei meio paranoica sobre vocês notarem que havia algo errado. Capaz que notaram porque não consigo ser imparcial com o que sinto e isso acaba se transferindo para o texto. Tenho a singela impressão de que me distanciei e tornei tudo mais prático. Admito, eu queria parar esse serviço, empurrei até o hiatus de final de ano e ainda sim atrasei várias resenhas. Desculpem.

 

Eu sabia que não estava dando meu melhor. Por não dar meu melhor, larguei um pouco de mão também. A última coisa que eu precisava era de acusação sobre má vontade – e tinha, não minto.

 

O período de hiatus entrou em cena e a primeira série que atingiu esse ponto me serviu de motivo para não cumprir o cronograma de resenhas. O bolo que já existia foi se tornando maior ao mesmo tempo em que os problemas da minha vida pessoal mais as pendengas familiares. Virei um bendito vulcão, o relógio em contagem regressiva para a erupção, e as coisas desandaram no dia 31 de dezembro de 2016. No primeiro dia do ano, senti a ressaca emocional e moral.

 

Como disse, tudo que tenho é blur, como se tivesse ficado bêbada durante quase três meses da minha vida. Às vésperas de um novo ano, rolou o evento nada épico e a lição de parar de internalizar emoção e pedir ajuda foi aprendida com sucesso.

 

Essa parte de tentar me reconquistar e de retornar a fazer o que fazia era algo que me pinicava já em novembro, depois de um encontro mega puxado do I Am That Girl. Eu já estava péssima ali, mas ter essa troca sempre teve seu jeito de botar consciência em mim. E botou, sem dúvidas, mas o peso de me ver no tapete do flop já estava cultivado e criou suas ervas daninhas. Mas, no meu diário, há a passagem significativa de que tentei me reconquistar e que tentei até um projeto de reconexão com as coisas que fazem a Stefs a Stefs. Durou uma semana porque desisti em seguida. Eu estava exausta. Meu relógio biológico estava do avesso. Não tinha forças nem para pensar.

 

Não faço a menor ideia de como cheguei ao ponto de escrever esse texto, mas cheguei. Uma ação que se traduz no período de cura, a minha cura, que começou quando resolvi ouvir música de novo. Sim, nem sei que bandas foram lançadas em fins de 2016. Imaginem o tamanho da treta agora.

 

Assim, em fins de 2016 só escutava o musical The Last Five Years porque demarca o ponto em que minha vida empacou (e foi o último filme que vi nesse mesmo ano). Além disso, tive uma única companhia, que serviu de colete salva-vidas para me deixar boiando em vez de me deixar afundar para nunca mais voltar, uma personagem que criei fora dos meus projetos de escrita (e ela diz olá!).

 

Quando ouvi música de novo, comecei a receber insights. Esses insights começaram a ganhar forma no Tumblr. Quando estou nesse nível emocional de contemplação, sou muito visual, então, essa rede e o Pinterest meio que se tornaram meu escape (o limbo criativo da Stefs). Comecei a ajeitar as coisas de escrita, criar um projeto de regeneração, etc.. Vi-me querendo o que faz Stefs a Stefs de volta, mas ainda me sentia exausta em meados de março e um tanto insegura em recomeçar.

 

Assim, passei a retomar pequenas coisas. Lançar pequenos desafios. Atos que foram me dando uma força gradativa. Fui esquentando o motor e ainda sigo nesse nível. Não quero engatar qualquer marcha e sair desvairada como também aconteceu em fins do ano passado.

 

Nesse ínterim de tempo, voltei a ouvir Florence + The Machine junto com Mumford & Sons. E M&S anda mais presente na minha vida (fiz até um projeto com uma música e depois eu conto), junto com alguns musicais, que estabelecem meu tema da vez.

 

In these bodies we will live, in these bodies we will die
Where you invest your love, you invest your life
Awake my Soul – Mumford & Sons

 

Esse capítulo estabeleci como de reconquista. Um novo capítulo ritmado por Awake my Soul, que caiu no meu aleatório enquanto pensava em como retornar à minha rotina de sites e afins. O insight veio enquanto arrumava meu Tumblr de escrita. Um trecho, uma linha, que usaria como tag e que acabou como um tema, de vários (no Bela e as Feras será a regeneração propriamente dita, fiquem sabendo), do meu resto de 2017. Onde você investe seu amor, você investe sua vida. E estou há uns bons anos investindo no que acredito. Seis anos no total.

 

Também preciso creditar de novo The Last Five Years. The Schmuel Song makes me happy e me inspirou a criar alguns novos projetos (menores) que não muito menos desfilam por aí.

 

The Schmuel Song

 

Take a breath. Take a step. Take a chance. Take your time
The Schmuel Song – The Last Five Years

 

Se há uma coisa que não deixei de pensar no processo é que quando você se dedica as coisas que ama, independente do lucro, as coisas fluem. Por eu ter abandonado tudo isso e mais um pouco, minha vida simplesmente parou de fluir. O baque veio ao decidir abraçar a Samara e ficar um tempo lá naquele poço quentinho (para mim ele é quentinho meramente porque não queria sair de lá).

 

Mas eu resolvi sair, mesmo que tenha sido depois de uma treta terrível. Resolvi voltar, mas não é um retorno digno do Flash. Ainda há feridas, ainda há a lentidão, ainda há a autodúvida.

 

O que eu vivi no semestre passado criou marcas profundas das quais afetaram minha existência nos mais variados sentidos. Não apenas com as coisas das quais gosto, como também no nível interpessoal e ao nível Stefs e Stefs. A realização para o momento é que, mesmo tendo nadado no fundo do poço, eu não posso pisar em cima de tudo que construí duramente. Não seria justo comigo e nem com as pessoas que dividem suas vidas comigo – e possuem certa fé em mim da mesma forma que tenho fé nelas. Parei meu sistema. Parei minha vida. E só foi essa TARDIS religar que as coisas se iluminaram gradativamente e continuam a se iluminar gradativamente.

 

A famosa luz no fim do limbo.

 

E o que vem agora?

 

 

Anteriormente: Vista Sua Capa

E assim seguiremos + a proposta de 2017

 

For the last twelve years I hid who I was. I don’t have to anymore. And I don’t want to waste a minute of it

 

Não sei realmente o que acontecerá daqui por diante, então, será um ano sem muita programação e sem muita promessa. Não porque tenho receio de não cumprir (tem isso, mas não é tão forte quanto meses atrás), mas porque eu preciso de lentidão nessa retomada. Lentidão nessa regeneração. O importante para o agora é eu não me atropelar e, com isso, não sabotar o resto. Está aí algo que tenho aprendido… Os famosos passinhos de bebê.

 

O Random Girl seguirá normal como sempre e na medida do possível. A leva de posts que não é resenha logo mais estará aqui. No mais, agradeço a paciência, especialmente porque meio mundo não ficou sabendo o que estava rolando e eu meio que disparei mensagens a torto e a direito na virada do ano. Agora, eu quero reinvestir nas coisas que desacreditei e quero retomá-las para minha vida. E este site é uma das coisas mais preciosas que tenho (seis anos de existência WTF?), que vi crescer a passos de bebê, que me ensinou e que continua a me ensinar.

 

No que eu poderia desistir, resolvi voltar a cuidar e a cultivar. O que vier em seguida de positivo será meu maior lucro. Como sempre foi, né? Vocês são adoráveis as fuck e obrigada pela paciência e pelo apoio.

 

Notas de criatividade: em breve divido meu Tumblr de regeneração com vocês, minha conta no Medium e outro projeto que botei em prática recentemente e que está ajudando no meu emocional. Sim, voltei dando pirueta e é isso que importa no final das contas.

Stefs
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