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19/jun

Thank God que esse é o penúltimo episódio de The Originals e até que ele foi bonzinho. Bonzinho se eu ignorar uma porrada de atalhos que a trama fez uso para seguir “funcionando” depois do fiasco da semana passada. Prestes a terminar mais um novo ano, com direito ao burburinho de spin-off (alguém interrompe a Julie, please?), Vincent retornou ao cerne do que resta do conflito central e cumpriu sua missão de colete salva-vidas. A presença dele fez muita diferença e deu para sentir isso com afinco em cada medida do personagem para barrar Inadu. Ele trouxe “dificuldade” enquanto os Mikaelson dependem de facilidade para dizer que ainda mandam no Quarter.

 

Ou, fingir que morre para retornar em menos de 24 horas sem nenhum efeito colateral. Palmas.

 

O episódio da semana atingiu um compasso A+. Detalhe que rendeu uma trama cheia de paralelos significativos entre os personagens em destaque, o que afetou o âmbito emocional dentro da continuação da saga já fracassada de Inadu. Não há mais nenhum apelo nessa história e esperava muito mais de um livro que contou até com flashback para ter sua existência justificada.

 

Sem contar que ainda não me conformo com o pouco caso que fizeram quanto ao desenvolvimento da vilã em tempo real. Restou-me rir em alguns momentos, especialmente no final do episódio.

 

Em contrapartida, o dia seguinte após a “morte” da inimiga veio com singelo gosto de paz, o que abriu brecha para a turma repensar passos seguintes e para se assentar o destino rumo ao fim de temporada. Um dos destinos mais pertinentes foi o de Hope e está aí alguém que merece uma vida melhor. Hayley voltou ao seu desejo inicial de sair do antro dos Mikaelson, o que sempre achei ótimo, algo que a própria tentou combater no segundo ano de The Originals. No passado, a personagem conseguiu, na medida do possível, contornar essa tangente, encontrando certa normalidade com Jackson. Mas que demora para “se tocar” de que ela não faz parte desse universo, hein?

 

The Originals 4x12 - Hayley

 

Uma demora de realização que incomodou um bocado porque o estopim veio da violência imaginária de Elijah. O amor tende a cegar e nem a culpo porque somos inclinados a isso. Contudo, essa “nova” realização deveria ser mais realista a essa altura dos acontecimentos. Bastava fortalecê-la no coração de Hayley desde o primeiro instante em que se cogitou tal assunto. Inclusive, desde o primeiro comentário sobre a porta vermelha e depois de Klaus torturá-la e condená-la a sua própria maldição. Motivo nunca faltou e seu pesadelo foi intensificando conforme o crescimento da filha.

 

De quebra, vira e mexe esses irmãos injetam o Always & Forever em Hope e é irritante. Não é porque a menina é filha de Klaus e parente dos demais que existe uma obrigação de viver ali. Uma obrigação  de aderir uma frase mais furada que meu par de meias. Essa obrigação não existe por ser o hábito degradante dessa família que toldou uma vivência abusiva. E é pelo estado abusivo que os irmãos controlam as pessoas e as pessoas naturalmente têm medo de abusivos de plantão.

 

Já passou da validade esse papo de invencibilidade. Está aí algo que os roteiristas precisam desapegar ou a próxima temporada seguirá no mesmo molde. Um inimigo que enfraquecerá em dois tempos para provar o mesmo ponto. A vida sobrenatural é frágil e nem todo pedestal é eterno.

 

O paralelo dessa decisão de Hayley rebateu em Klaus e se cobrou um novo tipo de reação de ambas as partes. Afinal, o jovem fez o escarcéu quando little wolf mandou o aviso de que vazaria com Hope e decidiu casar com Jackson. Abusivo too much? O híbrido criou mil e um empecilhos ao ponto dela morar na outra calçada e ainda ter sido “convidada” a viver embaixo do nariz dos Mikaelson. Abusivo too much? A conversa dela com Rebekah foi bastante reveladora e me fez pensar no fracasso que foi Elena. The Originals pode ter várias falhas, mas quando pega para ser um pouco mais madura o negócio funciona. Marshall fez um comentário pontual de ver o lado negro de Elijah ao vivo e ter receio de gostar, o que dá inclinação a um lar disfuncional e abusivo.

 

Hope não merece isso. Ainda mais agora que passa pela experiência desagradável de ser possuída.

 

Apesar do objetivo da “morte” de Elijah, uma “morte” sem efeitos colaterais (risos), ver Hayley apavorada trouxe um pouco de realismo do que é viver em um universo de pura brutalidade e ausente de qualquer respeito ao próximo. Em The Vampire Diaries, Elena ficaria ótima diante dessas atrocidades e lá o relacionamento abusivo venceu. The Originals tem a chance (e o dever) de fazer diferente porque, como disse na semana retrasada, é mais fácil amar a versão boêmia desse Original a aceitar sua faceta animalesca. Esse Mikaelson é cool, contrabalança os irmãos, provou várias vezes que é mais que seu passado, mas essa temporada veio para quebrar sua romantização e acho ótimo. Vamos lembrar que o próprio matou Davina e mais 4 adolescentes nesse ano.

 

Se nem Klaus passou pelo meu punho de ferro, quem dirá Elijah, né? É fave, mas tá todo errado.

 

Foi bom também ver Elijah dar uma tremida por causa de Hayley, mas esse é seu único efeito colateral? Tão de brincadeira, né? Klaus mostrou um pouco de trauma ao passar 5 anos em cativeiro e seu irmão tem a mente espatifada em mil pedacinhos para…?

 

The Originals 4x12 - Klaus e Hope

 

A reflexão sobre estilo de vida rebateu em vários ângulos desse episódio e lá estava Klaus. A pessoa que aguardei uma reação negativa depois do textão de Hayley. Para minha própria surpresa, o cidadão não foi abusivo, o que dá margem para o que Plec intenta sobre um spin-off para Hope.

 

Há boatos de que a menina será adolescente na S5 e que seu refúgio, visto o que prometem fazer com os Mikaelson no finale, é viver na escolinha de Ric e de Caroline. E a gente finge que a intenção é pura. Quando abrem mão de Elijah e de Hayley sob uma perspectiva abusiva, querem tirar Klaroline do tártaro sendo que até eles se tornaram um shipper abusivo. Será que eu preciso repetir o quão humilhante foi a cena de sexo deles em Mystic Falls? Chega de romantização aqui também.

 

Plec precisa ler a cartilha atualizada sobre construção de personagem feminina. Ela permite que se repitam os mesmos erros em nome do fandom e depois fica fazendo juras sobre feminismo e afins em seu Twitter. Será que ela não percebe o quão isso é desrespeitoso pra caramba?

 

Esse viés de reflexão segurou a trama porque amarrou todas as conversas sobre ciclo de violência e afins. Inclusive, sobre o que cada irmão gostaria de fazer uma vez livres. Tirando isso, o episódio patinou, não tanto quanto o anterior porque dessa vez tinha Vincent. O bruxão deu aquela disfarçada no fracasso que se tornou essa storyline da Inadu, mas ainda deu para capturar frestas no conflito central. Perdeu-se mais impacto e, dessa vez, eu apenas gargalhei dessa garota.

 

Hayley foi a grande personagem da semana, sendo que foi delineada para ser a personagem da temporada. E aí temos uma nova fresta de fracasso porque Inadu conseguiu burlar o sangue Labonair de uma hora para a outra. Assim, só precisou de doação e uns murmúrios, o que torna tudo uma piada visto que, uma vez no corpo de Sofya, a vilã sentiu o impacto da ameaça. Como que, de uma hora para a outra, a própria conseguiu driblar a única coisa que a combatia? Ideia que pareceu complexa de início, a arma secreta para um fim de ano, mas lá estava o atalho para fazer a trama funcionar.

 

Inadu tem aptidão superior aos demais covens que existem no Quarter. Sabemos disso porque foi o único discurso que a moça teve ao longo da sua estadia nas redondezas. Ela só teve uma fala de impacto que caiu por terra assim que possuiu Sofya. Cada passo dela não teve aprofundamento, um erro porque a personagem era a mitologia. Não explicaram o símbolo de Ouroboros, nem deram atenção devida a cada ossada (que só serviu para inventar draminha para Elijah), e agora temos que engolir a simplicidade do link com Hope. Prático. A única coisa que não tiro o mérito dessa temporada é que encaixaram cada item que moldava a história de Hollow em ótimos timings. Porém, a ausência de desenvolvimento comprometeu um possível sucesso. Perdeu-se o sentido. Nem mesmo o papel de Vincent foi o suficiente para explicar o que está ocorrendo aí.

 

O mais engraçado é que Summer se tornou uma vilã preocupante, muito mais que a forma original de Inadu que, desculpa Blu, segue firme sem carisma. Igual Taylor possuída e que deixou sua personagem como um robô. A criança estava ótima, embora tenha me deixado de coração pequeno.

 

Hope foi ponte para vários paralelos nesse episódio e foi ótimo. Contribuiu bastante para mover os botões emocionais, especialmente quando Sofya relata o resultado da sua possessão por Inadu. Como bem disse a mais velha, a bruxona do Quarter é uma criança. Não tem a estrutura de um adulto para compreender e assimilar o que se passa dentro de si, em nível sobrenatural, e que corrobore para interromper as chances de trauma. Se tudo que Hollow oferece é escuridão uma vez que toma conta de uma pessoa, não podemos pensar coisas positivas para o futuro da herdeira Mikaelson. Por essas e outras que torci o nariz para essa ideia porque, a meu ver, Vincent é quem deveria ter sido possuído. A história é muito dele também, né? Esperei por essa reviravolta, especialmente no último ritual que envolveu o livro.

 

E que livro de fácil acesso, hein? Ele aparece, some, é roubado e recuperado. Gente.

 

The Originals 4x12 - Vincent

 

Vincent salvou uma trama que estava perto de ficar morta de tão dependente que ficou do emocional dos personagens. Só lamento por ele ter que levar tudo nas costas de novo, principalmente um conflito central que o fez pagar mico gratuito perto do fim de mais uma temporada. A solução dele para Inadu ficou um tanto medíocre e a prova se deu no resultado. Enfiar Hollow no livro? Hollow escapando de novo e pela graça divina? Really? Só valeu a pena devido à cena entre Klaus e Hope que foi lindinha demais. Chorei.

 

E o que podemos dizer sobre Klaus? Comentei brevemente sobre o personagem lá em cima, mas darei um respaldo aqui. Fico feliz de não cutucar negativamente esse cidadão ao longo dessa temporada porque é cansativo demais. Essa mudança sutil, que nem precisou matar sua essência, me deixa contentíssima. Era disso que estava falando. Mudanças mais humanas são ótimas e atingiram um ponto de equilíbrio no híbrido que eliminou um pouco o ciclo abusivo.

 

Pena que foi uma decisão tardia também e duvido que o teriam amaciado se não existisse Hope. Apesar disso, esse episódio entregou o estopim do quanto ele mudou e do quanto ainda quer mudar. O papo de ter medo de voltar ao dark side se perder a filha… Eu gritei! É bem por aí!…

 

No fim, gosto nem de pensar sobre os efeitos colaterais que Inadu deixará em Hope. O que amarra a discussão inicial dessa temporada de manter a essência da menina. Sua inocência. Detalhes que Hollow roubou de pronto e já é de se esperar salto temporal para controle de danos rumo à S5.

 

Concluindo

 

The Originals 4x12 - grupo

 

O milagre do episódio foi alguém de algum coven se apresentar na trama. A sumida que não teve o menor cabimento. Afinal, assim que Inadu ganhou vida em sua forma original, era para se ter um exército na porta dos Mikaelson. Pergunto-me como é que essa moça me oferece pactos e não promete elevar poder de ninguém ali. Provaram lealdade, ok, mas de que adianta ser protegida por gente com poder abaixo do meu? Taí outra coisa que não fez muito sentido, mas seguimos.

 

Como mencionei, gostei bastante dos paralelos criados nesse episódio. Sofya e Hope. Vincent e Hope. Klaus e Hayley. Isso contribuiu bastante para a movimentação contra Inadu e para disfarçar uma trama que entrou enfraquecida graças aos desdobramentos da semana passada. De quebra, houve momentinhos especiais, como Freya e Keelin. Duas lindinhas. Amei a realização de Freya sobre vida curta, sobre não ser imortal… Quem sabe ela é a próxima a passar por mudanças.

 

Mas meu medo de que Keelin morra é real e oficial.

 

E alguém ajuda a Rebekah? A garota está muito na nave da Xuxa e segue irritante as hell com esse ciúme de Marcel. Confesso que gostei bastante do toco que a moça recebeu porque, mesmo que seja temporário, estava precisada, né? A turma precisa cortar o cordão umbilical. Vá embora igual Kol, mana! Você merece uma vida melhor também e não necessariamente no Quarter.

 

Agora, resta saber como funcionará esse papo de horcrux de Inadu e o fim do Always & Forever. Só acredito vendo, serei honesta, mas Klaus tão choroso no implorar pela ajuda por Hope. Estou admirada sobre o quanto esse cidadão não me tirou do sério nessa temporada.

 

E lá vamos nós aguentar esse papo de grande sacrifício de novo…

Stefs
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