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30/set

Com o patrocinamento dos charutos e dos bonés lindos demais de Casey e de Severide, Chicago Fire retornou com o gracejo de me fazer chorar. A única resposta pertinente que essa premiere tinha que dar se tratava do desdobramento de um incêndio que aparentou ser completamente letal. É, não foi, mas, apesar dos spoilers drásticos oriundos de fotos de bastidores e de stills desse novo arco da história dos bombeiros, consegui ficar estupefata em vários instantes. Não sei se é porque estou ovulando, vai saber, mas fiquei chocada ao me ver chorando. Será que era de saudade dessa turma toda? Não duvido nada, hein?

 

Mas, antes, vamos ter aquela conversa séria.

 

Quase seis anos se passaram da existência de Chicago Fire. Quando uma série é longa dessa forma, é um processo natural matutar sobre os caminhos de inovação de storyline. Quanto mais antigo o universo, mais problemas de estruturação de plots podem ocorrer. No caso dessa premiere, ainda estou um pouco indigesta com alguns vieses porque se pontuou que muita coisa seguirá da mesma forma ou, na pior das hipóteses, mediocremente. Severide. Kidd. O núcleo liderado por Herrmann. Mais um previsto incêndio culposo. E?…

 

Este episódio seguiu de mãos dadas com o mais do mesmo visto na premiere de Chicago P.D.. Não se safou da preguiça e da falta de criatividade dos roteiristas, começando a escalar vícios de escrita. Além disso, esquadrilhando caminhos desinteressantes que, há dois anos, comprometeram a galera do 51º Batalhão. O mesmo ínterim de tempo em que CPD sofreu para engatar – e desengatou.

 

Foram dois anos de rarefação de plots em ambas as séries, mas eis que o milagre ocorreu em CF: direcionaram muito bem a S5. Obviamente que isso rendeu mau costume, pois quero esse mesmo ritmo na S6. Não foi perfeito, não mentirei, mas deveras melhor perto do fiasco da S3/S4.

 

Por ter sido bem cuidada a leite com pera pela temporada passada, esperava impacto nessa premiere. Independente de onde ele viesse. O cliffhanger da S5 foi estendido para apresentar a última medida de Boden em salvar sua equipe. Uma medida drástica que cai na regra do melhor ter tentado a não ter tentado nada. Porém, o grande risco era meio mundo morrer queimado gratuitamente, o que rendeu aquela ironia de salvar ao mesmo tempo em que posso matar.

 

A cena dos bombeiros enclausurados trouxe uma angústia maior perto do que foi testemunhado no 5×22. Meramente porque tudo passou muito rápido e não havia onde focar. Sem contar que a atenção do finale passado foi para Dawsey e nem deu tempo de pensar nos demais (a não ser em Mouch). No 6×01, a resolução descambou, sem ao menos dar chance de um sutil desenvolvimento. O motivo? Tudo para não entregar quem teria morrido no ato do resgate. E ninguém morreu!

 

Apesar desse pequeno fato, que disserto mais lá embaixo, foi difícil segurar as exclamações de horror quando os jatos de água entraram em cena. Os gritos de Herrmann foram dilacerantes e acreditei piamente que Mouch e ele iam dessa para melhor. O que torna minha experiência nessa premiere interessante porque eu vi as fotos que entregaram a sobrevida de todo mundo e ainda sim me vi passadíssima. Deve ser porque não tinha tomado meu café da manhã ainda. É uma possibilidade.

 

Mas foi bem real que, ao longo dos primeiros minutos deste episódio, foi como se eu não tivesse visto nenhum spoiler. Fiquei chocada em Cristo em várias circunstâncias, mas nada se comparou ao que Herrmann e Mouch botaram na mesa. E, claro, ao adentrar de Boden após o cessar fogo, a cena de escuridão atenuando o drama diante do que poderia ser visto além das cinzas. Foi como se tivesse me dado branco e fiquei arrasada demais. Um fato que me fez pensar na hora na seguinte questão: como superar esse evento traumático?

 

Quem estava lá dentro pode não ter sofrido no mesmo nível, mas sofreu. Todos estavam enclausurados no mesmo ponto e foram capturados por vários níveis de desespero. Os roteiristas até que foram “espertos” em encontrar uma solução pela porta da frente. Se fosse pelas laterais, era fato que ninguém sobreviveria. E, se sobrevivesse, não sairia da melhor maneira.

 

Embora a cena tenha sido rápida, contando unicamente com a claustrofobia de não saber quem sairia a salvo (ou se salvaria), dá para contabilizar um tempo maior em que os bombeiros aguardaram resgate. E justamente esse aguardo que garantiria as consequências que, simplesmente, burlaram para manter o elenco.

 

Por eu mesma imaginar um tempo longo, mais ou menos beirando a 30 min., é um tanto impossível seguir a vida depois desse evento. Como também sobreviver à chuvarada de água e de fogo. Com minha Vênus em Câncer, o impacto que pensei foi justamente no emocional e quem o refletiu foi Mouch e Gabby.

 

Agora, espero algum efeito traumático e nem podia solicitar uma coisa dessas porque a turma aqui sempre burla pautas complexas.

 

Chicago Fire (6x01) - Dawson

 

O adeus dado por Casey não foi apenas bonitinho. Aquelas palavras realmente causaram um baita estrago. Declarações de amor Dawsey, desse nível sambista, são tão raras que, quando tem, pensamos que é unicamente para firmar que o shipper segue vivo. É… Não.

 

Confesso que esse ponto, como vários dessa premiere, me surpreendeu um pouco. Até matutar sobre e relembrar que essa situação não é tão nova. Gabby passou por algo parecido no incêndio que custou Shay, o que rendeu um paralelo com o que foi estregue no finale da S5. A diferença de agora é que a paramédica não estava dentro da cena, mas acompanhou a despedida seguida da suposta morte de alguém querido. E se doeu em nós, imaginem nela.

 

Anteriormente, Dawson foi o Herrmann de Shay, o que não bate com a circunstância atual. Ela estava fora e ganhou uma despedida lancinante. Daquelas que rodopia a caixa craniana por horas até atingir um ponto de negação. A moça não transpareceu negação, não ainda, mas foi dilacerada. Saber disso me deixou catatônica também. Afinal, o que Casey dissera foi muito inofensivo e compreender o peso dessas palavras custou outro bocado de tempo.

 

Ouvir, na voz de Ramon, que esse mesmo discurso rendeu um tsunami emocional deu relevância ao impacto sentido por Gabby. Um instante em que Dawson diluiu aquele sorriso confiante na cerimônia em que o mozão ganhou a medalha de honra. Ela poderia estar realmente feliz com a conquista, mas o peso do seu alívio, e até da sua conformidade no presente, vem do fato de Matt estar vivo.

 

Contudo, ainda não foi o bastante porque o Tenente, mesmo sem intencionar, impôs um luto. Sem ao menos Boden pensar em uma última medida de contingência. Gabby engoliu precocemente, junto com a gente, uma perda não concluída. Isso, de fato, tem a capacidade de transformar uma pessoa. Agora, resta saber como isso a moverá e, considerando quem escreve a série, hora de temer.

 

Não que a espere arrasada daqui por diante, mas o famigerado you’re my miracle mais o palco que impulsionou sua origem foram poderosos demais para se esquecer. Eu consigo vê-la repassando todas aquelas palavras em sua angústia silenciosa no decorrer do salto temporal e é inegável que essa personagem soma dois lutos não trabalhados nas costas. Uma perda fatídica e uma perda temporária que precisam sair do coração da paramédica. É veneno. Não é saudável e isso pode abrir brecha para um ciclo vicioso que não deixa de ser preocupante.

 

O pedido final dela para Casey ergueu o banner em neon escrito: pode virar co-dependência. Não acredito que os roteiristas fariam isso, mas vamos ser honestos que, além da possibilidade de gravidez, ambos sempre engatam algum drama extra que tem que testar o relacionamento. Já digo que nem sou obrigada!

 

Co-dependência inclina para relacionamento abusivo e essa é a última coisa que desejo ver em Chicago Fire. A S5 salvou a dinâmica do casal com muito custo e afundá-la por um tipo de pauta complexa, sendo que os roteiristas nem conseguem dar um upgrade em Severide, dá em caminho sem retorno. Não menos importante, em má escrita.

 

Chicago Fire (6x01) - Mouch

 

Para combater o drama de Gabby, lá estava o grupo do alívio cômico. Saudade de todos e agradeço pelo clima estou sorrindo mas meio que chorando. Mouch retornou ao Batalhão e contou com um Cruz cheio de remorso. Não sabia se ria ou se chorava, optei pelos dois. Honestamente, acho é pouco, apesar de Herrmann ter sido sensato no conselho de libertar Joe logo de uma vez. Considerando o que esse cidadão fez com o colega de trabalho, acho que pode usá-lo mais um pouquinho. Necessário!

 

Além dessas interações fitness, Mouch entregou o que o impactou ao longo da experiência naquele incêndio. Ele percebeu que a vida é sim curta demais e que devemos aproveitá-la ao máximo. O clichê que meio mundo revira os olhos, mas não deixa de ser uma verdade, verdadeira. A “Olimpíada” dos bombeiros soa como um meio para reintegrar essa turma, pois a premiere focou bastante em restabelecer os elos, alocar personagens e abrir novos subplots pessoais. Quero acreditar que isso funcionará de alguma maneira, pois está aí o núcleo das histórias passageiras. Penso que será uma situação divertida e esse povo precisa de muita alegria.

 

E, sério, fiquei pau da vida que o descaso com Mouch seguiu como se nada tivesse rolado. O povo querendo dar drible nele me deixou possessa.

 

Pensei que Herrmann esboçaria algum impacto sobre o incêndio e torci um pouco o nariz ao vê-lo um tanto de boa. Afinal, ele não desistiu de massagear o coração de Mouch, foi levado à exaustão em um exercício que achei meio irreal ter garantido uma sobrevida aí. Peço ajuda aos médicos.

 

Ele foi o verdadeiro efeito colateral da medida de Boden. A prova de que jogar água em geral não foi uma ideia brilhante, mas era o que tinha para aquele instante. Penso que não tem como não ficar abalado com isso também, pois o personagem nem teve a chance de se esconder. O bombeiro teve que ficar aonde estava para salvar seu amigo e testemunhou a possibilidade de morrer. Ainda é cedo para cobrar, eu sei, então, vamos acompanhar.

 

Pausa para virar o polo negativo

 

Chicago Fire (6x01) - Sylvie, Kidd e Hope

 

Se não fosse Dawson e Mouch, a premiere de Chicago Fire seria de: vários nada. Chamados truncados e nuances de subplots que já rendem lágrimas, mas não de tristeza. Mas de desespero mesmo porque senti cheiro de S3.

 

E, pela Deusa, eu sou toda traumatizada com essa temporada. Não me arrasem não.

 

A premiere veio tímida, para não dizer rasa, depois do drama do incêndio. Medida típica porque precisavam espanar a trama, ordenar os pensamentos e tudo certo. Usaram do resquício do evento para situar decisões e um novo caos que ficou de isca na voz de Donna. Casey agora tem proposta de Capitão, Gabby foge da terapia, Mouch tem sua “Olimpíada” e Kidd tem sua treta um tanto ridícula visto que a moça pode mais. Resta saber como desenvolverão tudo, apesar da minha atenção estar agora mesmo redobradíssima em todos os movimentos de Gabriela Dawson.

 

Não demorou muito para a storyline que mais detesto em Chicago Fire se apresentar: Severide e a mulher que está apenas ali para afagar seu espírito. Quem ainda aguenta? Anuncio que jogarei a toalha sobre esse personagem e tudo que lhe dão como storyline. Eu meio que cansei. De verdade. Realmente, torci para que Kelly tivesse falecido no incêndio porque não sei como Taylor aguenta fazer a mesma coisa em todo bendito ano da série. Eu teria feito a Sophia, fatos.

 

E a ideia de Hope e de Kidd brigarem por Severide me embrulha o estômago. Me faz lembrar da treta ridícula e sem cabimento entre Sylvie e Laura. Tudo podia ser mais perfeito se atualizassem o subplot do Tenente.

 

Agora, o tapa com luva de seda: pra que geral vivo? Depois de chorar com Dawsey, me vi chateada porque eu queria morte. Senti sim toda a densidade do resgate, mas estava aí uma situação que poderia se alongar visto que bastava o último chamado para fisgar uma continuidade para o 6×02.

 

Falar de tombar personagem em Chicago Fire é o querer não querendo, mas todos vivos desvalidou uma emboscada que foi feita para aniquilar pelo menos uns três bombeiros. Ficou muito nave da Xuxa o resultado, não nego, apesar da medida ter sido um pouco excruciante.

 

Apesar do aguaceiro ter criado terror, eis a verdade: medida fácil. Poderia ser a única, mas houve mal uso do roteiro, que focou em coisas que podiam esperar o episódio seguinte (oi, Hope). Podiam ter trabalhado melhor a resolução desse chamado, mas é do Careca Haas que estamos falando.

 

Concluindo

 

Chicago Fire (6x01) - Casey

 

Esse início de premiere não passou da imitação do 3×01. E quem quer lembrar da S3, gente? Eu que não! Não quero encarar tal “semelhança” como indício de mais um flop tour. Não é para isso que uso a internet! Mas, sim, estavam lá as nuances desse tempo obscuro. Gabby no luto, Severide também, Casey com promoção. Preciso continuar?

 

Eu caí que nem um patinho no tal eventinho ilustrado pela foto acima que mais parecia uma “celebração” da vida de quem se foi. Atualizei meu vocabulário de palavrões porque, mesmo que uma parte do meu cérebro estivesse certa de que Casey sobrevivera, o impacto do resto do incêndio me naufragou completamente. Senti o choque diante da possibilidade real de todas aquelas fotos promocionais serem iscas (olha o crédito que te dei estagiário da NBC) e o reaparecer de Matt me tombou direitinho. Xinguei esse moço como se tivesse morrido e quis dar uma sapatada em Boden, cheio dos discursos lindos para resgatar um fantasminha. Aff!

 

Enfim, Chicago Fire não retornou com força total e foi um tantinho decepcionante visto o peso do cliffhanger que largaram no meio do caminho. Assim como Chicago P.D., jogaram no seguro, ou seja, no apelo emocional de seus personagens, o que nunca dá erro. Poderia dar o “boa premiere”, mas, considerando que saltaram no tempo, desenvolver mais o resultado do incêndio não custaria nada. Com um início razoável, o que vem depois daqui já é motivo de tortura pessoal. A corda bamba existe e melar mais um ano não foge da fila de possibilidades.

Stefs
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