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29/set

Então que Chicago P.D. retornou e parece, apenas parece, que a tentativa desse novo ano é resgatar o ponto em que essa série acabou simplesmente esquecida no churrasco. No caso, na virada da S2 para a S3, e no decorrer da S4, já que, após isso, muito da essência desse universo se perdeu. Resultado que só tem um vilão: Linstead. E não deveria ter sido assim, né?

 

O retorno da série não estava incluso na minha fila de expectativas, mas eu precisava ver o que diabos planejavam após a saída de Sophia Bush. Essa era minha maior das esperas porque queria testemunhar o como preencheriam, nesse primeiro momento, o vácuo de Erin Lindsay na trama. Parecia-me algo absolutamente difícil, que seria imposto com mau gosto, visto que a atriz saiu sem fazer nenhuma declaração mais aprofundada. E sabemos que essa turma gosta de uma vingança!

 

Querendo ou não, tanto ela quanto sua personagem ajudaram a criar essa narrativa. Mais de plano de fundo, obviamente, não quero tomar os créditos de Dawson e de Voight. A boa é que ocorreu um milagre e nem consigo acreditar: souberam preencher sua ausência, sem parecer aquela colher de comida que a mãe tenta empurrar goela abaixo a todo custo. Algo que ocorreu em sua súbita saideira, ainda intragável pelo pobre desenvolvimento que agravou o problema de roteiro.

 

Um pódio que encontra seu ponto de atrito quando falamos de desenvolvimento de personagem. Outro impasse imenso que deixou de beneficiar os remanescentes de Chicago. Inclusive Erin Lindsay. Desde a S3, se esqueceram que existem mais pessoas na Unidade de Inteligência, pois focaram em demasia no também pessimamente desenvolvido romance entre Halstead e Lindsay.

 

Resultado? A meta da S5 é, possivelmente, resgatar o que CPD foi na S1-S2. Vide Voight sozinho no pôster.

 

Agora, vamos falar da premiere. Não foi ruim como eu esperava, confesso. Deu-me a sensação de familiaridade e me relembrou por quais motivos ainda permaneço nessa sofrência. Obviamente que é devido a boa parte do elenco, apesar de ter sido mais uma a ingressar nessa Chicago pela Sophia.

 

Chicago P.D. (5x01) - Linstead

 

O início dessa nova jornada foi dedicado a chance oficial de dar adeus à Lindsay. Mesmo que muito, mas muito brevemente, como foi o caso. Porém, necessário, pois ela não deixou de marcar a história de Chicago P.D., apesar de ter seu desenvolvimento totalmente comprometido. Com isso de novo, Stefs? Sim, para reforçar porque é isso que os roteiristas terão que melhorar nessa S5.

 

Essa repetição também é válida porque tiraram um pouco da independência de trama de Erin para torná-la um anexo à storyline de um Jay que também acabou afetado no processo. A série deixou de crescer a partir do momento que dependeu do shipper popular e não nego que a retirada da detetive fez muito bem ao desdobrar da premiere. Por mais que doa, não senti falta de Lindsay. Meramente porque a tornaram menos marcante ao longo dessa jornada. E isso também não era para ocorrer, né? Até me sinto o monstro abominável das neves em dizer isso.

 

Assim, não entendam o que disse acima como uma crítica de quem está magoada com a saída da Sophia. Não estou magoada, sigo é feliz, pois ainda sou uma das pessoas que a apoiou devido ao descaso com seu trabalho (e o mesmo ocorre com os demais, mas não interessa para o momento). Digo isso mais pelo aspecto de fluência de trama que, pelo também milagre divino, retornou como se nunca tivesse sido abalada. Ao menos, por enquanto. Todos estavam em cena, sem os típicos desvios Linstead. Não houve disputa de holofote, o que trouxe uma premiere limpa. Um tanto relevante para alocação da turma dentro da primeira linha da premissa dessa S5.

 

Os flashbacks de Erin que abriram o episódio mexeram sim com meus sentimentos. Fiquei triste, especialmente por relembrar que sua saideira foi mal direcionada. Não esperava nenhum tipo de retorno súbito da parte da Sophia e, o resultado, foi cuidar desse rombo ao inserir Voight na terapia. Confesso que achei meio estranho, porém, trouxe uma entonação relevante à despedida da personagem. Muita coisa ocorreu nos últimos anos na vida dele e penso que é normal procurar por ajuda. O Sargento confessou que se sente solitário e não é para menos. Na virada de dois anos, esse ícone não teve folga, respondendo pela morte da esposa, pela suposta traição com Bunny, pela perda de Justin. Agora, teve que segurar a marimba do let it go de quem considera como filha.

 

Um alguém que ele viu espiralar na S3, que melhorou e foi buscar um futuro melhor. A ausência de respostas de Lindsay a ele e ao Jay reforçou que não há abertura. Nem retorno. O máximo que espero daqui por diante é que não usem o nome dessa moça em vão. Só para fazer isca e, assim, encher de esperança quem com certeza ficou “arrasado” com essa súbita saída. Não se atrevam!

 

Chicago P.D. (5x01) - Jay e Voight

 

Halstead foi o personagem-chave dessa premiere, justamente para reforçar o adeus para Lindsay. Após seis meses, que foi dado como salto temporal, o detetive ainda ruminava a separação. A visita ao apartamento foi o reflexo da desolação não comentada, a não ser em quase fim de episódio que abriu espaço para firmar que Erin não retornará. Ele estava com os ânimos à flor da pele, curtiu uma maratona de exposição e de acusação quando tudo que fazia em expediente era tentar capturar bandido. O famoso acordar com o pé esquerdo e ainda bem que tudo deu certo no final.

 

Vale até dizer que, apesar de quase ter se ferrado na investigação, muito me agradou não vê-lo irresponsável em ação devido ao toco. E era justamente o que eu esperava.

 

O foco no detetive me fez lembrar do 2×01. Período em que ele foi centralizado por uns bons episódios ao ser marcado para morrer. Jesse mostrou talento nesse arco, um amadurecimento excelente tanto de seu trabalho quanto do posicionamento do seu personagem, e está aí outra coisa que espero que resgatem. O cara merece um upgrade de storyline, vamos ser honestos. Jay morreu ao longo dos últimos dois anos. Seu background foi empurrado para debaixo do tapete porque só Erin era importante. Detalhes inadmissíveis. Principalmente quando me contornam seu impasse pessoal (vamos lembrar da cena cortada da S4), o estresse pós-traumático. Fato trocado por situações aleatórias para mexer em um relacionamento que sequer também teve profundidade.

 

Tudo que ocorreu em CPD quanto a Linstead comprometeu ambos os personagens. Dessa forma, é esperado também que essa temporada conserte esse escorregão. Quero que corram atrás desse prejuízo. E sei que vocês estão me chamando de trouxa neste momento. E sou mesmo.

 

O caso da semana não foi inesquecível. Deu aquela leve emocionada devido ao ocorrido com a criança, mas não muito mais que isso. Porém, serviu para assentar a proposta desse novo ano de Chicago P.D.. Algo que tenho interesse e que serviu de mais motivo para eu não burlar a S5. Estou curiosa e ao mesmo tempo preocupada. Preocupada porque os roteiristas mostraram no ano passado que não conseguem trabalhar pauta social sem trocar os pés pelas mãos. E lá vamos nós!

 

O “erro” é sempre fazer da UI a grande heroína da história, o que é coerente, claro. Não está errado, mas, considerando que o elenco é maioria branca e masculina, me soa privilégio demais esse heroísmo. Policiais, detetives e afins podem ser completamente falhos. Precisam investir nisso.

 

Inclusive, parar de matar personagem negro a fim de provar um ponto – sendo que não provam nada. Por sorte, apostaram na conversa que na ação, um ponto que não sou a maior fã, mas, nesse caso, coube e deu certo. Os diálogos inseriram a premissa, que teve aquele Q de corrupção que atraiu um Voight que teve que mudar seu modo de investigação. Além disso, os ares da sua equipe devido ao desdobramento com Lindsay. Ao menos, é o que querem que acreditemos. A nova vigília na UI vem de um modo que exige compostura, mas sabemos que a corda logo menos arrebentará.

 

Outros comentários

 

Chicago P.D. (5x01) - Ruzek

 

Como o prometido, a sombra de Lindsay esteve no decorrer deste episódio. Ela impactou indiretamente o desdobrar do caso da semana, que trouxe as novas condições que a UI terá que acatar para assim atuar. Como a presença (retorno) de Denny, o fiscal de Voight. Que pesadelo!

 

Denny, o balão que ninguém pediu, não fez muito, mas já deu para sentir que causará estresse. Nesse primeiro momento, ele só apareceu para ser isca, tensionando de leve a investigação para assim anunciar um novo modo de operação. Por enquanto, o personagem não serviu de nada. Entre as poucas interações com Hank, deu para perceber que o barraco passado será cobrado com várias tentativas de shade. Pergunto-me até quando o sorrisinho vitorioso do Sargento será mantido.

 

A irritação veio mesmo de Price, cidadão que me deixou desconfortável. É quando eu repito que os roteiristas não sabem se usar da narrativa social de maneira a beneficiar quem precisa ser o protagonista da conversa. Foi muito bacana sentir a tensão criada por Ruzek para cima de um jovem negro porque, relativamente, é o que ocorre na vida real. Foi bom ver Atwater meio em crise, mas não me escapou a santa verdade de que ele é o negro que só está ali para falar sobre o negro. Esse último fato que não é ruim, acho ótimo por motivos de representatividade, mas o detetive transmitiu que só existe para prestar esse tipo de papel e não dá. Cadê sua história?

 

Esse Price, que era para ser um tipo de simbolismo positivo para uma comunidade um tanto carente, era bem corrupto. O cara dependia da grana das gangues e, no decorrer da investigação, tentou acobertá-las não pelo discurso de “defendo o negro contra o assédio da polícia”, ou porque a UI estava pisando na bola, mas porque seu mandado era mantido por todo esse malefício que custou a vida de uma criança e tantas outras. É a corda bamba de dar o recado positivo, mas, no fim, quem ainda perde é quem não é representado.

 

Se você está cansadx de ver mulher vs. mulher só falando de homem, imagina o negro vs. o branco em que o negro só fala de criminalidade ou é o criminoso? Hora de mudar a narrativa porque essa é a velha fórmula de dizer que está preocupado com o tema, mas, na menor chance, vem o personagem da minoria ser usado para enaltecer o branco. Nesse caso, o branco seria a UI.

 

Chicago P.D. (5x01) - Price

 

Hank concordando com Price para salvar Jay me lembrou da sua fase corrupta. Cheia de conversas fora do expediente e de acordos que ninguém pediu ou que nunca se ouviu falar. Considerando que o próprio reina no pôster exclusivo dessa temporada, pode entrar esse plot! Inclusive, pode entrar a verdadeira storyline do Sargento, outro que também se deu muito mal com esse papo Linstead. Sim, ele também perdeu um pouco da sua caracterização para o romance ocorrer, conflitando com seu posicionamento na S1. Ok ceder, mas não de uma maneira tão vergonhosamente fácil.

 

Não posso sair sem mencionar o posicionamento das redes sociais, que engrossou de leve a situação de Jay. Apelo que contribuiu para a tensão (suave) entre brancos e negros. Desde a temporada passada, CPD tenta embarcar nesse caminho online e penso que, agora, será a chance. O novo parça da escrita quer investir em atualidades, como o tipo de treta presenciada ao longo dessa premiere. A má fama dos policiais, o efeito disso em comunidades e assim por diante.

 

E tenho que dizer que ouvir Black Lives Matter à toa de novo me deixou de testa quente. Assim, se fosse realmente importante, já teriam alterado essa narrativa do ponto de vista de Chicago P.D.. Ou seja, não salvariam detetive a todo instante e dariam um pouco de valor ao quanto essas comunidades realmente sofrem nas mãos de policiais totalmente imprudentes e corruptos. Amém!

 

Concluindo

 

Chicago P.D. (5x01) - Halstead

 

Deu para notar que estou cheia de exigências, né? Não é expectativa, mas cobrança e é em tudo isso, e mais um pouco, que focarei ao longo das minhas resenhas de Chicago P.D.. Serei trouxa, eu sei!

 

Ao contrário das investidas mais bruscas, seguiram no seguro. No caso, pelo viés emocional que pediu um tanto mais de Halstead. Além disso, precisaram desse caso para mostrar que a Unidade de Inteligência está sob vigília. Ou, melhor dizendo, sendo parte de uma reforma que também enraizou a sombra de Lindsay quanto ao que a própria fizera na sala de interrogatório. Ação que rendeu câmeras que podem ser um bom investimento já que Hank não poderá estapear ninguém.

 

E a gaiola? A rainha segue firme esquecida! Também espero que retorne com força total.

 

De fato, foi um recomeço para Chicago P.D. e tenho que confessar que foi como se a S3 e a S4 não tivessem existido. Parece que emendaram a S2, a partir da primeira saída de Lindsay, e a turma teve que arcar com o desfalque. Se isso é bom ou ruim, só assistindo a temporada para saber. Irei conforme a maré, mas oportunidade de consertos existe. Principalmente com o retorno de Dawson.

 

E que retorno mais mequetrefe, né? Descaracterizaram tanto Antonio que nem sei.

 

Por mais que ame Sophia e Erin, repito que, ao menos para mim e para o contexto da trama, não deixou saudade. Literalmente, foi como se ela nunca tivesse existido apesar das menções. Pensei também que, por causa disso, torceria o nariz para várias coisas no transcorrer dessa premiere, mas, de fato, me vi surpresa por ter até curtido o que trouxeram nesse início. Deve ser porque o ritmo de CPD estava muito, mas muito comprometido, e esse conseguiu ser meio nostálgico (?).

 

Ainda sim, não foi lá aquela coisa grandiosa que me faria ver o episódio seguinte como rolou na S1. Valeu pelo Jay. Foi uma rodada comum, daquelas escritas para encher linguiça. Pelo menos, todo mundo trabalhou em sincronia e sem as interrupções que não agregavam nada na trama (você mesmo Linstead!). Passou muito rápido, sem grande caos, porque o intento foi mostrar as mudanças e pontuar a nova premissa. Os resultados disso só veremos daqui uns bons episódios e o que resta agora é fazer uma oração.

 

E confissão: me vi ainda muito apegada a esse universo apesar do estresse desses últimos anos. É por isso que sigo aqui e espero que os personagens consigam evoluir já que agora CPD está sem seu maior buzz – e criar outro em cima de Jay e de Upton seria o cúmulo do desespero.

 

Há brechas de melhorias, como dar uma folga em Burzek. O toco de Burgess me fez feliz e quero acreditar na outra promessa de que essa personagem retornará ao seu foco profissional.

 

Como disse Voight, está tudo meio tricky. Situações que também prometem uma mudança no comportamento da UI que está, como Platt bem pontuou, passando por trust issues.

 

PS: Upton parecia uma desconhecida. Uma questão de posicionamento de trama já que ela foi apresentada na S4. Senti uma singela mudança na caracterização e pode ser impressão minha.

Stefs
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