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28/set

Essa é aquela última rodada de series finale e nem acredito que isso está acontecendo com Teen Wolf. Isso, considerando as séries que resenho já que todas as adolescentes sumiram do meu cronograma. Chego aqui com um misto de tristezinha mais alívio porque lá se vai mais um ciclo do que posso chamar de “fim de uma geração”. Não exatamente a minha, claro, mas esse universo nasceu em uma época de boom de premissas sobrenaturais e conseguiu, mesmo a trancos e barrancos, respeitar a sua maior essência: a amizade. Apesar dos meus resmungos no decorrer desses dez últimos episódios, Jeff e Cia. entregaram não apenas um bando em sincronia, independente de seu tempo, como também a memory lane de um universo que deixará saudade.

 

Até mesmo na vida dessa senhora que vos escreve.

 

O episódio começou com seu epílogo, o que deu pano para a manga sobre o murmurado reboot de Teen Wolf – e isso não apoio. Scott e Chris embarcaram em uma aventura não tão surpreendente, mas que serviu para embasar o instante em que tudo nessa série se transformou. O peso de se tornar lobisomem por meio de uma mordida aleatória mais a perseguição sinalizaram para o início dessa jornada que encontrou seu fim em uma batalha que não teve cara de batalha. Feliz ou infelizmente, foi tudo sobre nostalgia. Além disso, sobre amizade e amor que sim, salvam.

 

O tom da narrativa trouxe um recontar do depois a essa última fase da saga de Scott, que pontuou o fato de que todo mundo tem uma história. Páginas que se transformam com base nas nossas escolhas e na nossa desconstrução de pensamento quanto ao meio que vivemos e com quem convivemos. Nós criamos e recriamos as linhas que nos definirão para sempre, o propósito do finale que veio livre da opressão de outrora. Inclusive, sem grandes reviravoltas, como o esperado.

 

Anuk-Ite influenciava a mentalidade dos caçadores, a claríssima justificativa rasa que comentei na semana passada e que foi dada como viés de solução dessa tramoia. Nada surpreendente também. Seguirei dizendo o quanto a ausência do desenvolvimento da mitologia foi decepcionante ao longo desses últimos episódios ao ponto de não ter regado a história de drama. Nem de expectativa. Nem com a sensação real de guerra e nem com a paranoia de que ninguém sairia vivo.

 

A facilidade sentida na semana passada também foi capturada no series finale, em que a criatura se incumbiu apenas de transformar em estátua quem a olhava. Sem presa, sem suspense, o que trouxe uma resolução simples. Porém, que frisou o quanto há pessoas que agem, unicamente, motivadas pela crueldade. Ou, sem motivo algum.

 

Em suma, foi tudo sobre o fardo que se expressa na ordem de nossos pensamentos. Nas nossas opiniões. No que consideramos relevante. O fardo que carregamos todos os dias e que procuramos várias resoluções em suas camadas. Um processo que nos marca e que tem sim o poder de nos fazer regredir. O saldo do series finale foi esse, mas positivo, sem mortes. A facilidade da aceitação mútua mostrou que Teen Wolf nunca esteve pronta para entregar Beacon Hills à opressão e à crueldade. Tudo sempre foi sobre rosas, mas poderia haver uns cravos para desequilibrar o bando.

 

Toda essa fofura se deveu ao fato de que Teen Wolf fechou com 100 episódios. Por ser um instante comemorativo, nada como saudar a série e seus personagens restantes. Conseguiram com sucesso.

 

Resenha Teen Wolf - Stiles e Derek

 

O series finale de Teen Wolf foi sobre os laços de amizade e o drible desse fardo. Fatores que encontraram seu enriquecimento breve graças à presença de Stiles. Não havia mais o que entregar nessa premissa a não ser um final que fosse satisfatório. Com isso, garantiram uma leve estratégia, onde acompanhamos Monroe e seus capachos focadíssimos em exterminar o sobrenatural; Gerard na penumbra com seu desejo imbecil de aniquilar Scott; e o próprio Scott realinhando o bando. De novo, o diálogo foi a grande muleta que entregou todo o plano (e os resultados) final. Tudo muito depressa e as ações opressivas, que perpetuaram a turma de Liam, foram esquecidas pelo intento de enfrentar o próprio medo. Não foi ruim, mas podiam ter amarrado uma coisa na outra.

 

Houve sim um mero desvio de objetivo visto que todos os conflitos contra o sobrenatural silenciaram de repente uma vez que Anuk-Ite foi prensado como a solução rápida do vovô Argent. Os personagens sentiram medo, mas eu, particularmente falando, não temi a possibilidade de perder alguém desse bando. Nem muito menos senti a aflição diante do desenrolar de um plano que poderia dar errado já que Scott seguiu as palavras de Gerard. Apesar de ter rendido uma conclusão bacana, não houve tensão e nem a chance de reforçar o papel da criatura que acabou como um mero enfeite. Está certo que sua presença era mesmo para ser omissa, por detrás das sombras, pois sua energia de caos impulsionava atritos entre comunidades. Porém, não houve a montanha-russa emocional. Nem horror ao extremo.

 

Novamente, houve praticidade, como Stiles conseguir a Mountain Ash e sair, na companhia de Lydia, de Jackson e de Ethan, da Armory de boa. Onde estava o receio sobre Gerard criar mais armadilhas para destruir Scott? Ainda mais por esse bando seguir as orientações do caçador? Não teve, sendo que deveria visto o discurso que esse senhor entregou. No fim, o emocional era o foco. Fez sentido, mas, de novo, pareceu que não ocorreu muita coisa. Os movimentos nesse tabuleiro, que se percebeu maior para os roteiristas darem conta, não foram explorados em detalhes. Não criaram incógnitas e nem inspiraram mistério. Deram a singela agonia da opressão, que valeu muito, mas, no fim, pareceu que nada disso havia ocorrido. Os humanos estavam “ok” demais. Cadê a revolta? O estardalhaço?

 

Cadê os discursos horrorosos quando mais se precisava deles? Cadê as capturas que realmente separassem o bando e gerassem consequências? Fizeram isso, mas a repartição serviu para dar aval às visões de Lydia. Um trabalho que também ficou à toa, pois entregaram o detalhe crucial dessa petrificação antes da hora. E está aí uma coisa que me fez querer arrancar os olhos!

 

Assim, tinha a mitologia mais o caos escolar mais Monroe. Três linhas de plots sendo que os roteiristas sempre mostraram que o trabalho rendia mais ao focar em uma. Vide S3. Não é à toa que Teen Wolf sempre foi uma série curta e que conseguiu acertar a mão só na S5. Criaram um fluxo nessa S6B, ok, mas nada casou no final e isso me deixou um tantinho aborrecida. Era esperada mais ação. A sensação de beco sem saída. Até o posicionamento de Gerard foi extremamente cômodo, igual ao do Faceless que só ficou passeando. Resultado? Um embate a desejar que despertou quase vários nada. Quase porque a nostalgia compensou esse vácuo sem conflito.

 

Resenha Teen Wolf - Derek e Scott

 

Vale mencionar a tranquilidade do resto do bando em entrar na escola, sem nenhum tipo de preparo ou de plano reserva. O lugar que Lydia viu o perrengue pegar fogo – e nem chegou perto de pegar fogo. Pior que isso só a bala certa de Monroe contra Scott que não rendeu o estresse diante da possibilidade de perder o Alfa. Aliás, arrisco até a dizer que a centralização de McCall nesse finale também impediu que muitos personagens tivessem a chance de brilhar. Todos só correram e até as visões da querida Banshee foram desvalidadas. Ver um a um se tornar pedra não criou anseio negativo porque entregaram as soluções tão rapidamente quanto Derek sanar o efeito do tiro.

 

Resumindo: não incutiram a temerosidade pela vida dessa turma ao longo dessa guerra que nem foi guerra. O que considero um erro grave, pois os discursos opressivos assentaram esse clima. Era preciso brincar com nosso emocional diante da ideia de que ninguém ali poderia sair vivo. O foco total em McCall, por uma razão que ninguém aguentava mais, anulou as chances de sentir o terror de que qualquer bala dos caçadores atingiria fatalmente algum dos personagens que amamos.

 

Senti muita falta disso, sabem? Algo como o 3×23 em que todo mundo foi incerto para a batalha e confrontaram o mesmo inimigo sobrenatural mais Void Stiles. O plano da reviravolta só veio depois, e um tanto tarde, e agonizou. O que vi nesse series finale foi mais uma sessão de passeio na escola. Faltou confronto direto, frases de efeito, e muita dor e sofrimento. Em contrapartida, esse desvio na proposta foi compreensível porque precisavam centralizar Stiles. Merecidamente, tanto pela ausência de Dylan quanto pela verdade de que o personagem iniciou essa história com Scott.

 

Não é segredo para ninguém que gosto de morte, especialmente de protagonistas. Desde que seja justa e que tenha coerência na trama, eu adoro mesmo porque sinaliza que o escritor estava disposto a sair da sua zona de conforto. Já que não queriam matar em Teen Wolf, deveriam ter criado zonas de incertezas que, sem dúvidas, teriam rendido mais poder no mandado de Monroe em atirar nas estátuas para garantir o saldo de extermínio. Não teve como temer toda essa correria, embora tenha sido muito bem distribuída ao longo de seus cinquenta minutos. O pecado foi não aprofundar, dar significado, e entregaram determinados pontos-chave prematuramente.

 

Mas não desmereço o uso do Faceless, pois ajudou a resgatar o memory lane de Teen Wolf. O explorar do medo fisgou personagens e relações que fizeram a história dessa série. Rendeu vários pontos altos, mas o ápice veio da experiência de Scott. Finalmente, entregaram seu maior fardo que sempre ficou muito bem omisso no seu borbulhar constante de emoções. Enquanto Derek sentia o peso da perda de Jennifer, Ethan e Jackson temiam se perder um do outro, nada se comparou a transparência de McCall em temer os vilões da sua própria saga. Não apresentaram todos, claro, mas valeu o resgate graças ao Void Stiles e à versão original do Nogitsune. Berrei aqui em meu quartinho porque não houve melhor momento da série que transformar alguém do bando em vilão.

 

Algo que gostaria que tivesse ocorrido nesse final de temporada, mas vamos fazer o quê, né? O importante foi ver o melhor de Dylan em cena antes de dar adeus definitivamente.

 

Outro ponto positivo foi dar um fim na saga dos Argent. Penso que mereciam um pouco mais. Comentei que não havia o que explorar na storyline dessa família, mas havia a pendência do desmoronar desse elo que estreitou a animosidade de Gerard contra o sobrenatural. Gostei bastante da interação pai e filha porque me pareceu irreal que ele a aceitasse consciente da sua condição atual. Mas nada melhor que Chris lançando a verdade e dando as costas para a irmã terminar o serviço, seja ele qual for. Não penso em morte, mas transformar o vovô no que enojou desde sempre seria esplêndido. O engraçado é que Allison não foi mencionada sendo que a morte dela foi responsável em deixar esse senhor muito mais obcecado em matar McCall. Só tristeza!

 

Outros comentários

 

Resenha Teen Wolf - Theo

 

Se houve algo que realmente valeu a pena foi o desenvolvimento de Theo. O instante em que ele tira a dor de Gabe me fez suar pelos olhos. Pelo menos, cuidaram de perto de um personagem ao longo dessa S6B e encerraram sua respectiva storyline com cinco estrelas. O ex-vilão foi o marco de transformação e se tornou um grande aliado. Merecia redenção e assim conseguiu. What a moment!

 

Além disso, Theo agregou demais a situação de um Liam que também merece vários aplausos. Ao contrário de Scott que só sentiu tudo que tinha que sentir no finale, o bando mais novo nos deu todas as dores de ser perseguido, de enfrentar preconceitos, de desconstruir como ocorreu com Nolan. Esse grupo foi a premissa e, no fim, a verdade de que guerra não beneficia nada e nem ninguém. Amei esse núcleo que mostrou sincronia e que lidou com tudo de ruim contra Monroe.

 

Gostei também de como deram significado aos personagens mais avulsos, por assim dizer. Rafael teve lá sua relevância, independente do FBI em Beacon Hills ser bizarro demais. Melissa também e o Xerife arrasando na Eichen House me deixou sem palavras. Sempre fui apaixonada pelo elenco adulto da série, um dos poucos exemplos que conseguiu se conciliar com o universo adolescente, mas cadê a mãe da Lydia no fim das contas? Totalmente esquecida no churrasco!

 

Tenho que dizer que a entrega de Chris quanto ao plot bateu no que comentei na semana passada: entregar a história via diálogo. Vai mais rápido, mas também não enriquece. O tiro que Scott recebeu também deveria ter sido outra ponta de mistério quanto a resultados, mas simplesmente não conseguiram enganar com as possíveis mortes. Sério! Esperava nível S6A na S6B, de verdade!

 

Mesmo com a nostalgia e as pinceladas emocionais, que geraram calorzinho no coração, a S6B ficou a desejar. A trama estava completamente perdida, truncada ao extremo. Na conclusão, só restou apostar nos laços de amizade e no significado de ser parte de um bando. Houve mais risadas que lágrimas, o que diluiu o tom sério da opressão inserida por Monroe. Stilinski fez toda a diferença e foi digno ele ser o salvador final (e as cenas com Derek, af, lindas!).

 

Apesar de todas as falhas, foi um final que fez jus o máximo que pôde à essência de Teen Wolf. E a essência é essa amizade linda e maravilhosa que já me deixa arrasada que não acompanharei mais.

 

Concluindo

 

Resenha Teen Wolf - Void Stiles

 

Apesar das pinceladas nostálgicas, o series finale de Teen Wolf seguiu em frente com suas facilidades de resolução de storyline. O sobrenatural não assustou como deveria e nem tensionou, a não ser no instante em que Scott foi centralizado. Uma situação desconcertante, pois o medo do Alfa, totalmente escancarado, não deixou de ser uma ode à Allison e a tudo o que o bando enfrentou ao longo dos anos. Além disso, um ponto final que simbolizou superação. McCall precisava atravessar esse medo que traduzo mais como culpa não trabalhada desde a S3.

 

Gerard mostrou que, no fim das contas, só tinha mesmo o foco infantil de sempre. Não teve como levar a sério, o que não é um pensamento novo. A narrativa dele no início do episódio ficou muito boa, pena que não rendeu o estresse esperado. Algo que poderia ter mudado se também tivessem alimentado a ira desse senhor no decorrer desses últimos capítulos e não deixar tudo nas mãos de Monroe.

 

E quem é Monroe? Personagem vazia demais! Imaginem o reboot com essa mulher? Honestamente, I’m out! Não tem como levar essa moça a sério, covardona ao extremo no sentido de deixar todo mundo se ferrar enquanto segue plena. Ensinamentos de Gerard e ri à beça.

 

Ainda considero meio falho não terem corrompido Scott, mas ele terminou como o Scott McCall. Aquele que suporta o fardo do jeito mais humano possível. Parece que o personagem finalmente reconheceu seu papel de Alfa, algo refletido ao ajudar Alec no futuro. Sim, eu queria vê-lo com sangue nas mãos, porém, entendo que o intento nunca foi esse. Ele é a âncora do grupo. O exemplo. Líderes regem pela humildade e pela bondade. Pelo respeito. Não pelo medo e pela opressão que Gerard fez de seu estilo de vida. Nesse quesito, fico até aliviada. Se rolasse assassinato, capaz que teria sido bem à toa. Mas… É difícil aceitar um pouco que o protagonista não mudou tanto assim, mas seu sacrifício visual é qualificado como upgrade. Shiryu se sentiu homenageado.

 

E, sério, sinto que poderiam ter matado mais alguém além de Deucalion (e que tristeza!!!). Poderiam ter cortado um recorrente, mas essa sou eu falando (de novo).

 

O meu adeus!

 

Resenha Teen Wolf 6x20 - Bando

 

Eu poderia fazer aquela carta de amor para Teen Wolf, mas serei breve. Vários motivos me encantaram nessa série, a começar pela mitologia que foi falha sim nessa S6B, mas aprendi a relevar muito isso devido aos valores que esse universo sempre pregou. A amizade sempre foi prioritária, o romance nunca passou por cima das necessidades de trama, e a tentativa de trazer algo novo para os fãs todos os anos sempre valeu a experiência. Jeff e Cia. sempre tentaram não cair na mesmice e esse cuidado também fez toda a diferença para a série. São 6 anos e 100 episódios que compensam esquecer um pouquinho os buracos de storyline.

 

Para uma pessoa que acompanhou The Vampire Diaries fielmente, defendo Teen Wolf muito mais. A MTV sempre conversou com o público jovem e seu mundo de lobinho adolescente trouxe uma imagem um tanto mais próxima desse público-alvo com o acréscimo do sobrenatural. As brincadeiras, os jogos, os casais, faltou um pouquinho mais de festa que acabou suprimida pelos conflitos constantes. Acima de tudo, e que me prendeu até o fim, foi ver um grupo desses não ser imbatível e o crédito disso vem de Stiles. Houve sensibilidade. Houve medo. Houve humanidade. Houve falhas. Houve nuances que nos fizeram se relacionar com cada um desses personagens. Há mais, muito mais que me fisgou para esse mundinho, que vale aquele textão de 6 páginas.

 

É com grande tristeza que finalizo minha saga com Teen Wolf. Foi uma experiência sensacional, curiosa, sedenta. Meus filhos agora seguem para um futuro incerto e é bom saber que eles terão algum futuro. Um futuro em que um ao outro aprendeu a se respeitar e, juntos, lidarão com fanáticos como Monroe que nem têm discernimento do que fazem no mundo. Obrigada por esses anos loucos e a quem acompanhou minhas resenhas ao longo desse período.

Stefs
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