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17/set

Depois de vários episódios dedicados aos caçadores, Teen Wolf resolveu se lembrar do bando de Scott mais o que esse bando poderá fazer daqui por diante. De quebra, houve aquele show sobre hipocrisia tanto da parte da luz quanto da parte das trevas. Rumo um tanto novo, conversa nada nova, soma que não aniquilou a sensação de que brincaram em uma zona meio morta. Para (não) variar, houve mais preparo que desdobramento aprofundado de trama, o que deixou a sensação de que espremerão tudo que importa no final. Não sou grande fã disso, mas vamos pensar que falta pouco para a série acabar. Amém!

 

No geral, o episódio elencou várias camadas de suas três storylines e deu mais uma moldada no embate futuro. A começar pela busca do atirador que serviu de reflexo para Scott se mexer. É aqui que entra a primeira parte da hipocrisia porque sabemos que esse personagem não sujará as mãos. Se sujar, aí sim direi que houve diferença em forma de grata surpresa. Como não boto muita fé nesse quesito, tudo que senti foi exatamente o que Peter sentiu: a necessidade desse jovem em se cercar de assassinos já que é incapaz de matar. Torci o nariz para essa “decisão” porque soa como medida facílima. Inclusive, que não trará mais profundidade para a caracterização do lobito e ele precisa mudar. Evoluir, mesmo que isso seja engatilhado por meio de um aspecto péssimo.

 

Scott está do mesmo jeito desde que se tornou Alfa e é chato. É muito bom protegê-lo, mas, dessa vez, é preciso se equiparar aos inimigos. Nem que seja uma vez. É ruim? É. Mas os roteiristas contemplam esse viés de torná-lo matador faz um tempo e está na hora de ou abrir mão ou investir de vez. Digo isso porque me incomoda demais ver o mesmo Scott de anos atrás. O que tudo apazígua, sendo que agora é hora de ataque e não de flanelagem. Podem sim torná-lo diferente, não necessariamente assassinando. Quem sabe, sendo mais imprudente.

 

Apesar disso, a preocupação de Scott em montar seu exército, recorrendo aos vilões das antigas, teve lógica. Nada mais sensato que assassinos para dar conta dos caçadores. Porém, McCall precisa ouvir o conselho de Hale e do Xerife: aceitar que uma hora derramará sangue. O garoto está absurdamente acomodado, vamos combinar!

 

Gostei bastante de como Peter deu uma amarrada nesse assunto que assombra Scott desde meados da S4. Para um Alfa, McCall se comporta como um Beta em treinamento. Inclusive, como um Alfa absurdamente dependente. Ótimo dividir o serviço, sempre achei maravilhoso, mas o jovem perdeu a habilidade de pensar sozinho. E, quando pensa sozinho, faz burrada. O adolescente está quebrado e acha que reunir um exército de uma hora para a outra, só porque Gerard voltou, é simples. Que basta o apelo emocional em nome dos velhos tempos. Só que não né?

 

Esse é aquele momento que desbravo o quanto não gosto de preservação de protagonista. Ainda mais nesse caso em que falamos de um lobisomem. Não vamos negar também o quanto Scott está cada vez mais humano, sem seu charme sobrenatural. Nunca mais o vimos se transformar e Liam tem relembrado o quanto os desdobramentos atuais espiralam a mente – e, infelizmente, temos que creditar o temperamento do jovem, pois é isso que o tira do eixo. A verdade é que falta sangue frio em McCall e esse sangue frio não aparece pelo medo de matar.

 

Enquanto isso, todos os amigos e parceiros capotam porque o moço quer poupar geral. Ah, me poupe!

 

Resenha Teen Wolf - Scott

 

O que empurrou Scott em sua busca foi uma capotada Melissa, mas falta muito mais. Falta a ira. Falta perceber que Gerard mexe com seus iguais. É preciso voltar à reflexão da escolha de lados, pois a situação não abre brecha para outro tipo de posicionamento. Nesse episódio, e depois do tiroteio desavisado, era de se esperar que ele deixasse a raiva aflorar. Além disso, o instinto predador vir à tona. O jovem quer acordos amigáveis, discussões embaixo de uma bandeira branca, e o Xerife fez o favor de nos relembrar o quanto Argent é implacável. O caçador não respeita nem sua equipe quando quer provar um ponto e vencer, e McCall está mais do que precisado em ser um desses.

 

Está certo que Scott entrou na trama com o peso da culpa e da angústia em resposta ao tiroteio que quase levou muito além de Melissa, mas esses sentimentos precisam ser aplicados nas circunstâncias atuais. Negativamente, se for possível, pois todo mundo é corruptível até certo ponto. Não faço ideia de que resultado isso traria, mas poderia deixá-lo um pouco mais distante. Além disso, mais atraente, com mais nuances de caracterização. Porém, falamos de um adolescente que se afoga no seu próprio emocional e no emocional dos amigos. Mason, Lydia e Rafael também acabaram como vítimas do ataque e o que ele fez foi só recrutar os antigos vilões de Teen Wolf. Do nada. Está faltando um plano. A essa altura, enfrentar os caçadores não pede mais ímpeto. Mas tiro certo e impiedade.

 

Mas, como é Teen Wolf, é de se esperar uma batalha limpa para servir de exemplo. O que não acho ruim, pois violência gera violência. E penso que não é a proposta da série. Nunca foi na verdade visto que as ações dos personagens servem como um tipo de exemplo. Não queremos ver esses jovens como assassinos, mas não nego que seria interessante vê-los mais imorais e apenas frearem na hora que a coisa toda ficasse mais drástica.

 

O problema todo está em um Scott que precisa ver que, dessa vez, as chances de salvar geral são mínimas. De novo, a questão de lados. A culpa e a angústia fizeram bem, pois o personagem finalmente se moveu para formar um exército. Sentimentos que não o tornam um tanto mais firme, mas mais fragilizado e incapaz de ver a grande pintura. Em contrapartida, foi interessante vê-lo agir por emoções ditas nobres, dependendo das circunstâncias, enquanto os demais se irritaram por razões fúteis. Ainda assim, falta a raiva. A raiva precisa entrar e torná-lo um tantinho mais imprudente. E penso que imprudente soa muito melhor que assassino. Chega de ser o correto.

 

E vale mencionar que esse papo de bandos trouxe novamente a questão de poder. Scott é Alfa, mas parece que não é. Ele tem um bom coração, sua sinopse ao ponto de até Gerard compreender e traduzir como fraqueza. O adolescente precisa compreender que agora é necessário poder também. Mostrar quem manda na cidade desde sempre.

 

Os caçadores ficaram de lado nessa nova rodada e achei muito bom. Meramente porque arrancou a impressão de que o roteiro gira em círculos no mesmo assunto, embora tenha rolado disfarce sobre a ausência de trama. Para não dizer que estava tudo muito vazio, pincelaram a mitologia do Anuk-Ite e ainda assim não foi o bastante para deixar a semana interessante. Daquele jeito que o 6×15 fisgou. Ainda sim valeu porque não deixou essa história morrer.

 

Apesar da presença sutil da mitologia, houve sim a sensação de grande vácuo de novo, mas não tanto quanto na semana passada. Seguiram o mesmo esquema, pagando com o intercalar entre drama e ação, e Lydia salvando o final. Agora, parece que podemos pensar um pouco mais no mistério, pois a Banshee é o braço direito da história do Faceless. Ela segue puxando a linha que, felizmente, ganhou uma nova camada que servirá de isca para o futuro.

 

Uma isca que pesa nas emoções e que pode justificar a insistência de fragilizar Scott. Isso pode ser usado contra ele, vai saber. A criatura interfere no poder de decisão, controlando caçadores pelo medo e pelo ódio, uma demonstração bem legal que deu relevância à presença de Peter. E por Hale ter feito essa demonstração, algo me diz que ele conhece essa história. Abrir tal informação para McCall, como um experiente, deixou reticências. A gratuidade de dar algo relevante sobre a trama sendo que esse papel seria de alguém do bando alteou sobrancelhas. Afinal, ele estava preso no “universo paralelo” da Wild Hunt. Deve saber muito mais que aparenta.

 

Resenha Teen Wolf - Peter

 

Peter conseguiu ser um tantinho mais importante que Lydia nesse episódio. A Banshee ajuda nas iscas da mitologia, ok, mas nem ela anda muito precisa. O que gera enrolação. A personagem tem apoiado o mistério, não deixa a trama a seco, mas espero que haja mais claridade nessa situação. Está ótimo seu papel, mas cadê profundidade? Fato é que não estão conseguindo desdobrar o core de Teen Wolf devido ao foco desnecessário em Monroe.

 

Graças à demonstração de Peter, vimos que há obediência cega da parte dos caçadores inclusos nessa treta tão quanto emoções negativas que são engatilhadas sem justificativa (a não ser o medo). O que casa com o que comentei na semana passada, o se encaixar em uma causa sem saber a razão. Aqui, simplesmente decidiram aniquilar o sobrenatural. Se Scott está sem plano, os humanos cabem na mesma regra. Tudo se baseia em comportamento irracional que gera atitudes irracionais. Como na escola. Como contra os jovens que faleceram até aqui.

 

Não há justificativa, apenas o caçar pelo medo e pelo ódio. Detalhes que dão um pouco de segurança porque agora se sabe com mais precisão o efeito do Anuk-Ite. A turma de Gerard chegou perto de perder o controle entre si semanas atrás e isso pode ser uma carta coringa quando a batalha realmente começar (e quando começa?). Uma tese que pode se quebrar visto que agora a caça de Aaron fez mais sentido. A fusão face a face acarretará mais problemas.

 

Assim, a grande questão é saber como Anuk-ite se funde entre caçadores e sobrenatural mais a Wild Hunt. Falta a causa desse desequilíbrio.

 

Resenha Teen Wolf - Xerife e Monroe

 

Falando em problemas, Monroe demonstrou ser um impasse mais para si mesma que para Beacon Hills. Já estou preparando o selo trouxa para dar a essa mulher, pois não há segurança alguma em sua lealdade. A personagem é a ponta solta entre os caçadores e sua confiança é sempre questionada (e auto-questionada porque meio mundo consegue afetá-la). As demonstrações do Xerife deixaram essa oscilação clara e a orientadora pagou tomando o cargo dele – o que achei absurdo, mas segue o baile. A caçadora mostrou, em tese, que não está nem aí em perder o que for no processo desde que Gerard aniquile o incômodo. O que me fez vê-la como um ser cômodo.

 

E sem personalidade. Esperava muito dessa mulher. Agora, ela é só mais uma personagem unidimensional. Triste.

 

Apesar da sua existência supérflua no contexto atual, Monroe levantou pontos que já comentei por aqui. O Xerife pagou de falsiane ao fazer discurso bonitão sobre não matar adolescentes, mas não protegeu seus iguais e engavetou cada desdobramento fora do comum com a etiqueta de ataque animal. O que faltou explicar é que, nesse período, Stilinski era leigo quanto ao que rolava em Beacon Hills e não merece pagar o pato completamente. Mas…

 

Se vale de algo, a conversa entre ambos ressaltou o quanto ignorar a fatia humana por não compreender o sobrenatural é normatizado. É essa normatização que a orientadora quer dar fim – só que com mais violência e com um motivo muito aquém.

 

Fato é que o atrito em Beacon Hills avança na hipocrisia. Ninguém tem argumento válido para proteger o que faz/fez. Só houve uma verdade, muito bem pontuada nesse episódio: sempre haverá alguém para impor terror.

 

Concluindo

 

Resenha Teen Wolf - Bando

 

No fim, restou a ponta chamada Lydia que ganhou a responsabilidade de descobrir quem é a outra face do Anuk-Ite. Investida que propiciou um episódio que se amarrou várias vezes ao 6×11. Nesse quesito, foi ótimo porque começam a cobrir os buracos da premiere da S6B. Deu um pouco de senso, a começar por aquele Hellhound. Parece que agora darão respostas, pois, honestamente, a introdução desse ser sobrenatural e a treta com Parrish ficou sem sentido.

 

Não há muito mais o que dizer sobre esse episódio, a não ser no que condiz às participações especiais. Já tinha visto o sneak-peek do Jackson e do Ethan, e estava com saudade dessas crianças. O mesmo vale para Peter, que não esteve tão distante perto de quem fez parte da velha guarda de Teen Wolf, mas sempre causa efeito. O mesmo se aplica ao Deucalion, aparentemente o então consultor e quero acreditar que isso ocorra.

 

Além do Anuk-Ite, quero saber o que há de tão especial em Nolan para todo mundo limpar suas sujeiras. Como Gabe, o dito atirador. Queria mais detalhes desse ranço contra o sobrenatural. O garoto me deixa nervosa e nem é de preocupação, mas porque é boca aberta. Ao contrário do coleguinha que tem certa valentia (lê-se: covardia) e que acho que agora sabe demais. Assim, o Faceless pode ser usado por Gerard, o sem critério. Já que o Argent quer medidas rápidas, nada como contar com uma mão especial que engatilha os piores sentimentos das pessoas. Trata-se de uma arma coringa que não beneficia em nada o bando de Scott. Ou qualquer um que viva em Beacon Hills.

 

Por fim, ri de Monroe usando do mesmo método para cima de Jackson e Ethan. A orientadora conseguiu ser irritante o episódio inteiro, meramente porque está sendo burra demais. Pagou com tanta superioridade para cima do Xerife que está correndo em círculos para saber o que Scott tem de especial. Ela sabe que perderá e será bonito de se ver.

 

E precisamos falar do quão bem de vida estavam os vilões mais populares de Beacon Hills. Forçadíssimo, mas rendeu um contraste interessante em uma questão que Stiles levantou no 6×11. Jackson sendo um Lord inglês com o mozão; Peter e seus carros importados; até Deucalion que abriu mão da sua faceta anterior e parece que passou muitos anos no Tibete de tão pleno. Três perfis diferentes que mostraram, de certa forma, a possibilidade de seguir em frente uma vez fora dessa cidade. O que remete à mensagem de Stilinski. É preciso sair desse lugar que parece ter o maior Nemeton de todos os circundados por Gerard. Os problemas ali nunca chegam ao fim. Apenas escalam.

 

Enfim, o episódio me deixou dividida em questão de opinião, mas, novamente, houve um rastejar de trama para atingir alguma coisa na próxima semana. Houve muitas risadinhas e saudosismo, além da verdade de que falta bem pouco para que Teen Wolf acabe de vez.

 

PS¹: e o que dizer daqueles humanos caçadores fake meio que bem treinados? Me respeitem!

 

PS²: essa temporada anda cheia de furos que I can’t even…

Stefs
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