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21/out

Como vocês já sabem, não sou a pessoa que acompanha promos e afins justamente para evitar qualquer tipo de decepção. Principalmente quando o assunto é essa franquia. Confesso que rolou uma vontade imensa de acompanhar spoilers e afins deste episódio de Chicago Fire, mas relutei bravamente. A ideia de que poderiam prometer demais e fazer de menos por Gabriela Dawson me pentelhou até o último minuto dessa trama de uma via que colocou em destaque um assunto que parece que perpetuará a galera no decorrer da S6: morte.

 

Não é um assunto surpresa, óbvio, pois as baixas do Batalhão sempre encontraram seu jeito de serem sanadas com salto temporal e com falsos lutos trabalhados. Parece que, dessa vez, o assunto será um fantasma, especialmente aos olhos de Dawsey que seguiram firmes pesando tal pauta. Provando que segue sendo sufocadora.

 

Novamente, Chicago Fire entra em cena com poucos chamados e mais espaço para aleatoriedades. Ao contrário dos anteriores, venderam um dia comum enquanto Dawson sofria com a queda de parte de um prédio que esmagou o estacionamento. Pagaram com a normalidade vinda da promoção de Casey ao mesmo tempo em que Gabby conquistava uma trama em forma de resgate para chamar de sua. Muito que bem a encheção de linguiça de um e a relevância do outro.

 

O incidente da semana sinalizou para a explosão do hospital lá na S2 e que quase custou a vida da paramédica. Um incidente que acarretou drama certeiro na vida do casal da série, que segue em um percurso estreito sem uma gota de devida paz, e que se repetiu neste episódio. Muito brevemente, mas o suficiente para imaginar o que mais aprontarão para Dawsey. Só a Deusa na causa!

 

O assunto central deste episódio não foi o amor Dawsey, mas a adversidade que Gabby teve que enfrentar por conta própria. Ela foi encurralada em uma intempérie que chegou sem aviso e não teve chance de escapar. Pelo olhar de águia, graças ao trabalho que exerce, a personagem entrou em um túnel que poderia ter rendido sua morte, mas, no fim, garantiu a chance para que a mesma atuasse longe das asas do Batalhão. Apesar de ter sido um único resgate, cujo suspense perdia e ganhava força conforme o troca-troca com as cenas da turma, foi um instante para Dawson enfrentar um impasse feito especialmente para confrontar o incêndio largado no finale da temporada passada.

 

Chicago Fire 6x04 - Gabby e Tucker

 

Claro que essa dívida, em forma de experiência traumatizante, não foi paga no mesmo nível ao que transcorreu neste episódio. O pagamento não veio com a mesma intensidade, mas abriu pelo menos umas dez cicatrizes diante da ideia de morrer. O que descarrilou o desespero de morrer sem dizer algo de importante a alguém querido. De morrer sem ser encontrada. De morrer sem entregar ao reconhecido Capitão Casey aquele presente espetacular.

 

Matt contou com suporte uma vez dentro de um prédio em chamas e Gabby apenas consigo mesma. Em meio ao seu terror diante da hipótese de não sair dali viva, ela rebateu na lição aprendida na semana passada: dar prioridade à vítima e não a si mesma. Dawson espiralou algumas vezes conforme cada expressão daquele prédio dava pungência ao drama e a tensão, mas não perdeu seu foco.

 

Não perder o foco em uma situação dessas penso que só os fortes. O começo, depois da queda, foi um tanto difícil para Gabby. Ela teve meio que competir por atenção assim que Tucker surgiu como uma solução. E isso me deixou tão estressada porque não aguento qualquer indício de mansplaining. Ainda bem que as cortadas da parte dele não duraram muito, pois o cidadão foi usado, no primeiro momento, como um controle. Um olhar, digamos, mais atento e mente mais treinada por ser uma figura do exército. Perto de uma paramédica, se supôs que o homem tinha mais experiência, mas a experiência dele era controle de campo. Como todo bom soldado.

 

Ok que controle pode evitar o máximo possível qualquer tragédia iminente. Porém, nada compete com a verdade de que Dawson era a única apta a lidar com falsa calmaria e com o concreto que caía nas cabeças dos esquecidos.

 

Não foi surpresa acompanhar a desenvoltura da personagem. Na verdade, foi um tanto surpreendente vê-la deixar o emocional entrar várias vezes, nublando seus julgamentos. Gabby se manteve ligada à situação mais pela adrenalina, pois sua mente e seu coração estavam do lado de fora. Mergulhados na ideia de que morreria e ninguém saberia. O transcorrer do incidente pela televisão foi uma sacada e tanto porque aumentou a angústia. Deu aquele gosto de espera de que alguém anunciasse que havia vítimas no estacionamento – ou um tchauzinho de Dawson, vai saber.

 

Essa situação da paramédica parece que ocorreu em um universo paralelo, pois até o papo da cerimônia de Casey me deixou irritadinha. Eu queria ver logo a hora que rolaria o resgate porque, no mais, a turma dormiu em um viés inofensivo. E rolou uma preguiça.

 

Chicago Fire 6x04 - Gabby

 

Aguardei ansiosamente o instante em que esses dois mundos se fundiriam. Perguntas sobre a ausência de Gabby foram feitas e as respostas foram dadas pela esposa de Herrmann. Ver todo mundo entrando em seu caminhão, uniformizado para um evento importantíssimo, atiçou ainda mais emoções que não centralizaram apenas Dawsey, mas a preocupação geral de tirar a paramédica mais quem estivesse detrás daquele concreto. Apesar de ter sido mais uma situação transformadora para o casal, a presença do 51º sempre causa impacto e dessa vez não foi tão diferente.

 

O resgate teve uma conclusão muito rápida, mas valeu pelas experiências humanas trocadas. Colleen foi a que mais chamou a atenção, com sua mente miúda e comportamento arredio. Ela era a personagem mais interessante da situação, com toda sua problemática com as dívidas e o claro racismo. Poderiam ter se apegado mais nela em vez de Tucker. Cara que não fez tanta diferença tanto por ser irritante ao tentar silenciar Dawson quanto por outras atitudes absurdas que seriam capazes de matar geral. Gabby não tinha que se provar para ninguém, fatos reais. Mas, penso que essa prensa inicial se deu meramente porque a moça está um bocado distante.

 

Tem alguma coisa ainda não resolvida dentro de Gabby. Vê-la na cerimônia do mozão aumentou a pulga atrás da minha orelha porque ela me pareceu emocionalmente desconectada.

 

Com o resultado satisfatório, o episódio venceu pela performance de Gabby. Valeu ter a personagem centralizada. Apesar disso, não podemos negar o quanto foi fácil as medidas de contenção. A dificuldade veio completamente no emocional, que deu aquela desviada satisfatória diante do fato de que “havia” muito equipamento e muita água disponível. As soluções para evitar mais tragédia não renderam complexidade e isso foi bem negativo.

 

Colocaram ferramentas ao alcance com muita praticidade. Não tiro os méritos porque escalaram as dificuldades em um timing certeiro para que Chicago Fire vencesse justamente no drama esta semana. A aflição foi entregue com extremo sucesso – se ignorarmos as pontas frouxas. Dawson nos norteou impecavelmente, mas a situação em si poderia ter rendido mais. A experiência nem sempre consegue ofuscar o pânico e é nesse ponto que ela ultrapassou sua adversidade. Ela queria quebrar, mas priorizou o que importava. E não tem como isso dar errado.

 

Concluindo

 

Chicago Fire 6x04 - Dawsey

 

Disse que este episódio não foi sobre o amor Dawsey no centro, mas não quer dizer que o sentimento não tenha batido cartão. A emoção aflorou no instante pertinente e eu simplesmente amo paralelos entre episódios, fatos reais.

 

O roteiro propôs uma quebra e a quebra soou como o fortalecer do relacionamento Dawsey. Pontos extremos que se tornaram um só. Este episódio foi uma resposta ao que ocorreu no season finale da S5 mais a season premiere da S6. O verso do que ocorreu com Casey e do que Gabby sentiu, ou seja, foi a vez do Capitão da parada tremer na base diante da ideia de perder a esposa. De sentir nem que fosse um pouco o desespero dela diante de uma situação que parecia irresolúvel. Foi um relembrar de que a vida é de momentos. E é preciso usufruir esses momentos.

 

Especialmente quando resgatamos o discurso de Gabby dado na season premiere. Uma vez dentro de um prédio, nenhum dos dois sabe se retornará. Posso pedir mais momentos fluffy que tragédia para Dawsey? ‘Tá na hora, né?

 

A cerimônia de Casey foi a cereja do bolo e meus olhos suaram. Essa cumplicidade Dawsey dói no fígado e dessa vez não foi diferente. Ele voltar a situação para ela me deixou choradinha e espero que esse seja o começo de histórias melhores para uma personagem que segue escorada do cerne da ação. Não esquecerei do quanto ela foi poupada na fase bombeira, do quanto isso me frustrou e do quanto é preciso a jovem ter mais pano relevante para desdobrar.

 

E do quanto só passei raiva com Gabby em meados da S3. Não quero passar por isso de novo não.

 

Me abstenho de dizer qualquer coisa sobre Hope. Kidd cutucou o vespeiro e fiquei com febre. Não me conformo que a união Sylvie e Stella se deu unicamente para falar de uma garota. Nada bem, independente dos relances de curiosidade fadados a afundar alguém nessa história. Penso que essa dupla vai se dar é mal nas mãos da não mais novata. Tenso é que seguraram mais esse subplot e tenho que esclarecer aqui que já não aguento mais.

 

E o que diabos foi o comportamento de Severide, gente? O personagem me pareceu dodói demais com a promoção de Casey e desacreditei. O Tenente pareceu um aluno tentando chamar a atenção do professor embasado na dor de cotovelo. Assim, desde quando ele se preocupa com carreira, hum? Pior que isso é gancho para o próximo episódio e já quero estar morta. Lindo Matt e Kelly tretando, mas que seja por um motivo decente, né?

 

O importante é que essa de Capitão Casey pode ser muito bom e muito ruim. Muito bom porque ele terá, aparentemente, mais independência no Batalhão. Muito ruim porque essa independência anula a presença de Boden que já deixou claro que lavou metade das mãos. Só vejo dor de cabeça sem fim diante dessa nova adaptação de arco.

Stefs
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