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27/out

Este episódio de Chicago P.D. brigou entre o caso mais os problemas que foram iniciados e largados nas reticências na semana passada. Novamente, a série ganhou aquela baita propaganda de investigação estarrecedora para, no final das contas, não ser nada demais. Isso é triste porque o tema era interessante. Poderia levar para vários caminhos, mas não souberam dar relevância.

 

De novo, Chicago P.D. entra em uma semana aparentando um caso “comum” que se revela muito pior que o esperado. O tema de tráfico infantil pareceu muito promissor, mas só rendeu um filete de emoção no final da trama. Foi só lá que me senti realmente mexida. Além do início, claro, que serviu de choque para um time desdobrar quem cometia tal crime. Houve os rompantes de mistério, mas seguiram um percurso seguro no quesito desenvolvimento.

 

As respostas vieram um tanto fáceis e a situação perdeu a força. Havia a chance de mexerem nas feridas de um fato que ocorre na realidade, especialmente para cima de imigrantes. Aliás, dava para amarrar um tema ao outro já que a série quer explorar atualidades. No fim, ficaram no raso, sendo que a emoção trazida por Quan tinha tudo para garantir mais drama conforme os detetives tentavam capturar o culpado. Não precisavam explorar a sua imagem, mas usar de suas emoções para construir um background criminal intrincado e estarrecedor. Novamente, não foi dessa vez.

 

Deu para sentir a trama arrastada, mas houve lá seus highlights. Como a movimentação do time que, a cada semana, mostra que não perdeu a boa forma. Todos alinhados, todos focados, mas… Parco diálogo. Todo mundo só fala do trabalho, como se existisse unicamente esse tipo de posicionamento na série. É necessário, mas está muito estranho. Não traz a conexão humana.

 

Pela falta de conexão, os casos não provocam a emoção aguardada. Afinal, os detetives não aprofundam o que sentem. Não como antigamente e culpo a falta de liga entre time e investigação. Detalhe que venho comentando há tempos e que os roteiristas acham que compensam na figura dos investigados. Ok que os conflitos e os embates incitam o sentir, mas esse sentir tem sido vazio.

 

Chicago P.D. 5x05 - Quan

 

Minha reclamação desta semana vai, de novo, para a tentativa de inserir drama via diálogos – igualmente rasos. Já disse que, dependendo da proposta, não gosto que expliquem a storyline pela fala porque mostrar é muito mais interessante. Aqui, houve um misto dos dois, mas gerou sensações/impressões esparsas. Quando o roteiro pegava fôlego, havia quebras bruscas. Ritmo que gerava um vácuo seguido de uma força tremenda para recuperar o compasso da investigação. Os posicionamentos verbais serviram para preencher esse rombo, ótimo se não queimassem etapas cruciais da trama.

 

Não houve a profundidade e nem a peculiaridade que Chicago P.D. costumava apresentar em pautas mais delicadas. Nem os detetives engajaram o suficiente com a história, contando com timing fora do tom para expressar alguma indignação. É aqui que entra a confissão: bateu saudade de Erin.

 

Lindsay engatava sentimentos sem a menor dificuldade e dava um jeito de impulsionar alguma moral na conclusão. Investida que Voight e Dawson também costumavam fazer, mas ambos patinam nessa S5. Para somar, a equipe da UI em si parece não ter outra expressão a não ser pagar de robô da lei. Há relances de preocupação, mas está faltando o que a tríade trazia: genuinidade.

 

Para brigar com essa genuinidade, faltou um pouco do peso das mãos dos roteiristas em tornar tudo desconfortável e caótico. Faltou mais risco. Não precisava escrachar a crueldade que existe nessa pauta, claro, pois Chicago P.D. é muito leite com pera para esse tipo de abordagem. Contudo, contar com um texto subentendido não deu valor a este episódio. Tráfico de pessoas não é apenas sobre Deep Web e intermediadores – embora sejam pontos de comunicação entre os criminosos dessa rede. O buraco é muito mais embaixo e este roteiro simplesmente ficou muito na superfície.

 

Optaram por um caminhar seguro visto que tal desdobramento é um sistema deveras articulado. Algo visto no 5×04, o que acarretou uma entrega, tanto em desdobramento quanto em conclusão, de resultados simples. Nem com o pincelar da inocência infantil, como a menção da imagem de gatos e o cheiro de chocolate, se engatou a dor de quem estava envolvido nessa metodologia. Até o acusado não convenceu e foi capturado de uma forma tão basicona que nem sei.

 

Chicago P.D. 5x05 - Sra. Smith

 

Apesar do texto fraco, o valor deste episódio veio ao centralizar o papel do adulto dentro dessa tramoia. Um ponto que considerei positivo (sendo que foi um dos mais negativos) veio da mãe de Quan. Ela refletiu, na cena compartilhada com Atwater, o questionamento de como um ser humano larga uma criança do nada. Simplesmente decide que uma vida não vale mais a pena. Um instante que entrou embaixo da pele porque a atitude é monstruosa – e foi gentilmente chamada pela mulher de extrema.

 

O que pegou foi o fato dela ser mãe e que bateu na construção social de que mulheres precisam ser boas figuras maternas, sendo que isso não é uma obrigação. Tanto por opção ou pela famigerada vocação ou porque as condições da sua realidade não a permitem ter um filhx. Fazê-la uma ponte negativa para o drama me deixou de testa quente, mas, ao mesmo tempo, satisfeita. Desviaram da opção básica de culpar o pai/homem e gostei muito. Deu contraste entre o que a personagem fez diante do marido desolado.

 

Ela afirmou que não aguentava o garoto. Que ele era problemático. Que, supostamente, roubava dinheiro e comida. Ok os argumentos. Ok a cena, mas sempre tem um mas. Aqui, também senti falta do mostrar, pois muito fácil acusar a criança. Ainda sim, valeu pela típica “troca de papéis” oriunda de uma decisão “impulsiva” que abriu para a caça da rede de tráfico de pessoas – que nem era uma rede, pois os intermediadores acreditaram que salvavam vidas.

 

O que intentaram com essa mulher também foi confrontar seu posicionamento diante de uma Burgess disfarçada. A detetive mostrou que há pessoas que simplesmente abandonam seus filhos. Se for adotivo, a “moeda” é fácil. Enquanto Kim fez as perguntas desconfortáveis a fim de capturar o chefe da tramoia, a Sra. Smith pegou a rota que achou justa em seu dito desespero. Dito porque o roteiro não nos deu mais informações sobre a rotina da família. Faltou aquela liga do drama aqui também, sem dúvidas.

 

O bizarro é que o primeiro suspeito trouxe essa dosagem de indignação diante da ideia de participar do tráfico de crianças. Depois, o pai gritou para cima de Voight que não participava de uma doença dessas. Essa inversão foi interessante porque é sempre a mulher quem faz essas indagações culpadas e/ou é vitimizada. A mãe foi responsável em fazer pensar sobre o nível da maldade do ponto de vista feminino. Além disso, do humano em si ter essa capacidade de tratar o outro como algo dispensável. Chicago P.D. sempre dá ao homem o posto cruel e a troca foi até uma surpresa.

 

Em resenhas passadas, comentei o quanto falta a vilanidade feminina em CPD. Algo que poderia ser investido com mais afinco, especialmente para mover as poucas personagens em cena. Sempre ter homem não deixa de ser uma investida segura porque humanos em geral são capazes de pensar e de realizar atrocidades. Mulheres não escapam da regra e seria bom ver tal complexidade.

 

Outros comentários

 

Chicago P.D. 5x05 - Voight

 

A sensibilidade masculina estava a todo vapor neste episódio de Chicago P.D.. A figura paterna tende a ser negligenciada em séries policiais porque são deles os postos de salvadores ou de criminosos. Dessa vez, só vi uma sequência de sofredores. Alguns por motivos bons, outros não.

 

Os homens centralizados renderam outros highlights, como o comportamento de Hank que me fez dar gritinhos. A captura do acusado trouxe uma das assinaturas que marcaram esse personagem e é interessante porque a UI está sob vigília. A cada semana, o Sargento fica perto de perder as estribeiras e Denny quer muito isso. A cena do interrogatório do acusado foi a cereja da trama. Queria muito ouvir o que ele disse, mas fica para a próxima.

 

A situação de Atwater não precisava de mais um episódio para ser concluída, verdade seja dita. Como comentei na semana passada, a escolha foi burra e ver o detetive afirmar que não sabia que a situação atingiria tal proporção me fez revirar os olhos. Pela Deusa, ele viu o que rolou com Antonio. Viu o que rolou com Olinsky. E fez a mesma estupidez. Pesaram o fator justiça diante do discurso magoado de um Jordan que, realmente, não teve opinião. Pra quê? Ele foi o lacrar do caso passado e, esta semana, Kevin percebeu que a justificativa de caráter é falha quando se paga de X-9.

 

Apesar disso, foi muito bom ver o convívio familiar de um detetive, algo que Chicago P.D. havia parado de dar devido à sua necessidade de focar em Linstead. A investida ficou solta, mas adorei acompanhar os Atwater. Só que eu poderia ter me compadecido mais se fosse outra pauta porque estava tudo óbvio. Kevin e a crença na nave da Xuxa me estressou.

 

(mas tão lindinha a cena final entre Voight e Atwater. Até me fez acreditar que todo mundo segue unido e presente na vida um do outro).

 

O mesmo vale para a situação de Antonio. Como esperado, não era nada demais e esticaram esse nada demais que não intrigou. Encheção de linguiça. Era óbvio que não rolaria trairagem, mas, ao menos, se abriu uma brecha para emendar plot antigo. Isso anima ao mesmo tempo que desanima graças à superficialidade das tramas de Chicago P.D.. Mas… É algo interessante, não nego.

 

Ainda sim, esse resultado entre Dawson e Voight ocupou espaço de finalização. Ele poderia ter sido dado para lacrar o caso e não para treta aleatória.

 

Concluindo

 

Chicago P.D. 5x05 - Atwater e Voight

 

O episódio poderia ter tido um final satisfatório, mas rolou um mega anticlímax. É aqui que entra o que mencionei na abertura da resenha: o caso foi perdendo a força ao competir com o problema de Atwater e, depois, com o foco súbito em Dawson. Uma quebra brusquíssima do ritmo. Pela sede de finalizar o que permaneceu em aberto, o tráfico infantil ficou carecido de atenção.

 

Esperava que a equipe fosse lá e encontrasse as demais crianças, mas entregaram reticências. O evaporar de uma história que não teve chance de mostrar seu potencial. Parece que chegou uma hora que nem sabiam o que faziam, nem muito menos como concluir. Uma pena!

 

Se vale de consideração, tiraram os esquecidos do limbo. Ruzek, Burgess e Atwater têm conquistado o cerne com frequência e meio que deixaram a impressão de que serão os novos “protagonistas”. Desgastaram Olinsky, Voight e Halstead. Além disso, tiraram Dawson em cima da hora de Chicago P.D.. Restou a turma do background que ainda não tem contado com metade que os personagens centralizados anteriormente contou.

 

Destacar quem ficou para trás é bom, mas, claramente, falta uma liga que converse com toda a UI. O trio mencionado não possui conexão com ninguém. Isso, desde a intro em Chicago Fire. O que me faz indagar: cadê a adaptação das parcerias para começo de conversa? Upton está aí, toda largada.

 

A UI está com problemas nas relações que passaram a ser, literalmente, meras parcerias. Até Platt anda esquecida e só se relaciona com criança. Está muito adorável, mas a Sargento já teve funções mais relevantes.

 

Fato é que o que ocorreu esta semana fortaleceu o que vem sendo sentido desde a season premiere: a tentativa dos produtores em fazer com que esse universo funcione como na era de ouro, ou seja, na S1. Não tiro os méritos porque mais do que necessário. Em contrapartida, claramente perderam o pulso na escrita. Não acertam o casamento (quase) perfeito entre pauta e personagens e tenho Linstead a culpar. Afinal, foram dois anos trabalhando no shipper e ignorando o resto. Resultado? Fugiram demais da essência da série.

 

O que me preocupa a essa altura de Chicago P.D. é que investem forte nos casos, mas não estão desenvolvendo os personagens. A cada semana que passa é mais palpável o quanto a turma se afasta e, quando se junta, é em cima de história que a gente já viu e ninguém merece.

Stefs
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