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20/out

Este episódio de Chicago P.D. até que foi bacana de acompanhar. Ele seguiu basicamente o mesmo molde do anterior, mas sem tanta “obrigação” em entregar uma pauta social. Foi o mais próximo da fórmula que consagrou a série lá na 1ª temporada e os roteiristas foram mais furtivos na hora de trabalhar a questão de negros vs. polícia. Nada soou tão forçado dessa vez, mas não quer dizer que tenha sido perfeito. Não foi até porque os mesmos vícios estavam presentes, como o posicionamento de Atwater. Personagem que não tem storyline e só ganha relevância nesse tipo de contexto pelos motivos que já resmunguei aqui neste site. Prefiro me abster para não soar repetitiva.

 

O roteiro fez jus ao seu título: a caça a um X-9. Um tema que se espalhou com sucesso pela trama ao mostrar que ninguém estava interessado em contribuir na busca do assassino de Eddie. Um jovem que parecia cheio de vida se não fosse sua trajetória na criminalidade. Inclusive, um cara muito amigo ao ponto de realmente ter considerado um disfarçado Ruzek como parceiro. No derradeiro fim, essa “carreira” não mudou seu “dito caráter”, pois a identidade de quem atirara contra si foi levada ao túmulo. Atitude que rendeu a primeira faísca em cima da proposta, ou seja, a necessidade de se proteger em vez de dar com a língua entre os dentes para a polícia.

 

Eddie trouxe para o cerne da trama um Ruzek sob disfarce. Uma iniciativa que amarrou a ausência do detetive ao longo do início da temporada passada. Ninguém viu como tal investida evoluiu, o que não deixou de ser uma sacanagem visto que Chicago P.D. segue pobre no desenvolvimento de seus personagens. Adam conquistou um posto de relevância no episódio, junto com Atwater, e partiu dele de novo confrontar uma comunidade em que todos só davam o silêncio de testemunho. Um detalhe que também deu gancho às atitudes dele na season premiere. Um oposto de Kevin, que seguiu com a mesma função de apaziguador e instaurou a discussão de “corajosos falam”.

 

A trama foi bem conduzida por dois personagens em destaque, um detalhe que considero um belo de um milagre. Apesar disso, houve muito compasso dos demais, o que contribuiu para excelentes cenas de ação. Por mais que não tivesse um exato ínterim de tempo no desenvolvimento dessa abordagem, os laços criados entre os detetives-chave mais os investigados pareciam ter sido conduzidos e estreitados há uns bons meses. A história teve honestidade, como a da semana passada, principalmente da parte de Eddie. Depois, de Roland, o irmão que carregou o episódio com muita emoção e respaldou o comportamento de ninguém querer morrer ao bancar o X-9.

 

Foi no interrogatório de Roland que o episódio entregou seu verdadeiro propósito. Muito além da questão de X-9. Muitos que acompanham em suas comunidades a movimentação exposta neste episódio optam por priorizar suas vidas por saberem que dedurar gera consequências irreversíveis. Algo que Atwater simplesmente ignorou.

 

Chicago P.D. 5x04 - Voight

 

Quem estava em cena fomentou com eficácia elos que compuseram o drama. Escalando consequência atrás de consequência, a proporção de um novo caso sem evidências condizentes e testemunhas se manteve nas reticências até atingir Jordan, o irmão de Atwater. Logo, a investigação da semana mudou de figura, pois não precisavam de qualquer X-9. Mas um único X-9, o que aproximou mais a trama da essência familiar das Chicagos.

 

O que poderia ser uma caça a mais uma gangue, o que normalmente tem rolado em Chicago P.D. quando cria um tipo de atrito entre negros e polícia, se tratou de caráter humano. Ninguém quer ser dedo-duro e lá estava Atwater no seu famigerado papel maleável. O detetive, como sempre, tomou a trama e saiu representando o peso na consciência. Atitude que abriu brecha para a conversa de fazer o que é certo sem pensar tanto nas consequências.

 

O resultado? Mais morte e paranoia. Desacreditei da cartada final de Atwater. Lembrou-me da burrice do detetive ter deixado uma latinha na sala de interrogatório. Não pode ser!

 

Apesar da influência de Jordan, as coisas saíram do controle com a morte de Roland. Não via a hora de Ruzek explodir e explodiu, tornando a mensagem do assédio para cima de uma pessoa negra verídica. A prisão de Maya rendeu o ponto fraco da história que, na verdade, engrossou um pouco mais o clima. Com isso, rendeu a melhor cena do episódio no âmbito atuação. O confronto entre Adam e Hailey me deixou de cabelo em pé enquanto aplaudia. Até aproveito para dizer que a detetive poderia ter contado com um plotzinho já no início da temporada. Pelos motivos ainda bizarros, ela segue sendo uma completa estranha e não deveria ser assim porque “novata”.

 

E, pela Deusa, que não me inventem romance entre Ruzek e Upton. Vai ter riot!

 

Chicago P.D. 5x04 - Atwater e Voight

 

Voltando, Ruzek e sua impaciência rendeu um caldo quentíssimo que respingou tanto em Atwater quanto em Voight. Com a descoberta de Jordan, foi possível sentir o minar dos ânimos. Como colocar esse garoto em interrogatório sem risco de vida? Algo que Kevin vem tentando evitar desde que seus irmãos foram inseridos na série. Como disse na abertura desta resenha, nem tudo segue perfeito em Chicago P.D. e aqui está um exemplo. A presença de Anna (Justice) queimou etapas pertinentes dessa situação (e que dificuldade em cantar let it go, hein?).

 

Afinal, não se tratava apenas de reconhecer quem teria atirado em Eddie e em Roland. Era necessário discutir a proteção de testemunha. Algo que o menino não teve no final das contas e isso me deixou injuriada. Como assim?

 

Tudo bem que arrastarão o saldo de Atwater para o próximo episódio, mas faltou tato em discutir opções. Por essas e outras que, obviamente, a conclusão muito me incomodou. A medida do detetive foi ingênua apesar do discurso bonitinho. Para piorar, de novo rolou a mesma necessidade de manter os personagens intactos e segue sendo surreal.

 

Vejam bem: Adam agrediu um cara gratuitamente e Upton passou um pano quente para desviar o assunto. Não tem o menor cabimento, ainda mais quando falo desse personagem que deixou meio claro que não amadureceu tanto quanto aparenta. Ao menos foco no trabalho tem, mas, na menor oportunidade, o garotão perde o pavio. Ok, é da sua caracterização, mas é a segunda vez que o cidadão age sem motivo. E ação sem motivo não gera interesse e nem desenvolve. Cria-se uma figura que só está ali para a treta e nada mais.

 

E deixar a UI imaculada também não contribui em nada para ninguém. Tudo é facilmente solucionado e os personagens estão pra lá de confortáveis. Ainda mais agora que Voight voltou a ser como o Voight da S1 que quer preservar seu espaço, principalmente devido à presença de Denny.

 

O mesmo cabe ao Atwater que não pensou nas consequências diante da verdade de que seu irmão seria uma testemunha-chave condenada para sempre. Outro ápice da trama que rendeu um medinho básico porque todo parente das Chicagos bate as botas. Ainda não superei o ocorrido com Lexi e foi com Lexi na cabeça que acompanhei essa última volta do episódio, que culminou na prisão do primeiro acusado.

 

Chicago P.D. 5x04 - Jordan e Atwater

 

Vamos nos lembrar de que essa não é a primeira vez que parentes dos detetives têm que pagar de X-9. Lexi fez isso. Jordan também, mas com a diferença de que será mantido na cidade para dizer que tem angústia restante. Afinal, Kevin dificilmente terá foco daqui graças ao irmão que pode até ter feito a coisa certa, mas a cobrança uma hora chega.

 

O bizarro é que Lexi teve que se afastar e Jordan conseguiu ficar. Aonde está a lógica?

 

Mas muito boa a cena final. Deixou claro que daqui por diante só paranoia na vida de Kevin.

 

O episódio quis vender essa de fazer o que é certo. De não ser covarde. Atwater quem confrontou esse tipo de recusa em ser X-9, sendo que uma pessoa que age assim, uma vez na lupa da polícia, por vezes, faz porque não tem opção. Algo visto na testemunha feminina que tinha uma filha e sabia o que ocorreria uma vez que fofocasse.

 

Voight deu uma representada ao chamar a atenção para a situação de Jordan e torci por uma barragem. Infelizmente, não ocorreu, o que rendeu mais um título de vitória e confirmou que Kevin não terá outro tipo de história (a não ser um romance planejado e quem merece esse pesadelo). Ele é sempre mal usado quando abordam esse tema e podiam ter virado esse disco. Afinal, centralizaram o irmão dele.

 

Um irmão que ele colocou na lupa de criminosos. Para o quê? Voight se saiu como um diabinho para cima do detetive, consciente de que o culpado morto não informaria suposições sobre quem teria sido o X-9 da vez. Agora, é torcer para que nada mais grave ocorra. Doce ilusão, eu sei.

 

Concluindo

 

Chicago P.D. 5x04 - Voight e Al

 

De novo, Atwater só deu discurso e linha de raciocínio dramático. Ótimo, mas empurrar o irmão para testemunhar também calha no mesmo patamar que Ruzek foi posto nesta semana: de que a UI precisa mesmo resolver todos os impasses do universo. Caramba, são os heróis de Chicago, eu sei, mas nem todo caso é concluído com sucesso. E se é para ser concluído com sucesso, que tirem esse excesso de estrelas. Adam falhou ao longo da investigação e deveriam ter se segurado nessa falha para mostrar uma consequência contra a polícia. Mas não.

 

Assim como na semana passada, este episódio construiu sua investigação no mesmo compasso de detetive se relaciona com o caso. Pena que alguns posicionamentos não fizeram realmente a diferença nessa trama. O lado bom é que trazem um personagem em destaque por vez. Isso me faz feliz!

 

Depois de anos, Chicago P.D. deixou um cliffhanger a se pensar e voltamos a possibilidade de Antonio ser o próprio X-9 da UI. Algo que desacredito. Não apenas pela índole de Dawson, mas porque muito S1 resgatarem do nada um tipo de posicionamento criado pela Corregedoria e que acabou se esvaindo pelo ralo. Essa necessidade de amarrar Justice tem tudo para emperrar mais essa série. Sendo que precisam reencontrar o caminho ao que costumava ser. Não inteiramente, é impossível, mas bastam seguir esses dois últimos episódios de exemplo.

 

Não tenho muita fé nessa dita reforma policial porque, de novo, menciono a questão do heroísmo da UI. Seja lá o que aprontam, é fato que não virará. Afinal, precisam preservar essa turma. A não ser que alguém mais decida sair, tudo seguirá bonito e nos conformes.

 

E saio de cena ainda chocada com a liberdade de Jordan. Me respeitem!

 

PS: e, digo mais, a treta entre Ruzek e Upton me lembrou dos estresses Linstead. Alá.

Stefs
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