Menu:
09/out

Faz um tempão que não faço um post que não seja sobre séries aqui no Random Girl, não é? A tentativa deste mês é dar uma virada nessa moeda e quero acreditar que conseguirei nos próximos meses. Depois de ter começado um trampo novo, as coisas se tornaram desordenadas, especialmente minha administração de tempo. Das 10h às 19h, não faço nada além de cumprir o expediente para assim chegar em casa sem energia até para pensar.

 

A postagem mais recente que fiz, antes de ser engolida por esse novo turbilhão, contou por cima sobre os obstáculos que enfrentei ao longo do 2º semestre de 2016 mais o tema que estabeleci para 2017. Contei que meu ano começara em março e que regenerar seria minha palavra de ação. Este texto é unicamente para dar uma reintroduzida no assunto. Além disso, apresentar o tema deste mês que será: inspiração. Sim, isso é uma volta ao início dessa saga.

 

De crédito: haverão outras postagens em paralelo ao tema do mês/ano.

 

É fato que muitas coisas ocorreram comigo desde que iniciei este projetinho de regeneração. A começar por aquela sede já conhecida de abandonar projetos porque, bizarramente, não estou dando conta. O Random Girl se encaixa nessa treta e pensei seriamente em pular do barco porque vivo na seguinte tese: se não está dando certo, por quais motivos insistir? Melhor deixar de lado e ocupar esse espaço com outras coisas, certo? Certinho, mas meu apego por este site é real demais. Algo surpreendente para quem não hesita na hora de largar algo de mão.

 

Abandonar (ou deletar) projetos não é uma dificuldade para mim. Uma vez convencida, faço sem pensar duas vezes. Ato que ocorre quando eu não acredito mais no processo ou tal coisa não está mais do jeito que eu gosto ou só porque estou naquele instante de covardia e preferi abandonar a ideia em vez de desdobrá-la para saber até onde vai. Três fatos que não se encaixam neste site. Ao menos, não nesta fase da minha vida.

 

Fazendo um breve retrocesso, o Hey, Random Girl nasceu de uma necessidade escancarada proveniente da minha insatisfação com o curso de jornalismo (e, mais tarde, com o jornalismo em si). Este espaço se tornou meu meio recompensador de toda a frustração e de todo o estresse. Ano a ano, esse cantinho mostrou que eu tenho o poder de transformar. De quebra, reforçou minha crença de que posso criar o que me apetece. Esse último fato rendeu a maior briga entre o curso e eu porque aprendi a detestá-lo mais por me sentir criativamente amarrada.

 

Com este projeto, vi que podia sim quebrar as amarras do que me é normalmente esperado, como não ser a repórter da Globo – desculpa mãe. Penso que todo futuro jornalista passara/passa por tal questionamento do quando é que você…? e minha resposta se tornou cada vez mais incisiva: nunca.

 

Sempre foi muito fácil eu me sentir ofendida com essas expectativas porque, aos meus lindos olhos, o que eu faço online merecia igual credibilidade. Uma credibilidade que eu tive que dar sozinha, de mim para mim, até mesmo para acreditar que conseguiria tocar um projeto sem atropelos. Já são cinco anos aqui e sou muito grata.

 

Ao contrário do costumeiro, o curso de jornalismo me mostrou o que eu não faria. Um contraste a quem se encontrou e soube na caruda justamente o que queria e foi atrás. Com o tempo, vi que não era minha área de interesse. Isso, entre grandes aspas porque, vira e mexe, resgato a jornalista que há em mim. Porém, a ideia de estar diante das câmeras, de correr atrás de fontes e de depender delas para tocar matérias, segurar microfone, encarar longas jornadas de trabalho, nunca me foi atraente. Penso que você topa tudo isso se for muito apaixonado pela área de atuação e, bem, eu não sou. Se eu tiver que escolher entre lauda e minha casa, escolho minha casa.

 

Parece um ranço sem fim, eu sei, mas essa carreira se tornou uma questão de gosto. Sempre me vi atuando com entretenimento e dizer isso em voz alta, em uma sala que tinha vários fiscais de carreira, era o mesmo que anunciar que jogava dinheiro fora. Consegui sentir vergonha disso. Talvez, se não sentisse essa inferioridade, também teria me encontrado rapidamente, mas não rolou. Até chegar, no meu último ano de curso, o famigerado “esse é meu momento”. No caso, foi a hora da reivindicação de tudo que mais amo e que o curso me privou. Foi quando o jornalismo começou a fazer sentido para mim. Eu não buscava status. Ou dezenas de matérias assinadas. Mas valor e sentimento.

 

Sempre fugi dos trabalhos de TV, por exemplo. Isso deveria ter me dito muitas coisas já no segundo semestre, período do qual me vi amedrontada. Não levava jeito para repórter ou para radialista, e essa falta de encaixe pesou muito cedo. As coisas se abriram quando fiz estágio em uma editora de revista, o meu outrora ramo dos sonhos como uma fiel leitora de revistas na adolescência, mas, anos depois, vi que o online é minha cara – e foi quando o curso começou a funcionar.

 

Essa visão só me foi dada perto de (mais) uma desistência. Um dia de desespero que me fez entrar na faculdade destemida a trancar o curso. Era aula de Rádio (não me lembro do nome da matéria em específico), cujo professor assustava todo mundo. Cobrava demais e fazia o povo chorar. Bem, foi na mesa dele que chorei e nem porque deixei de entregar um trabalho (e não tinha entregado mesmo e assim nasceu a nota zero). Depois de explicitar o que diabos acontecia comigo, esse senhor simplesmente falou para eu fazer o que achava que deveria ser feito.

 

E tudo começou com a pergunta: o que você gosta de fazer? Assim, nasceram várias versões de blog até eu finalmente chegar ao Hey, Random Girl.

 

Quem me conhece está calejado dessa história, mas está aí uma história que amo lembrar. Foi-me definidora de praticamente tudo. Até para a minha monografia.

 

Por ter me servido de âncora de salvação pessoal, o Hey, Random Girl pode ficar abandonado por vários meses, como tem ocorrido atualmente, mas ainda não encontrei a coragem definitiva para fechá-lo. Gosto de como conduzi as coisas, mas a vida acontece e chega uma hora, nem que seja brevemente, que as coisas se perdem e ficam confusas. Meu 2016 foi assim, perdido e confuso, e deixei escapar pelos meus dedos a essência desse e de outros projetos. Não queria tocá-los no péssimo nível emocional do qual me encontrava e decidi que era melhor deixar em stand-by.

 

A diferença de agora, e que se expressa neste texto, é que estou reivindicando esses projetos. Nada mais sensato que retomar a essência. E a essência do Random Girl vem de inspiração.

 

No ano passado, passei a maior parte do meu tempo desligada, no transe, nada atenta ao que acontecia ao meu redor e eu tenho certeza que perdi muitos insights por causa disto. Porém, este ano tentarei levar comigo todas as doses de inspiração que eu encontrar no trajeto, seja em um livro, em um prédio ou em uma música. Quero pular em círculos com achados ao longo de mais uma jornada.

 

As palavras acima foram escritas em 2013 e é bizarro como ainda funcionam. Por isso que digo que este ano é o verso de um folder. 2016 seria a frente. Honestamente, amo essas ironias.

 

Meu ano tem sido como um episódio de Fear The Walking Dead. Uma semana, você acompanha um desdobramento e, na outra, rola esse verso do folder, ou seja, o que ocorreu basicamente no mesmo dia. Até o instante que essas pontas se cruzam e é preciso tomar medidas seguras. O que ocorreu no ano passado, ou deixou de ocorrer, vem se repetindo como se intentasse um tipo de quebra de um ciclo vicioso. Dessa forma, retomar o tema de inspiração, além de ser uma medida instintiva, é um meio para seguir em frente e para parar de espiar por cima do ombro.

 

Em 2013, iniciei uma corrente particular de encontrar minha inspiração e assim o fiz junto com quem me acompanhava na época. Depois, veio o Excelsior, de tornar o negativo em algo positivo. Este ano, estipulei a regeneração por meio da inspiração, tema atribuído ao Bela e as Feras também. E isso se inicia com o revisitar do começo. De relembrar o que andei perdendo. Um começo que me deixa feliz à beça, pois fui longe. Mesmo detestando meu curso e enfrentando os empecilhos da vida, foquei no que me interessava. Segui em frente e fiz uma diferença danada.

 

Sinto falta de compartilhar coisas incríveis em um lugar que chamo de casinha. Ou seja, aqui. Nada mais sensato que retomar esse ponto. Quero dar um novo molde a esse bolo, o que determina um ano também deveras intuitivo. Nada de grandes apegos. Quero deixar fluir.

 

Dessa forma, o tema Regeneração segue firme e forte, com o patrocinamento de uma música maravilhosa do Mumford and Sons chamada Awake my Soul. Depois de um semestre horrível, tive que encontrar minha âncora rumo ao despertar. Foi no Random Girl que despertei para tudo que me importava e descobri muitos fatores sobre eu mesma no processo.

 

Aonde você investe sua vida, você investe seu amor. Foram cinco anos de amor por aqui. Não tem como deixar isso de lado, né? Que encontremos nossa inspiração em outubro!

 

Imagem via Deviantart

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3