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16/out

No meu projeto de regeneração, que se chama Timshel, estipulei cinco desafios para cada semana. Cada um é inspirado em um tema e um deles se chamou musing. Uma palavrinha em inglês, muito usada no Tumblr, que remete, basicamente, ao contexto de musas. Para ficar mais simples a explicação, pensem naquele site em que uma pessoa reúne tudo que a inspira. Sejam celebridades ou personagens que inventou (o que torna essa ideia bem legal para quem escreve).

 

Em tradução literal, ficaria algo como “musando”, bem feio a propósito, então, musing soa mais adequado e assim que usarei.

 

Como disse, dediquei um dia da semana para as minhas musas nesse desafio. Pessoas que me inspiram. Ao reuni-las visualmente e, em seguida, tentar dissertar sobre cada uma em meu diário, notei o piloto automático de sempre buscar e justificar a inspiração com base em terceiros. Não considero isso ruim, afinal, faço tal coisa desde que me entendo por gente. Há pessoas que adoram esse processo e eu também. Mas… O que acontece quando você simplesmente percebe que, de todas essas musas, você não está inclusa na roda?

 

É, foi isso que descobri!

 

É difícil voltar o olhar para nós e assim enumerar o que realizamos em um determinado ínterim de tempo. É mais fácil inserir as musas como justificativa para tudo que fizemos ou deixamos de fazer, sendo que o mérito do movimento, da busca, do traçar de metas, é unicamente nosso. Apesar de contarmos com vários processos de musing, nós somos responsáveis em estipular um plano e ir atrás do objetivo. Com sucesso ou insucesso, arregaçamos as mangas por conta própria, independente da inspiração ter vindo de algum ponto que não seja a nossa mente.

 

Por concentrarmos tanto nossas inspirações, e, talvez, aspirações, em outras pessoas, nos esquecemos da gente no processo. E não deve ser assim porque também merecemos uma galeria de musa, com uma tag supercharmosinha.

 

Isso me faz lembrar de um encontro do I Am That Girl, que rolou no começo de outubro, em que uma amiga querida me disse algo assim: você sempre bota o negativo acima do positivo.

 

Traduzindo: eu penso no que deixou de rolar visto que tenho muita coisa boa para celebrar e para me inspirar a ir adiante.

 

Ela não estava errada porque, na hora do vamos ver, mensuro mais os contras que os prós. Fico, às vezes, agarrada demais ao passado. Em vez de apenas seguir o fluxo, eu dou cinquenta empacadas até me ver, em alguns casos, empacada de vez. Enfim. Essa é uma confissão para que vocês compreendam o quão importante foi esse desafio. Eu inverti o meu GPS pessoal antes mesmo dessa minha amiga passar a verdade na minha face.

 

Independente dessa verdade ter sido lançada em outra timeline da minha vida, foi deveras surpreendente acompanhar minha atitude intuitiva de mudar o ponteiro da proposta do desafio e me colocar como personagem principal. Mudei a meta de destacar quem me inspira ao bater de frente, conforme escrevia, com meu quote favorito nº 1: você é você por uma razão.

 

E por qual razão?

 

Quando cheguei nessa curva de me botar como protagonista do meu próprio desafio, rolou certo branco. A busca por essa razão que me faz uma musa me deixou deveras temerosa porque senti o agridoce momentâneo do fracasso. Por nunca ter refletido sobre mim dessa forma, obviamente que acabou sendo tentador retornar para minhas musas diárias. Foi uma angústia dissertar sobre quem eu sou, ainda mais quando o tema foi a busca dos motivos que me tornam especial. Dei umas travadas, até porque rolou a sensação de que estava sendo metida. Outro impasse que faz muitos recuar na hora de se auto-vangloriar para evitar péssimas impressões. Tais como soar arrogante.

 

E isso depende do ponto de vista. E, independente, não deveria empacar ninguém de se valorizar e de dar uma palmadinha no próprio ombro. Autoestima saudável é amazing!

 

Juro que me custou um bocado para resgatar o que já realizei em dois anos (um prazo bom), sendo que tudo sempre esteve embaixo do meu nariz. Juro que rolou a bad suave, como se não tivesse feito absolutamente nada em 31 anos de carreira. Mas, no fim, consegui escrever mais que o esperado. Foi recompensador e enxerguei os motivos dos quais também sou uma inspiração. Uma pessoa relevante. Uma pessoa que pode muito mais.

 

Esses dias, reli as passagens desse desafio e dei risada. Fiquei radiante, pois minha autodúvida estalava no teto na ocasião. Foi reconfortante acompanhar meus tópicos escritos animadamente sobre eu ser uma inspiração e notei que, às vezes, ou na maioria das vezes, escondemos nossos talentos como forma de autopreservação.

 

Daí, aspiramos o que vem do mundo externo para suprir algo que não sabemos de imediato, que pode ser um vazio, ou para ter uma alavanca que nos impulsione para frente. Como disse, não acho nem um pouco errado ter uma fileira de musas. Ainda as tenho e elas me ajudam a relembrar do meu poder diariamente.

 

Sophia Bush, Troian Bellisario, Viola Davis. Algumas das celebridades que admiro e que, sim, quase sempre recorro para buscar uma luz no fim do túnel. Obviamente que a maior musa inspiradora de todas é minha mãe, cuja resiliência me é revigorante (por vezes irritante também, não nego). Quando não dá para recorrer a quem somos, não há nada de absurdo em se ter exemplos. Mentores imaginários. Admiração, quando é saudável, não faz mal a ninguém – até onde eu sei.

 

É diante dessas musas, e porque não das circunstâncias da vida, que esquecemos que também somos relevantes. Que somos fontes de inspiração para quem nunca conversamos na vida. É meio chocante destrinchar um tópico desses voltado para si mesmo, ainda mais quando você sempre se botou no cantinho por achar que nada do que faz é lá aquelas coisas. Tal tarefa me rendeu uma quantidade generosa de páginas do meu diário, mas explorei o quanto pude esse ponto de vista.

 

E foi ótimo porque me “autoesquivo”. Sou a que acha que não fez lá aquelas coisas.

 

O que pensei que seria uma tarefa impossível, que desistiria para citar Anna Kendrick, se revelou extremamente prazerosa. Não menos importante, absurdamente reveladora. Foi quando caí em um quote de Leslie Knope, personagem de Parks and Recreation, depois de umas boas páginas: sou grande o suficiente para admitir que, frequentemente, sou inspirada por mim mesma. O quão encorajadora é essa frase, gente? Leslie sempre soube das coisas!

 

Leslie Knope - inspiração quote

Eu “pinei” esse gif no meu Twitter, fatos reais!

 

Leslie tem uma galeria de musas em seu escritório e todas a inspiram a tomar determinadas decisões. Ou, simplesmente, lembrá-la da trajetória. Cada musa dessa personagem representa um tipo de conquista almejada. Todas são mulheres grandiosas na política, ramo que Knope atua e que teve seu início no contexto da série com um buraco a ser transformado em um parque.

 

Knope não perde a oportunidade de enumerar suas conquistas e fazer delas seu motor para não se deixar demolir suas metas pessoais. E como se assumir dessa maneira? Eu tive que revisitar tudo que fiz até aqui e que estava ao meu alcance. Sites, textos, livros, outras ideias mirabolantes. Revisitei até as minhas musas, não nego, mas mais para compreender os motivos que as fazem ocupar tal posto em minha vida. Busquei a razão para cada uma ser considerada uma inspiração também e foi um bocado ótimo encontrar mais razões para se dar crédito pessoal.

 

A melhor parte desse desafio é que ninguém me ditou nada. Eu tive que buscar as palavras para me descrever e descrever minhas conquistas. Eu me impulsionei a escrever sobre tal assunto e vi o resultado tomando forma com o coração na mão. Enquanto eu me escondia em outras musas, me esquecia de que há uma musa vivendo comigo diariamente e que está ao meu alcance: eu mesma.

 

Essa tarefa deu uma renovada no meu espírito porque, para quem não tinha muita expectativa na adolescência, caramba, eu fui muito longe. Consegui me formar. Consegui experiências profissionais e interpessoais que jamais pensei que seriam possíveis. Fui a eventos sem pagar nada!!! Parece até aquele reconhecimento de privilégio, mas, nesse caso, não é. São resultados de um confronto que tenho vencido depois de ouvir que não sairia do espaço que ocupava aos 14 anos. Pois bem que consegui, diga-se de passagem, e esse é o maior dos meus créditos.

 

Minha luta e o que se garantiu por meio dela é uma história que poderia inspirar outras pessoas. Como a história de Leslie Knope. E o que dá nisso? Eu como inspiração. Você como inspiração. Sabem aquele velho papo de que toda história importa? Tão quanto as conquistas? Que qualquer um pode chegar aqui neste texto e se inspirar em cumprir esse desafio descompromissadamente? É tudo inspiração!

 

Leslie Knope - telefonema

 

Mas por quais motivos você escreveu este texto, Stefs? Além de dizer a vocês que Parks and Recreation é uma série maravilhosa e que tiro as teias de aranha dessa coluna, queria trazer um ponto de conforto visto que o mundo está ruim. Sou apaixonada por esse tipo de desafio, pois é minha forma de sair do tártaro. Devido a tanto pessimismo mundial, é batata nos perdermos em meio a essa lambança e não pode.

 

Vejam bem: essa análise pessoal me foi extremamente positiva e me senti na obrigação de compartilhar nesta casinha. Valeu muito a pena transitar por esse caminho inusitado de se voltar pra dentro e enumerar as minhas conquistas, qualidades, aspirações futuras… Foi maravilhoso ser a musa principal e penso que todo mundo precisa dessa perspectiva. Principalmente para não se deixar engolir pela realidade da qual vivemos. Todo mundo pode, e deve, se colocar nos holofotes.

 

Acima de tudo que escrevi até aqui, esse desafio se tornou um método de auxílio pessoal. É muito fácil nos esquecermos do que fizemos e do que conquistamos, centralizando tudo à mercê do outro. Quando se dá a chance de mudar esse ponto de vista, é bem verdade que esse tipo de processo pode te mudar um tanto mais.

 

Tal experiência me fez cair na real sobre o quanto estava negligente comigo mesma e com as minhas conquistas/objetivos/e assim por diante. Vi o quanto realmente peso o negativo e busco, de vez em quando, perspectivas nos olhos de outras pessoas. E eu como fico? Mereço mais, não é? E sigo achando que sim.

 

Foi um baque tremendo fazer uma redação sobre euzinha, algo que sempre dedico às minhas musas, para enumerar sucessos, como cheguei lá, e o que me torna também muito rainha da inspiração. Isso deu reconhecimento e respeito por mim e pela minha jornada. E retornar a essas páginas em dias ruins salva meu espírito.

 

Por isso, lanço o desafio: por que você é uma inspiração? Pense e seja honestx. Você pode descobrir coisas formidáveis, além de dar uma folga nas suas musas para ser a própria musa.

 

Como Leslie disse com muita confiança, não há nada de errado em se ver como inspiração. Vá em frente! ❤

 

PS: E, quem sabe, eu torne essas páginas em posts. Vai que né?

Stefs
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