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18/out

A parte musical do meu arco de regeneração começou com Mumford & Sons, mas isso não é uma novidade. Afinal, já contei aqui neste site e ainda destaquei a música-motto que inspirou meu retorno às atividades. Porém, é importante que este post exista não apenas para casar com a proposta do mês de outubro aqui no Random Girl (olar, dona inspiração!), como também para mostrar a vocês como essa banda tem ritmado meu 2017 até agora e me influenciado positivamente.

 

Sempre tenho o costume de dizer que meu contato com a música é bastante intuitivo. Daí, vocês me perguntam: para quem não é? Sim, é verdade, mas cada um experiencia uma mesma arte de maneiras diferentes. No meu caso, é a famigerada questão de caiu como uma luva. Ou, encontrei tal coisa na hora certa. Ou, precisava realmente dessas palavras. Uma boa maioria dos meus movimentos nesta vida se embasa totalmente nesse encontro entre o instante do qual vivo e a intuição. Em outras palavras, decido com base no que sinto.

 

Leio com base no que sinto. Assisto algo com base no que sinto. Com a música é a mesma coisa. Não é à toa que artistas que escuto em um ano demoram a retornar para minha playlist. Nem é enjoar, mas um reflexo da minha mutação.

 

A música se tornou um tanto ausente no meu famigerado segundo semestre de 2016. Não vivi entregue a um silêncio completo, mas também não me preocupava em, por exemplo, caçar banda nova – algo que amo fazer. Ouvia a mesma música do Foals e o mesmo musical para ritmar a limpeza da casa (informação que acho que esqueci de dar e meu Last.fm sempre muito além do meu tempo), e ainda sim bem pouco. Aliás, sem o menor interesse.

 

Fez falta a diferenciação de repertório, pois o que consegui curtir musicalmente ano passado não passou de repetição. Pergunto-me como consegui realizar tal proeza. Quem vive sem música hoje em dia? Quem ouve a mesma música e o mesmo álbum por 3 meses praticamente, sem troca?

 

Assim como a escrita, esse tipo de arte me mantém centrada e me proporciona uma paz inexplicável. Principalmente quando os arredores me afetam negativamente. É quando preciso ficar na minha e entrar em contato com as coisas que me completam. Não menos importante, que me fazem feliz.

 

Passei anos e anos da minha vida deixando pessoas e situações me aterrorizarem. Por isso, uma das minhas grandes lições pessoais, que preciso aprender e reaprender, em um ciclo constante, é cultivar um centro específico de equilíbrio para que eu seja menos afetada. É um bolo de gato, honestamente, e é sempre bizarro como coisas do passado ainda me afetam com a força de um furacão como se fossem desdobramentos do presente. E isso não ocorre com muitas pessoas?, vocês me perguntam. Sim, mas houve um tempo em que eu mergulhava na lama e ficava lá.

 

Algo que já cheguei perto de cometer graças a desavenças nada estimulantes no meu novo job. Em menos de 3 meses, a figura da editora veio me visitar e queria permanecer. Me recusei e isso só seria possível ao retornar para meus projetos pessoais que não deixam de ser minhas recompensas no começo e no fim do dia. É quando largo tudo de horrível para ficar na companhia do que me inspira.

 

A busca desse equilíbrio é um processo lento. Principalmente para quem se deixou quebrar em mil pedacinhos. Requer calma. Passos de bebê que comecei a dar no primeiro dia de 2017. Mumford & Sons não demorou a se fazer presente nesse processo e entrou em cena como se fosse a primeira vez. A banda está na minha vida desde 2011, mas pareceu aquela descoberta repentina do aleatório de algum aplicativo de música.

 

Sinto-me melhor em contato com a arte, não tem jeito. Dou amém a isso porque não tenho dinheiro, ao menos não ainda, para viajar rumo a uma redescoberta. Tive que criar meu próprio processo e, com isso, nasceu o projeto Timshel. Nome inspirado em uma música do Mumford & Sons. O início foi um sucesso, mas, como o destino ama brincar com a nossa cara, logo menos o meu job atravessou a minha decisão de cura interior. Eu estava metaforicamente no Tibete até ser lançada no olho do furacão. Nem tinha começado a me remendar direito. Foi ótimo voltar ao mercado de trabalho, mas isso conturbou minha meta de ficar bem primeiro. Tive que me realinhar de novo.

 

Um realinhar que ainda não é bem-sucedido, pois o job não-mais-tão novo já incitou gatilhos. Com isso, vem a vontade de chutar o balde. Algo que aprendi a não fazer com o passar dos anos porque exausta de ser trollada por trolls. É difícil porque confiança não é todo dia que se tem.

 

Uma música tende a definir uma trajetória, mas não quer dizer que não existam outras. Tenho um leque de repertório inspiracional, mas, hoje, quero citar as músicas do Mumford & Sons que têm dado mais cor ao meu 2017 da regeneração. Ouvi-las tem sido maravilhoso para minha recuperação emocional e, pensando nisso, fiz essa lista linda e cheirosa que destaca quais têm se saído como minhas maiores fontes de inspiração. Foi um tanto difícil selecionar cada uma porque eu bem queria mencionar todas. Mas, o que vale é a intenção, certo?

 

Mumford & Sons - Awake My Soul

 

And where you invest your love, you invest your life.

 

Essa música impulsionou um olhar mais atento às pessoas ao meu redor. Pessoas das quais me desliguei conforme vivia a fase ruim. O mesmo se aplica aos meus projetos pessoais que deixei de lado por não ter as emoções que julgo adequadas para entregar um bom trabalho. Embora seja uma letra que centraliza um romance, como a maioria das composições de Marcus, a linha destacada caiu como uma luva quando comecei a pensar em temas/frases de ação para um 2017 que já tinha começado. Prática que existe desde 2013 e que segue firme. Intuitiva e necessária.

 

Um tema/frase por ano representa uma âncora de salvação para mim. É uma intenção aplicada e seguida em oposição às famosas listas de resoluções que não faço mais. O que determinei ao ouvir essa música é que eu mesma e tudo ao meu redor requerem sentimentos honestos e minha dedicação. Um tudo ao meu redor que nada mais é o que compõe a minha vida. Investimentos. Seja manter um site ou manter uma relação com alguém, investimos nosso tempo para que esses arcos fiquem nos conformes. Um investimento que precisa da sua dosagem de amor.

 

Investimento é uma palavra ligada ao financeiro, mas, nesse caso, o significado se atrela à genuinidade das coisas. A fazer e a cuidar por amor. De fazer porque você precisa ou porque está apaixonadx. Eu precisava despertar para resgatar um pouco do meu propósito, esmaecido ao longo de 2016, e foi com essa música que a regeneração começou. Tem sido uma experiência reveladora. Até mesmo musicalmente. Ando descobrindo bandas que têm letras intencionais maravilhosas!

 

Mumford & Sons - Babel

 

Cause I’ll know my weakness, know my voice and I’ll believe in grace and choice.

And I know perhaps my heart is farce but I’ll be born without a mask.

 

Há alguns momentos da vida em que sentimos que somos uma farsa. Essa música expressa esse porém muito bem. Sou uma pessoa que parece racional em vários instantes. Segura. Mas bem. Às vezes, a Vênus em Câncer me desmente, pois, na maioria dos casos, o emocional me comanda. Poderia dizer que é ruim, mas, de vez em quando, não é.

 

Emoção é meu instinto. Minha intuição. O que sinto em um determinado instante é capaz de definir todo o resto. Preciso sentir durante o processo. Nem que seja um impacto diminuto. Se não sinto nada, as chances de dar errado, ou de não sair como o esperado, são reais. Eu realmente levo essa troca comigo mesma muito a sério.

 

A emoção pode ser expressa das mais variadas formas e uma delas para mim é por meio da escrita. É onde encontro minha força. E é onde encontro minha fraqueza. É quando sei quando estou sendo honesta e quando estou sendo uma farsa. Ano passado, parei todos meus projetos pelo medo de mostrar que estava sendo uma falcatrua ambulante porque não conseguia me transferir para o texto. E isso para mim é 100% necessário. Nada me deixa mais irritada que a sensação de que faço algo completamente à toa porque sou muito intencional no que produzo.

 

O sentimento me norteou a fazer este site. Por não ter mais afinidade com o jornalismo, eu precisava de um cantinho em que eu pudesse colocar na prática a ideia do escreva o que você gosta. Não consigo aceitar a dita impossibilidade de fazer o que se ama quando somos nós que criamos essas oportunidades. Além de querer um espaço para desenvolver uma escrita honesta, queria uma barreira recompensadora para que as experiências ruins do curso não me dominassem. Eis que nasceu este projeto com muito das minhas emoções envolvidas.

 

A escrita é também um denominador da escolha. O escolher das palavras. Babel remete muito nesse sentido para mim. Tudo na nossa vida é transformador e é sempre mais importante viver sem uma máscara. Fazer sem camuflagem. Deixar-se transparecer com honestidade e é isso o que ocorre quando escrevo.

 

O coração consegue ser falho e assume sua própria farsa para, às vezes, nos proteger. Em contrapartida, não devemos deixar escapar a genuinidade do que existe ao nosso redor. Além disso, não deixar de produzir e de existir com a mesma genuinidade. Não menos importante: fazer com a verdade e de verdade. Inclusive, ser de verdade.

 

Eu prezo a verdade. Quero que vocês entrem em contato comigo por quem eu sou e não por meio da idealização de quem posso ser. Nesse processo de regeneração, descobri mais pontos fortes, mais fraquezas, mais graça e mais poder em cada escolha que faço. O desafio é usar essa bagagem a meu favor e com transparência.

 

Mumford & Sons - Hot Gates

 

Let my blood only run out when my world decides.

There is no way out of your only life. So run on, run on!

 

Confesso que demorei certo tempo para dar atenção ao Wilder Mind porque é inegável que Mumford fugiu um pouco das suas raízes nesse álbum. Mas, por ser essa banda que estamos falando, não foi difícil eu me render. Penso que meu GPS emocional estava no ponto certo para aceitá-lo com todo respeito.

 

Believe e Snake Eyes são sensação entre os fãs, mas meu caminho se encontrou lá no final do álbum, em Hot Gates. É a música que traduzo como: a importância de viver a sua vida. Temos uma única vida, como a letra afirma. Você não tem saída a não ser estar aqui e fazer o seu melhor. É uma escolha e M&S ama botar geral na saia justa com essa de decidir, especialmente quando o coração está aos frangalhos.

 

Eu precisava reivindicar minha vida e decidi isso no primeiro dia de 2017. Depois de uma treta horrível com a minha mãe, em que disse coisas absurdas, tudo mudou. Nem eu mesma me reconheci. Tudo está bem agora, mas não quero aquela versão de mim de volta. A que corre em círculos ao redor da vida. Quero ser a versão que mergulha nela e que se embebeda com o que surgir no meio do trajeto. Como diz aquelas frases de Tumblr, temos que correr não para fora da vida, mas para dentro dela. E Hot Gates inspira esse sentimento – e aquela vontade linda de chorar.

 

Mumford & Sons - Below My Feet

 

Keep the earth below my feet for all my sweat, my blood runs weak.

Let me learn from where I have been. Keep my eyes to serve, my hands to learn.

 

Essa é aquela música que pertence à minha lista para se cantar gritando.

 

Um dia desses, estava eu indo para o job, depois de uma semana daquelas nesse mesmo lugar, e foi meio impossível não me ver cantarolando Below My Feet. Bateu aquela vontade quase desesperadora de subir a Vila Madalena aos berros. Em um passado distante, achava meio esquisito a galera caminhar e balbuciar sua música favorita, com direito a sacudir as perninhas ou a tocar bateria imaginária. Agora, cansei de me reprimir nesse quesito e amém que entrei para esse clubinho lindo e cheiroso. Por que perdi tanto tempo sem essa loucura maravilhosa? Shame on me!

 

Below My Feet é praticamente uma emenda de Hot Gates. Ao menos, do meu ponto de vista. O que recebo ao ouvi-la  é muita força e um lembrete para não me esquecer da questão de esforço. Suar, sangrar, aprender com o passado para fazer o presente e perseguir o futuro. Os olhos para servir e observar. As mãos para aprender e pôr em prática o que foi testemunhado. Essa música tem uma energia extraordinária e, literalmente, não tem como não querer cantá-la aos berros.

 

Ainda mais a parte final que você apenas se entrega e dane-se o resto.

 

Mumford & Sons - Ghosts That We Knew

 

So give me hope in the darkness that I will see the light.

‘Cause oh that gave me such a fright but I will hold as long as you like just promise me we’ll be alright.

 

Essa música e Timshel são gêmeas na minha vida. Uma impacta ao abordar sutilmente a cumplicidade. E a outra passa na face a questão de escolhas.

 

Ghosts that we Knew é puríssima cumplicidade em tempos ruins. Logo, me vi direcionando essa música para a necessidade de ter mais cumplicidade comigo mesma, especialmente depois do semestre das trevas. Não me cobrar demais. Ser paciente. Parar de me depreciar. Parar de enumerar as falhas e os desdobramentos de fins de 2016. Não acelerar o processo só para dizer que ele está acontecendo. O que eu tinha pra dizer à época, eu disse, agora tenho que correr atrás de melhorias. Algo que tenho focado desde março, mas os passos ainda são lentos.

 

O me dar uma chance de cumplicidade me fez indagar o que diabos fazia com a minha vida. Fez-me refletir sobre o reajuste desse ponteiro. Vou sem pressa. Sem tantas cobranças.

 

Nesse ínterim do processo de regeneração, li o livro da Anna Kendrick. Nos capítulos finais, que remetem ao título, é narrado o dia em que ela encontrou uma foto sua na infância. Uma imagem que estampa uma garotinha com a expressão ferozinha. Diante da imagem, ela se perguntou aonde estava aquela garotinha, que fazia as coisas sem dificuldade. O contrário da sua versão atual que ama pagar de man-child. Que tem dificuldade para engatar determinadas coisas.

 

Eu imitei a ideia. Peguei 3 fotos e umas delas há uma Stefs mirim feliz de estar nua. Escrevi o trecho destacado dessa música em um post-it e o coloquei em cima dessas imagens adoráveis – que estão coladas na porta do meu guarda-roupa. É pra lá que olho quando as coisas ficam meio desesperançosas.

 

Essa música diz um pouco sobre enfrentar a missão e se cuidar no processo, habilidades que também “tinha perdido”. Quando parei para analisar cada fotografia, fui abatida pelo desejo de querer honrar aquela minha versão. Uma garotinha que passou por dificuldades muito cedo, como não caminhar por certo tempo graças ao impacto do parto fórceps. É uma missão da versão de agora mostrar que ficaremos bem e que conseguiremos o que almejamos.

 

Não precisa ser tudo, mas o bastante para ficarmos bem. A Stefs mirim e a Stefs +30 são versões que se seguram uma na outra. Facetas em que uma impulsionou a outra a estar aonde estamos. Uma escadinha de muitas Stefs que chegaram nessa versão atual que nem sei qual é ainda. Mas posso dizer que está sedenta em seguir recomeçando. Muita coisa já mudou de perspectiva e isso tem me dado segurança.

 

Em suma, essa música do M&S mostra que podemos estar rodeados, mas a decisão final é nossa. Vem de nós a cumplicidade sobre quem somos em dias bons e ruins.

 

Mumford & Sons - Timshel

 

But you are not alone in this. And you are not alone in this. As brothers we will stand and we’ll hold your hand.

But I will tell the night and whisper, “Lose your sight”, but I can’t move the mountains for you.

 

Timshel é a escolha em sua nuance mais profunda e que encontra sua tradução na seguinte frase:

 

We’re all going to die. We don’t get much say over how or when, but we do get to decide how we’re gonna live. So, do it. Decide. Is this the life you want to live? Is this the person you want to love? Is this the best you can be? Can you be stronger? Kinder? More compassionate? Decide. Breathe in. Breathe out and decide.
ーーーーー Grey’s Anatomy.

 

Toda semana, embarco no projeto Timshel. Uma aventura de reconexão que envolve meus projetos pessoais e outros que anseio para que um dia saiam do papel. De tarefa, escrevo no meu diário, momento em que tenho um termômetro dos desafios que estipulei no decorrer de cinco dias. Além disso, de revisar o que anda ocorrendo comigo. É uma redescoberta semanal que tem servido para eu me reconhecer novamente e reconhecer que o que faço é importante.

 

Todos têm um propósito e a tarefa mais difícil é encontrá-lo. Há quem nasça pronto. Há quem não. Ainda não tenho propriedade nesse tópico, mas, por meio da arte em completude, sinto que fico cada vez mais próxima. Meramente porque me sinto melhor quando produzo o que me apetece. Isso me deixa extremamente satisfeita, especialmente quando me deparo com coisas péssimas no dia a dia.

 

Essa música inspirou esse projeto que tem me ajudado demais. Que tem me esclarecido em várias coisas. De quebra, me serve de impulso para sair mais da minha zona de conforto. É meu pico de regeneração que preciso voltar sempre, pois, por meio dele, relembro quem eu sou, o que eu quero e o que eu posso fazer.

 

É uma soma de escolhas e escolhemos todos os dias. E, como diz a canção, ninguém moverá as montanhas para que eu conquiste. Só eu posso decidir isso, o que arremata na cumplicidade citada acima e que casa com respeito a si mesmo.

 

Escolher desde que faça bem. Respeitar instantes de vulnerabilidade. Decidir com o instinto. De vez em quando, precisamos de um freio para não ultrapassar limites que podem nos afligir no fim de tudo.

 

━━━ ★ ━━━

 

As músicas dessa banda, que ritmam o estilo folk, me dão propósito. Me inspiram a seguir em frente. Sem querer, querendo, fiz dos três álbuns do M&S meus mantras pessoais. Em cima dessa dose de inspiração diária, criei meus próprios mantras que entoo quase todos os dias antes de ir pra luta. É um trabalho que se tornou constante em cima do meu GPS emocional, pois me dá segurança e força. Principalmente quando acordo com o ânimo de zumbi e é necessário me lembrar de não desistir. Além disso, relembrar que sou uma musa que merece respeito.

 

Essas são algumas das minhas músicas-mantras do Mumford & Sons. Capaz que vocês as conheçam, mas juro que as que não conhecem também valem muito a pena. Espero que tenham gostado da listinha – e se tiverem alguma em especial, compartilha aí! ❤

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