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04/nov

Para um fall finale, Chicago Fire entregou um episódio mais ou menos. A parte do mais foi representada por Kidd, centralizada para darem fim em Hope. A parte do menos caiu no colo da milésima repetição do trope de matar ou de colocar em risco algum parente dos personagens dessa franquia. Os envolvidos com a série, mais precisamente jovem Haas, não perderam o costume de prometer demais e cumprirem de menos. O roteiro da vez entregou um dia comum e quando digo comum é sem nenhum tipo de diferencial e/ou um cliffhanger de impacto. No final de tudo, não houve surpresa, mas um revirar de olhos pra lá de intenso.

 

Até aqui, Chicago Fire é abalada por uma fortíssima oscilação na construção de trama (que não existe). Queria culpar a falta de uso do grande incêndio da S5, pois, a essa altura, parece que o evento nunca aconteceu e é surreal. Ainda sim é uma verdade incontestável de que uma storyline central faz falta, especialmente porque os personagens seguem esparsos e ocupados com trivialidades. Não reclamaria tanto desse último aspecto porque gosto muito de receber o background da turma. Porém, já deu para notar que essa centralização enche mais linguiça que o normal e encolhe o tempo dos resgates – que seguem muito aquém do esperado.

 

Não sei vocês, mas penso que os escritores estão presos na tentativa de encontrar um ponto certo para elevar a história e, enquanto isso não acontece, chutam para ver o que dá certo. Processo semelhante ao da S3. Com o término mais cedo dos trabalhos nesta primeira parte da temporada (costumam parar no 8), o receio quanto ao futuro cresceu. Afinal, não paro de pensar que simplesmente escreveram qualquer coisa porque não daria tempo de desenvolver algo relevante em 6 episódios. Ok encurtar o pensamento, mas o curto prazo ainda servia para serem criativos.

 

Querem história mais inútil que a de Hope? Connie foi a primeira a farejar o problema dessa jovem e, desde muito cedo, aprendemos que ninguém sabota o braço direito de Boden. Sigo sem entender o que intentaram empurrar aqui porque migraram a experiência anterior da personagem sobre furto de dinheiro para algo X a fim de tirar Kidd do Batalhão. WTF?

 

Chicago Fire 6x06 - Hope

 

Hope afanou o dinheiro do chefe antigo e, agora, tentou passar o rodo sem dó em Stella. O comportamento da moça seguiu dúbio neste episódio, mas sua dissimulação foi ineficiente. O rasgar do cheque na semana passada deixou entrelinhas que logo confirmaram que não havia mesmo boas intenções da parte dessa jovem. Daí, pergunto o motivo da súbita birra.

 

Kidd e Brett nem são amigas próximas para acusar ciúme, inveja ou algo parecido. O que deu para sentir é que a personagem queria pertencer, mas precisava tirar alguém de cena para se infiltrar e ficar confortável. A única mulher “solta” do Batalhão é Stella que, de quebra, vive com Severide – a quem Hope intentou resgatar o flerte para amarrar a quase vitória. Seja como for, a inserção dela seguiu sem sentido e não sou eu que cobrarei alguma coisa.

 

Mentira porque, dependendo dos casos, adoro fazer cobranças. Não empregaram suspense às atitudes de Hope. Aliás, é um tanto inegável que falharam com a personagem. Independente de ter entrado em cena para ser um entrave, penso que seria interessante saber os motivos dela “ser assim”. Fato é que o ranço de Kidd veio do nada, muito comum, claro, eu mesma sou essa pessoa. Porém, foram duas sabotagens em curto espaço de tempo. Nitidamente, tais atitudes deixaram de ser por razões de Severide e terei que me agarrar à “verdade” de que esse conflito inútil se deu por questões de espaço.

 

Hope puxou o saco da galera para se garantir e queria uma abertura que não existia. Mal sabia que essa mesma galera é fiel demais um ao outro, embora siga acolhedora. Traidores que querem rebuliço e sabotam um membro do 51º não duram. Algo que não é uma novidade e me agarro a uma suposição. Ao menos por enquanto, não houve moral nesse subplot.

 

E, outra: sério mesmo que Hope achou que ninguém notaria a falcatrua? Comentei na semana passada que o cheque poderia dar no futuro uma mentira bem-sucedida, mas me enganei.

 

Chicago Fire 6x06 - Kidd

 

O bom é que a nova investida de Hope centralizou Kidd e acompanhamos um pouco mais da sua história. No caso, os motivos dela ter escolhido ser bombeira. De quebra, ainda rimos para não chorar sobre a sua transferência rumo a um ambiente dominado por homens. Tradução: quase 100% sexista. Inclusive, pelos motivos errados, pois queriam uma mulher para falar sobre determinados assuntos que me arrancaram um risinho. Porque seria adorável! Tá bom.

 

No dia que alguma Chicago tratar minorias e questões de gênero com pertinência, darei uma festa. Por enquanto, resta sorrir e acenar porque meus nervos estão sensíveis demais.

 

Vejam bem: o que foi aquela cena do cara pedindo para Stella soltar o cabelo? Oh, vamos falar de mulher no poder sim, mas muda seu visual aqui rapidinho. Pela Deusa! Posso não me surpreender mais com esses detalhes também, mas não tem como não ficar estressada. Sempre preferem usar dessas pautas de maneira que se possa confrontá-las. Parece até proposital de tão repetitivo que é.

 

Kidd é a personagem que, com certeza, tem muito mais o que contar. Ainda penso que ela deveria ter sido mantida lado a lado com Gabby, pois há complemento. Reflexo do fato de que ambas se conheciam antes e nem esse ponto souberam aproveitar. Uma falha que também tem afetado uma Brett que está totalmente deslocada e esquecida. Este episódio escancarou isso e é injusto.

 

As três só se uniram para falar mal de Hope e dar shade sobre Severide, um desperdício de energia que rendeu em vários nada. O trio feminino da série segue sendo empurrado para contextos medíocres, salvo Dawson que é o famoso “de vez em quando”.

 

Até rolar o que rolou com Ramon e aí está mais uma nova leva de falta de criatividade.

 

Chicago Fire 6x06 - Ramon

 

Ramon tem criado só problemas desde que foi inserido no contexto de Chicago Fire e nem sei mais quando posso defendê-lo ou quando posso arrasá-lo. Penso eu que faltou uma pincelada mais profunda quanto à presença desse personagem porque tudo que temos é o quanto ele é irresponsável. Além disso, abandonado, ponto que foi situado neste roteiro justamente para garantir e render elo emotivo. Só que ele ficou no mesmo páreo que Hope ao agir como um completo mala. Soarei a pessoa mais fria do bonde, mas vê-lo estatelado não fez nem cócegas no meu coração. Não digo que era algo esperado, mas, de qualquer forma, não me surpreendeu.

 

Tudo que pensei foi: de novo? Ramon pode não morrer, mas, pela milésima vez, lá se vai algum avulso que ninguém liga ou alguém que pertence à família de algum personagem tomar uma rasteira. Como disse, não foi uma surpresa. Na verdade, foi um tremendo revirar de olhos.

 

O que me faz pensar no grande incêndio da S5 e da irrealidade de geral ter saído vivo. Ficar esperando demissão no elenco dá nisso, sendo que podiam dar de doidos e avisar: óh, você vai morrer nessa temporada. O que me faz voltar a pensar também no quanto dar uma renovada no elenco não faria mal a ninguém. Até porque todas as histórias estão exaustantes de batidas.

 

Sei que vocês querem puxar minha orelha agora, mas nada mais que a verdade. Amo muito o cast, mas quem ainda aguenta Otis e Herrmann fazendo as mesmas coisas? E a storyline não storyline de Severide? Algumas partes são toleráveis, mas sempre fica aquela aflição diante do fato de que poderiam fazer mais. Principalmente quando a série tem quase 6 anos nas costas.

 

E a gente fica porque é trouxa demais! Eu mesma que resmungo horrores, mas amo sofrer!

 

Assim, o grande incêndio da temporada passada ainda deixou marcas em Gabby. Penso que ela não precisa passar por outro perrengue em tão curto espaço de tempo, verdade. Nessas horas que resmungo do timing das Chicagos porque engana. Às vezes, se passam dias de um episódio a outro, o que garante “recuperação rápida”. Dawson nem deve ter se revigorado do incidente que lhe deu protagonismo e lá vai a turma destruí-la. É aquele outro vício de que ultrapassar o trauma é deveras fácil e todos seguem como se nada tivesse ocorrido. Wrong!

 

Pra que pesar mais em Dawsey? Força do hábito! Como se as pessoas que torcem pelo shipper só quisessem o drama sendo que um casal pode contar também com trivialidades. Uma alternância que seria positiva porque ambos não curtem a simplicidade do casório.

 

Dawson e Casey estão em nova transição depois de quase morrerem e lá vem Ramon ser peso morto. Sei que perco a paciência à toa porque difícil mudar o norte de escrita de Chicago Fire. Mas sempre há a esperança de que virem o disco.

 

Concluindo

 

Chicago Fire 6x06 - Otis

 

A proposta foi colocar todo mundo para abraçar a Samara e quem acabou ganhando ao menos um beijo foi Ramon. Deem um tempo para a Gabby, pela Deusa, nunca pedi nada! Ainda mais porque se usaram também do mesmo trope de alguém brigar com ente querido antes da tragédia. Nada novo sob o sol de Chicago Fire.

 

Salvo Hope e Ramon, a turma do fundo berrou de novo a necessidade de histórias melhores. Otis e mais uma parceria. Nada disso era relevante para um fall finale.

 

E essa fall finale não foi assim tão relevante. O que me faz perguntar o que será de Chicago Fire ao longo dos próximos episódios nas mãos do Mr. Haas.

 

No mais, este episódio foi aquele que chamo de momentos. Gostei bastante da rotina noturna do Batalhão, de ver Casey e Severide mais serenos, do resgate lindo de Kidd e de Brett concluindo o Hope is over party. Foi um dia normal que aparentemente não acontece nada – e não ocorreu – e que dependeu de um cliffhanger para dizer que entregou um bom serviço. Sendo que não.

 

Chicago Fire retorna no dia 4 de janeiro de 2018.

Stefs
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