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18/nov

Nossa, nem acredito que, depois de 6 episódios, entregaram um em que não tenho muito do que reclamar. Até arrisco a dizer que foi o melhor até aqui, honrando o argumento de que focar em Jay Halstead sempre foi um dos babados certos de Chicago P.D.. Este compete um pouco com o 5×03, mas o mencionado perde porque os desdobramentos desta semana relembraram no que a série costumava se apegar – família, desenvolvimento de personagem, conexão detetive e caso e entrega de um soco emocional. Teve até retorno de informante, gente, fiquei tombada aqui em meu quartinho!

 

Obviamente que começo este texto com uma belíssima alfinetada: Lindsay se foi e lembraram de que Halstead tem um background. What a miracle que nem é miracle porque não tem mais shipper para gerar buzz. Vamos recordar que, na temporada passada, excluíram uma cena pertinente quanto ao estresse pós-traumático deste personagem. Aos olhos dos produtores, era realmente mais interessante falar de um casamento X para tremer Linstead sendo que não era.

 

Um relacionamento que ninguém nunca mais ouviu e viu, diga-se de passagem, como todas as tentativas funestas de gerar tensão por meio de criações sem pé e nem cabeça. Só sei que o viés desta semana me fez lembrar dos motivos de eu ainda amar Jay e do quanto a negligência sobre seu passado segue sendo pretexto para sair do eixo. Com saúde mental não se brinca e já basta o uso de suicídio de forma banalizada para resolver os problemas atuais de trama.

 

A abertura teve um tom muito bom e mexeu com as minhas expectativas. Claro que fiquei com medo de ser mais um dia ruim para Chicago P.D., então, tive que dar uma segurada nas emoções. Um tanto difícil, pois ver a família de Ruzek fez meus olhos brilharem. Um instante que se amarrou à tramoia de dedar a UI, seja lá por qual motivo, e que encontrou seu pico de tensão ao vermos Halstead jogado no sofá. Um detetive atormentado pelos seus fantasmas, aos prantos, e quase dando soco no parceiro. Ínfimos minutos que foram importantes para criar contrapostos de lealdade. Pauta presente esta semana.

 

De quebra, a breve individualidade desses homens adiantou o que viria a ser um episódio emocionalmente complicado. Houve receio, afinal, ao longo desta temporada tem-se começado de um jeito para se engatar outros caminhos que não fazem jus ao tema. Felizmente, não foi o caso desta vez. Rolou complicação, mais emocional, o que deu uma pausa na tendência de soluções simplistas que, automaticamente, enfraquecem a investigação e o desempenho dos detetives. Não foi algo impressionante, mas fez Chicago P.D. ser um tanto mais decente quanto a esses aspectos que formam sua premissa.

 

Chicago P.D. 5x07 - Jay e Luis

 

Com o ataque inicial, que denunciou o sequestro de uma criança em troca de uma altíssima soma de dinheiro, se revelou um esquema formado por ex-soldados que estavam financeiramente quebrados. Contaram com dois causantes, mais um peão e o pai que combinava a fiança para salvar seu filho. Personagens que deram continuidade ao que ocorrera na abertura e não danificaram a proposta. Houve foco, o que não dispersou a trama e, com isso, se fortaleceu a história de Halstead. Casaram as situações e estou satisfeita porque é disso que Chicago P.D. precisa. Como comentei anteriormente, não dá mais para mergulhar em falso ativismo. Não dá para dar medalha para a hipocrisia e ainda não perdoei o que ocorreu na semana passada. Este episódio foi meio que um respiro contra a onda de estresse atual.

 

E, bizarramente, a trama foi estressante. Foi desconfortável. Teve envolvimento do drama do detetive mais da investigação, uma experiência que, na maioria dos casos, não dá erro. O tom do sequestro trouxe o assunto do estresse pós-traumático com naturalidade, contando com duas pessoas que deram peso ao dilema. Não foi difícil se envolver e meu coração ficou fora do lugar várias vezes. A situação de Halstead é desconcertante e ele está a pico de suas emoções, especialmente por ter matado a garotinha no 5×01.

 

Halstead está perturbado e se infiltrou nesse caso por mera distração. Um perigo porque sua mente estava desperta aos traumas e poderia pregar peças. Em cena, isso mostrou ser perigoso e a preocupação de Upton calhou muito bem. Uma preocupação que também encontrou vários picos de intensificação graças ao comportamento dos colegas que passaram a flanela nas reações de Jay. Sendo que não pode! Fiquei sem palavras quando o detetive ergueu o revólver para Hailey.

 

Esse empurrar para debaixo do tapete rebateu a questão da dita lealdade. Que não deixa de ser um problema também e contrastou com as empreitadas de Ruzek. O projeto de X-9 que combateu sutilmente a mania de um proteger o outro. Medida que, de certa forma, não influenciará em nada. Na conjuntura atual da série, está forçadíssimo só para a storyline do Denny acontecer.

 

Ao menos, este caso serviu de prato meio cheio para cutucar a questão de má conduta. A intenção da S5, deixada lá na premiere, e que tem se estendido sutilmente a cada semana. Jay saiu aos tapas a torto e a direito e, para piorar, Voight empurrou drogas para vencer o caso – e isso me deixou revoltadíssima. Isso Ruzek não pegou, né?

 

Vale dizer também que Luis calhou no esquema atual de Chicago P.D., de morrer para ser herói. A mulher que escreveu este roteiro fez bem em saltar o esquema de honrarias, pois não dá mais essas papagaiadas. E nem perderam a chance de matar um para sensibilizar, para dar mais força à situação de Jay, sendo que o fulano era criminoso também.

 

Claramente, segue na moda essa de dar redenção a quem não merece. Me poupem!

 

Chicago P.D. 5x07 - Jay e Voight

 

Só sei que este episódio teve uma amarração muito boa entre caso e detetive. A todo instante, as emoções de Halstead estavam presentes, brincando com as de um destruído Luis. O papo do exército foi interessante, mas nada mais estarrecedor que o instante em que ambos comentam que precisam preencher o vazio para não se perderem mais. Fiquei arrasada!

 

A criança sequestrada e com chances de morrer não deixou de ser gatilho, mas a trama toda em si acabou sendo um arsenal para um desequilibrado Jay. Ele precisa voltar para o seu grupo de ajuda ou acabará machucando alguém sem querer – e estou sendo otimista, como sempre, porque duvido muito das chances de desenvolverem essa história como se deve.

 

Digo isso porque Chicago P.D. anda pontual demais. Joga-se o problema e o mesmo fica para trás, sendo que esticar não faria mal algum. A série não fez isso antes? Então. Este episódio abriu demais as oportunidades, como deixar Camila de ponta solta e o fato de que Halstead seguiu com seu disfarce intacto. Ela não sabe que Luis morreu sob a lupa do detetive – e que o detetive é detetive. Além disso, esse arco não deixa de ter ineditismo perto de perdas de parentes e afins.

 

Assim, o prato está prontinho! Só é preciso que os roteiristas saibam como temperá-lo. Infelizmente, é aí que mora o perigo.

 

O que dá raiva porque a série tem se apoiado em investidas rasas e que não retornam para aprofundamento. Nunca mais se falou da irmã de Burgess. Provavelmente nunca mais falarão dos problemas de trabalho de Upton. Nunca mais se viu a outra filha de Al. Essas lacunas garantem um tempo para que possam ser resgatadas, mas morrem na maré. Daí, os roteiristas precisam inventar histórias como as de Ruzek, que surgem do nada e vão para o nada. Pela primeira vez, há alguém da família dele em cena e colocam trairagem em seu colo. Só não reclamo mais porque estão segurando esse suspense, dando uma isca aqui e outra ali. Espero que dê em algo relevante.

 

Concluindo

 

Chicago P.D. 5x07 - Ruzek

 

Esta semana de Chicago P.D. interrompeu a linha flop de apego com pautas sociais. Amém!

 

No fim de tudo, a história centralizou pessoas financeiramente quebradas e o limite que elas atingem para sair do vermelho. A gangue de soldados era totalmente corrompida, trazendo de novo a questão de heróis que acabam na vilanidade. Além disso, que morrem e que, supostamente, merecem empatia. Tá. Dou amém por Luis não ter caído nesta teia de vencedor da medalha da semana – e quase chegaram lá ao colocarem o personagem na cena para morrer pela honra.

 

Havia também o pai que poderia ter conquistado essas estrelinhas, mas ninguém se apegou ao fato de que o cara lavava dinheiro para gangues. Chega, né?

 

Os demais personagens merecem um aceno, apesar de seguirem carecidos de storyline. O que abre brecha para resgatar um comentário antigo: sempre dão histórias boas para os homens. Vejam bem o que deram a Upton e Burgess até aqui. Tramas parecidas com conclusões ridículas. Nada do background delas foi desenvolvido, apenas amizades aleatórias que ninguém nunca ouviu falar e que terminaram dando parabéns para as pessoas erradas. Agora, Dawson e Halstead foram os que mais se deram bem. Gosto muito, mas claramente seguem se importando pouco com as atrizes que restam – nem Platt tem aparecido direito, nem deu sinal de vida esta semana, e estou nervosa.

 

Denny segue tirando a paciência de quem fica e quero saber o propósito. Sigo dizendo que tudo cheira a recalque do ocorrido na temporada passada. Algo que dei uma desviada de atenção porque anda rolando essa questão de prioridades entre departamentos – que me soam mais como teste para ver até onde Hank vai para resolver os casos semanais. Encurtar o dinheiro me pareceu mais proposital que um aviso empático, verdade seja dita.

 

Resmunguei de Voight na semana passada, mas o personagem estava bem neste episódio. Gostei da relação com o pai do garotinho, mas lembro do discurso podre no 5×06 e ainda sofro. O resgate de Justin doeu no coração, mas daí tudo se dissolve com a ideia de drogar Luis. Sério, o que andam fazendo com esse senhor?

 

Fora meus leves cutucões, este episódio de Chicago P.D. foi uma completa espiral de emoções. Foi uma boa semana. Aguardei muito o que desengatilharia Halstead ao longo da investigação e deram muitos motivos para tornar tudo o mais desconfortável possível. Mesmo sem o peso da criança sequestrada, que foi aliviante, os ânimos à flor da pele não esmoreceram. Ficaram lá, quicando até o seu auge, tornando o roteiro envolvente. Não pela investigação, mas pelo detetive em cena.

Stefs
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