Menu:
11/nov

Depois do adiamento, Chicago P.D. retornou e, finalmente, deu uma chance à Upton. Uma chance muito aquém do esperado, se me permitem dizer, pois a personagem acabou sendo ofuscada por outros assuntos que escalaram um em cima do outro. Além disso, pela nova tentativa de criar atrito entre comunidade negra e polícia, trazendo uma semana extremamente repetitiva. Confesso que queria muito ver a detetive em destaque logo de uma vez, um evento que aconteceu muito tardiamente visto que rola uma furada na fila de plot para quem é novo. Tudo bem que a introduziram na temporada passada e seguraram um pouco seu desenvolvimento – se é que posso colocar dessa maneira porque essa palavra sumiu da série. Mas apenas acho que ela poderia ter sido um elo na renovação do esquema “politicamente correto” que envolve a Unidade de Inteligência.

 

Peneirando o episódio, percebi que havia grandes de escrever esta resenha e soar repetitiva. Afinal, a proposta da semana berrou mais do mesmo. Confesso que a premissa que entrelaçava Upton e um policial de seu conhecimento chamou a minha atenção. É uma história nada nova, mas todo mundo ali já teve um problema com alguém que pertence ao mesmo ramo e tende a ser bacana acompanhar. Um passado obscuro sempre atrai, ainda mais em Chicago P.D. que costumava entregar um viés desses muito bem. Costumava.

 

Da mesma forma que ocorreu no 5×02, não criaram um envolvimento entre Sean e Upton que valesse a pena assistir. Apesar da nesga de suspense no início do episódio, que não deu em nada, não houve emoção. A ideia de “passado que assombra” falhou e não deu mais do background de Hailey, o que a fez obter o passe na fila dos carentes de plot da UI.

 

O roteiro desta semana veio carregado de muita informação. Além disso, estava confuso. O caos que abriu a trama serviu de isca para uma finalização sem vida. Sem contar a briga que, em poucos minutos, tirou o foco da investigação para centralizar as politicagens contraditórias de Voight na companhia de dois caras retornantes e que não sabem o que querem da vida. Para que existe a palavra prioridade? Por ter essa necessidade de focar em Hank, Upton foi ofuscada várias vezes. E não devia.

 

Sem contar que o caso da semana penou para se fazer convincente. Falhou também. A história se perdeu no caminho e não estou surpresa. Este episódio teve carinha de premiere, mas se esqueceu da sua base que era centralizar Upton e Sean. Price, o que eu tenho a ver?…

 

De quebra, realçaram o quanto a pauta polícia vs. comunidade negra está batida em Chicago P.D.. Já deveriam desistir porque nunca alcançam um saldo que faça um pouco de jus à realidade. Incriminar o negro não é mais interessante tão quanto heroizar a polícia que não é formada 100% por pessoas de bom caráter. Como era esperado, colocaram a estrelinha na testa de um tal de Sean, sendo que o próprio não merecia. O que rendeu uma trama de puro confete. Upton foi socada para o fundo da história com um grosso aceno de Voight e nem a atriz conseguiu sustentar a personagem depois de tão sem objetivo que se revelou o plot. Um plot preguiçosamente largado em seu colo.

 

Chicago P.D. 5x06 - Upton

 

Além do descaso com Upton, o desenrolar da investigação mais sua resolução decepcionaram. Partiu-se de um ponto chocante para se chegar a uma conclusão confortável. Que não melasse a figura de Sean, o cara que apostava, devia até as cuecas, traía a esposa, deu uma rasteira na carreira de Hailey e incriminou outra pessoa. Tá certo!

 

Se houve algum instante a se destacar no decorrer dos desdobramentos desta semana foi a conversa entre Upton e Voight. A única ocasião pertinente e que refletiu o que sinto quando os roteiristas querem provar algum tipo de ponto quando intentam discutir Black Lives Matter e outras pautas sociais. Seguem falhando miseravelmente e o cúmulo foi dar uma medalha a quem não merecia.

 

Pior que isso, só Hank não querendo desmistificar o herói. Um herói que não existia e que me deixou de testa quente – além de confirmar o que venho sempre dizendo sobre os roteiristas vangloriarem a polícia em excesso. Isso é surreal, independente de ser a premissa que fez Chicago P.D. nascer. Ninguém sai sem um arranhão e nem sou obrigada a ver amoral ganhando a vuvuzela – que na verdade foi um discurso pobre entoado por Voight e desacreditei!

 

Precisamos de exemplos e não de falcatruas. De que adianta elevar uma pessoa mau-caráter em meio ao caos que vivemos? Basta olhar ao redor e ver os resultados.

 

Sean não merecia toda aquela homenagem, com direito a uma coletiva de imprensa extremamente sensacionalista. Seu suicídio me fez lembrar do 5×02, em que tentaram humanizar o personagem da minoria, inserido em um plot pra lá de estereotipado, da mesma forma. Não era necessário em nenhum dos casos, especialmente por minar todo o mistério e facilitar as conclusões. Soma que tem tornado o trabalho da UI um tanto medíocre porque ninguém pensa. Não há a complexidade de antes e Chicago P.D. se usou (de novo) de algo sério para justificar sua história. É inadmissível.

 

Chicago P.D. 5x06 - Sean

Quem é essa pessoa que ninguém conhecia e foi prestar luto?

 

Para garantir um final aceitável, Sean tirou a própria vida, mas colocou na conta de um inocente. Um cara negro. Que vive em comunidade. Essa foi a ponta do plot que me deixou no pico da frustração. Nem foi apenas pelo suicídio, mas como se usaram desse ponto para garantir um saldo falsamente positivo. Inclusive, por ter sido outra tentativa de fisgar uma emoção que não existiu. Afinal, ninguém conhecia o cidadão anteriormente. O mesmo ocorrido com Toma.

 

Está certo que há esse interesse por parte dos roteiristas em colocar a polícia em perigo nesta temporada. O que torna este, o 5×01 e o 5×02 uma trilogia até aqui. Mas de que adianta se ninguém conhece os personagens que nem sequer geram laços efetivos com os detetives?

 

O único instante que fez cócegas no meu coração foi a captura de Kane, mas lá estava a parafernália policial totalmente desnecessária. Além disso, o quanto esse acusado acabou enfiado em várias histórias que intentavam respaldar mais a comunidade de Price (o mesmo Sean) que o background de Upton. Enfim, o episódio em si foi um confete descontrolado sob o papel desses personagens que, pela Deusa, não é impecável. O que ocorreu foi uma apelação sem precedentes e me relacionei com Hailey. Não teve o menor cabimento esse resultado.

 

A preocupação da história era mesmo manter os holofotes na polícia, mas de uma maneira que ninguém terminasse denegrido. Cada suspeito não passou de suposição até cair na mesma pessoa que capturaram de início para trazer um tom convincente – que se saiu inconveniente. Chicago P.D. deveria largar de mão esse viés, pois, toda vez que tentam, é um mar de vergonha alheia.

 

Com os tempos que vivemos, foi de uma pachorra sem precedentes dar prêmio ao falso herói e cair na voz de Voight a desculpa de que devemos passar o pano em nome da família e etc. Soou praticamente um golpista, socorro!

 

E o tenso é que só havia corruptos em cena. Tentam tanto deixar tudo bonitinho, mas lá estava Denny, o imprestável. Bem como Price, que só se move em pró da sua comunidade porque as gangues bancam seus projetos – mas até que deu para sentir um pouco de preocupação genuína nesse moço, mas nem boto minha mão no fogo. Com um grupo desses, defendendo quem não merecia e afundando quem deveria ter liberdade, é complicado ficar a favor de Chicago P.D. esta semana.

 

Concluindo

 

Chicago P.D. 5x06 - Upton e Voight

 

O episódio não trouxe nada além de boa rítmica entre os personagens. Algumas cenas boas. O core emocional não estava presente na ligação Upton e Sean, a grande falha da semana porque passou muito rápido e nem deu tempo de gerar apego. Foi ótimo vê-la em cena sim, mas faltou o cuidado das Chicagos em torná-la mais envolvida no aspecto família ao mesmo tempo em que se tem o caso como reforço. Hailey nem contou com o apoio de Voight e fiquei passada com ele dando um toco nela. Foi ridículo! Enfim, ela simplesmente desapareceu sendo que poderia ter contado com mais.

 

Do fundo do meu coração, os desdobramentos desta semana foram um completo desserviço. Nunca pensei que me chatearia com Voight. Totalmente OOC com essa de proteger os seus. Ele tentou convencer pelo discursão, mas é fato que o Sargento começa a ficar com uma caracterização rasa. Tem muito na conta dele enquanto os outros personagens seguem sem histórias pertinentes.

 

Gente, Olinsky teve uma linha de diálogo com menos de cinco palavras. WTF?

 

E agora querem meter Ruzek em uma zona. Nem sei o que dizer a não ser esperar que amarrem com sua ausência na temporada passada. A única brecha possível de encaixe para evitar futuros micos.

 

Ok. Não serei tão mala assim. Há o lado bom de Ruzek ter essa storyline, pois há a intenção de amarrá-la com a ideia largada na premiere: vigiar Hank. Há a esperança de que esse viés gere tensão, embora não seja um caminho novo como aparenta. Dawson esteve perto de prestar esse papel, abraçou por algum tempo até escolher a UI. Agora há incontáveis acusações e Adam não tem cacife para lidar com tanta pressão. Ainda é um bebê, mas aceito acompanhar o desafio.

Stefs
Postado por:       

       
Aproveite para ler também
Escreva seu comentário antes de ir <3