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02/dez

Pensei seriamente se deveria escrever este texto por motivos de Jason Beghe. Acabei por acatar tal decisão, depois de brigar muito com meus neurônios, e cheguei à conclusão de que não farei mais as resenhas de Chicago P.D.. Depois do que caiu na mídia e de experienciar a trama desta semana, eu simplesmente não conseguirei seguir adiante. Ainda mais porque o personagem do ator é o principal e, ultimamente, não anda tendo muito o que e quem elogiar nesta série.

 

Aviso importante: parte do texto é reflexo de como me senti ao ver este episódio mais a bomba do Jason. Muita coisa fez sentido mesmo que, provavelmente, não passe de teorias.

 

Depois da notícia sobre Beghe, a intenção desta temporada de Chicago P.D. parece que fez 100% de sentido. Querem vangloriar o papel da polícia e nada como fazer isso por intermédio de Hank Voight. Porém, os roteiristas têm feito isso muito erroneamente. Pegam pauta social para anulá-la no processo (e não aprofundá-la) e, de quebra, dão todos os méritos a quem não merece. Além disso, minimizam personagens avulsos tão quanto aqueles que ainda permanecem neste universo – e seguem sem desenvolvimento. Para piorar, Voight é quem tem herdado os discursos que costumavam condizer com a moral da semana, porém, o Sargento tem soado cada vez mais forçado.

 

O grande exemplo disso está no 5×06, cuja trama e resolução foram vergonhosas.

 

Ao longo deste episódio, caí na realização de que ficção sombreou a realidade. Sabem quando a intenção parece cair como uma luva? A NBC sabia dos problemas de Jason há eras e, assim, temos essa premissa que gira em torno de “os policiais precisam ser desculpados por seus erros”. Coincidência? Penso que não, pois a tentativa de limpar a imagem de Jason vem desde o pôster promocional desta temporada. Com isso, Chicago P.D. logo menos entrará em hiatus com vieses fracos e conclusões medíocres porque sua premissa de dar estrelas a quem não merece só tem empobrecido os roteiros de maneira geral.

 

Pode ser coisa da minha cabeça, mas a série tem focado nesse vangloriar da polícia para enfiar pelas goelas de todo mundo que Voight é o melhor personagem das Chicagos. E que Jason é bom demais! Ficção e vida real se misturaram, pois o timing atual da S5 se encaixa com a notícia em questão. Beghe é o herói injustiçado e temos que dar o benefício da dúvida. Eis o padrão que tem sido trilhado nesta temporada que chegou, ainda muito cedo, ao pico de estereotipagem.

 

Hesitei bastante em ver este episódio, mas assim fiz por querer acompanhar o comportamento de geral depois dessa notícia. Além disso, para testemunhar a trama que entregariam a fim de nos distrair do problema. Duas semanas depois, ganhamos mais uma história focada em dar estrelas. E essas estrelas focalizaram justamente quem? Hank. Ação propícia para fortalecer a limpeza de imagem. Pelo visto, foram bem-sucedidos porque tal fato acabou socado para debaixo do tapete.

 

Assim, a NBC sabia o que fazia ao liberar a notícia sobre Jason. Tudo foi descaradamente intencional e muito planejado. Vejam bem que usaram o retorno de Chicago Med para o papo morrer mais rápido. Uma semana que, inclusive, nem teria episódio novo de Chicago P.D.. Uma jogada muito bem feita, especialmente para silenciar qualquer chance de outros pronunciamentos.

 

Chicago P.D. 5x08 - Voight

 

E esta semana de Chicago P.D. foi o reforço desse objetivo. O complemento com boa audiência e eu só quis morrer em meu quartinho. Pela necessidade de dar foco em Hank (e com isso suavizar a presença de Jason), os roteiristas entregaram uma trama sem propósito e sem nenhuma liga de investigação. Sem conflito, sem drama, sem nada. Nem a equipe da UI se mexeu, gente, e isso me deixou abismada. O que me fez pensar na comparação irreal de amenizar Voight para simplesmente torná-lo carismático e, assim, os problemas de Beghe serem perdoados. Não!

 

Não nego meus elogios anteriores ao Voight e à atuação de Jason no decorrer de Chicago P.D.. Ambos formaram um deleite de se acompanhar. Uma força avassaladora e que rendia a emoção exata de um episódio. Ele mesmo segurou várias tramas quando não tinha nada a ser contado e eu agradeci por isso. O Sargento representou o coração desse universo por anos, especialmente por fundá-lo. Porém, todo mundo ainda envolvido nesse mundinho tem valor e segue desvalorizado.

 

Em uma semana tão crucial deram a estrela ao Voight. Dar estrela ao Voight é o mesmo que dar estrela ao Jason. Deram o destaque, mas a única cena relevante do episódio foi Hank gritando com Burgess. A cena-gatilho que reforçou minha decisão de cair fora daqui. Já deixou de ser ficção quando atinge a vida real. Principalmente alguma mulher no processo. Não sou obrigada!

 

O episódio em si não teve pertinência. Nem sei exatamente o que foi que aconteceu esta semana porque tudo foi deveras arrastado. Abordaram politicagens, mas que politicagens mais desinteressantes. O pecado de não criar aprofundamento. Voight foi imerso nessa pauta e até que fez “boas escolhas” dentro da meta de proteger a família. O mais do mesmo desta S5, com a diferença de que o personagem começa a ser sufocado pelas intromissões de Price. Um cidadão que pediu encarecidamente para afundar um amigo pessoal (e político) do Sargento, o troco sobre aquele policial que ganhou os prêmios no 5×06. Ainda sim, nada foi resolvido. Nada encantou.

 

Seguem com esse troca-troca de morais e de valores que não engajam porque não há profundidade. Meramente porque as pessoas que servem de liga para essas histórias surgem do nada. Igualzinho ao plot do Ruzek que é quase certo que miará na semana que vem. Não criam mais sequência de desenvolvimento, um comentário que segue repetitivo da minha parte (e é a última vez).

 

Chicago P.D. 5x08 - Burgess

 

Essa falta de desenvolvimento voltou a ser escancarada por parte de Burgess. Ela foi dita como parte da história, mas, como esperado, lá estava a moça centralizada em romance e ficando de lado do mesmo jeito que rolou com Upton. Ambas foram estepes para gerar um tipo de manpain que tem rebatido em quem? Voight! E sabem o mais irônico disso? É que Hank tem tido essa necessidade de dobrar as mulheres da série já que os homens confiam plenamente nele.

 

Com isso, as detetives ficaram com investigações a desejar. Sem opinião. Presas ao sistema. Acatando o que discordavam. Envolvidas com caras que surgiram do nada e que, claramente, não fariam a menor diferença em suas vidas. Outra ironia desta temporada de Chicago P.D..

 

Se eu começar a pensar nesses três últimos episódios, tirando o 5×07, parece que a premissa mais os discursos prontos de Voight antecederam a desculpa. Além disso, somam uma constante hipocrisia vista no desenrolar desta temporada. Personagens avulsos pagam por decisões que não abalam nem a sua chefia, o foco em pautas sociais não engrenam conscientização, os homens seguem em histórias melhores enquanto as mulheres são “postas em seus lugares”. CPD acabou tomando seu próprio percurso rumo ao vazio e, de quebra, se tornou completamente inverossímil.

 

O que me faz repetir pela última vez: não dá para aguentar mais essa de “polícia de Chicago a melhor de todas e que não sofre desfalques”. Me respeitem! Nem sustinho rola aí, me poupem.

 

Pincelaram uma angústia neste episódio que brotou do nada. Como manda o modo de operação atual da série, que traz um cara que ninguém nunca viu ou ouviu falar apenas para causar. E fracassam. Bem que tentaram instigar uma treta de interesses políticos, mas não explicaram o modelo de ataque e a facção. Para dizer que havia um suspense e uma causa a ser defendida, inseriram mulheres reféns, mas que ficaram por isso mesmo. Provas de um roteiro sem essência ao ponto dos detetives nem trabalharem.

 

Só lembraram de Hank e nada mais. Cômodo, não?

 

O que doeu mais nem foi a realização de mais um episódio sem objetivo, mas ver Hank recebendo um elogio pelo talento e pela dedicação. Passei mal! Claro que meu incômodo veio com a associação ao que Jason acarretou, porém, o que pensei foi na cara de pau dos envolvidos.

 

O que me faz resumir todo esse episódio em: não foram sutis ao mostrar apoio ao ator. The end.

 

Algumas considerações

 

Chicago P.D. 5x08 - Voight

 

Eu realmente me senti na saia justa com o dito fato de que Jason tem transtorno de temperamento. O mais engraçado é que nem ele e nem a mídia colocaram o “problema” dessa forma e ilustraram como “problemas com a raiva”. É, anger issues é o nome que faz referência a um impasse que vai muito além de “explosões”. Vi-me desacreditada ao ler e reler a “retratação”. Considerando o tempo em que vivemos, acompanhando carreiras de homens sendo afundadas, não tem como eu, no papel da mulher, digerir esse assunto sem almejar um tipo de resolução.

 

Principalmente diante da denúncia de comportamento inapropriado e assédio, o que me fez angustiar o fato de que há ainda pessoas com a capacidade de associar saúde mental com coisas ruins. Culpabilizar o mental por ações feitas em completa consciência. E, para mim, foi exatamente isso que ocorreu.

 

O discurso de desculpas de Jason não me convenceu um só instante. Foi a maior sacada e contornada de mídia para ninguém ter tempo de confrontar, especialmente a Sophia. Ele deu uma desumanizada em um impasse que não é apenas uma questão de gatilho. Ou de ter um “coach”. É um transtorno e Jason deveria ter sido, no mínimo, afastado. Ao menos, antes do início das gravações. Afinal, está mais do que certo de que Bush saiu por causa desse cidadão e só ficam as teorias de quem mais foi atacado. Em vez de ficarem ao lado de quem sofreu com tais comportamentos, gastaram energia para salvá-lo.

 

Sinto-me mal de escrever dessa forma porque qualquer pessoa não pode e não deve ser afastada devido à sua condição mental. A não ser que afete todo o meio e ficou claro que Beghe estava ultrapassando os limites – e isso não era do ínterim de tempo da saída da Sophia. Seja como for, ninguém sabe o que rolou do outro lado, mas a nota de tal desdobramento veio redonda demais.

 

No começo, Chicago P.D. dependia desse ator. Em contrapartida, o resto do elenco provou seu valor e segue sem oportunidades valorosas. É a velha questão da muleta, ou o não largar do osso, sendo que esta série nunca negou suas condições de voltar a voar. Bastam largar seus vícios.

 

Todo mundo ali foi vetado de se pronunciar. Isso não está confirmado, mas, pelo ínterim de tempo que a NBC segurou tal fato e mediu corretamente o tempo para que tal fato viesse à tona, deve ter rolado centenas de cláusulas no contrato. Além disso, muitos dependem desse emprego e não dá para julgá-los. Até porque não sabemos quem mais sofreu com a presença abusiva de Jason.

 

Tenho comigo de que não era necessária uma investigação de 6 meses para comprovar que havia alguém do elenco gerando dor de cabeça. Isso me soa mentiroso também porque rodaram a série normalmente. É um absurdo, mas o que se esperar da atitude de defender um homem?

 

Vejam bem: há o padrão do acusado “criar” doenças e/ou revelar a orientação sexual para desviar o foco. De quebra, ganhar empatia. NBC e amigos aproveitaram muito bem essa onda e aprenderam com os erros dessas declarações. Verdade ou não, Jason partiu do mesmo ponto de vista e se fez de coitado. Coitadismo dessa estirpe me faz apenas rir de nervoso.

 

Como disse, a NBC sabe o que fez por querer manter uma franquia que perde a força com o passar dos anos. Infelizmente, este episódio gerou a prova que a emissora precisava para ver que tudo segue normalmente. Que a blindagem de Jason está garantida. A audiência fez esse imenso favor.

 

Eu poderia resmungar sobre o quanto é chato ter que parar de ver a série devido a um embuste, mas me toquei de que não é. Manter a atenção em CPD é o mesmo que dar ok ao que Jason fez. Há outras séries do mesmo gênero que, com certeza, merecem nossa atenção e eis a oportunidade. Somos sugadores do que existe no auge, mas tem muita cultura subestimada.

 

Amo muita gente do elenco, mas, manter CPD na minha vida, é como entrar em ambiente tóxico. Entrar estando consciente do que um homem fez e “achar normal”. Minha atitude não influenciará em nada, mas me deixa de consciência tranquila. Não sou obrigada a dar ibope ao ator, nem muito menos a uma série, cuja emissora se dedicou mais em salvar que transmitir uma lição de casa.

 

Igualzinho a temporada atual de Chicago P.D.. Episódios atrás de episódios protegendo homens amorais e desacreditando das suas personagens femininas. Virou paraíso de embuste!

 

Concluindo

 

Chicago P.D. 5x08 - grupo

 

Este episódio de Chicago P.D. botou um tapete vermelho para Voight. Não é a primeira vez, mas não deu para não pensar nesse ato como uma ode ao Jason. ‘Cês me desculpem!

 

Se não fosse a notícia do Jason, esta resenha seria curtíssima. Entregaram uma trama sem apelo e com personagens querendo estar mortos. Mais uma semana de extrema apatia em que o caso não envolve e a turma do fundo não brilha. Só querem investir em Voight e em suas relações corruptas, que poderiam ser um novo auge para a série. Porém, ficou mais claro que não há meta nessa premissa a não ser tornar a S5 impossível de assistir. E este episódio foi impossível de assistir porque rolou vários nada. Dava para tirar uma soneca e a história se veria no mesmo lugar.

 

A malice de Price se tornou o falso drama político e esse papo de vangloriar a polícia que já deu tudo o que tinha que dar. Um vangloriar que não deixa de ser uma tentativa de imunizar um homem que, antes desse escândalo, nunca neguei seu bom trabalho. Mas a custa do quê?

 

Nunca saberemos. Ao menos, não do ponto de vista da Sophia que, ao contrário de muitos do elenco, tem uma carreira consolidada e tem dado a volta por cima.

 

O único ponto interessante da semana foi Halstead responder pelo que fizera no bar no episódio anterior, a preocupação de Upton e o estresse de Ruzek. Três pontes que poderiam ser o cerne desse novo ano de Chicago P.D., mas a premissa foi muito bem pensada para vangloriar Jason. O que me faz teorizar de que essa temporada nasceu para salvar o ator em questão do seu “impasse”.

 

Em tradução literal: nasceu para ser um desserviço!

 

Foi uma ótima experiência resenhar Chicago P.D. e saio de cena tranquilamente. As de Fire seguirão (e, caso perguntem, desisti de Med porque a S2 não me deu motivo para seguir adiante).

Stefs
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