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05/dez

Scrappy Little Nobody entrou na minha lista de releituras para o futuro. Ele deixou um buraco maior em comparação ao criado após a leitura da autobiografia da Sara Bareilles, verdade seja dita. Reação que me deixou surpreendida mais uma vez porque, como já contei aqui, esse gênero não é meu forte. Sempre tenho o que resmungar. Porém, aplicar a regrinha do relacionamento com quem escreve tem funcionado. E meu relacionamento com Anna Kendrick, a autora do livro que resenho hoje, nasceu em 2008. Se você pensou em Twilight, está correto!

 

Comentei na resenha do livro da Sara sobre o quanto biografias nunca foram minha prioridade de leitura. Nunca me senti interessada, nem mesmo quando conheço a pessoa. Total preconceito literário, mas alguns autores não ajudam, né? O engraçado é que, até o presente momento de 2017, esse é o gênero que tenho mais lido. Já li três títulos e os três me ensinaram coisas diferentes, em três diferentes instantes. Meu ano de regeneração tem ficado mais rico depois dessas apreciações.

 

O que aprendi ao ter a companhia de algumas biografias de celebridades, e que pode parecer óbvio para alguns de vocês, é que é um tanto ilógico ler a história de uma pessoa sem ter o mínimo de afinidade com ela. Não é uma regra que se aplica a tudo, mas, para esse gênero, considero essencial. Só que há outro contraposto que me fez temer a leitura da biografia da Anna Kendrick. Eu a conheço há muito tempo, o que encurtou o caminho para querer ler suas palavras. O ponto de tensão veio diante da verdade de que eu ou amaria ou detestaria.

 

Motivo? Apego. Algo que ocorreu com o livro da Lena Dunham. Conheci-a graças à Girls, rolou amorzinho, mas não curti a proposta. Salvo algumas passagens (e, hoje, ela deixou de ser uma celebridade favorita na minha humilde vida).

 

Um exemplo que me faz cair no medo da celebridade se revelar como não espero. Ninguém quer destruir o platonismo que envolve os faves (apesar de eu começar a cantar Let it Go visto os escândalos de Hollywood), mas precisamos lembrar que todo mundo faz/diz baboseiras. Fica a nosso critério carregar isso – em alguns casos. É ótimo quando a bolha estoura porque ou você despacha ou cria mais proximidade.

 

Para meu próprio alívio, Kendrick criou vários pontos a mais de proximidade. Ela não escreveu um merchan de si mesma ou deu conselhos à toa. Scrappy Little Nobody soou para mim como um diário, narrado por uma vozinha amiga (e adorável!). Foi muito difícil segurar as emoções perto do fim. Não queria que acabasse e essa é uma das leituras que mais sinto falta.

 

 

Antes da resenha, uma história

 

Scrappy Little Nobody - Resenha

 

Let’s agree now that we’re just having a conversation and I happen to talk more than I listen (true in real life as well). I tend to spew my opinions until someone interrupts me, and weirdly, my computer never gained sentience to save me from myself. There were actually several stories.

 

Minha história de amor com Anna Kendrick começou como na vida de vários humanos fãs de Anna Kendrick: Twilight. Depois de Harry Potter ter acabado, meu lado fangirl precisava seguir alimentado. Em um belo dia de trabalho, dei de cara com um site dedicado à saga de Stephenie Meyer e fiquei intrigada. Acabei indo atrás dos livros e devorei os três primeiros em épocas diferentes. Apesar de Isabella Swan ser a queridona, meu coração foi cativado à primeira vista por Jessica Stanley. Personagem que me identifiquei de cara justamente devido aos comentários que eu bem teria feito na minha fase adolescente. Inclusive, por ela ter aquele perfil de jornalista nato.

 

Eu fujo do jornalismo, já disse, mas sigo admirando alguns gatos pingados. Principalmente quando falamos de personagens.

 

Na época em que conheci Twilight, o elenco para o primeiro filme estava escalado (e salvo engano com as filmagens prontas). Não xeretei todo mundo porque ainda não conhecia os livros. Li primeiro, mesmo já consciente das presenças de (Cedrico Diggory) Robert Pattinson e de Nikki Reed (que conheci pelo filme Aos Treze), vistas no header desse site que visitei (e nem lembro como isso ocorreu). Informações que não me fisgaram porque, mais tarde, eu queria saber quem seria Jessica Stanley.

 

Ela mesma, Anna Kendrick.

 

E quem seria essa garota? Nem eu mesma sabia. Não havia muita informação sobre ela online, algo que só fui ganhar com mais propriedade graças aos sites dedicados à saga que brotaram a torto e a direito. E, mais tarde, ao boom da atriz graças à Amor Sem Escalas. A partir daí, me tornei seguidora (mas a gente fica velha e o stalking dos faves vai perdendo um pouco a força).

 

Sobreviver de entrevistas dadas por Anna é uma das missões de todo weirdo porque a pessoa é o poço da discrição. Ela se esconde, some das redes sociais, mas, uma vez nos holofotes, vemos uma mulher cheia de energia e que nunca escondeu que tem uma personalidade cheia das nuances. A agora autora cativa sem dificuldade e o mesmo se aplica à sua autobiografia. Não há quem não afirme o quanto gostaria de tê-la como BFF e eu faço parte desse time. Se eu já tinha noção de que Kendrick é adorável, além de autêntica, seu livro de memórias me deu mais motivos para amá-la e protegê-la.

 

Até porque eu gosto de ter similaridades com os faves, o que tem tornado minha experiência com biografias deveras enriquecedora. Busco sempre uma troca pessoal e inspiradora com tudo que gosto e Scrappy Little Nobody nasceu pronto para fortalecer o que sinto pela Anna. E, claro, botar juízo na minha mente. Por meio do livro, veio a confirmação de que ela sempre foi uma spirit animal (de várias) para mim. Fiquei passadíssima sobre o quanto de “eu mesma” disse ao longo da leitura. Meu amor por essa serumaninha foi renovado com sucesso e quero roubá-la pra mim!

 

Scrappy Little Nobody

 

Scrappy Little Nobody - Livro Índice

 

I hope that you have found this entertaining and maybe (my highest goal) it has made you feel less alone.

 

Scrappy Little Nobody foi lançado em 2016 e marca a estreia de Anna no mundo de autoras (e best-seller, com toda licença). O livro é dividido entre fragmentos pessoais, relacionamentos amorosos, o pesadelo que é Hollywood e ter que viver em meio ao glamour do entretenimento quando não se tem nem dinheiro para comprar uma televisão. Há alguns relatos sobre Twilight, premiações, o início da saga da fama com a divulgação de Amor Sem Escalas (e que a deixou no pico do estresse). Há também outros retrocessos de uma carreira precoce, cujo marco inicial foi no musical High Society, que lhe rendeu uma indicação ao Tony Award.

 

O livro traz várias impressões de quem é Anna do jeito que Anna Kendrick mais preza uma conversa: cômica ou ácida – ou os dois. O que reforça sua autenticidade imparável.

 

A atriz, cantora, Broadway Baby, weirdo, enfim, uma humana multitarefas, abre sua biografia com a premissa de botar a loucura para fora. Foi o início dos vários “eu mesma” ao longo da leitura. Tal contexto é embasado na necessidade adolescente dela em escrever listas no diário. Era seu controle do meio até esse exercício ser interrompido por uma experiência desagradável: um garoto acabou lendo uma em voz alta.

 

Um episódio que a fez trancar tudo que ocorria consigo. Mas… A loucura uma hora quer sair e saiu. Não só em forma de autobiografia, como também diante da revisão de um diário antigo, em que ela o compara com o ponto atual da sua vida. É quando AK elenca um instante, de vários, que é esmiuçado ao longo das páginas: de não se sentir mais tão corajosa. Fato que se amarra a uma crença pessoal: de que a autodúvida pode ser muito boa. Há muito desses retrocessos que servem de apoio para justificar certas passagens. Ela se compara com versões anteriores de si mesma, o que dá a esse livro de memórias um caráter um tanto depreciativo também.

 

Essa de botar a loucura para fora é um de diversos pontos relacionáveis que me fisgaram. O tom que AK dá ao seu livro abre brecha para que as histórias sejam táteis, independente dela ser uma celebridade. Dá para ouvi-la tagarelando em sua mente, puxando as orelhas, batendo o pé com o cenho enrugado. Comportamentos muito Anna Kendrick e por isso mesmo ela se tornou personagem relevante no meu projeto de regeneração. Só gratidão por essa biografia!

 

O capítulo que realmente me pegou foi o que dá nome ao livro. Nome esse que projeta o elo profundo que AK tem com seu irmão, o grande dito culpado pelo seu interesse em performar desde a infância. Há o papo de adulta relutante que me fez gargalhar várias vezes porque sou uma adulta relutante. Já cogitei mudar meu visual para parecer mais “séria”, mas sempre acabo usando coisas que me deixam com cara de 18 anos. Ao ponto de pedirem meu RG para beber, sim.

 

Há também o papo de procrastinar, algo que faço mais do que gostaria. Adiar coisas sendo que estão completamente ao meu alcance. De não se preocupar em mudar para o modo “o adulto que devemos ser”. Que a cada aniversário que passa é esse seu ano – eu toda vez desde que entrei no ciclo dos trinta. Enfim, AK faz um balanço de eventos desagradáveis e agradáveis sobre sua vida e é enriquecedor para quem se vê nas linhas escritas. São fragmentos que narram as dificuldades de ir atrás do sonho e uma vez lá ver mais empecilhos porque nada é como imaginamos. Além disso, o tanto de insegurança com a autoimagem em um meio que ainda enaltece as ditas esbeltas.

 

Além da carreira, há as partes sobre seus relacionamentos nada amorosos, marcados com episódios de slut-shaming. Há também o papo incrível quanto ao sexismo em Hollywood – e esse foi um dos capítulos mais comentados na época de divulgação. Não menos importante, há revelações de Kendrick sobre o que é determinante para se relacionar com as pessoas de maneira geral – bravura, inteligência, humor, paciência, justiça e sensibilidade. Eu mesma na noite e na vida.

 

Anna regou sua biografia com muita transparência e, sem querer, se torna uma âncora para o leitor. Ela escreveu com honestidade e você sente isso nas pontas dos dedos. Nem é necessário ser fã dela para constatar acolhimento, um sentimento raro entre pessoas que não se conhecem. Sendo assim, o resultado dessa leitura é particular de cada um. O papo é tão bom, tão amigável, que você se dá a chance de sorrir, de ser vulnerável, de concordar com o que AK diz. Você leva passagens como conselhos e é lindo!

 

Scrappy Little Nobody não fala sobre o glamour ou sobre quantas vezes AK brigou com seus pais. Ela realmente talha sua biografia em cima de um ponto de vista de dentro para fora. Enquanto meio mundo achava que ela estava riquíssima com Amor Sem Escalas, havia um aluguel a ser pago, um apê a ser dividido e a vontade de ter uma televisão. Uma das passagens um tanto indignantes, e que contrasta essas dificuldades, foi Kendrick ter que pagar por um Louboutin para uma premiere. Só com esse item ela seria atraente para cliques visto que ainda era desconhecida.

 

Suas palavras não são vazias e ela ensina sem ter intenção de ensinar. Aconselha mesmo se achando meio ruim para fazer isso também. O único pedido direto dela, exposto no fim do livro, é que os leitores peguem uma foto de infância bem sassy para que se lembrem daquela versão sem amarras. A versão corajosa e desinibida, que encontra seu pico de comparação em cima da versão de si que escrevia no diário e que contava seus desejos de arriscar, sem olhar para trás.

 

E  juro que fiz isso! Percebi que minha mãe amava me fotografar nua. Devo eu andar assim (não)?

 

Dizer que AK é muito mais que sua conta no Twitter seria um pouco de desonra a Scrappy Little Nobody porque o nível das palhaçadas e dos quiques coincide demais. Da mesma forma que ocorre em suas aparições e em entrevistas, ela é fofa e ácida. O que respalda seu true self. Eu tenho paixão por personalidades que não se alteram de um meio a outro. Isso é maravilhoso demais!

 

O objetivo de AK com este livro foi entreter. Ao menos, na cabeça dessa criança que, claro, faz “pouco caso” do que escreveu. Por mais que ela tenha dito que a meta não era ensinar, o final do livro entrega a verdadeira intenção dessas memórias: fazer quem lesse se sentir menos sozinho. Pedido bem-sucedido porque minha experiência com a biografia se deu exatamente dessa forma. Eu simplesmente amo quando um livro, ou qualquer coisa que envolva entretenimento no geral, calha no estado atual que vivo. Que conversa comigo e agrega em meu aprendizado.

 

Anna temeu escrever a biografia em diferentes aspectos (como a ansiedade). Aos meus olhos, ela tem uma autoconfiança tremenda, é detalhista e extremamente profissional, o que só me faz imaginar o duelo que foi colocar seu caos mental no papel. De maneira que fizesse sentido e que fosse proveitosa. Ela mesma diz que tinha essa necessidade de ser perfeita, mas que tal pensamento a consumia. Escrever é um desafio porque não é botar as palavras no Word. Ao menos para mim, é preciso levar em consideração quem acabará lendo. AK quis que as pessoas a vissem como uma companhia amiga e que tudo bem você querer colocar seus sentimentos para fora.

 

Acho que deu para notar que foi um sufoco deixar Scrappy Little Nobody em algum ponto da estante porque foi sim e uma releitura já está programada. A partir do instante em que se abre o livro, você entra em um bate-papo mental com Kendrick e é algo incrível. É a questão da voz amiga que lhe faz pensar conforme se progride na conversa e eu mesma não fiquei um só segundo sem refletir.

 

Repetindo: sou bastante grata por isso.

 

Retoque Pessoal

 

Anna Kendrick - Crazy Wants Out

 

Como mencionei, botar a loucura para fora foi meu primeiro ponto de identificação com o livro. Quando preciso fazer isso, recorro à escrita. É ruim internalizar tanta coisa, pois, na hora que você explode, tudo ganha uma proporção surreal. Por isso que, ao ler esse quote, uma luz pairou sobre a minha cabeça. E, sim, me senti menos sozinha. Relacionei-me na hora e não hesitei em querer botar a minha loucura para fora também, como nos velhos tempos.

 

Esse foi o quarto livro que li na minha campanha pessoal de regeneração e notei que precisava parar de guardar qualquer coisinha dentro de mim. Enquanto a biografia da Sara me ajudou a montar vários pontos de partida, a de AK me pediu, educadamente, para deixar de ser trouxa e fazer o que tem que ser feito. Dizer o que tinha a ser dito. Ajustar logo de uma vez esse GPS emocional – e foi quando resgatei meu diário, o pobre esquecido no churrasco.

 

Apesar da lista do seu diário, atuar se tornou a saída dessa pequena mulher. A minha é escrevendo. Embora atos distintos, a outra similaridade entre nós se deu pela treta da carreira a se seguir.

 

AK começou a carreira muito nova e não possuía estratégias para o famigerado plano B. Sabem, aquela coisa de se a primeira profissão não der certo, partimos para a segunda? Ela soube de primeira que queria performar e começou a batalhar por isso. Uma preocupação ainda atual de Kendrick porque ela não tem outra opção. Ao menos, no sentido prático porque está aqui uma cidadã multitarefas, um reflexo do medo de um trabalho sempre ser o último.

 

Para não dizer que ela nunca pensou além do desejo de ser atriz, AK queria ser médica. Porém, por todos os motivos inocentes de uma criança, como ajudar as pessoas sem pensar no dinheiro.

 

Eu completei 31 anos este ano e sempre acho que deveria ter tido um plano B. Contudo, minhas opções sempre voltam para algum ponto artístico. Um ponto que dizem que não há estabilidade financeira. Nunca me importei com esse aspecto, mas ter estabilidade é tudo, né? Engraçado que essa é a última coisa que existe no jornalismo, especialmente no âmbito emocional. Ainda sim segui em frente pela dita bobagem de amar escrever. Não estou na área, mas nada me impede de escrever. Queria que alguém tivesse me contado isso antes e teria me poupado de gastos.

 

AK rumou às cegas na sua sede de performar e teve o irmão como escudo. A mocinha, sem plano B, mostrou passo a passo que estava destinada a ser atriz. Kendrick conseguiu um agente de primeira, um chutão certeiro que diz muito do que pode acontecer dali para frente. A partir daí, viver entre o Maine, sua terra Natal, Los Angeles, quicando em New York, criando uma vida dupla entre sua rotina escolar e o teatro, se tornou seu modo de dar voz ao seu sonho. Independente do receio de tudo dar errado.

 

Kendrick só queria fazer e foi fazendo. Tudo bem que agora ela recomenda o plano B, ok?

 

Mesmo com esse arco da sua vida dando certo, não quer dizer que não houve as inseguranças. Os cabelos cacheados e cheios, a altura que a “deixa meio infantil”, o fato de não querer ser definida como uma atriz mirim – e que seus pais pagassem como os ditos exploradores (que não foram). AK sempre achou que tinha um coração diferente por sentir demais. Uma outsider tanto na escola quanto no universo que começou a perseguir seu sonho antes do ensino médio.

 

E me vi nessas passagens sobre a fase adolescente de Kendrick tão quanto na luta de se encaixar ao meio no transcorrer da vida jovem adulta. No jornalismo, eu não me identificava com nada e não queria ser como a maioria das pessoas que estudava comigo. Não queria o crédito ou atuar em um veículo de prestígio. Fiz alguma diferença no último ano, um marco que mostrou que sou capaz e o que eu realmente queria nessa profissão (que não exerço). Apesar de ter perdido a convicção ao longo da trajetória desse curso, muito dessa área reside em mim. Eu apenas afinei as ferramentas.

 

Eu não compreendia essa sede arrogante dos jornalistas pelo crédito. AK não compreendia porque as crianças competiam e se tornavam “adultizadas” para atuar. De pontos de indignação, ela optou por caminhos diferentes e eu me identifiquei demais nisso. A verdade de que, independente de nos sentirmos diferentes, o que queremos expressar é o que define o que escolhemos como profissão.

 

Nesse livro, há o fingir até ser efetivamente. Os capítulos de Hollywood mostram que, quando não se tem um plano B, é preciso seguir em frente com o plano A sendo a mais verdadeira possível. E, não menos importante, nunca nos esquecermos de botar a nossa loucura para fora.

 

Para lembrar: ser ninguém e ser alguém

 

Anna Kendrick - Scrappy Little Nobody

 

Voltando ao que comentei sobre biografias, ao virar da primeira página sempre rola a sensação de que o texto a seguir será fútil. Não é o caso aqui, porém, há algumas partes passáveis. No meu caso, foi quase todo o conteúdo de Hollywood, salvo alguns momentos sobre o começo de carreira. Vesti perfeitamente aqueles sapatinhos real e oficial. Mas, no geral, compensa muito o investimento.

 

AK foi produzida com uma aparência caríssima não equivalente ao seu salário e tinha que se ater a arte que fazia. Sentindo o agridoce de ser, inicialmente, uma fraude. De ter que transmitir o que não era lá no início da trajetória. Ao menos, visualmente, pois, na fala, há sempre um show de autenticidade. Um traço da personalidade dela que está arraigado do começo ao fim em seu livro de memórias.

 

Além de tudo que citei acima, AK me fez pensar na questão de autodúvida. Do seu ponto de vista é algo bom, saudável, porque você meio que se impõe a combatê-la. Comigo, essa sensação quase sempre me empurra pra trás, pois, primeiramente, me sinto um nada até tomar uma ação. E Kendrick me fez acreditar que a dúvida é meio de força. Você se move para fazer e transmitir.

 

O último capítulo me tocou porque foca na questão de ser adulta. Apesar de eu ser esclarecida sobre algumas coisas, acreditei que eu tinha probleminhas por ter dificuldade de manter um pico social (e isso se chama introversão). Posso não ser a dita adulta modelo, mas eu me sinto bem assim. Não preciso ter vergonha dos meus gostos, do meu lado introvertido ou de não querer fazer nada.

 

AK não tem vergonha de dizer que se sente superior a algumas pessoas, mas não quer dizer que não role insegurança. A autora decidiu performar e bastava ser paciente. Em suas palavras, “ela é substância”, que funciona na ordem e que segue regras desde que sejam pertinentes. Mais passagens que me deixaram ainda mais apaixonada por essa mulher. Ela me mostrou que há uma AK dentro de mim.

 

Para minha própria surpresa, devorei cada página com uma velocidade semelhante ao livro da Sara. Fiquei desolada quando acabou. Ambos os títulos ganharam postos semelhantes de importância ao longo do meu projeto/processo de regeneração e sigo me sentindo órfã. Cada uma delas agiu como uma vozinha amiga na minha mente enquanto retomava meu status criativo que havia sido calado no 2º semestre de 2016. Quando tais vozes cessaram, ao virar da última página, me vi patinando. Totalmente desamparada e querendo retomar a leitura novamente.

 

Scrappy Little Nobody me ajudou de todas as formas possíveis e inimagináveis no meu antro eu, comigo e eu mesma. AK tem um jeito ótimo com as palavras. A moça escreve bem pra caramba. Por esse livro ter sido bom comigo, resolvi fazer um especial com várias partes interessantes e que podem calhar em suas vidas. A partir deste post, você ouvirão o nome Anna Kendrick em demasia. Estejam avisados!

 

 

PS: até o presente momento, este livro não foi traduzido para o português. Adquiri minha versão pela Amazon Brasil, foi caro, mas chegou rapidinho.

Stefs
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