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06/jan

Parece que o hiatus de Chicago Fire durou uma eternidade. Nem eu mesma acreditei que a série retornaria sem dar tempo da virada do ano esfriar e cá estamos. E que situação, hein? Não que eu estivesse muito empolgada, algo que realmente não estava visto a conclusão do 6×06. Detalhe que realçou o quanto estou deveras saturada com essa franquia e de suas “mancadas”. Sério, estou over e expectativa passou longe diante da continuação da trajetória da bombeirada.

 

Os desdobramentos desta semana rimaram com a palavra inércia. Pergunto-me, pela milésima vez, quais serão os limites que os roteiristas ultrapassarão para segurar esta temporada até o fim. Se estava um pouco difícil antes do hiatus, penso que a situação encontrará seu ponto de piora. Afinal, Chicago Fire soma retornos fraquíssimos nesta S6. Com este, há o mid-season finale e a premiere, uma tríade nada impregnante. O que rende vista grossa, pois as chances de repetição de storyline são altíssimas e meio que este episódio comprova essa teoria. Fica a saudade de um main plot que move, principalmente, Gabby, Matt e Kelly. O trio mais perdido que quem assiste a série.

 

É fato comprovado que esta temporada pedia um main plot desde o segundo episódio visto que a premiere concluiu o finale da S5. Com essa falta de preocupação, se desencadeou o ciclo de situações práticas com resoluções mais práticas ainda. A S6 patina, não sabe aonde parará, e começo a ficar bolada. Principalmente porque não se estende dificuldades e nem se constrói drama pertinente, ao contrário da S5 que foi trabalhada em camadas e impulsionou a tríade de Chicago Fire com uma dose da maestria outrora perdida.

 

Não é uma novidade, mas, como disse na premiere, ter vivido uma boa temporada de Chicago Fire agrava pouco a pouco a relutância de aceitar a S6. Dá preguiça!

 

Em mais uma semana, a falta de desdobramentos regados de propósito trouxe um novo roteiro límpido. Um texto que evidenciou o quanto a S6 está sem fôlego e entregue ao descaso. Com a clara queda das franquias, os envolvidos devem realmente acreditar que mais do mesmo é a solução. Não é! Desde que esta temporada começou, sinto os personagens, especialmente os principais, desconectados. Eles estão ali, mas transitam para ponto nenhum. Todos desfilam pelo Batalhão sem objetivo e isso é péssimo. Desanima e abre uma sequência de brechas aka encheção de linguiça. Com isso, os roteiristas inserem o que pipoca no momento. Atitude que rende as famigeradas truncagens que nublam o foco.

 

Basicamente o que ocorreu neste episódio. O que me faz resgatar o raciocínio de que a S6 é um revival da S3. É tanto vácuo em cena que só resta inserir o gif do John Travolta com as mãos abanando. Pelas entrevistas do Careca Haas, não há qualquer menção de novidade para o futuro desta temporada. Haverá mais drama Dawsey, sendo que o mundo adulto, ainda mais quando os pares são casados, tem um rio de possibilidades a ser explorado. Literalmente, não há o que esperar de diferente no desenrolar deste ano de Chicago Fire. Apenas o mais do mesmo que meio mundo sabe como começa e como termina. Queria que isso não rolasse, mas é provável.

 

Chicago Fire 6x06 - Ramon e Gabby

 

O episódio de retorno emendou o finale e tentou engatar o drama. Fracassou, claro, pois não pincelaram a trama com a proposta (pra que esse Molly’s North, gente?). A meta foi conectar Dawson e Boden por meio de seus pais, mas fiquei a ver navios. Ok que rendeu algumas cenas de dar cócegas no coração, mas, pelas histórias paralelas e desnecessárias, o tema família nem chegou perto de ser engatado. O que é preocupante porque Fire nunca escorrega nesse quesito e deu umas escorregadas nesta semana ao ponto de eu pensar em comprar um freio.

 

O roteiro tentou fisgar pelo emocional com o súbito comportamento inquietante de Boden mais a súbita fofurice de Ramon. Porém, assim como tem ocorrido com CPD (até o ponto que assisti), foram preguiçosos. Tentaram engatar lágrimas por meio de dois personagens em que um foi mal inserido e o outro ninguém nunca ouviu falar. Embora tenha sido circunstâncias adoráveis, não houve o clique que impulsiona emoção e reflexão. O tema comum entre esses dois vieses, um tema excelente diga-se de passagem, não envolveu dentro da fórmula sempre bem-sucedida de Chicago Fire.

 

Se bobear, o maior tempo de tela foi de Otis. E ele não era importante para o momento – e Dawson ficou passeando e isso me deu deixou agoniada.

 

Aí temos a questão do plot truncado. Quando Chicago Fire entra nessa, só a Deusa pela causa. Diante dessas brechas, fica evidente a falta de assunto. Este episódio tinha potencial, mas se apoiou no desnecessário, ao ponto de praticamente imitar o finale da S2 de Chicago Med. Traduzindo, “vamos lançar as personagens femininas de encontro aos machos desocupados”. Eu poderia fazer aquele textão básico, quem sabe em algum momento deste ano, mas é triste ver Kidd e Brett reduzidas a papos sobre homem. Pelo menos, ambas se acertaram depois de Hope, mas foi de uma falta de respeito vê-las sem nenhum assunto a não ser Dawson e Severide.

 

Já disse que não tenho nada contra romance desde que não desvalide personagem feminina. E Chicago Fire tem insinuado cada vez mais esse caminho das trevas. Se não bastasse Kidd, agora tem Brett. Sem contar que Gabby tem nadado nesta temporada. Essa turma testa a paciência que não tenho mais!

 

Conclusão: o destaque da semana não era o legado, mas os relacionamentos. O que agravou a ausência de main plot. E, outra, que relacionamentos, né? Você me promove a Miranda para a rainha só falar de validação sexual. Ótimo seria se o papo não fosse motivado para tentar chamar a atenção de Severide.

 

Chicago Fire 6x07 - Brettonio

 

Brettonio começou até que bonitinho, mas depois da treta entre Brett e Laura a coisa toda perdeu o respeito – e Antonio não merece uma estrelinha ao longo dessa storyline. Kidd, a mulher que mais protejo atualmente, merece muito mais a ficar escorada na sombra de Severide. Tive outra febre ao ouvi-la se debatendo devido ao beijo bêbado no boy. O senso de que é só inserir homem para mover personagem feminina me gasta. Onde estão os backgrounds dessas duas moças, hein?

 

No churrasco, com certeza, estrelando a cabeça do Careca Haas.

 

Se houve um ponto que este episódio escancarou foi a quantidade de desperdício de talento em cena. É bizarro como o retorno da série deixou evidente o quanto ela está cansada. Mesmo com uma S5 bem-sucedida, parece que não há mais desafios a serem pensados e, pouco a pouco, Fire fica mais engessada do que está. Qual era a real necessidade de Brettonio agora? E do Molly’s North? Nenhuma! Pegadas que poderiam esperar considerando que Gabriela Dawson era o destaque.

 

Sim, Gabriela Dawson.

 

Para somar mais ao caos da série, é frustrante ver os personagens do núcleo dos avulsos ainda sendo avulsos. Ok, eles são divertidos, trazem leveza, mas nem tudo é pão e circo. Otis reduzido na mesma linha de raciocínio – sem contar os plots furados, como o da doença – dada à Brett e à Kidd é igualmente triste. Há brilho ali, sabem? Nessas horas, queria que o Molly’s pegasse fogo para ver se desapegam desse bar de uma vez por todas.

 

Em linhas gerais, o que recebemos esta semana é o lembrete de que não há nada a ser dividido no quesito storyline nesta temporada de Chicago Fire. Ao menos, por enquanto – e confesso que não estou esperançosa quanto a melhoras. Todo mundo parece que não tem vida e ficam à mercê de um boteco. Além disso, de um Batalhão que perde a força dos resgates, que seguem desinteressantes. Tudo está morno e prevejo um resto de ano estressante, com sequência de personagens quicando contra a gravidade e drama repetitivo (para Dawsey). Tem que ter coragem.

 

Confesso que cheguei a me questionar se ainda vale a pena acompanhar Chicago Fire atualmente porque é evidente que ninguém mais se importa. Só haverá salvação se o espírito da S5 retornar (quem sabe a S1 e S2, me deixem sonhar), mas é capaz que deixem a S6 seguir seu curso e se afundar gratuitamente.

 

Outros comentários

 

Chicago-Fire-6x07---Gabby

 

O posicionamento de Boden deveria ter sido desenvolvido com todo carinho possível. Afinal, o pai do Chief teve uma relevância mais considerável perto ao que ocorreu com Ramon. Choramos tal perda como bebês e, como o intuito foi unir dois pais junto ao clima de luto dos filhos, poderiam ter dado uma singela aprofundada nessas relações/resgate de memória. Com toda certeza, teria sido algo extremamente bonito de se ver visto que os personagens em destaque estavam sobrecarregados emocionalmente.

 

Não que não tenha sido tocante, mas não construíram o intento da trama. Criaram um suspense sobre um impasse e não havia problema em mostrá-lo. Pela falta de proximidade, a questão de legado se tornou uma menção verbal soltíssima – e centralizada nas pessoas “erradas”.

 

O objetivo do episódio foi tratar o legado – do homem. Mas, eu tenho que dizer que o roteiro foi sobre a maior herança que é Gabriela Dawson, a verdadeira heroína da série. O discurso final de Ramon tirou o blur quanto à proposta do roteiro – que foi brindar a paramédica. Ela era o real foco, mas, como disse, jogaram uma coisa em cima da outra e perderam o foco. Foi preciso o pai falar para se sacar a moral.

 

Boden falou bonito, mas Ramon deixou claro quem tem sido o coração de Chicago Fire. A pessoa que luta até mesmo por quem não merece uma dose da sua empatia. Aquela que, na medida do possível, escolhe ser heroína. Eis o legado, que se refletiu nos resgates, e não escolheria outra pessoa no momento para ganhar essa coroa. Gabby tem se desdobrado em quarenta desde a S5. Só passando por provas – que ninguém anda se importando muito em desenvolver e é uma grande lástima.

 

O legado do episódio “generalizou” o homem – o típico tratamento da humanidade. Porém, a história era sobre e para uma mulher. Poderiam ter feito isso direto, muito embora entregaram nas mãos de Gabby os resgates da semana, que simbolizaram sua dedicação e seu compromisso quanto ao que faz. E isso é maravilhoso demais!

 

Tudo lindo, mas, desde o finale da S5, defendo a tese de que a paramédica digeriu absolutamente nada do que lhe ocorreu. Pergunto-me quando a moda dela perder quase tudo, toda semana, parará, pois a personagem segue fora do seu eixo normal.

 

O drama com Ramon promete um “trauma”, mas Gabby já não está traumatizada pelo ocorrido com Casey? E, depois, por quase ter morrido dentro de um estacionamento? Essa bola de neve incha e me engatam a garota do último resgate para firmar o futuro e o real intento dos comentários do papa Dawson sobre sua filha: a que se envolve demais e que quer salvar todo mundo.

 

Dawson foi a verdadeira figura que representou o assunto de legado neste episódio. Uma pena que essa demonstração foi dada muito sutilmente, pois encostaram tudo em Boden.

 

É no se doar que Gabby terá seu norte daqui por diante e não estou nem um pouco feliz. Considerando que a perda de Louie é um tanto recente (nem ligo para a passagem no tempo) e que nem ela e Casey falam sobre, como tudo que aparece e some como se nunca tivesse existido em Chicago Fire, não espero nada de positivo com a futura proposta dada à paramédica. Colocar um drama em cima de outros, que nem sequer encontraram resolução, é dar tiros no pé. Ato que é comum aos roteiristas que, como disse, deixaram claro que não sabem onde querem chegar com esta temporada.

 

E quem tem escancarado o dito acima é Dawson que acumula fases do luto. Cadê a quebra da personagem como ocorreu após o falecimento de Shay? Estou de olho!

 

Concluindo

 

Chicago Fire 6x07 - Boden

 

Mesmo sem história pertinente, o episódio teve um bom desencadeamento. Tentou amarrar uma coisa na outra e encontrou suas pausas para dar espaço a relacionamentos que correm o mesmo perigo da falta de um plot central: acontecerá um em cima do outro sem um pingo de desenvolvimento. Uma soma que é preocupante visto que estamos no episódio 7 e a promessa para o futuro é repetir o mesmo padrão de storyline para Dawson, o que automaticamente rebaterá em Dawsey, e só a Deusa pelos demais personagens que seguem parados no tempo.

 

O papo de legado poderia ter rendido mais. Apesar de Dawson ter seu genuíno legado destacado, a pauta não foi bem trabalhada. Ao menos, considerando que o foco acabou sendo masculino, com Boden e o cantor e Ramon e suas entrevistas. Não criaram um arremate da situação entre ambos (e vice-versa). Foi tocante ouvir o Chief dizer sobre as marcas que deixamos aqui durante a vida. Sobre as vidas que tocamos. Que, às vezes, a glória nem é tudo porque podemos terminar doentes ou solitários (ou os dois). Houve sim o intento de sinalizar o quanto a vida é frágil. Foi lindinho tão quanto as palavras do papa Dawson para sua filha. Mas a necessidade de centralizar os relacionamentos “amorosos” e o Molly’s North fez o que Fire faz de melhor quando não tem storyline decente: desviar a atenção (popularmente conhecido como encher linguiça).

 

Ok que tal desvio não ocorreu tão drasticamente, mas a essência da proposta estava parcamente presente. Boden tem o tino de contador de história impressionante e poderiam ter escolhido uma aproximação com Dawson para reatar as memórias daqueles que se foram. O chefão rumou para uma reflexão existencial sobre a proposta da semana, algo muito mais relevante que a inauguração de um bar. Não foi ruim o papel do cantor, mas fiquei só o Mouch, boiando. Meramente porque esse senhor surgiu do nada e morreu do nada. Gerou empatia, mas cadê o dramalhão com direito a um monte de soco verbal? Faltou e tivemos que esperar os 5 minutos finais para sentirmos algo. Basicamente, o mesmo pensamento estreito que comprometeu a premiere em que, definitivamente, nada se aprendeu.

 

E Brett, sweetie, I’m so sorry! Você merece história melhor a ser reduzida à sombra de Antonio (e por que não de Hope?). É impressionante como os roteiristas se esforçam para deixá-la como a garota-apaixonada-e-sem-opinião. O amor é lindo, não me entendam mal, mas não tem como dar cartão verde para isso quando é evidente que é artifício para fingir que personagem feminina está desenvolvendo. Honestamente, cheguei a pensar que a situação de Ramon era só para reuni-la com Antonio – tá bem, foi sim, mas me deixem ser fingida –, mas, sei lá, não digo que foi uma forçada de barra porque introduziram esse plot antes. Mas…

 

Depois de Hope precisavam mesmo empurrar esse botão quando dava para criar storyline melhor? E incluir Kidd? Nossa, mas que dificuldade de arrumar o óbvio.

 

A S6 plantou pela milésima vez saídas por meio de escolhas confortáveis para não ter que pensar muito. Assim, Chicago Fire voltou ao nível de às cegas e nem sei se devo ficar de testa quente sobre isso. Afinal, vício de escrita quando retorna tem que engolir e seguir em frente porque não seria a primeira vez que a série faz isso. E não é a primeira vez que os nervos afloram pela falta de desenvolvimento e de profundidade. Que o universo tenha piedade de nossas almas porque o futuro não será fácil.

 

É, prevejo um resto de temporada estressante. Principalmente diante do descaso com a mulherada. Não é de hoje nesta franquia, mas parece que não aprendem. O desespero para encontrar o ship do momento depois da morte de Linstead é tão clara que é enojante. Como se séries dependessem unicamente disso para sobreviver. Vamos deixar isso com a CW, ok?

Stefs
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