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20/jan

Chicago Fire entregou mais um capítulo a desejar. Decepcionada, mas não surpresa. Assim como na semana passada, tudo foi sobre Bria, mas quem é Bria? Quais motivos para a jovem ganhar tanta atenção? O que tem em sua vivência na rua? O que ela faz fora da lupa do pai? Alguns questionamentos que tive ao longo deste episódio e que não foram respondidos. E duvido muito que sejam, a não ser que seu caso se torne motivo de investigação no futuro.

 

Ou se sua relevância for, literalmente, maior que a de um futuro pet de alguém do Batalhão. Fato que não poderia deixar de cutucar. Afinal, não vamos nos esquecer da tartaruga-protagonista.

 

Enquanto essa possibilidade de investigação não se confirma (e duvido muito disso), acompanhamos mais um dia de aflição para Gabriela Dawson. Mulher que não ficou em destaque, o que abriu brecha para Matt Casey (mas sabemos que o destaque foi do Mr. Sprinkles). Semana passada, o Capitão expressou seu descontentamento com a nova fixação da paramédica e este episódio veio como um reforço para que ele compreendesse o que sentia. Não sei se ele chegou nesse ponto, mas, ao menos, não engatou brigas tolas.

 

Centralizar Casey de certa forma agradou. Porém, Careca Haas e sua turma investiram em um mesmo pressuposto a fim de abalar as estruturas desse personagem. No caso, direcioná-lo a alguma profissão. Algo que não é de hoje e a ocasião mais recente vem de fins da S4. O espaço vago deixado por Dawson durante a saga Louie foi preenchido com a política e, dessa vez, Boden ofertou uma sala que o daria a dita privacidade. Ato que calharia no anuncio de que ser Capitão é ser um tanto “mais especial”. Assim, precisa do seu quadrado.

 

Uma ideia que transmitiu a impressão de aleatoriedade. Uma ideia solta entre o tempo e o espaço, totalmente nada a ver com a proposta da semana (está certo que nem proposta este episódio tinha, mas…). Sem contar que Casey foi promovido no começo desta temporada, então, nada convincente viria em curto espaço de tempo. Só uma sala perto da de Boden mesmo.

 

Chicago Fire - 6x09 - Dawsey

 

Esse papo da sala foi uma tentativa de criar um draminha para Casey com base no afastamento de Dawson. Funcionou a curto prazo, pois, sua preocupação com a esposa, não o fez tropeçar nos próprios pés. Matt teve de novo todas as chances para buscar argumentações e justificativas com relação ao empenho da paramédica em encontrar Bria e escolheu se fazer incluso. E não ser incluso foi o que o aborreceu e a constatação disso veio na imagem Dawsey com Louie. O Capitão sabe que falhou na transição dessa outrora storyline (e foi um babaca, vale dizer) e penso que ele não queria repetir o processo.

 

Houve de novo o intento de discutir essa de se aproximar demais da vítima, mas, no fim, não discutiram muita coisa. Dawsey apenas seguiu em frente e nem quero ver o que prometerão na semana que vem visto que passarinhos disseram que a paramédica ficará mais traumatizada. E repito o comentário de que não é necessário inchar a bola de neve dessa personagem que não tem lidado com absolutamente nada. Ela segue passando por cima de várias coisas. É legal ter esse autocontrole, mas uma hora a pessoa quebra. E cadê a quebra?

 

Penso que nunca haverá a quebra, então, seguimos.

 

Não discutir o porquê de ir atrás de Bria rendeu mais uma semana a desejar para Chicago Fire. Tiveram que preencher o espaço vago por Dawson e ela, e, pela Deusa, que vergonha alheia, né? Não havia uma história em cena para apoiar o que se desdobrava ao fundo, o que criou o famoso ritmo truncado. Melhor, um ritmo sem objetivo. A não ser a garota, cujo peso foi esmorecendo conforme chegavam à rua sem saída, não tinha outro ponto de interesse.

 

Zach? Mr. Sprinkles? Respeitem minha paciência de ainda assistir Chicago Fire.

 

Tentaram criar um suspense em cima desse desaparecimento, mas as pinceladas dramáticas convenceram um tanto melhor. Tocaram em feridas delicadas e terminaram de remontar uma vida de completo abandono. Uma vida que, de quebra, também tinha lá sua independência – extremamente deturpada. Ninguém soube o real motivo de Bria viver nas ruas. Só sabiam que lá ela se encontrou e era muito bem-recebida. Apesar disso, ela não se inclinou para o arquétipo de adolescente rebelde e permaneceu junto à família. Então, o que havia de tão especial?

 

Não sei, mas, ao menos, a parte dessa adolescente viver na rua nem precisou de explicações. Considerando os parentes apresentados nesta semana, desenvolver outra vida foi quase uma questão de sobrevivência. Bom é que Bria parece um tanto madura e, se realmente a aniquilaram, seria bom esboçar um motivo. Difícil, especialmente porque penso que ela será pintada de vilã. A garota que merecia tomar este tipo de rodo por se meter com “coisa errada”. Me poupe!

 

Apesar dessas informações, em que algumas fizeram cócegas no coração muito brevemente, nada realmente novo se desenvolveu de maneira a impactar na conclusão do episódio. A tensão de Dawson não foi absorvida. Meramente porque esse final era esperado. Basta ser real agora.

 

A tríade retorna ao lar

 

Chicago Fire 6x09 - Dawson, Severide, Casey

 

Para dizer que a trama se movimentava, Gabby e Severide tiveram missões diferentes neste episódio. Ambas desconcertantes, apesar de eu dar mais credibilidade a tudo que envolvia o pai. Estenderam o assunto para mostrar o quanto a família de Bria era hardcore e, conforme foi se avolumando informações, esperei que algum resgate tirasse a adolescente da sombra.

 

Não foi o que rolou e restou o questionamento: qual é o mistério dessa jovem?

 

Até então, não há mistério algum. Apenas uma adolescente abandonada que criou laços muito fortes na rua. E essa rua demonstrou ser um papel importante na vida da garota e deve representar também o perigo. Afinal, o pai dela precisava de drogas vez e outra. Aonde mais ela conseguiria? Isso mesmo, o que me faz emendar com o garoto informante que falou o que tinha em mãos e que ganhou um trocado para, muito provavelmente, manter o vício.

 

Fato é que esses dois caminhos trouxeram um pouco de drama a um episódio tedioso e de claro dispêndio de energia. Porém, o desenrolar foi fraco em comparação ao 6×08. A situação foi perdendo a força e o propósito porque a pessoa que moveu os personagens centrais nem apareceu. Aquele contato um tanto intimista da semana passada não estava presente aqui e o que restou foi o vazio. Jogaram em suposições que não renderam nada que direcionasse os envolvidos nessa busca. Ninguém encontrou quem queria, o que garantiu um episódio supérfluo.

 

Uma superfluidade de 39 min. de acordo com os dados aqui do meu escritório.

 

Uma ideia que até pode ter sido intencional, mas senti falta do link emocional – que estava presente na semana passada. Um link que foi o que de certa forma recompensou as interações entre a tríade. Uma tríade que nem conversa como antes também, vale dizer.

 

Gabby ficou distante, mas contou com todo o apoio e a parca compreensão de Casey. Severide se saiu como a parede que neutralizou qualquer briga desnecessária entre Dawsey. De quebra, herdou a parte mais interessante dessa história (não tiro os méritos da tia, mas o pai era o calcanhar de Aquiles de Bria). Sem Dawson, se uniu Kelly e Matt em situações fofinhas. Uma sequência de amém que não traz alegria. Ainda é muito pouco para quem protagoniza Chicago Fire.

 

Literalmente, Severide foi o diálogo que Dawsey seguiu não tendo neste episódio. O porta-voz de ambos os lados e não fiquei tão confortável. Afinal, se o casal se propõe a conversar é importante que isso ocorra. A cena de abertura entre Matt e Gabby era perfeita para essa lavagem de roupa suja. Ambos em estado de vulnerabilidade. Ela com muito na mesa. Ele preocupado e sem saber o que fazer. De novo, os roteiristas escolheram acenos de cabeça e trocas românticas – que são relevantes, especialmente porque anulou a faceta mala do Capitão, só que incitar o papinho seria melhor.

 

Bastava cortar o inútil para a trama ter rendido possivelmente mais. Além disso, ter garantido o bate-papo aguardado. O máximo que se pode esperar é que algo assim ocorra no futuro (#iludida).

 

Como comentei, Casey deu uma segurada no lado mala ao encontrar a foto com Louie. Essa cena serviu como lembrete da luta de Gabby e o quanto ela se envolve sem pensar duas vezes com determinadas vítimas. Instante que também lembrou o fato dele sempre seguir de fora ou reagir negativamente. Ao menos nessa parte, o desparecimento de Bria serviu de alguma coisa.

 

Não existiria episódio se não fosse pelo pouco trabalho entregue à tríade. O trio conseguiu pincelar um pouco de emoção. O suficiente para fisgar o interesse, algo que foi muito difícil porque Bria não apareceu (e a busca por Mr. Sprinkles foi um saco). Entregaram mais material para nos compadecermos com o que tiver ocorrido com a adolescente sendo que ela era o link presencial. Mil vezes a ligação dela com Dawson a essa invisibilidade do nada. Um mistério bem chocho.

 

Assim, você não me dá um cartão para uma pessoa se o intento não é fazê-la pedir ajuda em algum instante. Mas Careca Haas e amigos se esqueceram de uma lição que poderia ter rendido muito mais dessa história e que me faz cética sobre sua habilidade de partir o coração. Simplesmente, a história de Bria se tornou desimportante apesar do apelo familiar.

 

Concluindo

 

Chicago Fire - 6x09 - Brett e Kidd

 

O episódio contou com fragmentações significativas sobre o caso Bria. Mas… Para ser bem honesta, desacreditei que, no final de tudo, a tríade de Chicago Fire lidava com uma adolescente invisível. Foi nisso que a história perdeu o propósito. Não fazê-la ressurgir no final ou em algum resgate, em troca de uma tentativa de cliffhanger nada surpreendente, me deixou de testa quente. Para quê?

 

Para quê também cabe ao que deram de trama a Brett e Kidd. O que diabos foi aquilo? No geral? Assim, criaram um subplot vergonhoso para atrair o bombeiro bonitão da vez. Inclusive, um bombeiro bonitão que apenas rebaixou mais a presença dessas moças em Chicago Fire. A típica armação que coloca homem no centro e reduz as mulheres em cena – o que rolou esta semana.

 

Se já foi feia a treta delas por motivos de Hope, penso que não preciso dissertar sobre o que Zach acarretou entre essas duas jovens. Como digo, nada contra a caras como par romântico, desde que não rebaixe as personagens femininas e que não as coloque em palco de rivalidade. O que este episódio fez? Exatamente isso e pouco me interessa se foi temporariamente. O tanto de vezes que Kidd e Brett estão enfiadas em histórias medíocres começa desde a Era Brettonio.

 

Traduzindo: na cabeça dos roteiristas essas duas só funcionam com um embuste no meio (desculpa aí, Antonio, mas sigo te amando!).

 

Insiram um palavrão aqui.

 

Vê-las disputando um cara foi demais para a minha cabeça. E ainda tiveram a sutil pachorra de recompensar com a atitude de Brett. Careca Haas e amigos precisam de um update cerebral na hora de retratar personagens femininas. E, na boa, que nas futuras séries deles nem tenham mulher porque, se for para tratar dessa forma, melhor só focar em embuste mesmo.

 

Foi ridículo. O episódio em si foi ridículo e ridicularizou todos os personagens, salvo a tríade. Desacreditei que Mr. Sprinkles virou a tartaruga 2.0. Nem preciso dizer que detestei, né?

 

Não há muito mais o que dizer. E se eu disser soarei repetitiva. Ao menos, posso dormir em paz com a tríade de bem, embora não tenha curtido Severide ter ficado de fora da movimentação acarretada pelo cliffhanger.

 

E, gente, precisamos falar sério sobre a ausência de incêndios. Algo que tenho notado faz um tempo, mas fico aqui na minha bolha crendo que é uma tentativa de trazer situações diferentes. Mas todas seguem o padrão trivial, coisinha doméstica, que acaba por destacar os paramédicos.

 

PS: Casey chutando a porta de vidro me lembrou do Panda que não aceita que ninguém coma seu queijo. Melhor cena e ri demais!

Stefs
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