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22/jan

Ora, ora, ora, mas vejam só a coluna que retorna hoje? Confesso que percebi a saudade conforme escrevia este post. Meramente porque acreditei que essa ideia havia morrido. O que não é o caso!

 

Muito que bem. O que eu tenho a dizer sobre a escrita depois de meses, anos, eras, sem tocar na pauta? Bem, já contei sobre meu 2016 e penso que não preciso reviver o assunto. Meu 2017 foi deveras melhor, mas meio torto devido a algumas mudanças um tanto quanto bruscas. Porém, não menos interessante, pois, depois de séculos, encontrei um emprego (ele me reencontrou na verdade).

 

Em suma, o que vocês precisam saber é que foi em 2017 que estipulei meu processo de regeneração. Em linhas breves, ele me colocou de volta no caminho das pessoas e dos projetos que aprecio e que me completam (e vocês podem ler outro post sobre isso aqui). Tudo para reavivar meus interesses e meu bem-estar.

 

Obviamente que recuperar meus projetos de escrita estava incluso no pacote. Um despertar que ocorreu perto do final do ano e em época de NaNoWriMo.

 

Depois de ter retomado os sites (na medida do possível) em 2017, lá em fins de outubro notei que faltava cumprir um item da lista: a escrita em si. Escrever posts é algo que faço desde que Harry Potter entrou na minha vida. É uma produção meio séria ao mesmo tempo meio descompromissada. Não tem tanta preocupação com outlines, por exemplo, sendo um processo bastante intuitivo – como vários dos meus processos criativos. A escrita a que me refiro é aquela destinada a criar histórias, personagens, cenários e tudo mais, e… Larguei todos meus rascunhos devido aos perrengues de 2016 e, de quebra, percebi que existe uma relutância em retomá-los. Por quais motivos? Nem eu sei.

 

E se você acompanha este site e pensou em We Project, acertou. Vem pegar seu doce!

 

Às vezes, penso que a dita grande relutância em reabrir a gaveta de rascunhos anteriores vem da verdade de que minha mente mudou. Amadureci muito nesse ciclo do caos codinome 2016, especialmente o lado emocional, o que refletiu demais nos meus gostos. Tais como a leitura. O que, automaticamente, reflete no que quero escrever. Não precisei revisitar o We Project para ter essa noção, pois, quando penso em algumas linhas, sei que uma parte de mim não se identifica mais com o que foi produzido. É impressão, claro. Pode ser temporária já que ainda nem ousei reler essa história. Em contrapartida, não duvido que eu a abandone. Sem nem pesar os mais de três anos despendidos.

 

E admito que estava meio inclinada a largar. Mas, talvez, eu só precisava de uma folga porque eu não escrevia outra coisa a não ser o We Project. Só que Stephen King não saía da minha mente com sua regra de três meses.

 

Se há uma coisa que os perrengues dos últimos quatro anos me ensinou é (e com mais afinco em 2017 que foi a prática): minha energia criativa será gasta com pessoas/pautas que me são importantes daqui em diante. Que me agregam. Às vezes, tenho dessas de seguir ondas e esses últimos quatro anos foram regados de YA distópicos. Querer escrever um me pareceu missão de vida e assim o fiz. Tanto porque havia chegado a hora de escrever uma história de autoria própria, nada a ver com fanfics, quanto porque eu queria me desafiar com sci-fi soft (já que só escrevia romance mela cueca).

 

Quando paro para pensar agora, os personagens desse enredo nem são adolescentes. Nem sei de onde veio essa de YA.

 

Uma hora terei que revisitar essa história, eu sei. Só assim para compreender essa procrastinação – porque só consigo imaginar também que o negócio ficou tão ruim que nem quero afligir minha visão.

 

Retornar ao We Project é uma meta estipulada para este ano. Promessa que me assegura e que me dá distância do famigerado peso na consciência. Como assim? Apesar dessa relutância, ainda não sei se desistirei para sempre deste livro. Ainda, embora esse abandono dê a entender que chutei o pau da barraca. Para bater o martelinho de vez, preciso revisitá-lo e analisar o que escrevi. Há outra parte de mim, ainda apaixonada pela proposta e que, recentemente, sonhou com a personagem (evento que começo a considerar como um chamado porque rolou do nada), que não quer largar tudo. Sou outra pessoa e essa outra pessoa tem (ou acha que tem) noção de que não se encontrará na voz que impulsionou a escrita de três livros em curto espaço de tempo, mas é preciso ler para crer.

 

É uma grande meleca estender a escrita porque você pode não se reconhecer mais nela.

 

Mas eu só saberei se reler, não é? Então que assim seja.

 

Retornando ao mundo da escrita

 

up in the air 1

 

Fazia uns bons meses que não pensava em plots e afins até lembrar que existe algo chamado NaNoWriMo. Participei em 2013 e 2014, dois anos seguidos que me fizeram completar as famigeradas 50 mil palavras. Parei de engatar essa brincadeira devido à existência do We Project, mas usei da edição de 2015 para finalizar a terceira parte do livro (mas não atualizei o contador porque a história estava encaminhada). Usei da pressão dessa atividade para cumprir a meta que estipulei – terminar essa parte até o final do ano – e essa foi a última vez que compareci ao evento.

 

A ideia de fazer parte da brincadeira de novo me acometeu em 2017. Mais precisamente em fins de outubro e me vi muito interessada. Um sentimento semelhante à primeira vez em que dei de cara com o site do NaNoWriMo e determinei que não podia perder essa chance. Parece que foi fácil escrevendo assim, mas, conforme os dias se passaram, me vi diante de um receio fora do comum. Percebi que estava completamente despreparada. Engessada. Apesar de não ter parado de escrever por motivos de RPG, nada negava a verdade de que eu havia desaprendido a criar histórias. Pode tocar a música do Fantástico.

 

Eu tinha perdido o hábito. A rotina de escrita. Vi-me patinando como uma bebê que tenta caminhar pela primeira vez. Tateando no escuro até encontrar o equilíbrio.

 

E não houve equilíbrio se querem saber.

 

É bem diferente escrever uma história em quatro mãos. As duas pessoas pensam em dar continuidade àquela história e eu tive que relembrar como é que se faz isso sozinha.

 

Foi uma treta e tanto.

 

Na última semana de outubro, minha primeira medida foi ir à papelaria e comprar um caderno específico para o NaNoWriMo (desculpazinha esfarrapada). Nele, faria brainstorm, independente de ter uma ideia que vivia em alguma parte isolada do meu cérebro. Uma história simples, sem tantos vieses, com três personagens, jovens adultos, perfeito. Não me preocupei em criar outline porque sei que muito do que planejo não se concretiza. O que precisava era de um ponto de partida. Nada mais que isso, mas, mesmo com o caderninho embaixo do braço, sendo rabiscado nos momentos sem job na firma, eu ainda me via como a maior despreparada da vila.

 

Se eu pensei em desistir? Isso é muito 2016 para o meu gosto.

 

Mas não nego que fiquei nervosa. Estava sob a maldição do “desaprendi a escrever” e esperava que a teoria da bicicleta começasse a agir entre meus neurônios. Imergi nesse pesadelo e o mau humor entrou em cena. Vi o letreiro que sinalizava de que essa edição do NaNoWriMo seria o marco em que Stefs escreve pela primeira vez depois de anos e nem isso me deu alívio. A pressão que me assomou foi descomunal, algo que não ocorreu nas minhas participações anteriores. Por quê?

 

Ora, eu simplesmente sentava e escrevia.

 

Foi aí que descobri parte da minha frustração antes de começar: eu não possuía ordem nas vezes em que participei dessa competição. Isso mesmo. Só lançava palavras no Word pelo calor de ter que cumprir aquelas palavras. Todas tinham um plot, mas não me lembro de um momento sequer em que parei e o revisei.

 

E eu queria ordem dessa vez. Queria meus rascunhos muito claros e afins. Vi-me um tanto fixada em ter controle do meu meio ao ponto de cogitar ficha para os personagens (a maldição de RPGs de Tumblr que precisam dessas fichas e parece que você não pode ficar sem elas). Uma coisa que não faço e nunca fiz questão porque mais me atrapalha que ajuda, sendo bem honesta.

 

Nas vezes em que me dediquei a essa competição, apenas escrevi. Não cheguei a terminar nenhuma dessas histórias (e nem ao menos revisitá-las, algo que acabei de notar). Pensando aqui, nem sei onde elas estão, verdade seja dita. Lembro-me pouco delas também. Uma era um romance no litoral de São Paulo e a outra era algo meio As Vantagens de Ser Invisível na década de 90. Enfim.

 

Nas edições passadas do NaNoWriMo eu não estava engajada com o enredo o que, automaticamente, me deixava pronta para abandoná-lo sem remorsos. Tcharam!

 

Por ter ficado tanto tempo sem escrever, eu queria que esse resgate de experiência fosse a santa experiência. Queria respeitar/redescobrir meu timing de escrita e ter uma história que eu retornasse depois. Foi por isso que hesitei mais que o normal.

 

E o comentário acima ainda está com sérios cortes porque meu nível de inquietação foi nas alturas. Briguei demais para arrancar as rodinhas e tentar pedalar sozinha. Pela Deusa, retomar esse foco e essa disciplina custou a minha paciência.

 

Definitivamente, 2017 me mostrou que menos é mais. Inclusive, me ensinou da maneira mais difícil de que não preciso fazer as coisas correndo. Não preciso ficar de alarmismo. O que eu preciso é fazer o que gosto, no meu tempo. Com esse pensamento, percebi que não daria certo essa de cumprir 50 mil palavras. Se eu queria recuperar a escrita, o território tinha que ser neutro.

 

Dessa forma, voltei aos reais objetivos de participar dessa edição do NaNoWriMo: me reencontrar com a escrita e iniciar algo que valesse a pena. A moral do meu projeto de regeneração e que cheguei muito perto de sabotar em nome das 50 mil palavras.

 

E da minha falta de paciência.

 

Esse era o único ponto pendente da minha meta de me reconectar com as coisinhas que amo. Ter esse reconhecimento me ajudou a não ficar fissurada em ganhar o selo vencedora da competição. Um conformismo que, aparentemente, ajudou nos desdobramentos seguintes. Mas não.

 

Não? É, não. Mas não pensem em algo negativo.

 

2017 foi um ano intencional, ou seja, me deixei ser norteada pelo instinto e pelas emoções. Eu poderia ter começado a escrever a qualquer momento desse referente ano, mas a vozinha amiga avisou que o NaNoWriMo era a hora certa. Estava na hora de voltar a escrever e assim reavivar o sonho – que também se perdeu entre o tempo e o espaço de 2016 – em ser publicada no futuro.

 

O que (re)aprendi no retorno?

 

up in the air 2

 

A primeira semana do NaNoWriMo foi um tanto difícil. Empaquei várias e várias vezes para julgar minha escrita. Se na minha mente eu me achava engessada, na prática a coisa toda se provou. Literalmente, parecia que catava milho no teclado e não parava até as pontas dos dedos sangrar. Fui insistente as fuck.

 

Por me criticar demais, a história começou a se alterar mais que o esperado. Fiz vários pitches no caderninho porque não conseguia acertar o tom – sendo que tudo parecia perfeito na minha mente. Sempre desviava do objetivo e me obrigava a retornar a ele. Minha mente é muito expansiva e isso pode ser tão bom quanto ruim. Naquele instante, era ruim porque deu pungência a minha teimosia. Não queria sair do que estipulei como meta. Bati o pé!

 

O curso da história tem seu jeito natural de se alterar. Principalmente porque chega um momento em que ela deixa de ser sua para ser dos personagens. Essa turma que nos norteia depois. Só que eu fiquei controlando as marchas e queria que esse rascunho me obedecesse.

 

Coitada dela!

 

Um dos motivos de ter empacado tanto também é que eu não conseguia sentir os personagens. No caso, a protagonista. E isso também me irritou de um jeito…

 

Fiquei vários dias atrasada por hesitar demais. Por arrumar demais. Por reescrever em cima de algo que nem havia nascido direito. Diminuí três personagens para dois e ainda sim o negócio não fluía. Aos poucos, e pela falta de ação, me vi no comportamento ensandecido de cumprir as palavras do dia. Resultado? Escrevi às cegas. Se eu gostei? Mas nem um pouco. Tive que me vigiar porque essa não era minha proposta assim que ativasse o contador do NaNoWriMo. Correr desse jeito me daria espaço de escrever só pelo hobby. Eu queria me levar e levar o processo todo a sério.

 

Nem levei tãoooo a sério as outras edições do NaNo, confesso. A sede de compromisso em 2017 foi o divisor de águas para uma mente geminiana que não encontra ponto de descanso.

 

Tive que lembrar também que, por ter deixado a escrita de lado, esse era o momento para reconquistar esse poder. Devagar. Muito devagar. Quando me sentia acelerada e agoniada, ia atrás de cenários e faces (mesmo já tendo isso definido antes de escrever o primeiro parágrafo). Atitude que me deu com mais clareza a emoção da saudade. Eu realmente sentia falta desse processo e, quando admiti isso, lá na agência, tudo começou a se abrir para mim. Lentamente, mas o suficiente para desobstruir essa parte atrofiada do meu cérebro que me deu vários novos prompts de presente.

 

Estipular esse início saudável não me deixou culpada, nem estressada e assim por diante. O desafio real não foi cumprir a meta de palavras, mas desenvolver uma história depois de meses parada. Além disso, diluir o pensamento insistente que me avisava que eu não conseguiria.

 

Cheguei as 10 mil palavras sendo que pensei que não engataria nada.

 

Absolutamente nada.

 

Sigo bastante feliz.

 

E o que veio depois?

 

up in the air 3

 

A melhor parte do NaNoWriMo foi ter começado em semana de feriado prolongado. O que me deu um tempo de sobra para me sentir confortável nesse papel de novo. A boa? Ainda não me sinto confortável. Ainda rolam umas inseguranças. Não que eu seja a pessoa mais segura do planeta, mas eu penso um pouco mais ao escrever e era bom quando isso não ocorria com tanta frequência.

 

(isso quer dizer que a história que iniciei ano passado segue).

 

O meu objetivo não era mesmo completar as 50 mil palavras e eu não as completei. Sem remorsos e dores de cabeça. Basicamente, foi um mês de recuperação de hábito, de compasso, de testar território, de alterar a mesma coisa (o que consome um tempo absurdo uma vez nessa brincadeira). Eu não podia me lançar ao campo minado sem um aquecimento. O NaNoWriMo foi um aquecimento e sou muito grata por ter escutado a intuição.

 

Hoje, tenho uma história nova e a escrevo quase todo dia. Ela não segue a ideia que esbocei no começo do NaNoWriMo, mas não quer dizer que não tenha rolado mais dor de cabeça. O enredo engasgou várias vezes. Motivo? Ponto de vista! Tive que ouvir minha intuição de novo, a sacaninha que zombava da minha cara dizendo que eu teria que escrever em 1ª pessoa. Insisti na 3ª pessoa e não ia a canto algum (e fiquei WTF? sendo que escrevo assim desde sempre).

 

Botei sim a culpa na minha dita incapacidade de escrever, mas só foi mudar a voz ativa que o negócio começou a fluir. Atualmente, começo o 3º capítulo da história de Alice.

 

E acho que tenho uma obsessão por nomes com a letra A. Saudade de você, Amy!

 

Logo menos, volto com mais atualizações a respeito dessa jornadinha. É muito bom estar de volta e espero que vocês continuem escrevendo!

 

Crédito dos gifs: Movie Gifss.

Stefs
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