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10/jan

Antes tarde do que nunca, eis o texto sobre o especial de Natal de Doctor Who e que especial de Natal não é? Sempre quando rola a pausa da série, rumo ao final do ano, vem aquela sensação de que se passaram 84 anos de um ínterim de tempo a outro. Fato que deu pungência a minha expectativa e valeu a pena se agarrar a ela em mais um encerramento de ciclo. Foi mais um longo período de espera e estou contente. Porém, triste porque sigo de luto pelo Capaldi.

 

O especial de Natal arrematou o cliffhanger deixado no finale da S10 e, em seu primeiro momento, investiu em um nostálgico reconhecimento de território da parte do 1º Doutor. Ação que encontrou seu ponto recompensador nas interações levíssimas com o 12º, fortalecendo o que viria a ser um grande clima de despedidas e de mudanças. Moffat foi bem intencional no início de seu roteiro e engatou várias iscas que renderam camadas de reflexão sobre passado e futuro.

 

O objetivo? Ritmar o convencimento de que regeneração faz parte do processo humano.

 

Humano? Sim! Mudando evoluímos.

 

O roteiro manteve um ótimo compasso e dosou as mais variadas sensações e impressões. A começar pela parte cômica do episódio em que se assentou o clima família. Norte que lembrou o instante em que vamos para a casa dos parentes na véspera de Natal. Ao passar a soleira, os conflitos vão até a meia-noite (ou até o ano novo, depende dos ânimos), como manda a etiqueta da data – ou quase. Embora essa ideia não tenha sido estabelecida, tais impressões me acometeram devido aos comentários de quem estava em cena. Principalmente do 1º Doutor que honrou a figura daqueles que não perdem tempo em criticar os netinhos e os agregados.

 

Doctor Who - 1º Doutor

 

O vínculo com a Era Clássica resgatou aquele convidado que “ninguém pediu” e só o 12º para contê-lo em meio ao choque entre épocas. Sem sombra de dúvidas, a presença do 1º Doutor foi um presente neste final de arco em Doctor Who. Fiquei empolgada ao vê-lo no finale da S10 e mal podia esperar para acompanhar suas peripécias regadas do famoso azedume.

 

Sua presença me fez lembrar de um tempo em que o chamei de spirit animal graças à sua sutil “rabugice”. Traço da sua personalidade resgatado com sucesso e muito bem representado por David Bradley. Apesar dos comentários machistas (sempre em interrupção pelo 12º) e antiquados, o retorno do 1º Doutor teve relevância. Ele investigou e apurou, cheio de estranhezas, e não perdeu a chance de lançar adendos que entretiveram enquanto a hora do drama não se apresentava. Um posicionamento que conflitou com a versão não mais atual desse Time Lord, aquele que representou a faceta dos jovens que passam pela pergunta dos namoradinhos. Algo que, basicamente, caiu nas costas de Bill.

 

Muito além do cômico, os Time Lords receberam o desafio de lidar com seus próprios demônios. Em outras palavras, eles mesmos, empacadores da regeneração. Entre brincadeiras e distrações, muito se debateu sobre a dificuldade de se deixar mudar. Contemplação que largou em cada brecha dessa história uma sequência de questionamentos.

 

Qual era o problema de evoluir? De saltar para uma nova jornada? Qual era a real dificuldade de olhar para dentro? Somos os nossos maiores inimigos e sempre nos sabotamos na menor chance. Uma regra que não fugiu do alcance desses dois senhores que passaram pelo mesmo impasse.

 

A partir dos questionamentos sobre regeneração, muito se ponderou sobre a relutância de seguir adiante. É mais fácil inovar a TARDIS com o passar dos anos a dar uma pausa para olhar dentro de si e assim reconhecer os verdadeiros empecilhos da existência. Não é fácil porque, ao menos para mim, a principal barreira é o medo. Medo de quem nos transformaremos posteriormente com base nos resultados do que vivemos em dado instante. O que soma mais medo sobre o que devemos aprimorar ou abandonar no processo.

 

Ninguém quer se transformar na pior versão de si mesmo, mas as circunstâncias, de vez em quando, nos dominam e nos empurram para o polo negativo. Circunstâncias definem quem seremos, algo que essas versões do mesmo alienígena sabiam como ninguém. Independente da época, evoluir é preciso e não é a primeira vez que esse personagem enfrenta essa crise que passou nas nossas faces que somos nosso próprio inimigo. O empecilho que quase fez o 12º acatar o fim de uma jornada. Como nós já fizemos incontáveis vezes.

 

Doctor Who - Bill

 

Dentre tantas variantes, o episódio discutiu a colisão entre ficar estagnado no tempo ou se deixar mudar e seguir adiante. Uma faca de dois gumes muito bem representada por esses Doutores que margearam outro campo delicado: o de memórias. Memórias influenciam as nossas decisões, especialmente naquela famosinha questão de abrir mão de pessoas e de processos. Uma hora precisamos abdicar a fim de prosseguirmos com a nossa evolução pessoal e o 1º Doutor esboçou seu receio do que poderia vir em seguida visto que seria sua primeira experiência com a regeneração.

 

Em contrapartida, o 12º queria ceder ao cansaço por acreditar que seu serviço a favor da humanidade deu tudo o que tinha que dar. Daí, ficou o questionamento: quantas vezes desistimos por que ou não nos achamos o suficiente ou por que achamos que fizemos demais?

 

É fato que vivemos diariamente sobre a linha tênue da existência. Queremos pular, mas tememos o que virá depois. Queremos refúgio porque parece que algum processo negativo se repetirá e temos que nos prevenir. A vida em presunção é uma cilada e esses Doutores ficaram um bom tempo fixados em suas teses particulares. Penso que é aqui que as memórias entram. É o despertar. O instante em que retrocedemos e peneiramos o que vivemos. Com o que queremos muito esclarecido, definimos como viver. Não menos importante, o que queremos alcançar. Ao pensar, delimitamos o futuro e, com sorte, apuraremos o insight perfeito que nos ajudará nessa transição.

 

Memórias trazem a amostra do que aceitamos ou expurgamos ao longo da vida. Seja individualmente ou em relacionamentos ou profissionalmente. É uma das pontas que nos impulsiona para dentro e que cobra aceitação. É a peneira da mente e cabe a nós escolher o que queremos que permaneça e o que vai embora. É o pontapé para o início de outra jornada.

 

Bill foi a porta-voz desse ponto de vista e dei amém por sua presença ter sido importante. Ela pertencia ao grupo da despedida e seu dito encerramento foi até satisfatório. Neste especial, a companion representou a bússola mágica e tomou a autoridade de trama. Com leveza, ela circulou entre os personagens, tirando informações, e pincelou o conflito central que a envolvia. Uma aparição igualmente relevante porque, a partir da sua mente, os backgrounds foram sequenciados. O que rendeu um desencadeamento bem articulado dos pontos de atrito.

 

Ela se saiu como uma memória que desvaneceu, mas que tinha muito a dizer, especialmente ao 12º. Atitude que diluiu prontamente o tom cômico, abrindo espaço para o drama. Potts veio como o peso que reforçou que regenerar é viver uma nova vida tão quanto criar uma nova bagagem de experiências. Independente do processo, outro detalhe que conflitou as gerações desses Doutores, o que ficou para trás pode ser enriquecedor tão quanto o que começamos a alinhar para o futuro.

 

Por mais desconfortável que possa ser, rememorar impulsiona a revisão dos capítulos da nossa trajetória. Tanto o bom quanto o ruim. Ação que pode nos levar ao nosso redescobrimento. O 1º Doutor estava muito bem resolvido quanto ao seu papel enquanto o 12º, supostamente, não aguentava mais. Dessa forma, a missão do Time Lord de Capaldi, aquele que carrega o peso de anos e anos de regeneração, ao ponto de bater de frente com a própria estafa, foi rever os motivos de existir e por quais outros teria que persistir.

 

Bill apertou vários botões e deu voz ao valor das nossas experiências. Algo que o 12º fez questão de ignorar (bicho teimoso!). O que rendeu um episódio emperrado no quesito mudança e nada como uma explosão de memórias com a presença de várias gerações do mesmo personagem para dar um soco na face.

 

Uma cena-chave que também intencionou a compreensão dos nossos esforços ao longo da jornada. Conquistas são importantes, mas nada se compara à ação de olhar para trás e perceber que se viveu com propósito. Que você contribuiu para fazer deste universo um diminuto conto de fadas.

 

Doctor Who - Time Lords

 

Todas as jornadas sofrem um adiamento e este episódio tratou esse aspecto. Dois personagens relutantes que frearam a própria transição em nome dos demônios pessoais. Contexto que gerou verossimilhança, pois foi difícil não vestir tais sapatos. No fim das contas são nossos demônios que, muitas vezes, nos impedem de seguir rumo ao pote de ouro e precisamos de esclarecimento para não nos perder no processo. Bill foi um excelente lembrete ao 12º, assoprando as trevas de sua mente para que assim houvesse a verdadeira contemplação sobre regenerar. Ele apenas não queria reconhecer o quão relevante foi suas experiências visto que as perdas pesavam muito mais.

 

Essas perdas amarraram o 12º pelos calcanhares e Bill se encaixou perfeitamente nessa problemática. Ela agiu como o grilo falante que indica que, em tempos de escuridão, precisamos recordar o que importa. Cada pessoa tem seu meio de tomar decisões ou de se deixar retroceder. Alguns afundam para depois retornar. Alguns já fazem de pronto. Alguns se perdem. Características que distinguiram a presença e as decisões desses senhores sobre se deixar ou não mudar. Nada como cutucar essa bagagem de lembranças e foi lindo Nardole em cena. Clara projetada. Algo que remeteu demais ao finale da S10 em que esse Time Lord berrou seu propósito.

 

Ele só precisava relembrar. Deixar as feridas de lado e ver que seu papel é relevante.

 

Último fato que calha no medo que temos de continuar depois de tantas perdas. Principalmente quando ficamos tanto tempo em um limbo de trevas, que pode ser aconchegante e ser a desculpa eficiente que nos priva de viver. Quando coisas ruins não param de ocorrer, acreditamos que nada de bom recompensará tanta dor e desolamento. Mas, se vale de algo, o ruim nunca deixará de acontecer e é essa uma das nossas maiores batalhas. É quando mostramos o nosso verdadeiro eu. Algo que ocorre com o Time Lord, sendo o marco maior na última temporada completa do 12º.

 

O mundo em guerra. Um Doutor da Guerra. Eis que entra o Capitão de Gatiss que serviu de farol para essa questão da vida ser um constante ringue. No contexto de Doctor Who, o personagem explicou muito suavemente a questão da reescrita da história. O que, automaticamente, fez lembrar dos perigos de mudar tais eixos. Retorná-lo ao seu ponto factual não deixou de ser um dos momentos mais tristes do especial. Porém, destacou o quanto, em alguns momentos, reescrever nossos capítulos não é possível. Temos que ir adiante e, quem sabe, contar com um milagrinho.

 

Como ocorreu no sinal de trégua entre os personagens que compuseram o cenário de guerra. A trégua que devemos dar a nós, especialmente em instantes de autodúvida. A trégua que devemos dar ao outro, mais conhecida como benefício da dúvida.

 

A cena da trégua de Natal mostrou o potencial e a moral do episódio. Demorou um bocado para o espírito natalino chegar, mas, quando chegou, só a Deusa! Mudanças estão atreladas a escolhas e esta cena arrematou esses coelhos em uma cajadada só. Cabe a nós levantarmos a bandeira branca, não apenas nesta data que pode ser tanto o céu quanto o inferno para várias pessoas. É uma ação diária. Está em nossas mãos tornar o universo um bom lugar. É aí que entramos em cena. Pode não ser uma ação permanente, mas o efeito de mudar a vida de alguém assim o é.

 

Vale destacar que a trégua arrematou o propósito da 10ª temporada de Doctor Who. Muito se falou de politicagens e do peso da guerra. O 1º entendeu os dizeres de Doutor da Guerra, outra verossimilhança com o que vivemos hoje em dia. Temos várias formas de ativismo, algumas acarretam mais efeito que outras, mas o importante é impactar para o bem.

 

Somos também Doutores da Guerra. Queremos erguer bandeiras brancas, mas, infelizmente, há muito sacrifício envolvido. Queremos que não exista ódio. Queremos a preservação das memórias, especialmente as construídas ao longo da história e que cuidam dos Direitos Humanos. É o que se espera de quem quer o melhor para si e para os demais.

 

Doctor Who - Grupo

 

Com esse raciocínio, o mais genial veio das indagações do 1º Doutor sobre esse bem. Que bem é esse? O que me fez recordar da pergunta mais relevante do arco do 12º: eu sou um bom homem? De fato sim porque ele escolheu lutar, mas não quer dizer que tenha sido uma experiência fácil. Ou que tenha rendido decisões justas. Apesar dos incontáveis sacrifícios, sua jornada de guerreiro tem o bem incutido e é o bem que precisamos diariamente. Não apenas em situações desesperadoras.

 

Ter esse entendimento atrelado ao fator memórias torna a regeneração um processo natural. Precisamos mudar. Precisamos evoluir para melhor. Ponto que não é o fim da jornada, mas o reinício dela. Cada Doutor compreendeu isso e partiu rumo às suas respectivas TARDIS para fazer suas últimas reflexões. Ato que também é muito nosso, mais conhecido como as famigeradas conversas de travesseiro em que buscamos respostas para praticamente tudo.

 

A ode ao 1º Time Lord trouxe a queda do tom de intentos para abrir espaço para a transformação. Mudança de clima que nos deixou à mercê da marcante despedida do 12º. O monólogo, antes do ressurgir de Jodie, mexeu com meus sentidos e chorei como um bebê. Um momento que arrematou a verdade de que me vi diante de mais um especial de Natal de Doctor Who que conversou comigo. Que trouxe a mensagem certa na hora certa e eu me senti muito gratificada.

 

Com essa temática de regeneração, nunca me senti tão certa de algumas escolhas que fiz na minha jornada. Vi-me nessa questão de relutar a mudança porque tinha medo de quem me tornaria e do que viria a seguir. E cá estamos! Botar-se de novo na narrativa, como esses Doutores fizeram, não deixa de ser um ato de coragem.

 

E no que parecia um episódio aleatório, Moffat arrematou toda a mensagem em torno do 12º – principalmente as morais da sua última temporada. Por último, e não menos importante, houve o destacar da bravura ao aceitar a mudança. Ele botou seu último Time Lord cara a cara com a sua inspiração e o resultado ultrapassou o pragmático. Ambos bateram um papo, como estar diante de um espelho, e abriram espaço para a conformidade. Uma conversa de si para si que citou jornadas, memórias, comportamentos e aspirações.

 

Tudo para concluir que a regeneração, independente da época, não faz mal a ninguém. Uma moral que sinalizou o quanto devemos pensar no próximo capítulo. Precisamos escrevê-lo, pois não sabemos quando será o último.

 

Uma reflexão

 

Doctor Who - 12º Doutor

 

Nossas vidas estão entrelaçadas através do tempo e do espaço. Todo mundo é importante para alguém.

 

O impacto vem com base nas escolhas que fazemos. Impacto não é algo a longo prazo, mas diário. O que você faz agora tem seu próprio jeito de rebater em outra vida. É uma dança em que os Doutores começaram com passos tímidos até se envolverem e manifestarem suas próprias excelências. Praticamente, a música Shake it Out de Florence + The Machine, o que fez Doctor Who largar uma mensagem grandiosa nesse Natal. Para vocês terem ideia, o monólogo ainda segue na minha mente.

 

Os Doutores se viram na corda bamba sobre a vida e a existência. Ambos foram ao passado para ver o quanto estamos conectados. Uma reescrita, por menor que seja, é capaz de alterar várias órbitas e o Capitão se saiu como o exemplo dessa problemática não tão problemática assim. Estamos juntos apesar de milhões não se conhecerem. Testemunhamos outras vidas ou nos encontramos em outras reencarnações (ou regenerações) ou compartilhamos a mesma experiência agora. Nossos atos hoje afetam o futuro e é por isso que existe aquele ditado de que as escolhas precisam ser sábias. Que temos que ter cuidado com o que falamos e pensamos.

 

Somos projeções, como Bill neste especial de Natal. Temos um eco mental, a vozinha da intuição, que nos quer seguindo e não retrocedendo. Somos o eco de outras pessoas, cujos atos, por menores que sejam, podem ter efeitos devastadores. É importante ter essa noção, mas essa sou eu dizendo, a pessoa que acredita piamente de que tudo que vai volta.

 

Somos pequenas grandes estrelas neste imenso universo que nada mais é a vida. Em vez de pagar com o ódio, podemos e devemos pagar com o amor. Como foi dito neste especial, contos de fadas podem não existir, mas cabe a nós fazer essa diferença. Mudar a narrativa. Não quer dizer que sairemos como os grandes vencedores toda vez, mas, pelo menos, ergueremos bandeiras brancas pela lógica do que é certo e justo não apenas para nós, mas para todo mundo.

 

O Time Lord tem feito muito mais pela humanidade que por si mesmo e pensar em descansar foi uma atitude humana. Há um ponto da vida que nos vemos exaustos da trajetória, principalmente quando há mais perdas que ganhos. Porém, não podemos deixar de enumerar o que conquistamos nessa mesma linha do tempo, pois assim relembraremos os motivos de estarmos aqui. Os motivos de termos um propósito. Os motivos de almejarmos a trégua.

 

Somos pontinhos disparados pelos mais variados cantos do mundo, mas não significa que nosso poder no espaço do qual ocupamos não pode ser sentido em outro além do oceano. Somos várias vidas em um mesmo mundo e nossos atos rebatem em toda a vizinhança. Tudo que o 12º fez atingiu o 1º. Ambos não se conciliaram, mas compreenderam que suas ações são relevantes.

 

Que suas regenerações são importantes. Ao escolher seguir, o Time Lord, agora a Time Lord, foi resiliente. E resiliência é a principal âncora diante das adversidades. Empacados não evoluímos. Não temos novas experiências. Corremos o risco de sermos esquecidos. Mudando, atribuímos muito mais às nossas bagagens, permitimos que novos capítulos sejam inseridos na nossa saga e que outras pessoas nos conduzam e nos testem.

 

Além disso, aprendemos a ver o mundo sob diversas óticas. Um mundo falho que cabe a nós regá-lo de novas chances. De esperança. Um jardim que emana boas energias é plenamente capaz de influenciar o resto. Ganhamos o que projetamos e regenerar é a voz que damos para novas mudanças. Novas aventuras. Novos aprendizados. É uma chance a nós mesmos.

 

Essa foi a moral que acolhi para mim e concordo totalmente sobre o fato de que temos o poder de tornar fragmentos da vida em um conto de fadas. Basta querermos!

 

Concluindo

 

Doctor Who - 13ª Doutora

 

Tudo acaba. Mas é sempre triste. Mas tudo começa de novo e isso é sempre divertido. Sejam felizes. – do especial de Natal passado.

 

Este especial foi formidável. Aqueceu meu pobre coração e me deu uma nova lição para a vida. O roteiro me impulsionou a refletir sobre todos os impasses que vivi em 2016 e foi uma experiência bastante libertadora. Afinal, eu também escolhi regenerar e 2017 me deu vários caminhos para atingir essa meta. Ainda não completei o ciclo, mas é ótimo me ver ainda neste trajeto.

 

Além de amarrar todos os debates lançados entre os personagens, a reunião de vários instantes da Era Clássica contribuiu para deixar o coração ainda mais quentinho. Moffat saiu até que muito bem de cena e entregou um final deveras digno ao novo showrunner.

 

A cena final foi maravilhosa! Capaldi é um ator de primeira linha, marcante, e honrou demais esse personagem. Suas temporadas não tiveram qualidade estelar (eu amo a S10, redondinha a lot), mas ele não nos poupou de uma atuação envolvente e impregnante. Não nos poupou da descarga emocional. Vale até repetir nesta saideira o efeito desse senhor nas companions, o que trouxe o melhor de Jenna em cena. Foi um desafio, aceito com sucesso, e sentirei falta dele, real e oficial.

 

A finalização do 12º se saiu superior a do 11º. Amei o monólogo (repetindo sim, com licença) e os paralelos de Doutor vs. suas companheiras. O lembrete final de quem se é, de quem se foi e de quem se pode ser, formando aquela cereja em forma de trajetória que existe também graças a quem nos apoiou e a quem nos machucou, seguirá inesquecível.

 

Apesar da rapidez, Jodie, literalmente, despencou certeiramente na TARDIS. Infelizmente, não há muito o que dizer sobre sua aparição (mentira que esperava muito mais que um “brilhante”), só que amei esse sorriso e mal posso esperar para vê-la como dona da série.

 

À sua maneira, este especial foi completo. Ele me fez sorrir e chorar, e gosto dessa troca. Gosto de ter essa expectativa de receber um conselho antes do final do ano, algo que Doctor Who sempre me dá e desta vez não foi diferente (junto com O Rei do Show, musical que mandou a mensagem de ano novo). Saí salvando os quotes ensandecidamente, fato. Agora, só resta a tristeza pela saída do Capaldi. Eu realmente não tinha noção do quanto me apeguei ao 12º até ele desaparecer. É chateante vê-lo partir no que considero pouquíssimo tempo, mas temos uma nova história adiante.

 

Para fechar, acho importante frisar que não estamos sozinhos. Sempre temos alguém para nos impulsionar e nos apoiar. Sempre há alguém que nos deixou ou o deixamos. A vida é uma balança, mas é a nossa mais valiosa bagagem que fomenta diariamente quem somos. E ela quer que revejamos capítulos para seguirmos e vencermos nossos demônios.

 

Que 2018 seja um ano magnífico para nós! Nos vemos na próxima temporada de Doctor Who.

 

PS: Bill deixando claro que também entende de mulheres representou todo mundo quando a cilada dos namoradinhos entra em cena. E ela sendo repreendida também por quem poderia ser seu avô? Essa linda deixará saudade!

Stefs
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