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12/jan

Por trás de um grande filme, existe um grande diretor. Porém, o termo “grande” não implica o significado comumente aplicado em Hollywood. Grande aqui se equivale a autêntico e posso dizer que Edgar Wright gradativamente se transforma em um promissor diretor de sua geração.

 

Aficionado por filmes de ação, esse inglês trilhou seu caminho pouco a pouco. Graças à trilogia Sangue e Sorvete, composta pelos filmes Todo Mundo Quase Morto, Chumbo Grosso e Heróis de Ressaca, que seu nome passou a imperar no circuito. Mas, antes disso, vale destacar sua participação como membro do time colaborativo no insano projeto Grindhouse, elaborado por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. E, claro, sua visão inovadora e conceitual em Scott Pilgrim Contra o Mundo, adaptação da cultuada graphic novel em que também roteirizou.

 

Dentre produções indie, Wright possui uma grande paixão: filmes de ação hollywoodianos. Essa mesma paixão que o fez concluir um longo e árduo projeto: Em Ritmo de Fuga (Baby Driver). Uma ideia de 1995 que, somente agora, podemos dizer que nasceu.

 

De quebra, que contou com conselhos de George Miller. Ninguém menos que o mestre da ação e dos efeitos práticos. O cara responsável pela visão deslumbrante e alucinada da trilogia original Mad Max e Mad Max: Estrada da Fúria. Longas ovacionados pela crítica e pelo público.

 

Em Ritmo de Fuga - gangue

 

Em Ritmo de Fuga é a primeira produção estadunidense de Wright. O roteiro narra a atividade de um grupo de criminosos altamente qualificado em assaltos à banco e em outras instituições. Jon Bernthal, Jon Hamm e Eiza González compõem o primeiro trio contratado e o primeiro assalto do filme que nos dá um gostinho do que virá pela frente. Atritos ocorrem, principalmente com o jeito nada falador de Baby, mas o que realmente importa é cumprir o prometido ao chefe.

 

O personagem de Jamie Foxx, assim como a personalidade do ator, agrega bastante nas interações entre os membros desse grupo. Porém, é Baby quem nos move. Tanto pelo motivo que o fez cair no mundo do crime quanto pelas relações pessoais.

 

Tentando se manter sempre fora de seus negócios extracurriculares, Baby (sim, isso mesmo, B-A-B-Y) vive em um singelo apartamento junto com Joseph. Homem que é seu pai adotivo, interpretado pelo veterano CJ Jones e que mostra uma inclusiva atitude ao escalá-lo para esse papel. A química entre ambos é palpável, sentida a todo instante. Principalmente diante da preocupação quanto às atividades ilegais e perigosas em que o protagonista está envolvido.

 

De fato, Ansel Elgort soa como o lucky charm do elenco. Neste filme, o ator brilha e contribui artisticamente.

 

Em Ritmo de Fuga - Baby

 

Baby, ooh, Baby…….I love you baby……Baby, ooh, baby…..I love for you to call me baby

 

Vamos relembrar que o mundo suspirou e teve seu coração partido por ele em A Culpa é das Estrelas. Muito disso se deveu à honesta e cativante entrega dele ao interpretar Augustus Waters, ou Gus para os mais íntimos da obra de John Green. Mesmo que seu break tenha sido no reboot de Carrie, foi ACEDE que o colocou no mapa. Que o destacou como um dos nomes mais promissores de 2014.

 

Toda produção precisa de um ator que se dedique a contar a história. Em muitos casos, nos envolver em cada curva de sua jornada. Com papéis secundários em produções como a saga DivergenteHomens, Mulheres e Filhos, foi com Em Ritmo de Fuga que Ansel ganhou seu maior destaque visto que ainda é meio que um novato na cena hollywoodiana. Ele está rodeado por atores de peso, mas nada o impediu de carregar o filme como gente grande. Sua musicalidade, já explorada fora das câmeras, somada ao seu apaixonante carisma, dão vida ao personagem central.

 

Mama Quill que me perdoe, mas as fitas que deixara ao seu filho Peter, mais conhecido como Star-Lord, acabaram de encontrar um forte concorrente.

 

Independente do seu formato mais moderno (Hello, iPod!), o filme transforma suas músicas embasado em um personagem eletrizante. Baby dita o tom da ação por meio da sua audição e de suas habilidades atrás do volante. Mesmo que o ouvir seja prejudicado, graças a um acidente de carro ocorrido em sua infância, ele enquadra cada melodia, com a ajuda de variadas playlists, conforme a situação e o humor. Aliado a isso, a adição de alguns personagens, que propriamente não conhecemos muito além do que fazem na rotina, contribuiu para explorar a história do protagonista. Figuras centrais de sua vida. Poucas, mas de tamanha importância.

 

Em Ritmo de Fuga - Baby e Debora

 

Vulnerabilidade normalmente não combina com o gênero ação. Porém, temos aqui um protagonista nada convencional. Acompanhamos a transformação de Baby graças às suas conexões. A mais relevante é Debora, a doce e cativante garçonete da lanchonete local. É nessa relação que vemos o verdadeiro caráter dele aflorar, mesmo que mantenha segredo quanto à sua real ocupação.

 

Lily James deixou seu sotaque britânico lá em Downton Abbey. Aqui, ela convence como essa jovem americana que ainda possui traços de uma possível vida interiorana que a fez se mudar para a cidade grande. Cada troca de olhar entre Elgort e ela é sincera e nos faz acreditar que seus personagens merecem um final feliz apesar de tanta confusão.

 

Em Ritmo de Fuga entrega boa parte de suas cenas de ação por meio de dublês e de efeitos práticos para movimento de carros. O próprio Wright se pendurou no famoso carro vermelho de Baby para assim filmar com total veracidade e precisão algumas das cenas de fuga e de perseguição. Além dessa dedicação, o roteiro é dinâmico e sem muitos rodeios, possibilitando que a trama flua.

 

Despojado, ágil e original. O filme faz jus ao árduo e longo processo de criação e de produção. Mesmo em stand-by por anos, é revigorante ver diretores como Wright sendo fiéis ao que os motiva e inspira.

 

E como já dizia Simon & Garfunkel, autores da canção que dá titulo ao filme:

 

They call me Baby Driver
And once upon a pair of wheels
I hit the road and I’m gone
What’s my number?
I wonder how your engines feel

 

Vídeo hospedado no YouTube e pode sair do ar a qualquer momento.

Mari
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