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21/fev

Esta é uma experiência de escrita um tanto fora do comum, inspirada no musical O Rei do Show. Poderia ter optado por uma resenha, mas, em vez disso, escolhi vasculhar seu significado música a música. Uma viagem sobre a vontade incessante de perseguir o propósito e de se manter fiel a quem se é ao longo desse e de outros processos da vida.

 

É uma história sobre chamado, vocação e propósito. Algo que este musical despertou com força total e eu sou muitíssimo grata. ❤

 

PS: recomendo ler ouvindo as músicas mencionadas.

 

 

Colossal we come these renegades in the ring where the lost get found in the crown of the circus king – The Greatest Show.

 

Há dias em que, no ato de abrir os olhos, o primeiro pensamento que passa pela minha cabeça é: o que diabos faço da minha vida?. Soa até um pouco egoísta quando tudo que tenho atualmente tem sido o suficiente. Tenho uma bagagem muito satisfatória que me permite sonhar e me divertir. Ainda sim, sempre sou abordada pela sensação de que falta algo mais. Um algo mais que não tem uma resposta concreta, mas um misto de emoções difusas.

 

Esse misto de emoções difusas tem a ver com um desejo muito íntimo que vive dentro de nós e que nos cutuca em instantes inesperados. É um desejo que pode não ter nome, mas é forte o suficiente para gerar um vazio no peito. Um rombo que difere em tamanho e em peso, e que injeta uma ânsia de fazer alguma coisa para mudar a realidade que ocupamos.

 

Normalmente, esse rombo arde quando questionamos o que queremos para nossa vida.

 

Ou o quanto poderíamos fazer muito mais além da rotina habitual.

 

Ou quem somos no final das contas.

 

Um elencar de questionamentos que abre margem para aquela vozinha que vive no fundo da mente e que nos impulsiona a outra pergunta, mas igualmente crucial: o que fazemos aqui?

 

Sendo que a pergunta correta deveria ser: aonde queremos ir e estar?

 

Aonde você quer estar, renegada do tempo?

 

Provavelmente, aonde o perdido pode ser achado. E o achado está muito bem representado nessa vozinha que é a responsável em impulsionar os mencionados questionamentos – que parecem mais urgentes conforme nos vemos sufocados pela insatisfação da nossa própria realidade.

 

Essa vozinha tende a ser bastante ignorada. Inclusive, tende a não ser levada a sério. Meramente porque ela expressa o famigerado chamado. O nosso chamado. O eco de quem somos. Aquela faísca que pode mudar toda nossa realidade.

 

Há quem nasça consciente de qual é seu chamado e não perde tempo em persegui-lo para lhe dar forma. Outros não possuem muita ideia do que é isso e como se acha um negócio desses. Outros nem sequer se preocupam, nem se questionam e/ou se conformam. Outros a descobrem em tempo de desamparo, quando o desespero é tão grande e transmite a sensação de que se entrará em autocombustão.

 

É o chamado que geralmente responde nossas perguntas existenciais. Porém, precisamos sair do piloto automático para averiguar o significado desse chamado. Se não o ouvirmos e não olharmos atentamente ao nosso redor, o que pode dar forma ao maior espetáculo da nossa vida pode passar batido. Nunca ser encontrado, nos prendendo a mesmice que não faz ninguém feliz.

 

Aos meus olhos, o chamado nada mais é que aquela vozinha que repete várias e várias vezes o que precisamos fazer e no que precisamos focar para mudar o pedaço de mundo que vivemos e que ocupamos. É aquela vozinha que, sutilmente, dá direcionamento. Abre um percurso que rima bastante com a vocação. Palavra essa que também não é levada tão a sério graças à rapidez e à dinâmica da vida. Mas uma coisa está entremeada a outra. Se calamos a vocação, calamos o chamado. Nisso, calamos o propósito. Assim o ciclo segue e perdemos a chance de conquistar o que merecemos.

 

O chamado pede que a vocação seja posta em prática, pois só assim daremos forma a quem queremos ser. Ao que queremos viver. Essa é a soma que, possivelmente, nos norteará para o caminho em que o perdido poderá ser achado.

 

E esse perdido nada mais é fazer o que amamos.

 

Sem sabermos ou notarmos, provavelmente já fazemos o que amamos entre os espaçamentos da rotina, mas achamos que é mero entretenimento. Assim, ignoramos os sinais do quanto esse exercício de passar um tempo com atividades que nos deixa leves e radiantes faz bem.

 

Ou, na pior das hipóteses, não enxergamos. É muito comum nos cegarmos na trivialidade da rotina e nas preocupações diárias. Seja como for, a vozinha do chamado segue conosco. Insistente, rodopiando a mente. E você sabe. Você sente. Aquele vazio queima toda vez que a vozinha ecoa.

 

Essa vozinha vive em todos nós, mas nem sempre é ouvida como merece. Não é o que posso chamar de erro porque a rotina tem seu próprio jeito de nos afundar e de nos tornar figuras mecânicas.

 

Mas há um raciocínio que expressa uma das minhas crenças quanto ao poder dessa vozinha: quando não paramos de pensar em algo, é hora de levá-lo a sério. Alguma coisa deve haver nessa repetição mental. Afinal, ela entusiasma. Gera curiosidade e devemos partir rumo à aniquilação dessa curiosidade, pois, quem sabe, encontraremos a reviravolta. Podemos pincelar nossa vida com o show que queremos de fato assistir. Um show que nos representa em vocação.

 

A partir do momento que damos uma chance para a vozinha, mesmo que temporariamente, é fato que um holofote se ilumina. É a ideia, o primeiro ato do futuro show. Do futuro espetáculo. Você se vê em meio a um palco límpido e sem poeira, o seu espaço de criação. Os neurônios estão agitados, representando a plateia à espera, sedenta em fazer, ver, participar. Tudo ocorre ao mesmo tempo para dar forma a um mundo que pode mudar sua vida para sempre.

 

Imaginem… Ter a vida regada daquilo que aquela vozinha disse e insistiu para que você acreditasse e iniciasse o processo de mudança. De deixar de ser a renegada da sua própria história.

 

Atender a vozinha gera um processo que começa a dar forma ao que queremos. As cortinas se abrem uma vez que a acatamos e vemos que precisamos equipar aquele palco para a apresentação que com certeza nos mudará no processo.

 

Então o que vai ser? Qual é a história que você quer contar? Quem serão os personagens? Quais serão as ferramentas? É hora de tornar o impossível em possível.

 

Senhoras e senhores, este é o momento que você estava esperando.

 

O Rei do Show - P.T. Barnum

 

Don’t fight it, it’s coming for you, running at ya
It’s only this moment, don’t care what comes after
It’s blinding outside and I think that you know
Just surrender ‘cause you’re calling and you wanna go
– The Greatest Show.

 

Um momento que, provavelmente, fará com que você pense sobre a imensidão de possibilidades que se tem à mesa (tão quanto nas dificuldades). A começar sobre o que você precisa para dar vida a esse espetáculo que segue fixo em seus neurônios. Depois, sobre o quanto de tempo você poderá despender para criar um mundo em paralelo que conflitará com sua rotina atual. Veja bem, uma vez com o holofote acendido e com as cortinas abertas, você não pode apenas se refugiar. Escondendo-se ou se negando ao seu chamado, não haverá completude que se apresente e que recompense esse novo ato da sua vida. É preciso ir para ver o resultado, literalmente. Confiar no processo.

 

Você tem que matar sua curiosidade.

 

Ao dar chance àquela vozinha, você encontrará sua inspiração. Provavelmente, se sentirá imparável, com aquele gosto inusitado de luta que engrena a vontade de tornar o impossível em possível. Você merece criar o que ama e o chamado quer dar forma à vocação. E isso só será possível na ação. Afinal, não é mentira quando dizem que tudo depende de nós. Precisamos do timing, claro, mas nunca é tarde para aceitarmos o protagonismo da nossa própria história.

 

Ouvir a vozinha e segui-la dá um novo norte. Um novo ânimo. Um novo gás. Cria expectativa. Quando seus olhos testemunham o início de algo que está junto ao seu coração, mesmo que seja o rascunho, é normal sentir segurança sobre o fato de que nem tudo está perdido e que o perdido pode ser encontrado. Uma vez iniciado o processo, você sabe que não há como voltar atrás. E nem quer voltar atrás, mas sente medo devido aos empecilhos do cotidiano. Tudo bem. Apenas, se deixe ver como seu chamado se manifesta. Assim, você acompanhará o impacto do que foi pensado em vários âmbitos da sua vida e terá um pouco mais de consciência de como seguir adiante.

 

Confiança é necessária e o medo pode ser um eficiente combustível. E esse medo é a desistência.

 

É normal querer desistir para evitar decepção, mas é importante lembrar que o impossível tem chances de se tornar possível. Que o perdido pode ser achado no desenvolvimento do seu espetáculo. É preciso acreditar e retomar sempre o pensamento de crença para que nem você e nem a vozinha se percam no processo. Mesmo com medo, continue. Lembre-se de matar a curiosidade.

 

Uma vez dada a brecha para a vozinha insistente e perseguidora, você sentirá muitas coisas. Com um singelo olhar, você pode começar a se ver diante de algo que sempre quis. E pode ser melhor que o esperado. Ao menos, considerando o ponto do qual sua vida se encontra, pois desejos e sonhos são mutáveis. Mas, neste momento, o show que você quer vivenciar é o suficiente por agora.

 

Porque você sabe que quer atender ao chamado que nada mais é a expressão mais genuína do seu ser. Nada pode interromper esse trajeto a não ser você. Não se importe com o que vem depois porque isso pode interromper o processo. Renda-se porque você sabe que quer isso.

 

Vale dizer que você pode contar com apoio no processo. Nem todo mundo cresce sozinho.

 

Uma ideia pode se tornar uma grande ideia, mas o importante mesmo é se deixar possuir pelo seu chamado. Pela vozinha sempre esquecida e/ou ignorada no fundo da mente. É o primeiro passo para alcançar o que você sempre quis e assim sair da zona de empaque.

 

A sua vida é um show. É você quem coordena tudo ao seu redor para que ele ocorra da melhor maneira possível. E é preciso lutar por esse melhor possível todos os dias. Ato que pode se iniciar ao se dar uma chance. Ao dar a chance de criar o que você sonha no momento.

 

Então, como você organizará sua melhor performance?

 

You stumble through your days
Got your head hung low
Your skies are a shade of grey
Like a zombie in a maze
You’re asleep inside But you can shake awake.
– Come Alive.

 

Nem sempre é fácil se entregar a essa vozinha que mora no fundo da nossa mente. Permitir que ela tome conta de nós e nos ajude a dar forma ao espetáculo que queremos fazer parte e que poderá viver por tempo indeterminado. Um espetáculo que representa o que amamos e o que almejamos para a nossa vida, independentemente do âmbito. Uma vez iniciado, o processo parece árduo. Impossível. Sem sentido. Pensamos no quanto dará trabalho se começarmos a botar tudo na ponta da caneta. O cenário. O figurino. A trilha sonora. Os instrumentos. As ferramentas. O seu time de apoio mais conhecido como SOS. É muita coisa a se pensar e a se colocar em prática. Só que esses impedimentos, muitas vezes criados como reações particulares de autossabotagem, não podem ser enaltecidos. Mesmo na dor, escolha seguir adiante.

 

O chamado seguirá martelando na sua mente e calhará em você a escolha entre seguir adiante ou se redimir ao espaço e à rotina que ocupa. Independentemente das escolhas e dos entraves, tornar o impossível em possível requer trabalho. Requer empenho. Requer positividade. Mantenha-se firme!

 

Até porque haverá hesitação e o conselho é: você tem consciência das dificuldades e do quanto algumas podem ser transponíveis. Claro que haverá outros impasses, o que resulta nas adversidades que temos que enfrentar para tornar o impossível em possível. Em todo processo da vida somos testados e não será diferente quando decidirmos escrever a sinopse geral do nosso espetáculo. Um texto que tem tudo para se transformar em uma longa história que estava o tempo todo ali, no formato da vozinha que sabe o que diz. Ela é o chamado tão quanto a intuição.

 

A vida é de tropeços e é quando precisamos nos segurar no propósito que nada mais é o motivo claríssimo do que queremos fazer por amor e que vem depois da descoberta da vocação. O propósito molda o tom da vozinha e temos que ser fortes durante os empecilhos dessa luta. Tropeçaremos muito e um tanto mais se ignorarmos nossas paixões.

 

Acredito que todo mundo tem um chamado – e com esse chamado se molda o propósito. Infelizmente, não são todas as pessoas que podem viver com seu propósito, ou correr atrás dele, mas curiosidade não mata ninguém. Dar-se a oportunidade, por menor que seja, de ver aquilo que você quer e pode ser abre margem para uma nova perspectiva cheia de possibilidades.

 

De nada adiantará fingir que tal coisa de chamado, de vocação e de propósito não existe. Existe. Basta se voltar para dentro. Cada um escolhe o espaço que quer ocupar e cabe a nós sair dessa gaiola que, sem dúvidas, só traz infelicidade.

 

Na gaiola, tudo parece impossível, mas, em algum instante, somos tomados pelo impulso sobrenatural de fazer acontecer. Mesmo trabalhando de segunda a sexta, em um horário que consome nossa energia. Pode ser força de vontade, mas prefiro dizer que é um ato de finalmente se ouvir e de priorizar amores e capacidades pessoais.

 

Fazer o que amamos e desenvolver nossas capacidades no processo constroem nossa identidade.

 

Se você crê que as horas que sobram da sua rotina só servem para descanso, bem, elas realmente serão apenas para descanso. Mas, se você dar trela para aquela faísca que encandecia em seu ser, que cria uma comichão pela sua pele, atiçando seu coração ao ritmo máximo, este é o momento dos ajustes para trazer à tona o que você acredita ser o texto certo para o seu espetáculo. No caso, o seu propósito. Há algo a mais que sempre palpita dentro de nós. Criando um remoer mental. Injetando um faniquito que retorna para a questão: o que diabo faço da minha vida?.

 

Você com certeza sabe o que está fazendo aqui.

 

Só precisa prestar atenção nos arredores.

 

É seu propósito querendo ganhar vida. Cansado de ser silenciado. Um propósito intrínseco ao seu ser que, mesmo sem você querer ou perceber, te fortalece. Dá-lhe o senso de que nem tudo está perdido. Dá-lhe a visão do cansaço de ser a renegada da sua própria história.

 

Não há como ignorar essa voz. A não ser que você esteja entregue totalmente a viver um espetáculo sem vida. Aquele tipo de entrega que engolfa e cega, sem oportunidade de se olhar para o lado.

 

Lembre-se que tornar o impossível em possível requer que você se escute e priorize amores e capacidades pessoais. Há mais, mas essa mala é o suficiente para iniciar o processo de vivenciar aquilo que sempre sonhou.

 

Então, o que será?

 

O Rei do Show - grupo

 

And the world becomes a fantasy and you’re more than you could ever be
‘Cause you’re dreaming with your eyes wide open
And you know, you can’t go back again
To the world that you were living in
‘Cause you’re dreaming with your eyes wide open
So, come alive
– Come Alive.

 

Para deixar de ser a renegada da sua própria história, tudo começa dando forma à vozinha que lhe indicou por onde começar a construir o cenário para sua ideia. De ir atrás de ferramentas e de instrumentos. Para definir o palco perfeito e quem será seu time SOS quando o desespero vir à tona. Vá a passos de bebê. Não se atropele. Grandes shows requerem tempo e paciência.

 

O importante é seguir a ideia e acreditar nela.

 

Normalmente, quando damos voz ao que queremos, somos possuídos por estados de euforia. O que é bom, mas, quase sempre, atingimos uma marcha no desenrolar desse roteiro que traz a vontade de desistir. Começar, começamos, mas nem sempre seguimos ou finalizamos. Toda vez, juramos que será diferente, mas sempre damos uns passinhos para trás. Naturalmente ou em um ímpeto de insegurança ou de desespero.

 

Tenha calma. Grandes espetáculos requerem tempo e paciência.

 

I see it in your eyes
You believe that lie
That you need to hide your face
Afraid to step outside
So you lock the door but don’t you stay that way
No more living in those shadows
You and me, we know how that goes
‘Cause once you see it, oh you’ll never, never be the same
We’ll be the light that’s shining
Bottle up and keep on trying
You can prove there’s more to you
You cannot be afraid
– Come Alive.

 

Quando você diz sim ao propósito, rola aquele medo. A primeira reação é se manter nas sombras. Você acredita que tudo dará errado. Ou que não vale tanto a pena assim. Você ainda quer se manter acanhada às suas próprias vontades. Mas você precisa ir adiante.

 

Você pode usar o medo para seguir adiante. É adrenalina ao seu motor.

 

Você é mais do que acredita e o que você acredita está em sua mente. O que está na sua cabeça pode se transformar diante dos seus olhos. O pensamento fixo que tem que entrar dentro de si, ganhar força e implodir. Então, deixe esse propósito entrar.

 

Você sente o propósito, não sente? Então, deixe-o entrar e se liberte!

 

Ao se libertar, você sabe que não quererá voltar ao tipo de vida que vive agora. Você quererá mais. Muito mais. E é importante manter esse ritmo.

 

Seu espetáculo tem tudo para ser maravilhoso.

 

Então, deixe-o vir à tona.

 

Dar vida ao que martela na mente traz um sutil calor no centro do peito. Traz um pouco mais de ritmo à caminhada. Uma vez que decidimos tornar o impossível em possível, o foco diário se altera. Você se vê projetando e trabalhando no que quer criar. Em qualquer lugar.

 

Quando você se abre para essa oportunidade, aquela luzinha do holofote vai ganhando contraste e força. Eletrizando seu corpo ao ponto de você começar a sonhar de olhos abertos. Uma experiência formidável porque se trata de um chamado genuíno. Que tem um propósito genuíno. Soma que remete ao que você ama verdadeiramente. Que lhe dá o senso de realização.

 

Você tira o dia cinza pouco a pouco da sua vida ao acreditar no propósito. Você para de se arrastar como um zumbi. Você muda o polo negativo para o positivo e vai atrás do mundo que sabe que merece.

 

Passada a missão de ouvir a voz, de atender ao chamado e de reconhecer a sua vocação, agora é hora de deixar o propósito tomar o cerne do show. Deixe-o tomar conta de você. É dessa energia que você precisa.

 

Você pode ser muito mais do que imagina.

 

Você não precisa se esconder. Nem trancar as portas. Nem viver nas sombras.

 

Você pode ser muito mais. Deixe seu propósito explodir.

 

O Rei do Show - The Other Side

 

Don’t you wanna get away from the same old part you gotta play
‘Cause I got what you need
So come with me and take the ride
It’ll take you to the other side
‘Cause you can do like you do
Or you can do like me
Stay in the cage, or you’ll finally take the key
Oh, damn!
Suddenly you’re free to fly It’ll take you to the other side
– The Other Side.

 

E então você começa. Projeta. Tem as ferramentas, os instrumentos etc. Por algum motivo, você não seguiu em frente. Acha que falta alguma coisa. Ou, na pior das hipóteses, não acredita mais na ideia. Não acredita mais na vozinha e quer que a própria simplesmente pare.

 

Você não acredita mais no seu potencial.

 

Chamado é algo que não existe.

 

Propósito também não.

 

A vida é meramente um espetáculo de horrores.

 

Stop there.

 

É hora de uma conversa entre você e a vozinha. A conversa de travesseiro.

 

Você tem poucas opções:

 

• Fingir que não é com você;

 

• Pagar de dona da verdade garantindo que sua vida vai muito bem, obrigada, do jeito que está;

 

• Ou deixar aquela energia de não ser mais a renegada da sua própria história entrar novamente e tentar de novo. Quem sabe, essa energia fique em você definitivamente.

 

Tudo bem retornar para o acolhimento. É normal. Faz bem. Reavaliar é aceitável. Desistir não.

 

O resultado sempre estará do outro lado da sua própria linha tênue. Ou da sua zona de conforto.

 

Você não quer sair dessa bolha quentinha aí não? Voltar a montar seu espetáculo?

 

Assim, ninguém o fará por você.

 

Ou você fica na gaiola ou pega a chave. Em PT-BR, 8 ou 80.

 

Mas, pergunta séria, você realmente gosta do lugar que ocupa?

 

Como você quer gastar os seus dias?

 

Você é totalmente livre para alçar os voos que desejar.

 

O Rei do Show - This is Me

 

When the sharpest words wanna cut me down
Gonna send a flood, gonna drown them out
I am brave, I am bruised I am who I’m meant to be, this is me
Look out ‘cause here I come
And I’m marching on to the beat I drum
I’m not scared to be seen I make no apologies, this is me …This is me
– This is Me.

 

Ok. Quando não é o desejo de desistência sem motivo é a questão da autoconfiança que gera uma interrupção na composição do espetáculo. Um motivo que também emperra tudo. Que sinaliza que há algo de muito errado com quem somos e o quão absurdo é acreditar que somos capazes de sair da zona de conforto para dar vida a algo magnífico.

 

Não há nada de errado com você. Acredite em mim.

 

Sonhos são difíceis, mas, se você ouviu a vozinha, saiba que esse ato é uma vitória. Nem todos têm essa chance de perseguir seus amores e torná-los fontes contra a rotina prática. Então, é melhor se convencer de que perseguir e dar vida ao propósito é justo. Você tem essa chance, então, não a desperdice.

 

A vida em picos parece que não ajuda ninguém. Um dia está tudo ótimo. Um dia está tudo péssimo. Quando tudo é cinza, voltamos para a gaiola. Em alguns casos, que parecem drásticos, queremos jogar a chave para longe. Apesar de parecer maravilhoso começar a desenhar seu espetáculo, ocorre de você achar que a atitude de sair da bolha quentinha não passou de um erro. De um absurdo porque “quem sou eu para fazer esse tipo de coisa?”, “há tantas pessoas melhores e etc”.

 

De novo, vamos para a conversa de travesseiro.

 

Algo aconteceu na sua vida para que adiasse seus sonhos. O que gera travas mais internas que externas, como se dar a chance de seguir fiel às suas vontades. Isso ocorre com todo mundo, mas você se deu uma chance. Você manejou o espetáculo que agora tem nuances jamais vistas. Você ganhou vida ao ceder à vozinha. Só que temos a verdade universal de que somos nosso próprio inimigo e é quando caímos na espiral negativa. Com isso, voltamos à rotina prática.

 

Sei que você teve completa consciência de que a vida além da gaiola é incrível. Ainda mais quando você cede, nem que sejam 10 minutos do seu dia, para cuidar do seu espetáculo particular. Em qualquer lugar, o pensamento está ali. Sonhos tomam tempo, eu disse. Projetos é o mesmo nível. Vivemos em uma zona de imediatismos e, em situações como essa, queremos fazer tudo às pressas.

 

Queremos mudar a vida rápido demais. E aí se abre brecha para pensar menos de nós mesmos.

 

Quem somos para achar que alguma coisa será diferente? Você é você. Uma figura única, com uma vontade única, e que tem grandes chances de acarretar uma mudança do bem.

 

Pelos olhos da insegurança de quem somos e do que somos capazes, miramos os outros. Ao mirar os outros, esquecemos que nós somos a peça relevante do momento. Até isso ocorrer, nadamos em receios, por vezes irreais, que podem até nos fazer ir atrás de aprovação. Às vezes, nos culpamos por nada mesmo e nos mantemos na gaiola. É mais fácil porque lidamos com absolutamente nada.

 

Nós somos nossos maiores sabotadores é verdade. Cada um tem sua história de vida que abre margem para retrocessos que podem ser diários. Outras pessoas têm uma influencia assustadora nesses momentos, mas ninguém melhor que você para compreender seus projetos e seus sonhos.

 

Ninguém melhor que você para compreender quem você é e para onde quer ir.

 

Não quer dizer que ajuda e opinião não tenham um poder positivo. Tem sim, mas é preciso peneirar o bom e deixar o ruim esvair pelo ralo.

 

É difícil, mas não impossível.

 

Você é você por uma razão, correto? Você tem machucados, aflições, traumas… Mas você não é uma pessoa limitada. Você é quem está destinada a ser. Você precisa sair da gaiola e marchar no ritmo do seu coração. No cantarolar daquela vozinha que não desistiu de você.

 

Você tem coragem. Independentemente do que a vida lhe trouxe de negativo.

 

Você tem sua vocação.

 

Você tem seu propósito.

 

Não tenha medo de ser vista. Ouvida. Seja indesculpável.

 

Lembre-se dos questionamentos essenciais: aonde você quer ir? Aonde você quer estar?

 

Esqueça a gaiola e pegue essa chave. A magia está fora dela.

 

Whats waited till tomorrow starts tonight!
It starts tonight!
Let the promise in me start
Like an anthem in my heart
– From Now On.

 

Você retornou ao seu propósito e feels like home, não é? É seu chamado e é nesse ponto que as coisas têm mais sentido. O ponto em que você se sente viva. O ponto que tudo faz sentido. Que lhe dá suporte para enfrentar uma rotina que não lhe faz tão feliz (ao menos no âmbito trabalho).

 

Diariamente, somos cercados por coisas que mais desgostamos que gostamos. Cabe a nós transformar o nosso meio. E o começo é dando voz a quem somos e ao que queremos.

 

Ao que desejamos botar neste mundo. No caso, o propósito.

 

Qual é o tema do seu show? Criar uma ONG? Escrever um livro? Viajar? Você pode tudo!

 

O importante é se manter fiel à trajetória. Manter-se fiel a si mesma. Interrupções sempre ocorrerão, mas as veja com positividade. O mesmo para as hesitações e os empecilhos. São adversidades que testam tudo que somos, ou achamos que somos, para finalizar o espetáculo.

 

Um espetáculo que pode e deve rodar por muito e muito tempo. Tenha força!

 

Depois de dias e dias passando na companhia daquilo que você ama e que acredita ser o certo, aquilo que completa o seu ser, não há gaiola que lhe prenda. Você quer se manter além da linha tênue, da zona de conforto, mas saiba que a tentação de retornar para lá seguirá. Quem sabe, para sempre. Em contrapartida, é ok ficar um tempinho lá. Desde que você não passe a chave e jogue fora.

 

Agora, sobre deixar as coisas para amanhã. Bem, por que não fazer hoje? É um bom pensamento, especialmente quando sentir vontade de desistir. Porque o importante é fazer, em dias bons e ruins, como diria Neil Gaiman. Sua arte importa. Quem você é importa. Somos importantes e precisamos reconhecer e aceitar isso também porque ninguém o fará.

 

Não deixe a genuinidade do seu propósito se perder. Não projete o seu no do outro. Não se deixe transformar por opiniões e por conselhos que agregam em nada. Seja fiel a quem você é e ao que deseja. Daqui por diante, não deixe que seus olhos sejam nublados por mentiras.

 

Mentiras que contamos a nós mesmos. Mentiras que ouvimos dos outros.

 

Lembre-se de que ninguém fará nada disso por você. A não ser você.

 

Daqui por diante, você se manterá nessa casinha e a construirá pouco a pouco. Todos os dias. Você lidará com suas ferramentas, seus instrumentos, e modelará esse palco. Pode levar dias, semanas, meses e anos… Mas uma hora esse espetáculo estará diante dos seus olhos.

 

O espetáculo é sua vida e cabe a você criar a melhor montagem e a melhor história.

 

Então, se lembre de que tudo que você joga para amanhã pode ser feito hoje. Em qualquer horário. A qualquer momento. É uma promessa que se transformará em um hino em seu coração.

 

A vozinha é a faísca para um grande show. Escute-a. Dê bola para o pensamento que não sai da sua mente. Abra a gaiola e se permita a essa mudança. Uma vez feito isso, provavelmente você verá que nada mais será o mesmo. Que você não será mais a mesma.

 

Não ignore o que você acredita.

 

Não aceite ser a renegada da sua própria história.

 

Batalhe sempre para tornar o impossível em possível.

 

 

O Rei do Show - This is Me

 

O Rei do Show foi o último filme que vi em 2017 e que marcou minha primeira ida ao cinema em minha própria companhia. Fui norteada pela ideia fixa de que precisava conferi-lo nas telonas, de qualquer jeito. Ultimamente, ando meio avoada com as coisas que envolvem o entretenimento, mas, por algum motivo insano, algo dentro de mim estalou ao ponto de eu fazer questão de ir – embora não tivesse planejado em ir sozinha e foi algo que simplesmente se abriu e aproveitei a chance.

 

Não é um musical com uma storyline perfeita, mas, ainda sim, tem um peso muito significativo se você estiver aberto à mensagem. Tudo que você precisa para compreender este mundo é traduzir as músicas. Quem sabe, impor seu próprio significado a elas, algo que fiz com este post. Embora tenha escrito o texto acima centralizado em propósito, O Rei do Show tem muito sobre aceitação também. Palavrinha que dá aval para sermos indesculpavelmente quem somos e para criarmos o melhor mundo ao nosso redor.

 

A premissa traz o que chamaríamos de freak show, com pessoas com aparências e origens diferentes escaladas para participar do circo de P.T. Barnum. Um cara que perdeu o emprego e teve que se reinventar na carreira. Uma pegada romantizada, mas que ainda consegue confortar o coração. Afinal, todo mundo quer se autoaceitar e vencer na vida.

 

O grupo escalado se torna prato cheio para o mundo externo, representado por pessoas padrão que fazem chacota de quem é diferente. Assim, se acende o drama em cima do complexo de inferioridade e da inadequação. Além das portas desse circo há um mundo muito nosso, que enfrentamos todos os dias para sermos vistos e ouvidos por quem somos. É nossa batalha diária buscar e manter nossa autenticidade quando o que fazem é nos rotular o tempo inteiro.

 

Uma vez aceita essa autenticidade, você consegue se sentir imparável. Você quer o seu melhor. Você começa a cultivar sua autoconfiança. Você quer ir longe. E você é capaz de ir, independentemente das adversidades. Independentemente do seu passado. É só pegar a chave e abrir a gaiola.

 

Não que seja uma tarefa fácil, mas penso que chega uma hora que não dá mais para viver em atrofia. Viver atrofiado dentro de nós mesmos e O Rei do Show entrega essa libertação.

 

O Rei do Show despertou muitas coisas em mim. Minha intuição estava correta ao me alfinetar para vê-lo, dizendo que eu precisava dessa história. Não é à toa que me vi chorando já nos primeiros minutos. De certa forma, este musical me impulsionou a sair da atrofia. Não tem sido perfeito, mas sempre dou um jeito de lembrar do meu propósito. Tento me manter fora da gaiola para criar e recriar meus projetos. Para acreditar um pouco mais em mim e em minhas habilidades.

 

Este musical me abriu para a verdade de que podemos fazer o que quisermos agora – e sou a campeã da procrastinação. Abriu-me para a verdade de que somos os donos do nosso próprio show.

 

Um show que nada mais é a vida e precisamos reivindicar sempre nosso protagonismo nela.

 

Uma parte de mim sabia que eu encontraria alguma mensagem para levar rumo ao meu 2018. E eu encontrei… Muitas mensagens. Eu sempre me senti a renegada da minha própria história, algo meio provado em 2016. Ano em que vivi dentro da gaiola e neguei meu protagonismo. 2017 me abriu para possibilidades que me permitiram voltar à luta e 2018 vem sendo teste de adversidade.

 

Sempre fui a favor de fazer o que ama. Sempre adotei as palavras de Faça Boa Arte do Gaiman. O Rei do Show entra como um complemento desse Manifesto, um reforço espiritual de que eu posso tudo. E você também.

 

É sempre hora de retornarmos para casa, ou seja, para o que complementa/completa nosso ser. A vida é curta e tenho cada vez mais essa noção quando cogito postergar meus projetos para o futuro. Algo que tenho aprendido todos os dias. Afinal, quem terá que erguer esse espetáculo sou eu.

 

A ideia fixa para ver esse musical culminou em outra fixação de não conseguir deixar de pensar nele até este presente momento. As músicas se tornaram meus mantras pessoais, pois são otimistas e impregnantes. Foi uma experiência incrível e espero falar mais sobre quando o filme estiver disponível para o lar (porque apesar deste texto, uma resenha se faz necessária).

Stefs
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