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19/fev

Acredito que, desde 1996, com meus dez anos de idade, acompanho a cerimônia do Academy Awards, a maior premiação do cinema. Minha memória começou efetivamente a registrar a consagrada entrega dos prêmios apenas dois anos depois, quando um tal filme chamado Titanic levou 11 estatuetas.

 

Tradição familiar criada com meu pai, todos os anos sentávamos na poltrona da sala e, ansiosamente, iniciávamos nossa torcida. Começamos nosso bolão, sem um prêmio específico em mente, apenas para registrarmos nossos palpites. Sempre analisando e discutindo sobre nossos prediletos.

 

Existem diversos momentos que marcam essas cerimônias. Desde discursos exaltados e emocionados a roupas elegantes e extravagantes, o Oscar não seria o que é sem os famosos upsets. Em outras palavras, ver seus favoritos saírem de mãos vazias ao final da noite. Falando em favoritos, foi em 1999, durante a 71ª edição, que podemos celebrar a indicação de nossa preciosa Fernanda Montenegro por Central do Brasil. Foi nesse mesmo ano que fiquei indignada pela primeira vez, algo que, naturalmente, se repetiu nas edições seguintes.

 

Lembro quando Gwyneth Paltrow levou o Oscar de atriz principal por Shakespeare Apaixonado. Lembro vivamente da minha frustração ao ver a esnobada que Cate Blanchett levou. Sua interpretação como Elizabeth, no filme de mesmo título, deveria ter lhe rendido a vitória, independentemente da lei de compensação que viria anos depois.

 

Em 2000, foi a vez de continuar indignada com a predileção de Beleza Americana. Independentemente da crítica social e comportamental que aparenta, nunca compreendi. Inclusive hoje, com maturidade, continuo não entendendo as motivações da crítica e da Academia ao consagrá-lo.

 

Navegando além do glamour e do prestígio de Hollywood, o que me alegra é que posso dividir tal paixão com meu pai. Ainda hoje, a oceanos de distância, ele continua assistindo ao Oscar comigo, mesmo que por mensagens no WhatsApp. Sessões pipoca regadas a muitos risos e crises de choro – tanto meus pais quanto eu somos bem emotivos. Variados em gênero, os filmes sempre fizeram parte do nosso dia a dia.

 

Hoje, terei a chance aqui no Random Girl de dividir um pouco da minha paixão pela sétima arte. Além disso, seguir essa tradição que me acompanha por duas décadas. Confesso que não é fácil, pois no momento dependo da boa vontade da minha internet e do canal streaming. E tudo isso somado ao fuso horário, o que acarreta uma batalha até contra o sono – que não me arrependo de travar.

 

Diferente da minha experiência 20 anos atrás, a cerimônia e a indústria em si passam por um momento barulhento e turbulento atualmente. Digo barulhento, pois a era do silêncio clama por um fim. Independentemente do posicionamento contrário de muitos, alegando que a Caça às Bruxas voltou, movimentos como #METOO e #TIMESUP devem ser levados a sério. Acredito que não deveriam incomodar tanto, dado a natureza de seu propósito e a quantidade de vidas que foram destruídas e prejudicadas. Isso ocorre desde que o mundo é mundo e não apenas em Hollywood.

 

Creio que não seja necessário citar o nome daquele que sacudiu a indústria no ano passado. O responsável por desencadear uma série de eventos e impulsionar as vítimas a vir à frente para relatar intensos históricos de abuso verbal e sexual. Foi impossível não citar os últimos acontecimentos que assombraram e ainda assombram a vida de muitos. Chegou o momento de buscar, acreditar e agir rumo à mudança. E se isso repercutirá fora de Hollywood, somente o tempo dirá.

 

Anunciados em 23 de janeiro pelos atores Tiffany Haddish e Andy Serkis, os indicados ao 90º Academy Awards variam entre um romance fantasioso até acontecimentos que marcaram a humanidade. Diferente do meu usual comentário categoria por categoria, dessa vez opinarei sobre os principais indicados em suas respectivas categorias. Cada uma das produções abaixo se destacaram de alguma forma, umas cativando e envolvendo mais que outras. Porém, cada qual com sua relevância e seu impacto.

 

Confesso que ainda sou favorável a mais que cinco filmes indicados a Melhor Filme, pois, caso contrário, acabaria limitando as chances. Sem dúvidas, causaria diversos upsets. E é com um leque maior de candidatos que produções independentes e filmes que fogem da isca Oscar – filmes nitidamente produzidos para receber indicações – ganham mais destaque.

 

Não que ter “Oscar Material” seja algo negativo.

 

A Forma da Água

 

Oscar - A-Forma-da-Água

 

13 indicações: Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante, Ator Coadjuvante, Direção, Roteiro Original, Cinematografia, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som, Design de Produção, Trilha Sonora e Figurino.

 

Antes mesmo de falar sobre meu filme favorito, vale ressaltar quão importante é a assinatura que Guillermo del Toro deixa em cada um de seus projetos. Durante anos, ele trabalhou como assistente de maquiagem até dar voz à sua grande paixão, criando sua primeira empresa, a Necropia.

 

Aficionado pelo macabro, sombrio e fantástico, pouco a pouco, criou sua assinatura. Filmes como Cronos e A Espinha do Diabo deram o pontapé inicial em sua carreira. Porém, foi com O Labirinto do Fauno, sua criação sombria fantástica, que ele fincou os pés em Hollywood.

 

O recebimento da crítica e do sucesso de bilheteria nunca o fizeram ir contra aquilo que acredita. Ele é amante das criaturas e ficou conhecido por suas ideias nada convencionais e seus projetos paixão.

 

Depois de uma recepção dividida com seu intenso romance gótico, A Colina Escarlate, chegou o momento de mais uma de suas criaturas tomar o centro de sua narrativa. Na realidade, por trás de uma grande mente, existe, nesse caso, um grande monstro. E por trás do monstro, existe um homem chamado Doug Jones. Abe, Fauno, Surfista Prateado e Comandante Saru foram algumas de suas criaturas.

 

A Forma da Água é, sem sombra de dúvidas, o trabalho mais ousado do diretor, mesmo com fraca recepção no box office norte-americano. Foi com ele que del Toro recebeu sua primeira indicação na categoria Melhor Filme e Melhor Direção. Além disso, a indicação de Melhor Roteiro Original, esse coescrito com Vanessa Taylor. Com 13 indicações, temos o recordista deste ano e meu coração reserva uma delas em mérito à Doug Jones por sua interpretação como o Homem Anfíbio.

 

Elisa Esposito é nossa protagonista e sua atriz não é, digamos, a escolha hollywoodiana esperada. Doce e dona de um timbre de voz sutil, Sally Hawkins ganhou reconhecimento no circuito independente com o primeiro filme que protagonizou, Caçadora de Maridos. Em A Forma da Água, ela é a musa humana de del Toro. Sua descomunal força, para além das limitações de sua personagem, a coloca no hall de minhas atuações favoritas. Tamanha entrega, rendeu a nomeação de Melhor Atriz, na qual acredito que deveria levar.

 

A personagem possui uma particularidade: é muda. Diferente de muitos casos, sua audição não foi prejudicada. Eis então que entram os dois pilares para essa destemida heroína que tem muito a dizer. Octavia Spencer e Richard Jenkins, ambos indicados como Atriz/Ator Coadjuvante, interpretam Zelda e Giles, o núcleo de apoio. Ambos, assim como a amiga, representam tudo que a sociedade, principalmente na década de 50, condena e quer expurgar.

 

Diferente de tudo que já vi, A Forma da Água é, no maior clichê da afirmação, o tipo de filme que o mundo precisa agora. Como del Toro mesmo disse durante o Q&A do filme no Festival de Toronto, podemos escolher entre o medo e o amor. A escolha não lhe define efetivamente, afinal, nossas ações podem ser boas ou ruins durante todo nosso dia. O que realmente importa é como você finaliza sua história. Amor é a resposta, por mais bobo e ingênuo que soe.

 

“Eu movo minha boca como ele. Eu não emito sons como ele. Tudo que sou, tudo que já fui, me trouxe a ele. Quando ele olha para mim, não sabes o que me falta ou quão incompleta sou”.

 

Tal citação é o core desse romance fantástico que consegue balancear o surreal e o sensível na mesma medida. Surreal, pois, até antes de nos depararmos com a icônica criatura, a história navega na rotina de Elisa e Zelda como zeladoras de um laboratório experimental do governo. Elisa serve como a ponte para o telespectador embarcar nessa história, que mescla o encanto dos filmes daquela época com a brutalidade de um thriller.

 

Inicialmente apresentado como Monstro ou, como prefiro, Homem Anfíbio, vemos pouco a pouco esses dois, tão distintos em sua fisionomia, mas tão similares em suas almas, se aproximar. Vítima da ganância e do abuso de poder, sua prisão se transforma na ponte que o conecta à Elisa. Mesmo quando o real monstro nasce na figura do Coronel Richard Strickland, brutalmente interpretado por Michael Shannon, o laço entre esse inusitado duo se afirma.

 

Sensual, musical, visionário e, acima de tudo, representativo, vislumbramos personagens que normalmente não teriam espaço para que suas narrativas fossem contadas. Mas, aqui, desde aqueles que não conseguem se expressar por palavras até aqueles que colocam a mão na massa pra ajudar, provam que existe sim uma escolha. Pai dos Monstros mesmo disse, ela é o Amor. E o fim dessa história só poderia ser de quem lhe compete.

 

Guillermo lacrou a corrida ao levar o DGA, prêmio dos diretores, sinalizando a crença de que o Oscar será dele. Já quanto a Melhor Filme, a disputa é contra Três Anúncios para um Crime, que levou o SAG, prêmio dos atores, grande divisor na decisão para o prêmio da noite. Nas demais categorias, possui grandes chances com Melhor Trilha Sonora, mais um estonteante trabalho de Alexandre Desplat.

 

Dentre os prêmios técnicos de som, acredito que a presença de Dunkirk diminui as chances. Com os prêmios da categoria ainda a serem definidos, fica em aberto as possibilidades do longa para Melhor Cinematografia e Melhor Figurino, assim como o impasse de Melhor Design de Produção, que consagrou Coco na premiação do sindicato correspondente.

 

Dunkirk

 

Oscar - Dunkirk

 

8 indicações: Melhor Filme, Direção, Cinematografia, Edição, Edição de Som, Mixagem de Som, Designer de Produção e Trilha Sonora.

 

“A escolha que ninguém mais faria, a escolha certa!”

 

Com as palavras de Harvey Dent em Cavaleiros das Trevas, chega a vez de falar sobre um homem. Um homem que, assim como del Toro, segue uma cartilha bem inusitada e única para criar seus épicos. Sejam eles para desconstruir a mente humana ou para trazer caos à Gotham City.

 

Conhecido por brincar com as narrativas, essas muitas vezes atemporais, Christopher Nolan possui uma mente que acredito ser bem similar às camadas de sonho presentes em seu A Origem. Maduro profissionalmente e extremamente reservado em sua vida pessoal, ele conta com a presença de alguém bem especial em cada um de seus projetos, desde seus curtas idealizados nos tempos de faculdade. Seu nome é Emma Thomas, produtora e esposa. Curiosamente, Jonathan Nolan, seu irmão, cocriou e produz Westworld da HBO com a esposa, Lisa Joy.

 

Explorador da natureza humana, seja por meio da distorção da realidade ou da impressionante jornada em busca do propósito e da verdade, Nolan instiga, com cada uma de suas criações, muitas delas coescritas com seu irmão Jonathan, uma paleta de sensações que permite que sua audiência embarque naquele universo. Ele é o tipo de diretor que acredita no processo criativo e preza uma constante em suas produções. No caso, escalar alguns atores com quem já trabalhou. Além disso, manter um círculo leal com sua equipe técnica, tendo trabalhado com o mesmo profissional de edição e de cinematografia em todos seus filmes, com pequenas exceções.

 

Ele ganhou reconhecimento nos Anos 00 com os thrillers psicológicos Momento e Insônia. Porém, seu grande estouro foi na nova visão que criara para o icônico vigilante de Gotham. A trilogia Cavaleiro das Trevas quebrou todos os precedentes, dando um novo ar ao universo dos super-heróis. Fincado atualmente, essa história desconstruiu tudo que um dia imaginávamos conhecer sobre o Bruce Wayne e seu alter ego, Batman. Sombrio e envolvente, se tornou um épico que vai além do gênero cultural do qual pertence.

 

Interestelar e A Origem trazem uma nova fase em sua carreira. Ambos rompem qualquer quesito estrutural visto que os roteiros são totalmente recortados e brincam com o tempo. Seja na estrutura narrativa ou na percepção dos personagens.

 

Dunkirk é um dos filmes de Nolan com menor tempo de exibição (107 min.). Ainda sim, o longa nos arremessa no meio de seu claustrofóbico espetáculo. A evacuação de Dunkirk foi o ponto de virada na carreira política de Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, e o roteiro traz um viés diferente diante de produções que focaram o papel desse homem na guerra.

 

Aqui, há destaque para seus principais agentes, ou seja, os soldados. O mesmo para os civis que ajudaram e arriscaram suas vidas nesse mesmo período. Com ausência de diálogo em boa parte de suas cenas, o elenco, liderado por Mark Rylance, Tom Hardy, Kenneth Branagh e o novato Fionn Whitehead, preenche o silêncio quebrado pelas explosões e pelas inúmeras tentativas de resgate.

 

Nolan finalmente foi reconhecido pela Academia ao ser indicado para Melhor Direção, pois seu Dunkirk é um marco de excelência. Prova que és um mágico por trás das câmeras. Seu épico não é propriamente um filme de guerra, mas sim sobre como os personagens envolvidos agem nesse caos.

 

Nas demais categorias, Hans Zimmer arrebata mais uma indicação de Melhor Trilha Sonora. Categoria em que disputa com o titã John Williams, que visita novamente o universo de Star Wars. Dentre os prêmios técnicos, Dunkirk tem tudo para ser o Mad Max: Estrada da Fúria deste ano, pois preenche todos os requisitos, além de ser uma master class para os sentidos.

 

Como A Forma da Água, alguns dos prêmios ficam a cargo do impulso que os Sindicatos proporcionarão aos seus vencedores.

 

Três Anúncios para um Crime

 

Oscar - Três Anúncios para um Crime

 

7 indicações: Melhor Filme, Atriz, Ator Coadjuvante (dois concorrentes), Roteiro Original, Edição e Trilha Sonora.

 

Conforme esperado, certos filmes começam no topo e, aos poucos, perdem o fôlego na reta final. Isso aconteceu com La La Land no ano passado, não que tenha prejudicado suas chances de levar prêmios, pelo contrário. Três Anúncios para um Crime parece estar fadado a mesma sina, mas é impossível prever o resultado final. Principalmente na categoria Melhor Filme, no qual parece seguir na frente, graças à vitória no SAG Awards.

 

Muitos acreditavam que a disputa ficaria entre TAPUC e A Forma da Água, mas uma tal passarinha que está pronta pra voar vem a um certo tempo arrancando elogios. Seja por suas reviews no site dos tomates podres ou na maioria das críticas especializadas ao redor do mundo.

 

McDonagh é um rosto novo em Hollywood, com apenas um longa no currículo. Dramaturgo convertido à grande telona, fez seu retorno após dez anos desde o lançamento de In Bruges. Sucesso de crítica e reconhecido com o prêmio BAFTA de Roteiro Original, ele proporcionou a Colin Firth e Brendan Gleeson o melhor papel de suas carreiras. Já aqui, temos outro caso de escolha de elenco perfeita.

 

Confesso que, quando entrei na sala de cinema, esperei uma coisa e me deparei com outra completamente diferente. O filme toca, mesmo que de forma não explícita, um tema marcante: racismo. E foi aí que o backlash recaiu sobre o longa, com intensas críticas pela maneira com que o roteiro encobre o comportamento e a escolha de um de seus personagens.

 

Definiria TAPUC como um filme bem ritmado e estruturado. Que navega por diferentes temáticas. Luto, vingança e redenção são os componentes principais de sua jornada. Porém, mesmo que cada um desses temas se conecte, no final tudo gira em torno, naturalmente, dos anúncios na beira da estrada Ebbing, localizada em Missouri. Anúncios colocados para incitar a polícia local, mais especificamente o Xerife.

 

Ebbing é a típica cidade sulista norte-americana, o que faz com que o roteiro tenha tentado mostrar que algumas atitudes eram “comuns” na época. Sim, não se pode retratar uma década de maneira diferente, mas ignorar completamente o fato não é a melhor saída. Ainda mais no clima atual.

 

Sem aprofundar nos pormenores do que aconteceu, acompanhamos a jornada de uma mãe sedenta por respostas sobre a horrenda morte de sua filha adolescente. Mildred Hayes passa por aquilo que ninguém gostaria de passar e McDormand traz tamanha profundidade, angústia e uma sede insaciável para a sua personagem que quer resultados. Algo que a polícia local ainda não conseguiu dar. São suas escolhas, nada ortodoxas, que ditam o rumo de tudo que acontece a partir do momento que ela compra os outdoors.

 

Eis então que o personagem mais controverso do filme surge. Sam Rockwell é aquele tipo de ator que trabalhou muito desde o início dos anos 90 e sua presença em Três Anúncios para um Crime é diferente do que estou habituada. Acompanhei-o no circuito independente, em que sua presença é mais constante, nas produções Confissões de uma Mente Perigosa, O Verão da Minha Vida (excelente filme e atuação) e Mr. Right (olá Anna Kendrick). Aqui, como ele mesmo disse, foi a chance de fazer parte de um filme que será visto por diversas pessoas.

 

Claro que isso não é uma crítica ao cinema independente, mas é entendível para um ator do background dele querer fazer parte de uma produção e de um elenco que gera, independentemente da inclinação, visibilidade.

 

Indicado a Melhor Roteiro Original, acompanhamos a vida de distintos personagens. Cada um lida com aquilo que os define. E não importa que decisões tomem, suas ações repercutirão para sempre na vida daqueles ao redor.

 

Difícil agradar a todos, mas, para aqueles que assistiram, terão que concordar com a mesma coisa: temos aqui um elenco estelar. Um grupo que brilha, cada um à sua maneira e importância. Frances McDormand, indicada pela segunda vez a Melhor Atriz, lidera um cast de causar inveja em qualquer produção. Sim, eles são mesmo excelentes.

 

Apesar de excelente, o roteiro pecou com Jason Dixon, interpretado por Sam Rockwell. Sem tirar os méritos dessa excelente atuação, que lhe rendeu uma indicação como Melhor Ator Coadjuvante, houve sim um descuido em mostrar as conturbadas camadas do seu personagem. Dixon é impulsivo e cheio de conflitos. Isso é perceptível em um dos momentos pivôs, visto quase no final do filme, mas, novamente, pouco entendemos sobre seu histórico. Sabendo que tudo que é explorado em demasia pode se transformar em uma faca de duas pontas, pincelar tal aspecto gritante da personalidade desse policial torna seu desfecho um pouco surreal.

 

Voltando para o último membro dessa trindade, fica impossível não se deslumbrar com a presença de Woody Harrelson, também indicado a coadjuvante. Em qualquer produção há seu comprometimento, desde o filme mais esquisito e alternativo até uma franquia multimilionária. Seu Xerife Bill Willoughby entra em cena servindo como saco de pancadas de Mildred, mas revela outro propósito. Ele carrega então o título de bússola moral desses quebrados e incompletos personagens, independentemente da escolha que ele próprio toma em relação ao seu avançado câncer.

 

Passa bem longe como meu favorito desta temporada, mas se me perguntassem se o recomendaria, eu diria que sim. TAPUC não foi criado com a intensão de gerar controvérsia, mesmo que tenha caído nela. Vejo que houve uma tentativa de se redimir no final, mesmo sem conseguir dar combustível suficiente para explorar certa realidade.

 

O Destino de uma Nação

 

Oscar - O Destino de uma Nação

 

6 indicações: Melhor Filme, Ator, Cinematografia, Design de Produção, Maquiagem & Cabelo e Figurino.

 

Lembram quando eu comentei sobre “filmes isca para o Oscar”? Bom, Destino de uma Nação é a prova disso. Dentre os nove indicados a Melhor Filme, este se encontra em último lugar na minha lista. Existem diversas produções que focam intensamente na transformação física do ator para interpretar determinado papel, seja com aumento ou diminuição de peso e ou uso de próteses. E aqui não é diferente. Sendo assim, é bem provável que leve o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo.

 

Lembro quando Todo Dinheiro do Mundo focou todo seu trailer na revelação bombástica sobre a transformação física do embuste. Agora veja no fim o que rendeu.

 

Com seis indicações, sendo que duas delas são certeiras de vitória, fico a pensar o que existe de inovador em mais uma personificação do primeiro-ministro britânico. Mas aí talvez seja meu fator de distanciamento histórico falando mais alto. Sabemos do dinamismo e da relevância dessa figura na história da humanidade. Assim como também sabemos sobre o impacto de suas escolhas perante alguns importantes eventos, sendo o maior deles na 2ª Guerra Mundial.

 

Diferente do filme de Christopher Nolan, aqui o roteiro gira única e exclusivamente em torno de Churchill, interpretado por Gary Oldman. Um ator, conhecido por todos, que ficou diversos anos no ostracismo após uma época de ouro nos anos 90. Segundo ele próprio, um dos motivos que aceitou entrar em grandes franquias como Harry Potter e a Trilogia Cavaleiro das Trevas foi porque precisava de dinheiro. O que não é algo ruim para se comentar, pois é o seu ganha pão.

 

Interpreto meu possível descaso com o filme devido à intensa presença de produções com a figura política em questão nos últimos dois anos. Há Churchill, também lançado em 2017, e The Crown, a cativante produção de alto orçamento da Netflix. Apesar de focar em diferentes aspectos, ainda assim fiquei mais fascinada com a rendição de John Lithgow aos maneirismos de Gary Oldman durante todo o filme de Joe Wright.

 

E nem ajudou o fato de Wright ser o diretor – que assina dois dos meus filmes favoritos, Orgulho e Preconceito e Desejo e Reparação. Inclusive, o episódio Nosedive de Black Mirror. O real problema não recai em sua notória habilidade por trás das câmeras, mas sim pela falta de dinamismo entre o roteiro e a caricata atuação de Oldman, que levará o Oscar de Melhor Ator.

 

Trama Fantasma

 

Oscar - Trama Fantasma

 

6 indicações: Melhor Filme, Ator, Atriz Coadjuvante, Direção, Trilha Sonora e Design de Produção.

 

Quando recebi a notícia de que esse seria o último filme de Daniel Day-Lewis, meu coração parou. Detentor do recorde de três estatuetas, ele decidiu se aposentar aos 60 anos. Não importa o tempo, ele contribuiu imensamente para o ramo e marcou a vida de diversas pessoas. O que me conforta um pouco é saber que seu final bow foi com ninguém mais que Paul Thomas Anderson.

 

Trama Fantasma marca a segunda colaboração entre o ator e o diretor. A primeira foi no excelente elogiado e premiado Sangue Negro, que rendeu o segundo Oscar a Day-Lewis.

 

Lembro que assisti Magnólia na adolescência. Como tenho problemas de memória, principalmente muito distante, precisaria revê-lo. Afinal, sou o tipo de pessoa que tem uma memória sensitiva e emotiva muito mais aguçada que a memória ligada a fatos e a detalhes. Sem precisar revisitá-lo no momento, me recordo da sensação que tive ao assisti-lo, algo como embarcar em uma intensa trama regada de personagens interessantes e, ao mesmo tempo, fora do compasso de suas realidades.

 

Dentre outras criações de Thomas Anderson, O Mestre ainda é meu favorito. A presença de minha amada ruiva Amy Adams e dois dos meus atores prediletos, Joaquim Phoenix e Philip Seymour Hoffman, contribuiu muito para minha escolha. O que sinaliza o quanto ele ama grandes e poderosos elencos.

 

Despercebido nas bilheterias, Trama Fantasma nos suga para o dia a dia atribulado da família Woodcock, dona de uma das mais renomadas casas de alta costura de Londres. Reynolds Woodcock é a mente criativa e sua irmã, Cyril, faz com que o casarão mantenha o ritmo e a constante produtividade das criações. Com excentricidades e hábitos incorrigíveis, Woodcock é o tipo de homem que precisa que o mundo gire ao seu redor. Desde a maneira com que as pessoas se comportam até seus relacionamentos, todos eles não duradouros, com diversas mulheres.

 

Conforme acompanhamos seu processo criativo, sem contar sua metódica rotina matinal, que inclui extremo silêncio, percebemos a dinâmica com sua irmã. Silenciosa, porém muito observadora, Cyril mantém o casarão sempre em andamento. Ela administra o trabalho da gigantesca equipe de costureiras e acompanha o temperamento do irmão. Principalmente quando percebe que a “musa da vez” já está com o prazo de validade vencido.

 

Lesley Manville era até então um rosto desconhecido a mim. Desde que a vi nesse filme, resolvi investigar um pouco sobre sua carreira. Afinal, sua presença em Trama Fantasma é perceptível e profunda. Indicada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante, sua Cyril externa no momento certo o ácido humor negro. Este que aflora sempre que lida com seu excêntrico irmão, figura que rendeu a Day-Lewis mais uma indicação de Melhor Ator.

 

O grande ponto de reviravolta da trama é o momento casual em que Woodcock conhece Alma, uma garçonete de um restaurante local. Meiga e aparentemente simplória, a moça automaticamente se encanta com a presença intoxicante do estilista. Tamanha instintiva conexão os leva ao primeiro encontro. O que se transforma em uma constante até o momento em que ela passa a morar no casarão. Vicky Krieps capta cada nuance da personagem e, após a primeira hora do filme, somos reapresentados a Alma.

 

Trama Fantasma mostra quão abusivo e obsessivo um relacionamento pode se transformar. Não interessando o tempo em que se está com aquela pessoa. Inicialmente, Reynolds causa mais impacto, pois sua personalidade sempre esteve ali, gritante ao olhar de todos. Alma, no entanto, de maneira gradativa, conforme o relacionamento se intensifica, surpreende. Sua transformação é tanta que sucede uma trágica sequência de acontecimentos que marca a vida do casal para sempre.

 

Envolto ao glamour e ao intoxicante desejo pela perfeição, esse é o tipo de filme que, assim como O Mestre, incomoda. Tudo que sai da mente de Thomas Anderson instiga e faz refletir sobre as conexões humanas. Sejam elas das mais banais as mais sucintas. Por isso que seu mais recente trabalho deve sim ser conferido, independentemente da mídia e do quanto faturou nas bilheterias.

 

Por fim, se vocês se ligam nesses detalhes como eu, podem se lembrar que Paul Thomas Anderson dirigiu o curta Valentine e os clipes Right Now e Little of Your Love da banda HAIM. Por falar em musicalidade, a trilha, por sinal indicada a Melhor Trilha Sonora, foi composta por Jonny Greenwood, guitarrista do Radiohead. Greenwood já colaborou com Paul em outros três longas. Cortante e incômoda, seu trabalho capta cada fibra do filme e de seu elenco que entrega, na mesma medida, performances que com certeza os marcarão para sempre.

 

Dentre os indicados a Melhor Filme, guardo esse em um lugar especial juntamente com A Forma da Água.

 

Lady Bird: É hora de voar

 

Oscar - Lady Bird

 

5 indicações: Melhor Filme, Atriz, Atriz Coadjuvante, Direção e Roteiro Original.

 

Chegou o momento que mais temia neste post. Sim, pois minha relação com a criação de Greta Gerwig passou por um lento processo do qual ainda digiro. Bom, tentarei explicar de maneira mais clara.

 

Inicialmente não consegui apreciar o filme por sua proposta, independentemente da vibe familiar sempre tão próxima do meu coração. Não consegui expressar o exato motivo, mas, hoje, vejo que o momento que o assisti não foi dos melhores: noite anterior a minha viagem de retorno para Dublin. Vi-me deixando o ninho pela terceira vez, desde que vim morar na Irlanda. Lugar que, por sinal, é terra natal da protagonista que acompanho desde que ela era uma garotinha.

 

Sendo bem sincera, meu histórico com Gerwig não é dos melhores. Longe de querer ser a diferente e ir contra a maré, simplesmente não simpatizo com ela como atriz. Dentre Lola Contra o Mundo, Frances Ha, Mistress America e O Plano de Maggie, apenas Mulheres do Século 20 eu realmente amei – sem deixar de lado o espetacular elenco composto por Annette Bening e Elle Fanning. Tenho essa impressão, e não pretendo ofender nenhum fã da moça, de que ela interpreta a mesma personagem em todos os filmes.

 

Então que descobri que ela havia escrito e dirigido seu primeiro filme, estrelando uma de minhas atrizes favoritas, Saoirse Ronan. Aquela atriz irlandesa que ninguém consegue pronunciar o nome. Hum, se vocês soubessem cada nome que existe nessa terra. Enfim, sem créditos como atriz, Grewig desempenhou o papel de capitã dessa história, digamos assim, biográfica.

 

Muitos não o levam a sério ou acreditam que suas avaliações, por vezes, são exaltadas ou desvalorizadas em demasia. Rotten Tomatoes, popular site termômetro de filmes e de séries, tornou-se referência para medir a qualidade de uma produção. Principalmente porque são os seus usuários que postam na página. Se acredita ou não na força do tomate podre, aí é com você. Só que Lady Bird quebrou o recorde do site, antes pertencente a Toy Story 2. O filme ganhou 164 reviews positivas consecutivas no início de seu voo nos cinemas norte-americanos.

 

Nascida em Sacramento, Gerwig retrata sua cidade natal através do olhar de sua personagem Christine aka Lady Bird. Tal apelido (que passa a ser um nome), como ela mesmo diz, foi dado a ela, por ela. O que o longa traz de importante é uma história coming of age centrada em uma garota contrária ao que estamos acostumados a ver quando se foca no sexo oposto. Tal expressão sintetiza a transição da vida adolescente para jovem adulta. O rumo da tão esperada, e depois abominada, maturidade.

 

Saoirse Ronan arrebatou a todos com sua impressionante atuação em Desejo e Reparação. Filme que lhe rendeu, com apenas 12 anos, a indicação ao Oscar na categoria Atriz Coadjuvante. Com Lady Bird, a jovem atriz de apenas 23 anos conquista sua terceira indicação como Melhor Atriz, assim como dois anos atrás por Brooklyn. Dentre romances de época, adaptações literárias e indies, Ronan possui um potencial ilimitado e conseguiu se transformar em cada uma de suas personagens.

 

E é em Lady Bird, quando deixa seu forte sotaque irlandês de lado, que vemos quão natural e próximo a realidade de muitos sua personagem é.

 

Sua realidade pode ser diferente da de muitos, mas o que acredito que Gerwig pensou foi em como nos fazer refletir com Lady Bird. Ato que nos levou ao passado, juntinho ao nosso eu adolescente. Considero essa uma fase que não vivi totalmente, mas é muito relativo o que é efetivamente ser e viver a adolescência. Não existe fase mais intensa, complexa e confusa em nossa existência. Tudo nela se intensifica, tomando proporções que, anos depois, vemos como exageradas. Por vezes, desnecessárias.

 

Como todo rito de passagem, precisamos viver esse turbilhão de emoções. Se formos colocar na prática, não existe um manual a seguir e nem um que diz como ser um verdadeiro adolescente. Até porque nem todos, por diferentes motivos, conseguem usufruir desse momento.

 

Fui pega de surpresa em alguns momentos do filme, mas, em todos eles, Saoirse dividia a cena com Laurie Metcalf, conhecida por muitos como a Mama de Sheldon Cooper em The Big Bang Theory. O núcleo dessa história recai sobre os ombros dessas duas incríveis atrizes. Gerações tão diferentes que se complementam e que elevam a atuação uma da outra. Seja em momentos como do carro em movimento ou a escolha do vestido para o baile, Lady Bird e Marion, mesmo sem muito tempo juntas, dado que a filha em breve partirá pra faculdade, conseguem enxergar um pouco além de suas desavenças.

 

Lady Bird conta com um elenco coadjuvante que contribui no desenvolvimento da protagonista como pessoa. Dentre eles está Tracy Letts, interpretando Larry, o doce pai, que serve como a ponte entre as duas mulheres da família. Lucas Hedges, como Danny, o primeiro crush e beijo que no fim toma um rumo diferente. Timothée Chalamet como o bad boy Kyle e Beanie Feldstein como Julie, sua irreverente melhor amiga.

 

Hoje, próximo a data de estreia do filme aqui na Irlanda, percebo que Lady Bird é, dentre todos os indicados, o filme que está protegido contra qualquer upset e controvérsia. Em linhas diretas, é um filme verdadeiro, de relações humanas verdadeiras. Fui perceber mais disso conforme assistia entrevistas do elenco com Gerwig e vi como eles se sentiam orgulhosos de fazer parte de algo assim tão especial.

 

Os elogios vêm desde o público que já o assistiu até os diretores concorrendo com Gerwig. Ela, consagrada como a quinta mulher na história do Oscar a ser indicada na categoria de Melhor Direção. Depois de muitas rejeições, essa mulher atualmente poderá respirar aliviada com sua decisão de nunca desistir de ser também diretora.

 

Bom, se ainda assim não conseguem entender, acredito que existem dois outros filmes, dentre os nove indicados a Melhor Filme, que deveriam ser alvos dessa pergunta. Muito mais que Lady Bird.

 

Corra!

 

Oscar - Corra

 

4 indicações: Melhor Filme, Ator, Direção e Roteiro Original.

 

Raramente, um filme que estreia tanto tempo longe da temporada de premiações consegue se manter na conversa. De maneira a resultar chances de nomeação, como é o caso de Corra!, filme de Jordan Peele. Figura que, assim como Greta Gerwig, tem seu primeiro crédito como diretor e escritor ao ser indicado a Melhor Direção e Melhor Roteiro Original.

 

Assisti Corra! em março de 2017. Desde então, a conversa sobre sua importância e, principalmente, sua mensagem conseguiu se manter na roda de Hollywood. Diferente de tudo que já vi, o filme não se enquadra em um gênero específico, mesmo que o Globo de Ouro tenha, estupidamente, o classificado como comédia. Jordan Peele é um ator cômico, conhecido por seu trabalho colaborativo com Keegan-Michael Key, em Key & Peele, porém, se existe algo que este longa não provoca é risos. Bom, não de maneira intencional.

 

Atacando diversos temas, enfincados na comunidade afro-americana especialmente, Corra! consegue, de maneira assustadora para um debut, entregar todos os elementos aos quais se propõe discutir. Muitos o verão como mais um filme de terror, mas ele serve para uma discussão racial, política e comportamental de uma sociedade. Um debate que, mesmo após ter suas correntes quebradas, continua a viver a sombra de seu passado e do que seus ancestrais passaram.

 

Ambientado nos dias de hoje, o roteiro gira em torno de Chris, um jovem negro que encara a tarefa de conhecer os pais de Rose, sua namorada branca. Até então tudo soa bem, pois ela é superdescolada. Sem contar que a personagem sabe que os pais nunca tratariam seu namorado diferente por causa do tom de sua pele. Como ela mesma diz, eles são o tipo de pessoas que, se fosse possível, votariam no Obama pela terceira vez.

 

Peele cutuca sem medo uma conversa que nem todos estão dispostos a participar. Justamente porque existem aqueles que se irritam ao se deparar com um filme regado de mensagens e de discussões sobre o cotidiano. Se formos olhar fora da ótica do privilégio, algo que os Armitage, família de Rose, mostram claramente, relacionamentos inter-raciais estão presentes na sociedade. Contudo, dependendo de onde vivemos, os olhares ainda perseguirão o casal em questão.

 

Beirando os limites da realidade e da paranoia, Chris, mesmo tentando agir com naturalidade dentro de um estranho evento que ocorre na casa dos sogros, se sente confuso com a quantidade de pessoas desconhecidas. Como um patinho fora da lagoa, tudo parece se encaixar quando encontra Andrew, o único negro presente na festa. Além de Georgina e de Walter, que trabalham no casarão. E são justamente esses personagens que começam a se comportar de maneira estranha, como se não fossem eles mesmos.

 

Kaluuya se entrega de corpo e alma nesse filme. Ele mostra um jovem homem que, pouco a pouco, vai se desconstruindo emocionalmente. Mesmo tentando manter o controle da situação, tudo recai naquela pessoa que ele jamais imaginaria. Já Allison Williams, até então conhecida como Marnie da série Girls, mostrou que é capaz de explorar diferentes horizontes em sua carreira. Sua performance como Rose, a namorada e a filha exemplar descolada, convence a todos. Sua reviravolta ao final mostra mais profundidade à sua personagem ao que era esperado.

 

É sempre delicado dar sua perspectiva sobre algo que não se vive na pele, mas não precisamos ir muito longe para acompanhar o crescente aumento de conflitos com a polícia. Além disso, os casos, sem precedentes, de preconceito e de ignorância que afetam não só os Estados Unidos, mas diversos outros países. Prefiro não falar muito sobre algo que não me compete, mas, ver um filme como Corra! ser finalmente produzido, prova que fica a cargo dos próprios agentes começar a contar suas e outras histórias, trazendo diferentes narrativas no cenário atual.

 

Basta acompanhar a recente revolução e comoção que Pantera Negra, lançado esta semana, tem causado. Com um público sedento por representatividade, que pode ser visto erroneamente como um jargão da esquerda liberal, acompanhamos uma mudança. Mesmo que lenta nas produções.

 

Falando em Pantera Negra, o ano realmente está favorável para Daniel Kaluuya. Depois de Corra!, no qual foi indicado a Melhor Ator, o britânico ugandense faz parte desse estelar elenco 98% negro, algo que nunca ocorreu em um filme de grande orçamento e que está rodeado de expectativas. Ele também participou de um episódio da 2ª temporada de Black Mirror e, a título de curiosidade, fez parte do elenco de Skins por duas temporadas. Inclusive, escreveu alguns episódios.

 

 

Confesso que este post saiu diferente ao imaginado. A começar que tive que dividi-lo em duas partes, pois é fácil perceber o motivo após chegar ao final deste. Espero ouvir a opinião de vocês. Sem contar os favoritos para a cerimônia do dia 4 de março.

 

Semana que vem retorno com a Parte 2 do post Oscar 2018: Nomeados, Favoritos e Palpites.

Mari
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