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24/mar

Novamente, chego aqui com a dose de apatia renovada quanto aos novos desdobramentos de Chicago Fire. Quem me conhece, sabe que tenho sérios problemas quando trama fica abaixo de “construção de shipper” e, obviamente, que muito desses dois episódios não me deixou contente. Em contrapartida, o viés da dobradinha foi uma ótima estratégia para brigar, em uma bela quinta-feira, com a concorrência chamada Station 19. Confesso que estou chocada com a audiência.

 

Não entendam como um elogio quando digo “uma ótima estratégia”. Atualmente, o consumismo de shipper perde os precedentes. Fala mais alto que construção de trama. Para a emissora, é um tiro certo porque gera buzz e alimenta o lado mais aficionado do fandom que respira esse quesito. Não interessa se os roteiristas queimam etapas na construção de um romance porque, no fim, o que importa é o casal estar presente. Quem não curte tanto assim, fica como eu: ranzinza.

 

Obviamente que estou ranzinza. Ainda não acredito que assisti dois episódios com foco em romance, independentemente de ter rolado conflitos – e esses conflitos eram muito mais pertinentes.

 

A dobradinha de Chicago Fire contou com dois assuntos extremamente pontuais. Extremamente importantes. Valiam muito mais o esforço que a falsa tensão em cima da queimação de etapa chamada gravidez de Brett. Todas as Chicagos são famosas pela sua superficialidade em pautas mais urgentes e sempre que há chance de se redimir, bem, temos um resultado como este. Ou pior, como atirar no cara negro em meio à pregação de Black Lives Matter. É presunção quando essa turma foca em linhas sociais, mas rola aquela esperança de que agora vai. Até que foi, mas porque não inflaram o ego dos bombeiros. Respeitaram, ao menos, a humanidade das causas.

 

Para surpresa de ninguém, premissas como as apresentadas esta semana ficaram sob o muro. Daí, não se emite uma mensagem que valha a pena ouvir. Tudo bem que criaram paralelos, como a situação de Casey e gostei muito. Tudo bem que colocaram palavras relevantes na boca de Cruz e curti também. Só que você sabe que a pauta só está ali pelo confete por meio dos diálogos fraquíssimos. Um detalhe que me lembrou muito CPD em sua fase de querer levantar a bandeira ativista (especialmente Black Lives Matter) e só fez o favor de passar vergonha.

 

Chicago Fire ainda conseguiu sair meio que por cima ao encaixar dois personagens que se responsabilizaram pela carga dramática. Apesar do plano raso, eu curti o fato dos bombeiros sentirem a impotência de resolver violência doméstica e porte de arma. Foi bom ter ao menos a angústia.

 

Ainda sim não foi o suficiente. Não para um novo evento, mas não foi de todo ruim. Ruim mesmo só os shippers.

 

Mesmo com as nuances da violência doméstica e do debate sobre porte de arma presentes, os casais ganharam os holofotes. Em uma cajadada só. Sem a menor necessidade. Assim, você não me encaixa pauta séria com uma sequência de forçada de barra romântica.

 

Chicago Fire 6x14 - Brett e Gabby

 

Forçada de número 1: Brett e o papo de gravidez. Não tenho para quem esconder que Brettonio é um casal mal construído. Nunca teve propósito. E fez o favor de confirmar esta semana de que Sylvie é apenas booty call. Quem não se ofende com isso precisa rever este plot urgentemente porque a coisa toda é problemática. Problemática? Sim. Sylvie apareceu toda descaracterizada.

 

Descaracterização é a palavra que marca Brettonio. Laura, a ex-esposa de Antonio, foi a primeira a passar por esse processo. Em CPD, Dawson foi lá e usou um vocabulário esdrúxulo para expressar a insatisfação com a nova vida dela. O que culminou em algo nada a ver: a irresponsabilidade dessa personagem em cuidar dos próprios filhos. Fato que deu a entender que a S1 da série dos detetives de Chicago nunca existiu. Mais precisamente, o único caso que vale a pena lembrar chamado Pulpo.

 

Meses depois, Laura aparece no Batalhão e mete o slut-shaming na Brett.

 

Agora, Sylvie não tem outra linha de diálogo a não ser Dawson. A gravidez foi a maldita gota d’água.

 

Brett estava mergulhada no famigerado OOC e isso é igualmente arriscado de dizer. Afinal, a paramédica não contou com nenhum tipo de desenvolvimento individual. Tudo que lembramos dela ou é o relacionamento com Cruz ou com Otis. Agora, com Antonio. Salvo ela sendo vítima de assalto, não há mais história. Eu não reconheci a personagem. Seu posicionamento platônico me incomodou demais. É como se ela tivesse perdido a vida e agora está à mercê de um cara.

 

A forçada de barra ultrapassou ainda mais os limites quando todos os problemas de Chicago recaem agora nas costas desse detetive. Chicago Fire é um universo paralelo que só Dawson salva, empreitada que, claro, só serve para alimentar um relacionamento pobre, que não agrega em nenhuma das partes e que atropelou a caracterização de ambos. O desespero da franquia que não tem mais o shipper do buzz para se apoiar – isso porque tem Dawsey largados às traças.

 

Demorei muito para sentir raiva da Brett e eu não tenho que sentir raiva da Brett, mas de quem a escreve. E quem escreveu esse viés de storyline para essa moça precisa rever vários conceitos.

 

Chicago Fire 6x15 - Severide

 

Forçada de número 2: por quais motivos resgataram a memória de Anna? Bem, quem acompanhou minhas resenhas anteriormente, também sabe que não fui a favor dessa storyline de Severide. Da mesma forma que Brettonio, ela foi simplesmente socada na trama, repetindo o padrão do Tenente de se envolver às cegas e depois ficar com as mãos abanando.

 

O mais engraçado é que tentaram convencer de que essa angústia sempre esteve com Severide, sendo que Anna, assim como todas que ele se envolveu, caiu no esquecimento. Para dar o impulso final em Stellaride, caçaram pulga no mato em forma de um luto que não me desceu.

 

E, assim, eu pensei em Shay como causa da retração do personagem no 6×15. Mas não quero aceitar que a memória dessa linda tenha sido usada para engatar Stellaride. É muita falta de respeito!

 

Em contrapartida, eu gostei dessa transição. Não é aquele amor, mas foi um viés importante. Um viés diferente – nem tanto porque Shay foi o único luto de respeito desse jovem. Achei bacana ele dizer que está exausto de perder, o que calha em tudo que o personagem já perdeu até aqui. E é nesse ponto que mora todos os erros porque as escolhas foram dele. Ou melhor, dos roteiristas.

 

De novo, Severide se nega a ter algo e isso é muito além da morte de Anna. O cara sempre foi free spirit e é fato que os roteiristas se autoestragularam para encontrar uma forma do Tenente avançar. Ainda sim nem foi o avanço do século porque, apesar do singelo desenvolvimento, lá foi ele com mulher de novo – e fez o desserviço de queimar Stella no processo. O personagem é centralizado em não ser como o pai, mas não lhe dão chances de contar essa história. É tudo sobre mulher e sobre como sua alma precisa ser salva de um flop completo. Não dá mais para digerir isso.

 

Apesar disso, eu fico minimamente aliviada por Stellaride ter seguido outro percurso – e sabemos de que fonte ambos bebem no momento. Mesmo não concordando muito com o resgate da memória de Anna (e nem muito menos com a necessidade dela ganhar uma ala em seu nome, pelo amor da Deusa), essa foi a liga importante que tirou mais um interesse romântico de Severide do “mais do mesmo”. Houve um processo sutil de angústia que, perto de Brettonio, deu certa dignidade ao então casal.

 

Posso não ser a maior fã de Stellaride, mas ambos seguem um tanto mais digeríveis que Brettonio.

 

Só sei que foi de um exagero dar dois episódios para dois casais. Brett estava tão over que incomodou demais. E Stella tão maravilhosa, digna de uma storyline livre de homem. Fiquei muito é chateada em ver duas personagens incríveis serem reduzidas à romance. Até lamento pelo próprio Dawson, um personagem que sempre amei e que está difícil de engolir também.

 

Concluindo

 

Chicago Fire 6x15 - bombeiros

 

Os dois episódios funcionaram bem na ideia de um dia dentro do outro. Trouxe certo senso de continuidade. Além disso, drama, pois é sempre bom ver os bombeiros sem o pino. E em meio ao fogo.

 

O 6×14 trouxe o papo de violência doméstica e que poderia ter conquistado mais espaço de investigação se não fosse aquela forçada da gravidez de Brett ocupar todo o roteiro. Casey quem salvou este episódio, apesar de eu preferir uma mulher engajada no assunto porque mais empoderador. Porém, o paralelo com a mama Casey rachou o coração. Curti bastante.

 

O 6×15 veio com porte de arma mais a promessa de que alguém bateria as botas. Como era de se esperar, ninguém morreu. Como era de se esperar também, lá veio os estereótipos dos envolvidos com essa franquia. Este foi outro assunto importante que se perdeu totalmente na maré do romance. Além disso, do ocorrido com Otis, que tirou a chance de profundidade do tema – e nem foi tão ruim porque os ânimos dos bombeiros compensaram de certa forma o impacto do ocorrido.

 

Se a meta é deixar Otis na cadeira de rodas, bem, serei obrigada a lançar uma estrelinha em Chicago Fire. Faz 84 anos que esse elenco não é mexido e nem segura nada drástico, mas nem me animo. Está aí uma série que traz cura mais eficiente que todos os “exorcismos da igreja evangélica”. Queria mesmo que o bichinho ficasse nesse posto, não na maldade, mas porque ainda não desceu aquele incêndio em que todos sobreviveram. Ainda não me desce essa invencibilidade, o que me motivou a largar já duas irmãs dessa franquia. Não há realismo e a cada ano fica pior!

 

E sei que é injusto desejar isso visto que quem deveria ter morrido no incêndio do finale da S5 segue firme e forte. Sem nenhum resquício de trauma – e já espero isso ressurgir como a memória de Anna. Amo que ninguém passou por consulta psicológica. Tudo nave da Xuxa.

 

Gostei bastante de ver os chamados alongados. Não menos importante: com fogo envolvido. O que a concorrência não faz, hein? Está aí uma coisa que sentia falta e que sempre teve seu próprio jeito de funcionar nesse universo. Tratar o mesmo conflito em cada resgate aprofunda minimamente a proposta e isso sempre foi alguma coisa em meio a vários nada. Escala o drama e traz reflexão. Poderiam voltar com essa medida já que nem sabem o que criar de novo para os personagens.

 

Enfim. Houve duas propostas que poderiam ter rendido o melhor de Chicago Fire esta semana. Não foi de todo ruim, pois os caroços do drama seguraram o interesse. Quando entrava os shippers, eu só queria estar morta! Os casais serviram de balde de água fria na quentura das premissas e foi muito fácil me ver entediada várias vezes. Nem conseguia prestar atenção.

 

Esquecendo a superfluidade dos shippers, os conflitos e os resgates serviram de faísca para uma Chicago Fire há muito adormecida. Os roteiristas saíram da inércia, talvez para provar um ponto à concorrência, e resolveram nos brindar com as características que torna esta série, por vezes, dolorosa de assistir. Cruz me deixou triste. Casey também. O aspecto humano estava presente e fez esquecer muito fácil de todas as queimações de etapas românticas. Houve conflito, drama e mensagem. Bom para o “filme” de duas horas.

 

Contudo, este evento não apaga um campo minado que esta série se tornou. Derek e amigos não têm o cacife de fazer os sacrifícios necessários para que Chicago Fire saia do seguro. Além disso, coragem para mostrar que seu elenco não é imortal e nos chocar, como rolou com Shay. Fatos que, apesar das premissas desta semana, não amenizam o desdém e o ceticismo sobre os aspectos inalteráveis dessa saga. O plano atual não é confiável e não foi nem um pouco espantoso ver de novo promessas não serem cumpridas. Quando uma série só foca em shipper, já sabemos aonde é que a montanha-russa pretende ir. E isso não é nada, nadinha, bom. É desgastante.

 

Não me sinto decepcionada porque eu esperava a nova mentira da vez. Nem frustrada porque me agarrei aos conflitos como âncora de salvação de mais um evento nada especial.

 

PS: confesso que capturei um gostinho de crossover nesses episódios e isso me ajudou a sobreviver no desenrolar dessas histórias. Foi bom ver Burgess, April e Will. Saudade!

 

DuShon Monique ❤

 

Chicago Fire 6x15 - Connie

 

Gente, eu não quero acreditar que esta foi a última vez que vi a DuShon e sua magnífica Connie. Ela e a personagem mereciam tão mais, sério. Mais que ser a mulher que os caras temem. O pouco que ela fez em cena sempre aqueceu o coração. Sempre me deixou mais feliz em meio à escassez de história para a turma dos avulsos. Sempre teve sua forma de encher os olhos. Chateadíssima aqui em meu quartinho.

 

Fará muita falta sim!

Stefs
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