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01/mar

Fui realmente ingênua ao achar que a minha mente hiperventilante-award-fangirl conseguiria sintetizar o especial do Oscar deste ano tudo em um só post. Não consegui e tive que dividi-lo em duas partes – e a primeira vocês podem conferir aqui.

 

Depois de deixar minha mente descansar uns dias, devido ao esforço mental imenso, estou de volta para trazer os dois últimos filmes indicados a Melhor Filme. Além disso, mais cinco produções que me marcaram, desde sua mitologia ao seu visual (principalmente). Um deles em especial, pois tocou meu coração em cheio.

 

Reparei, depois de finalizar a Parte 1 deste especial, que este ano temos filmes com diferentes temáticas. Sejam elas sociais, culturais, políticas, fantasiosas ou cotidianas, cada um dos indicados, desde A Forma da Água, com 13 indicações, até Projeto Flórida, com apenas 1 indicação, teve sua relevância. Mesmo que muitos dos selecionados nesses dois posts não tenham sido considerados “sucesso de bilheteria”.

 

Me Chame Pelo Seu Nome

 

Oscar - Me Chame pelo seu Nome

 

4 indicações: Melhor Filme, Ator, Roteiro Adaptado e Canção Original.

 

Luca Guadagnino é um diretor italiano, muito conhecido por sua rica e leal colaboração com a atriz Tilda Swinton. Assim como a britânica, podemos dizer que Guadagnino possui uma assinatura própria pra lá de peculiar.

 

Me Chame Pelo Seu Nome é a conclusão de sua Trilogia Desejo, na qual também fazem parte duas de suas mais reconhecidas criações: Um Sonho de Amor e Um Mergulho no Passado. Despretensiosamente, comprei meu ingresso para ver este longa e confesso que a primeira meia hora foi bem incômoda. Inicialmente, tive a impressão de que estava diante de um filme, talvez, arrogante ou seguro demais de si.

 

Foi então que percebi que estava irritada com a mudança de idioma a cada duas frases. Algo meio bizarro de associar, pois não durou mais que duas cenas. Exagerada como bem sou, já pensei que essa seria a vibe do filme.

 

Não me entendam mal. Assisto filmes estrangeiros e super os apoio. Só que eu realmente não entendi porque fiz essas associações. Enfim, valeu ir contra minhas próprias picuinhas bizarras. Afinal, conforme mostra suas cores, Me Chame Pelo Seu Nome conquista em cheio.

 

O filme recebeu algumas críticas pelo fato de que, mais uma vez, atores heterossexuais interpretam homossexuais. Porém, acredito que tal crítica tenha diminuído, conforme o filme ganhava mais reconhecimento e críticas positivas no circuito.

 

Timothée Chalamet, que só depois associei com sua participação na série Homeland, e Armie Hammer, que nunca me impressionou como ator, foram os escolhidos para contar essa história. Uma história que envolve temas como o despertar da juventude, os paralelos da vivência e do sofrimento. Além do mais, como duas pessoas, de universos tão distintos, aprenderiam tanto um com o outro.

 

O que realmente surpreende é a dupla que dá conta do recado e que se transforma na energia vital desse belíssimo conto da vida. Tudo uma questão de receber a oportunidade certa. Bem, receber não é bem a palavra, pois, depois de ver suas performances, ficou nítido que os atores em questão estavam destinados e se empenharam de corpo e alma para contar a história de Elio e Oliver.

 

Dentre estonteantes paisagens, a trama é ambientada em 1983, no norte da Itália. Somos apresentados à família Perlman, que vive em um charmoso casarão, que também serve como base acadêmica do Sr. Perlman. Ali, ele recebe a visita de acadêmicos e de pesquisadores.

 

Nesse meio, temos Elio, adolescente de 17 anos que é extremamente inteligente. Ele é um leitor nato e dotado de dons artísticos, em particular o piano que o faz trabalhar em peças de sua autoria. Sua rotina, voltada a ler, tocar piano, nadar e andar de bicicleta, toma um rumo inesperado com a presença de Oliver, o novo assistente de pesquisa de seu pai.

 

Vivendo no auge de sua idade e emergente sexualidade, vemos gradativamente, e de maneira bem sutil, o seu despertar.

 

Chalamet foi indicado a Melhor Ator. Ele é disparado o meu favorito este ano, mesmo consciente de que meu favoritismo por Day-Lewis pode me atrapalhar. Em Me Chame Pelo Seu Nome, esse jovem ator expurga todo seu potencial com tamanho vigor e autenticidade. Tarefa impossível a de não se comover com as dúvidas e as aflições de Elio. Essas tão palpáveis para todos que já foram adolescentes um dia.

 

E, independentemente de gênero e de orientação, sentimentos como empatia e compaixão afloram em direção ao seu personagem.

 

Um filme como este mostra nitidamente a intenção de seu diretor. Guadagnino se prova um autêntico diretor de atores, principalmente por reinventar Armie Hammer. Envolvido em diversos projetos desde seu break em A Rede Social, Hammer parecia nunca encontrar o papel correto. Ao menos, até este momento. Impulsionado a dar o melhor de si, seu Oliver é exuberante, não só com seu físico esculpido a mão. Sua presença intriga a todos, mas é seu ar de despretensão e sua convicção e transparência na maneira com que se expressa, principalmente intelectualmente, que provoca um estopim dentro de Elio.

 

Falando em atores, eis um nome que teve presença marcante nesta temporada de premiações. Michael Stuhlbarg esteve no elenco de A Forma da Água e de The Post: A Guerra Secreta, mas é em Me Chame Pelo Seu Nome que ele teve a chance de mostrar porque deve ser mais reconhecido. Se estivesse no meu poder, o indicaria como ator coadjuvante por dar vida a Sam Pearlman. Um acadêmico dedicado aos estudos das antiguidades gregas. É sua sensibilidade como pai que vem à tona e, repito novamente, no mais belo monólogo dos últimos anos.

 

Tanto Sam quanto sua esposa, Annella, mostram um perfil de pais que vão além de seu tempo. Eles são abertos ao diálogo e aos preciosos momentos em família, sejam para as refeições ou para um tocante instante de leitura no sofá. Suas presenças são sentidas, nada impostas. Conforto que todo pai gostaria de dar ao filho, principalmente após vê-lo passar por um rito de passagem natural a um jovem.

 

Stuhlbarg revelou em entrevistas que o monólogo de Sam foi arquitetado com dois tons: um mais sentimental e outro mais direto. Optando pelo segundo, suas palavras se aprofundam no peito de um calado adolescente. Mesmo perante suas próprias frustrações e sua maneira de ver como o tempo passou perante seus olhos e tudo que um dia sentiu. O ato de se permitir pode se transformar em dor, mas o que é latente a Elio é que ele escolheu viver e sentir algo ao lado de Oliver.

 

“We rip out so much of ourselves to be cured of things faster than we should that we go bankrupt by the age of thirty and have less to offer each time we start with someone new. But to feel nothing so as not to feel anything – what a waste!”

 

Relevante e representativo, mesmo para a época da qual se situa, é sentida a junção da visão do diretor Guadagnino com Sayombhu Mukdeeprom, o diretor de fotografia. Uma soma que inclui o roteiro, do veterano James Ivory, adaptado do romance de André Aciman – meu favorito na categoria Melhor Roteiro Adaptado.

 

Guardarei Me Chame Pelo Seu Nome no meu potinho especial, principalmente devido ao momento que presenciei enquanto o assistia. Nada é mais gratificante do que testemunhar o impacto que algo tem na vida de alguém. No caso, ver um mero desconhecido sentado ao meu lado, emocionado com as palavras de pai para filho. Por esse momento, já valeu ter comprado aquele ingresso. Mesmo sem conhecê-lo, senti quão importante foi ouvir aquele monólogo.

 

Infelizmente, não encontrei nenhum vídeo oficial. Existe um fan made circulando na internet, caso tenham interesse em se emocionar.

 

The Post: A Guerra Secreta

 

Oscar - The Post

 

2 indicações: Melhor Filme e Atriz.

 

Finalmente cheguei ao último filme dentre os indicados a Melhor Filme. Chega até ser um sacrilégio tentar falar sobre as pessoas envolvidas nessa produção, a começar por quem está por trás das câmeras. Mas, antes de falar das grandes estrelas, vale ressaltar a interessante história de como esse projeto nasceu.

 

Liz Hannah, formada em Produção, focou o início de sua vida profissional trabalhando na área de desenvolvimento, na produtora de Charlize Theron. Buscando uma grande mudança, decidiu investir na escrita. Foi a partir da biografia Personal History sobre Katharine Graham, editora do The Washington Post, que ela escreveu seu primeiro roteiro.

 

Enviando o intitulado The Post para diversos agentes, Liz recebeu a ligação no final de outubro de 2016 de ninguém menos que Amy Pascal, ex-presidente da Sony Pictures. Bom, todos bem lembram que ela esteve envolvida nos escândalos dos e-mails vazados. Mesmo considerado um projeto arriscado, Pascal ganhou o leilão e logo escalou o poderoso trio: Spielberg, Streep e Hanks.

 

Desde a compra dos direitos, no final de 2016, e o lançamento do filme, em dezembro de 2017, tudo aconteceu muito depressa. O que fez The Post: A Guerra Secreta ser considerado um dos filmes com processo de pré e pós-produção mais rápidos da história de Hollywood.

 

Devido à falta de experiência em sets de filmagem, Josh Singer se uniu à produção como coroteirista. Papel que lhe rendera o Oscar de Melhor Roteiro adaptado por Spotlight – Segredos Revelados. Steven Spielberg, mesmo finalizando a produção de Jogador Nº1, com estreia prevista para este mês, aceitou o convite da executiva para liderar um dos acontecimentos que mais abalaram a história norte-americana.

 

Renomado diretor, pai do blockbuster e venerado por uma imensa legião de fãs e de novos diretores, Spielberg por si só é uma marca. O equivalente à Coca-Cola da indústria do cinema. Sim, ninguém até hoje construiu e penetrou no imaginário de tantas pessoas como ele faz desde a década de 70.

 

Suas escolhas são sempre inusitadas. Uma hora ele adapta livros infantojuvenis, na outra épicos de guerra. Em contrapartida, desde o quarto filme da franquia Indiana Jones, lançada em 2008, que Spielberg não conquistou grandes resultados de bilheteria. Ainda sim, isso nunca o impediu de apostar em projetos que acredita ser os corretos para determinados momentos de sua carreira.

 

Em The Post: A Guerra Secreta, o veterano diretor tem em mãos um espetacular elenco, tanto principal quanto de apoio. Meryl Streep e Tom Hanks dispensam apresentações, mas o simples fato de tê-los juntos, a dividir uma cena, já é motivo o suficiente para captar atenções. Trabalho atrás de trabalho, ambos são os grandes nomes de uma geração e de muitas que neles se espelham.

 

Streep, que recebeu sua 21ª indicação, encarou a responsabilidade de dar vida à Katharine Graham, herdeira do The Washington Post e a primeira mulher a comandar o editorial de um grande jornal. Facilmente vocês encontrarão paralelos com Spotlight, não só por dividirem o mesmo roteirista. Ambos retratam o mundo do jornalismo, principalmente o investigativo, em uma época em que a autenticidade e a busca pela verdade eram levadas a sério.

 

O filme narra os acontecimentos que sacudiram a terra do Tio Sam durante a interminável Guerra do Vietnã. Daniel Ellsberg, analista militar durante a guerra, ficou responsável por documentar os relatos da presença norte-americana no transcorrer desse evento. Devido ao seu acesso a informações classificadas e ao seu código de ética, ele copia os documentos classificados do Pentágono com intuito de expor a verdade para todo o povo. Todo um povo que vira tal guerra se estender por anos, durante diversas administrações presidenciais. Mal imaginariam que aquilo tudo poderia ter terminado anos antes do previsto.

 

O grande impasse começa quando o The New York Times recebe parte desses documentos. Assim, se inicia o processo de exposição que questionaria toda a presença prolongada dos soldados americanos no Vietnã e as medidas tomadas nesse território. Tal exposição questionaria a existência da guerra em si, mesmo que trinta anos depois.

 

Depois de serem barrados pela corte, o Times sai de cena e a mesma papelada cai nas mãos do The Post. Transição que deixa Graham em uma encruzilhada para decidir se publica ou não os documentos. Mesmo inexperiente e encurralada pela majoritária presença masculina em seu jornal, a personagem se faz presente em meio a esse conflito ético e exige ser ouvida nos momentos de crise.

 

Tanto Streep quanto Hanks balanceiam as emoções de seus personagens. Ambos mostram diferentes camadas de suas vidas, sempre tumultuadas pelo revés entre pessoal x profissional. De quebra, os dois encabeçam um elenco de apoio de peso, contando com rostos conhecidos, principalmente para muitos seriadores como eu. Dentre eles estão Bob Odenkirk, Matthew Rhys, Sarah Paulson e Carrie Coon, sendo a última merecidíssima ao reinar em 2017 com The Leftovers e Fargo.

 

Seu ritmo dosado e seus diálogos dinâmicos não permitem que o filme aborreça seus telespectadores. Porém, assim como Eu, Tonya, existe certo distanciamento de seu tema por parte daqueles que não viveram naquela época e que não tiveram suas vidas alteradas pela guerra. Ainda sim recomendo, especialmente aos meus amigos jornalistas. Se você aprovou Spotlight, esta é uma boa pedida também.

 

Outros favoritos da premiação

 

Blade Runner 2049

 

Oscar - Blade Runner

 

5 indicações: Melhor Cinematografia, Edição de Som, Mixagem de Som, Designer de Produção e Efeitos Visuais.

 

Desenvolvi uma admiração pelo gênero ficção científica nos últimos anos. Confesso que demorei a assistir clássicos como Alien e Blade Runner: O Caçador de Androides, mas, desde que o fiz, sinto que vivo em um mundo melhor.

 

Sci-fi não é algo que facilmente agrada a todos. Existe uma fanbase de longa data e, mesmo chegando um pouco tarde para a festa, fico a pensar quão incrível deve ser vislumbrar o retorno desses clássicos. Hoje, com a imensidão de recursos técnicos e visuais, tudo atingira uma proporção maior. Dentro de uma variedade de possibilidades.

 

Em 1982, a ambiciosa trama de O Caçador de Androides, situada em uma decadente e futurista Los Angeles, foi dirigida por Ridley Scott. Uma figura que, com certeza, vocês já ouviram falar. Afinal, ele carrega um currículo de peso, que conta com importantes produções em Hollywood, como Alien, Thelma e Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo. Inovador e inesperado, Scott criou, a partir do roteiro de Hampton Fancher e de David Peoples, um universo nunca visto antes.

 

Influenciado pelos filmes noir da década de 40 e 50, O Caçador de Androides criaria sua própria carcaça, se tornando o rebelde cyberpunk do sci-fi. Tudo isso se tornou possível graças à vaga inspiração no livro de Philip K. Dick, Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, que fez a jornada de Rick Deckard chegar aos cinemas. O longa é presença fixa no hall de maiores cults da história, mas de longe foi tão admirado como é hoje.

 

Contrário ao que muitos talvez pensem, O Caçador de Androides foi um desapontamento de bilheteria. Naquela época, não havia opção de vender projetos ousados para canais streaming, como a Netflix. Só havia duas opções: arriscar ou deixar o projeto morrer em uma gaveta.

 

Blade Runner 2049 nasceu pensado no pioneirismo do gênero e na preservação do legado. Trinta e cinco anos após a estreia do clássico. Rompendo barreiras do que imaginaríamos ser o futuro, a expansiva mente de Scott, que parecia viver em outra dimensão, nos apresentou um mundo que questiona a existência de tudo ao nosso redor. Porém, diferente do seu retorno para a cadeira de direção em Alien: Covenant, aqui esse homem serve apenas de produtor executivo.

 

Quem assumiria a imensa responsabilidade de reinventar e, ao mesmo tempo, preservar tal legado criado por Ridley Scott e sua equipe criativa? Denis Villeneuve foi o homem escolhido para as honrarias.

 

Ele ficou conhecido após Incêndios, adaptação de uma peça de teatro ovacionada pela crítica. Brutal e visceral, essa se tornou a assinatura oficial de Villeneuve, principalmente ao se tratar dos personagens de seus filmes. Os Suspeitos e Sicario: Terra de Ninguém foram suas mais reconhecidas produções em Hollywood. Porém, foi em 2016, quando lançou A Chegada, que um mundo de possibilidades se abriu a ele.

 

Acredito sim que foi o belíssimo conto de Ted Chiang, adaptado para as telas, que deu o sinal verde para o diretor em produções multimilionárias como Blade Runner 2049 e Duna. Ambos clássicos da ficção científica.

 

Houve um pouco de resistência nessa adaptação porque é sempre delicado revisitar um clássico. Ainda assim ficou claro que 2049 caiu em mãos pra lá de competentes, pois Villeneuve se prova, ano pós ano, um dos diretores mais promissores e autênticos de sua geração. Mesclando técnica com a presença de corpo de seu elenco, esse francês canadense assumiu a bucha e o resultado foi um desbunde aos olhos.

 

Ryan Gosling carrega nos ombros a responsabilidade que antes fora dada a Harrison Ford. Mesmo com expectativas de quando o veterano e amado ator reapareceria durante o novo, foi por meio do personagem de Gosling que aquele utópico, porém realista, mundo ganhou diferentes camadas. Algumas podendo até ser vistas como surreais demais.

 

Mas esse não é um dos propósitos da ficção científica?

 

Quando 2049 nos apresenta K, o personagem de Gosling, logo percebemos que ele é um replicante. Termo denominado para os androides dentro do universo de Blade Runner. Ao contrário de muitas especulações dos fãs, com base nos diferentes finais dados ao filme, que acreditavam que Deckard (personagem de Ford) poderia ser um replicante, não seria possível levantar tais teorias sobre K.

 

Se compararmos K com os replicantes que Deckard caçava no primeiro filme, fica visível suas diferenças. Principalmente em relação ao aspecto humano que o Dr. Tyrell sempre tentava preservar em suas criações. O protagonista de Blade Runner 2049, mesmo sem demonstrar, possui motivações e desejos que facilmente identificamos em nós. O maior deles é a necessidade de pertencer. Seja a algo ou alguém, seu desejo é personificado pela busca da criança impossível. Identidades que se misturam. Por mais que o senso do Eu não seja latente, suas ações revelam que ele pode não ser tão diferente dos antigos modelos criados.

 

Com um orçamento que ultrapassou 190 milhões de dólares, a produção da Warner teve prejuízo durante seu período de exibição. Mesmo não superando expectativas, conseguiram colocar nas telas o projeto que acreditavam e investiram toda a capacidade técnica e criativa. Como Villeneuve mesmo disse: criamos um monstro e ainda que confesse que fugiria de projetos assim, ainda teria pela frente Duna, que também mudara o gênero na década de 80.

 

Expandindo a mitologia da criação e da evolução, o roteiro navega nos questionamentos de quão obsoleta a raça humana se torna e o quanto se almeja expandir as habilidades dos replicantes. Esses, representados por outra grande empresa, Wallace Corporation, sucessora da Tyrell Corporation, cujo proprietário os criara e que, naturalmente, sofreu alterações e atualizações ao longo dos anos.

 

Dentre suas indicações, facilmente Roger Deakins levará o prêmio de Melhor Cinematografia. Ele tem 13 indicações ao Oscar, sendo que as últimas três perdera para Emmanuel Lubezki. Veterano diretor de fotografia, seus trabalhos deixaram marcas em Hollywood em filmes como Fargo, Kundun, O Jardim Secreto, Uma Mente Brilhante, Um Sonho de Liberdade e dois dos filmes de Villeneuve, Os Suspeitos e Sicario: Terra de Ninguém.

 

Mudbound: Lágrimas sobre o Mississippi

 

Oscar - Mudbound

 

4 indicações: Melhor Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Cinematografia e Canção Original.

 

Quem um dia imaginaria que a Netflix, fundada em 1997, com o propósito de vender e alugar DVDs, se transformaria em um grande império. Passando por intensas transformações ao longo de sua existência, a empresa que conhecemos hoje tem apenas dez anos. Todo seu catálogo passou a ser digital ou, como hoje é bem propagado, via streaming. O que conhecemos hoje como conteúdo original só foi possível a partir de 2014, com a produção da série política House of Cards.

 

Desde então, o gigante do streaming investe insaciavelmente em parcerias com estúdios. Ainda sim, não se esquece de produzir conteúdo próprio, seja séries ou filmes, como é o caso de Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi. Vale mencionar títulos como Amizades Improváveis, O Mínimo para Viver, Tallulah, Spectral, Beasts of No Nation e os recentes Jogo Perigoso, Bright e Mute, que são alguns dos membros desse crescente catálogo de longas que levam o selo Netflix.

 

Considerada para alguns como o assassinato da sétima arte, existem pessoas da indústria que são contra essa diferente experiência cinematográfica proporcionada pela Netflix. A verdade é que nem todos conseguem ir com frequência ao cinema e assistir conteúdo via computador ou televisão não parece algo tão negativo. Bom, pelo menos ao olhar do telespectador. Concordo que a sensação de estar no cinema, para mim em específico, é única e insubstituível, mas existem diversas formas de apreciar uma produção e aquilo que ela propõe. Questionando ou não o serviço, ele abre portas para pessoas conhecerem cada vez mais histórias de diferentes gêneros.

 

Dentre as produções que já vi, Mudbound é, sem dúvida, a mais bem conseguida e realizada. Tratada com respeito e maturidade, tanto por seu elenco quanto por sua equipe técnica, seu resultado final é um banquete aos sentidos. Foi ao quebrar barreiras, principalmente por trás das câmeras, que o filme se tornou a primeira produção da Netflix a ganhar reconhecimento na temporada de premiações. Um contrariar visto que o Oscar sempre foi criterioso em suas nomeações, algo em comum com as outras que são voltadas para produções televisivas.

 

Dee Rees, Virgil Williams e Rachel Morrison. Guardem esses nomes, pois eles fizeram história na reta final da temporada de premiações. Indicados a Melhor Roteiro Adaptado, Williams e Rees provaram que, quando dada a oportunidade, existe mercado para mulheres talentosas e com visão dentro da indústria. O mesmo no que se diz respeito de Morrison que, sem dúvida, vive seu melhor ano. Creditada no grande filme do momento, Pantera Negra, a diretora de fotografia foi indicada a Melhor Cinematografia por Mudbound. Tal feito a coloca como a primeira mulher a atingir tal honraria desde 1929, ano que marca a primeira cerimônia do Oscar.

 

Liderados por um especial elenco de nomes, como Carey Mulligan, Garrett Hedlund, Jason Mitchell, Jason Clarke, Jonathan Banks, Rob Morgan e a surpreendente Mary J. Blige, Mudbound retrata a vida de duas distintas famílias. Ambas, fadadas cada qual por sua realidade. O filme trata de temas como estresse pós-traumático, alcoolismo e racismo, fortes características no sul dos Estados Unidos, principalmente na década de 40. Época que o filme retrata.

 

Dinâmico, o roteiro cria uma interação intensa e interessante visto o porte de seu elenco. Cada personagem é construído e desenvolvido ao longo da história, mostrando a profundidade de suas qualidades, de suas falhas e de suas relações com os demais. Não existe protagonismo. Todos brilham e conduzem suas narrativas.

 

Blige particularmente. Mulher que surpreende como a matriarca Florence Jackson, a que mantém o lar em andamento, mesmo perante as turbulências que atormentam seu esposo e a ida de seu filho mais velho para a 2ª Guerra Mundial. Além de indicada como Melhor Atriz Coadjuvante, sua canção Mighty River foi indicada como Melhor Canção Original.

 

Eu, Tonya

 

Oscar - Eu, Tonya

 

3 indicações: Melhor Atriz, Atriz Coadjuvante e Edição.

 

A Garota Ideal, com Ryan Gosling, é um dos meus filmes favoritos. Então, imaginem minha surpresa ao descobrir que Eu, Tonya foi realizado pelo mesmo diretor.

 

Craig Gillespie migrou da área de propaganda e marketing para o cinema. Seu grande lançamento no ramo foi com uma história sobre um homem solitário que se apaixona por uma boneca inflável, adaptando seu dia a dia e a realidade à sua volta. Em Eu, Tonya, ele transfere seu olhar para uma das figuras mais controversas da história do esporte norte-americano.

 

Nunca fui muito atenta aos esportes de inverno. Vide minha grande frustração nascida este ano ao descobrir a existência da dupla de patinação artística mais amada das redes sociais (#VirtueMoir). Deixando o platonismo dos canadenses de lado, eis aqui uma produção independente de baixo orçamento focada em uma figura marcante da patinação artística norte-americana. Contrária a adoração do público direcionada a diversos atletas nos últimos anos, as coisas não eram lá bem assim na época em que Tonya Harding competia.

 

Começando pelo começo, Tonya iniciou na patinação artística com apenas 4 anos. Sua mãe, LaVona Golden, a criou com muita dificuldade. Passando de geração para geração o jeito abusivo e áspero no qual fora criada, ela cresceu aprendendo que essa era a única maneira que merecia ser tratada.

 

Com rigorosas horas entregues à patinação, Tonya abandonou o colegial e se dedicou totalmente aos treinos e às competições. Sua fase de ouro foi no final da década de 80, mas, em oposição a alguns atletas que desfrutam um pouco o estrelato, ela foi, literalmente, triturada por ele.

 

Tonya foi consagrada como a primeira atleta a realizar o salto triplo axel duas vezes em uma competição, mas seus grandes feitos foram camuflados pelas escolhas erradas. Mesmo que não tenham sido diretamente dela, foi impossível não arcar com as consequências. Harding sempre foi a ovelha negra de sua geração de patinadoras, nunca se encaixando nos padrões, seja por sua aparência, suas roupas nas apresentações ou seu comportamento estourado. A sequência de histórias de abuso físico e psicológico, por parte de seu ex-marido Jeff Gillooly, somada ao seu círculo duvidoso de amigos, resultaram no evento que definiu sua carreira. Ou melhor, que acabou definitivamente com ela.

 

Existe um distanciamento para muitos que assistem Eu, Tonya. Principalmente se você não está familiarizado com a identidade pessoal e artística da protagonista deste filme. Acompanhei alguns críticos, bem no início da campanha de marketing, alegando que Margot Robbie era “muito bonita” para o papel. Com certeza, sua dedicação e seu comprometimento em contar a história dessa figura tão polêmica na década de 90 merece mais credibilidade. Foram aulas de patinação para captar os movimentos básicos, além dos trejeitos de voz e corporal. Uma indicação a Melhor Atriz foi o resultado de seu esforço.

 

Poucos atores conseguem, em um curto espaço de tempo, se reinventar. Robbie teve um começo fadado por personagens sex appeal ou que serviam basicamente como interesse amoroso e/ou ponto de disputa entre homens. Com apenas 27 anos, alguns de seus créditos vão desde a série Pan Am, com apenas 14 episódios, até sua participação em O Lobo de Wall Street. Seu grande estouro foi mesmo em 2016, com dois blockbusters que, no fim, não renderam o quanto a Warner gostaria – A Lenda de Tarzan e Esquadrão Suicida. Longas que colocaram o nome da australiana no radar.

 

Eu, Tonya mostrou que, com as oportunidades e o direcionamento certo, Robbie tem tudo para se tornar uma excelente atriz. Com esse pequeno filme, vemos seu imenso potencial, principalmente seu interesse em se envolver mais, dado que aqui está creditada como produtora.

 

O filme tenta, ao contrário do papel da mídia na época, mostrar as complicadas relações da personagem. Em especial com a mãe, brutalmente representada por Allison Janney, que lacrou todas as premiações em que concorreu. Nessa 90ª edição, bem provável que leve a estatueta dourada.

 

Filmado em estilo mocumentário, que nada mais é uma tática de filmagem que utiliza o estilo documentário para satirizar o tema em questão, os momentos diretos entre o ator e a câmera trazem diferentes nuances das personagens centrais.

 

Fico pensando como deve ser para Nancy Kerrigan, principal competidora na equipe de Tonya, acompanhar a cobertura sobre um filme autobiográfico sobre aquela que, mesmo indiretamente, a agrediu. Prejudicada em algumas competições sem dados permanentes.

 

Seja romantizado ou não, Eu, Tonya me surpreendeu, principalmente por não conhecer essa personagem. Uma figura vítima de seu passado e de suas próprias escolhas.

 

Viva: A Vida é uma Festa

 

Oscar - Coco

 

2 indicações: Melhor Animação e Canção Original.

 

“Eu tenho que cantar. A música não está só em mim. A música sou eu.”

 

Ao longo de nossas vidas, nos agarramos a sensações, momentos e pessoas que nos marcaram. Dentre diferentes simbologias, encontramos significados distintos a cada uma dessas vivências. Descobrimos paixões e somos motivados por elas, como uma força motriz que nunca se aquieta. Somos impulsionados e, acima de tudo, acreditamos que em algum lugar existe pessoas que, mesmo diferentes de nós, dividem tais particularidades.

 

E foi assim que me vi arremessada emocionalmente na jornada de Miguel em busca de sua musicalidade. Ponto banido e extinto em sua família que gera a compressão que, por trás de cada bloqueio criativo, existe uma história.

 

Em 2016 e 2017 retornei ao Brasil de férias. Nas duas vezes, tive a oportunidade de ir à Comic Con Experience. Um dos momentos mais aguardados foi o sábado, principalmente devido à exibição dos filmes da Disney/Pixar. No primeiro ano, tive a chance de ver Moana, com direito a presença dos icônicos diretores Ron Clements e John Musker. Ambos responsáveis pelos favoritos dos fãs: A Pequena Sereia, Aladdin e Hércules.

 

Já no ano seguinte, foi a vez da Pixar trazer sua nova criação. O tão elogiado Coco, com título brasileiro Viva: A Vida é uma Festa. Codirigido por Lee Unkrich e Adrian Molina, a animação conta a história de Miguel, um jovem menino mexicano de 12 anos que tem um gosto musical inspirado por seu falecido ídolo, o cantor Ernesto de La Cruz.

 

Consagrando o maior feriado/evento da comunidade mexicana, Viva celebra o Dia dos Mortos. Dessa forma, a animação aprofunda os laços e a importância cultural de um povo que, até então, nunca esteve tão ao centro de uma narrativa. Pela primeira vez, um filme que obteve sucesso de bilheteria contou com um elenco totalmente latino e quebrou todos os recordes no México. Conquista de uma história que traz sentimentos universais. Que proporciona uma nova visão para celebrar a cultura e os valores de uma comunidade. Não menos importante, o peso dos laços familiares.

 

Pela primeira vez, Lee Unkrich dirigiu sozinho um filme responsável por fazer muito homem grandalhão e barbado chorar. Sim, se pensou em Toy Story 3, você acertou. Assistir Viva: A Vida é uma Festa, no lotado Auditório Cinemark, foi um momento que jamais esquecerei. Jamais esquecerei cada sorriso, lágrima e torcida compartilhada com meus amigos e milhares de estranhos. Quando se tem um laço inquebrável com sua família e isso remete às suas próprias relações, principalmente a retratar o papel da avó dentro de casa, foi impossível não se entregar a emoção e ao embalo das músicas dessa animação.

 

Canções que, assim como o nome, celebram a vida e as nossas relações com aqueles que temos aqui. Inclusive, com quem se foi, mas que nunca nos deixarão.

 

Essa é uma das produções mais ricas e preciosas já feitas e que deve sim ser motivo de orgulho imenso para a comunidade latina, em especial, a mexicana. Miguel reencontrou o caminho para casa, mas, na verdade, ele sempre soube como chegar lá. Ele só precisava se lembrar o que realmente importava.

 

Projeto Flórida

 

Oscar - The Florida Project

 

1 indicação: Melhor ator coadjuvante.

 

Se existe uma grande injustiça neste ano do Oscar, ela se chama Projeto Flórida. Dentre os nove indicados, dois deles facilmente tiraria para poder colocar esse precioso filme no lugar, mas quem sou eu, não é mesmo? Entendo a relevância da figura de Winston Churchill, mas nunca conseguirei processar o motivo do destaque dado a O Destino de uma Nação. E digo o mesmo sobre The Post: A Guerra Secreta.

 

Independentemente de sua relevância, sempre serei aquele tipo de cinéfila romântica que acredita que a sétima arte no fim das contas é uma experiência a ser sentida. E é isso que Projeto Flórida consegue realizar com seu simplório orçamento de 2 milhões de dólares.

 

Pouco conhecia sobre Sean Baker, nome que dirigiu, escreveu e coproduziu este indie que muitos consideram um dos mais relevantes já lançados. Ainda não tive a oportunidade de assistir Tangerine, seu primeiro longa de grande destaque, mas agora confesso que tenho cada vez mais motivos para acompanhar de perto sua próspera carreira.

 

Acredito que qualquer pessoa que assistir Projeto Flórida pode sentir algo. Trata-se de uma história real, facilmente conectável, e o que mais impressiona é a maneira com que seu elenco lida com a realidade de suas personagens. Algo que, instantaneamente, me fez recordar de O Quarto de Jack.

 

Filmes diferentes em contexto e em temática, mas uma coisa ambos têm em comum: atores que não parecem atuar, pois o que eles entregam é o mais puro ato de ser o personagem. Tanto Brie Larson quanto Jacob Tremblay realizam isso com tamanha naturalidade que até chegamos a esquecer que eles estudaram e decoraram o roteiro do filme.

 

Todo o elenco de Projeto Flórida vive na pele cada um de seus personagens. Desde o veterano ator até duas jovens atrizes estreantes. Dentre todos os filmes que escolhi colocar neste post, dois deles realmente mexeram comigo – Viva: A Vida é uma Festa e Projeto Flórida. Ambos com diferentes visões sobre o núcleo familiar, mas cada um a sua forma toca o coração.

 

Situado em Kissimmee, Flórida, a poucos quilômetros do complexo Walt Disney World, acompanhamos a trajetória de Moonee. Uma garota de apenas seis anos de idade que passa boa parte do verão andando pelos arredores do Magic Castle, localização do hotel em que vive com a mãe. Sempre acompanhada do amigo Scooty e Dicky, que logo se muda para New Orleans, e da nova amiga Jancey, as crianças se ocupam da única maneira que sabem nessa idade: aprontando.

 

Halley é o retrato da jovem mãe que tenta, de qualquer forma, sobreviver. Sem núcleo de apoio, ela lida com a falta de estabilidade e de credibilidade que ela mesma, considerando seu histórico, acaba aplicando. Desbocada e cheia de tatuagens, ela consegue tirar algum dinheiro vendendo perfumes na porta de hotéis e condomínios da região, algo que naturalmente não é legal. De longe, essa personagem é um exemplo de mãe, principalmente após as drásticas escolhas que colocam seu papel em risco.

 

Bobby representa a figura de autoridade no local. Mesmo tentando manter a administração intacta, acaba se envolvendo no cotidiano dos moradores e aprende a lidar com cada um, em especial Halley. Willem Dafoe representa o filme ao ser indicado a Melhor Ator Coadjuvante pela sua entrega como o zelador, que serve como a ponte que liga o coração e alma do filme. Ou seja, a relação entre Halley e Moonee, interpretadas pelas estreantes Bria Vinaite e Brooklynn Kimberly Prince.

 

Aqui, vemos a colisão de um consolidado ator naquele que acredito ser um dos melhores momentos de sua carreira. Além disso, de duas atrizes no qual Projeto Flórida são seus primeiros trabalhos. Vinaite foi descoberta ao acaso pelo diretor enquanto ele navegava pelo Instagram. Já a pequena Prince, arrebatou o coração de todos com sua honesta performance, o que já me faz desejar que ela e Jacob Tremblay contracenem juntos em um projeto futuro.

 

Assim como o monólogo do Sr. Pearlman em Me Chame Pelo Seu Nome, Moonee é responsável por um dos momentos mais sinceros e cortantes desta temporada de filmes indicados e, provavelmente, de muitas que já passaram. Prova que quando o talento é nato, ele aflora no momento mais apropriado. Revi a cena algumas vezes e ainda me emociono ao lembrar de seu momento que, somado a outros tantos no filme, lhe rendeu o prêmio de Melhor Jovem Atriz no Critics’ Choice Awards deste ano. Reconhecimento que a fez se debulhar de emoção ao subir no palco. Uma pena essa joinha preciosa passar despercebida.

 

Projeto Flórida não é um filme a ser julgado e sim observado por aquilo que representa. Um retrato real de uma sociedade que, por vezes, mostra somente o lado florido de seu jardim. Pode soar como exagero, mas quem assistiu talvez me entenda: trocaria todos os indicados a Melhor Filme só para incluir essa joia preciosa. E tenho dito!

 

Algumas curiosidades desta edição

 

● Dois brasileiros concorrem este ano: Carlos Saldanha por O Touro Ferdinando e o produtor Rodrigo Teixeira por Me Chame Pelo Seu Nome;

 

● Rachel Morrison se consagra como a primeira mulher, em 90 anos de premiação, a ser indicada na categoria de Melhor Cinematografia pelo seu trabalho em Mudbound, produção da Netflix. Também pela mesma produção, Dee Rees, que além de dirigir, coescreveu o roteiro com Virgil Williams, entrou no ranking como a primeira mulher afro-americana a ser indicada na categoria de Roteiro Adaptado;

 

● 51ª indicação do maestro e gênio John Williams;

 

● Oito, dentre as dez atrizes indicadas (Principal e Coadjuvante), estão acima dos quarenta anos. Vale relembrar o discurso de Nicole Kidman no SAG deste ano;

 

● Una mujer fantástica representa o Chile na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Daniela Vega arranca elogios e garante a representatividade de uma personagem trans sendo interpretada por uma atriz trans;

 

● Indicação inédita para Logan na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. O que coloca o icônico mutante da Marvel como a primeira produção heroica a ser indicada nessa categoria;

 

● Inspirado em um marcante acontecimento que ocorreu antes de se casarem na vida real,  Emily V. Gordon e Kumail Nanjiani coescreveram parte dessa história em Doentes de Amor. Ambos foram indicados a Melhor Roteiro Original;

 

● Aaron Sorkin recebe sua terceira indicação por A Grande Jogada, que marca seu primeiro projeto como diretor;

 

● Meryl Streep bate seu próprio recorde ao ser indicada pela 21ª vez;

 

● Indicação seguida para Denzel Washington em Roman J. Israel, Esq. O ator foi reconhecido em 2017 por sua brilhante atuação em Um Limite entre Nós;

 

● Michael Stuhlbarg atuou como coadjuvante em três dos dez filmes indicados a Melhor Filme, sendo eles: The Post: A Guerra Secreta, A Forma da Água e Me Chame Pelo Seu Nome. O último é onde entrega um dos mais belos monólogos de 2017. Além disso, é uma das maiores injustiças ele não ser indicado;

 

● Kobe Bryant, consagrado ex-jogador dos Los Angeles Lakers, codirigiu e escreveu com Glen Keane o curta de animação Dear Basketball;

 

● Jacqueline Durran concorre contra ela mesma na categoria Melhor Figurino por seus trabalhos em A Bela e a Fera e O Destino de uma Nação;

 

● Christopher Plummer foi a opção inicial para interpretar o magnata J. Paul Getty. Porém, por decisões do estúdio, visando um ator de maior nome, Kevin Spacey foi a escolha. Bom, todos sabem o que se sucedeu e Plummer fez parte do mais rápido processo de regravação em Todo Dinheiro do Mundo. Ator assume o posto de mais velho a ser indicado com 88 anos;

 

● Roger Deakins, lendário cinematógrafo, recebeu sua 14ª indicação por Blade Runner 2049. Ironicamente, ele perdeu por três anos seguidos para Emmanuel Lubezki, que levou o prêmio por seu estonteante trabalho em Gravidade, Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) e O Regresso;

 

● Greta Gerwig se torna a quinta mulher a ser indicada na categoria Melhor Direção por Lady Bird – É hora de voar;

 

 

Ufa, creio que expurguei o que gostaria sobre os principais indicados e, naturalmente, meus prediletos nessa 90ª edição do Oscar. Conforme falei na parte 1, sou assombrada pelos upsets desde que comecei a acompanhar a cerimônia. Existe um, bem recente por sinal, que nunca superarei. Estou a falar do filme dos Alienzão cheio de ensinamento e amor para dar. Brincadeiras à parte, foi com A Chegada, especificamente a ausência de Amy Adams na categoria de Melhor Atriz.

 

Sabendo que o dia da minha ruiva linda chegará, voltemos para a edição deste ano. Voto que a grande esnobada recairá mesmo sobre Projeto Flórida. Bastam rodear as redes sociais para ler o que estou falando. O filme estreou no Brasil agora, então, caso não tenham se impressionado com muitos dos indicados a Melhor Filme, eis uma opção que pode mudar sua visão.

 

Diferente de anos anteriores, achei que 2017 trouxe diversos filmes em seu catálogo. Digo isso no sentido que a gama de temáticas se expandiu, mesmo que ainda a pequenos passos. Desde filmes de super-heróis, incluindo diferentes plateias, até discussões sociais e políticas, houve uma conversa diferente em Hollywood.

 

Basta agora saber se isso se tornará uma tendência, pois é nítido que o público necessita e exige por histórias diferentes. Histórias que os projetem para a tela, que os façam sentir parte daquele universo, seja ele real ou fictício.

 

Bom, esses são meus desejos para os anos que virão.

 

Tal entusiasmo para falar sobre filmes é uma de minhas maiores alegrias e motivações diárias. Assisti-los e poder dividir o que sinto, é algo que mesmo as diversas palavras ditas não conseguirão medir.

 

Por isso obrigada pela paciência com os textões!

 

Confiram abaixo a lista completa dos candidatos. Em Verde estão meus favoritos e em Azul aqueles que provavelmente ganharão. Os Vermelhos representam as opiniões que coincidem:

 

Filme

 

“Me Chame Pelo Seu Nome”
“O Destino de Uma Nação”
“Dunkirk”
“Corra!”
“Lady Bird – É hora de voar”
“Trama Fantasma”
“The Post – A Guerra Secreta”
“A Forma da Água”
“Três Anúncios para um Crime”

 

Ator Principal

 

Timothée Chalamet, “Me Chame Pelo Seu Nome”
Daniel Day-Lewis, “Trama Fantasma”
Daniel Kaluuya, “Corra!”
Gary Oldman, “O Destino de Uma Nação”
Denzel Washington, “Roman J. Israel, Esq.”

 

Atriz Principal

 

Sally Hawkins, “A Forma da Água”
Frances McDormand, “Três Anúncios para um Crime”
Margot Robbie, “Eu, Tonya”
Saoirse Ronan, “Lady Bird – É hora de voar”
Meryl Streep, “The Post – A Guerra Secreta”

 

Ator Coadjuvante

 

Willem Dafoe, “Projeto Flórida”
Woody Harrelson, “Três Anúncios para um Crime”
Richard Jenkins, “A Forma da Água”
Christopher Plummer, “Todo Dinheiro do Mundo”
Sam Rockwell, “Três Anúncios para um Crime”

 

Atriz Coadjuvante

 

Mary J. Blige, “Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi”
Allison Janney, “Eu, Tonya”
Lesley Manville, “Trama Fantasma”
Laurie Metcalf, “Lady Bird – É hora de voar”
Octavia Spencer, “A Forma da Água”

 

Diretor

 

“Dunkirk,” Christopher Nolan
“Corra!,” Jordan Peele
“Lady Bird – É hora de voar,” Greta Gerwig
“Trama Fantasma,” Paul Thomas Anderson
“A Forma da Água,” Guillermo del Toro

 

Animação

 

“O Poderoso Chefinho,” Tom McGrath, Ramsey Ann Naito
“The Breadwinner,” Nora Twomey, Anthony Leo
“Viva – A Vida é uma Festa,” Lee Unkrich, Darla K. Anderson
“O Touro Ferdinando,” Carlos Saldanha
“Com Amor, Van Gogh,” Dorota Kobiela, Hugh Welchman, Sean Bobbitt, Ivan Mactaggart, Hugh Welchman

 

Curta Animação

 

“Dear Basketball,” Glen Keane, Kobe Bryant
“Garden Party,” Victor Caire, Gabriel Grapperon
“Lou,” Dave Mullins, Dana Murray
“Negative Space,” Max Porter, Ru Kuwahata
“Revolting Rhymes,” Jakob Schuh, Jan Lachauer

 

Roteiro Adaptado

 

“Me Chame Pelo Seu Nome,” James Ivory
“Artista do Desastre,” Scott Neustadter & Michael H. Weber
“Logan,” Scott Frank & James Mangold and Michael Green
“A Grande Jogada,” Aaron Sorkin
“Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi,” Virgil Williams and Dee Rees

 

Roteiro Original

 

“Doentes de Amor,” Emily V. Gordon & Kumail Nanjiani
“Corra!” Jordan Peele
“Lady Bird – É hora de voar,” Greta Gerwig
“A Forma da Água,” Guillermo del Toro, Vanessa Taylor
“Três Anúncios para um Crime,” Martin McDonagh

 

Cinematografia

 

“Blade Runner 2049,” Roger Deakins
“O Destino de Uma Nação,” Bruno Delbonnel
“Dunkirk,” Hoyte van Hoytema
“Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi,” Rachel Morrison
“A Forma da Água,” Dan Laustsen

 

Documentário

 

“Abacus: Small Enough to Jail,” Steve James, Mark Mitten, Julie Goldman
“Faces Places,” JR, Agnès Varda, Rosalie Varda
“Icarus,” Bryan Fogel, Dan Cogan
“Last Men in Aleppo,” Feras Fayyad, Kareem Abeed, Soren Steen Jepersen
“Strong Island,” Yance Ford, Joslyn Barnes

 

Curta Documentário

 

“Edith+Eddie,” Laura Checkoway, Thomas Lee Wright
“Heaven is a Traffic Jam on the 405,” Frank Stiefel
“Heroin(e),” Elaine McMillion Sheldon, Kerrin Sheldon
“Knife Skills,” Thomas Lennon
“Traffic Stop,” Kate Davis, David Heilbroner

 

Curta Metragem Live Action

 

“DeKalb Elementary,” Reed Van Dyk
“The Eleven O’Clock,” Derin Seale, Josh Lawson
“My Nephew Emmett,” Kevin Wilson, Jr.
“The Silent Child,” Chris Overton, Rachel Shenton
“Watu Wote/All of Us,” Katja Benrath, Tobias Rosen

 

Filme Estrangeiro

 

“Uma Mulher Fantástica” (Chile)
“O Insulto” (Líbano)
“Sem Amor” (Rússia)
“Corpo e Alma (Hungria)
“The Square: A Arte da Discórdia” (Suécia)

 

Edição

 

“Em Ritmo de Fuga,” Jonathan Amos, Paul Machliss
“Dunkirk,” Lee Smith
“Eu, Tonya,” Tatiana S. Riegel
“A Forma da Água,” Sidney Wolinsky
“Três Anúncios para um Crime,” Jon Gregory

 

Edição de Som

 

“Em Ritmo de Fuga,” Julian Slater
“Blade Runner 2049,” Mark Mangini, Theo Green
“Dunkirk,” Alex Gibson, Richard King
“A Forma da Água,” Nathan Robitaille, Nelson Ferreira
“Star Wars: Os Últimos Jedi,” Ren Klyce, Matthew Wood

 

Mixagem de Som

 

“Em Ritmo de Fuga,” Mary H. Ellis, Julian Slater, Tim Cavagin
“Blade Runner 2049,” Mac Ruth, Ron Bartlett, Doug Hephill
“Dunkirk,” Mark Weingarten, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo
“A Forma da Água,” Glen Gauthier, Christian Cooke, Brad Zoern
“Star Wars: Os Últimos Jedi,” Stuart Wilson, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick

 

Designer de Produção

 

“Bela e a Fera,” Sarah Greenwood; Katie Spencer
“Blade Runner 2049,” Dennis Gassner, Alessandra Querzola
“O Destino de Uma Nação,” Sarah Greenwood, Katie Spencer
“Dunkirk,” Nathan Crowley, Gary Fettis
“A Forma da Água,” Paul D. Austerberry, Jeffrey A. Melvin, Shane Vieau

 

Trilha Sonora

 

“Dunkirk,” Hans Zimmer
“Trama Fantasma,” Jonny Greenwood
“A Forma da Água,” Alexandre Desplat
“Star Wars: Os Últimos Jedi,” John Williams
“Três Anúncios para um Crime,” Carter Burwell

 

Canção Original

 

“Mighty River” por “Mudbound – Lágrimas sobre o Mississipi,” Mary J. Blige
“Mystery of Love” por “Me Chame Pelo Seu Nome,” Sufjan Stevens
“Remember Me” por“Viva – A Vida é uma Festa,” Kristen Anderson-Lopez, Robert Lopez
“Stand Up for Something” por “Marshall,” Diane Warren, Common
“This Is Me” por “O Rei do Show,” Benj Pasek, Justin Paul

 

Penteado e Maquiagem

 

“O Destino de Uma Nação,” Kazuhiro Tsuji, David Malinowski, Lucy Sibbick
“Victoria & Abdul,” Daniel Phillips and Lou Sheppard
“Extraordinário,” Arjen Tuiten

 

Figurino

 

“Bela e a Fera,” Jacqueline Durran
“O Destino de uma Nação,” Jacqueline Durran
“Trama Fantasma,” Mark Bridges
“A Forma da Água,” Luis Sequeira
“Victoria & Abdul,” Consolata Boyle

 

Efeitos Especiais

 

“Blade Runner 2049,” John Nelson, Paul Lambert, Richard R. Hoover, Gerd Nefzer
“Guardiões da Gálaxia Vol. 2,” Christopher Townsend, Guy Williams, Jonathan Fawkner, Dan Sudick
“Kong: A Ilha da Caveira,” Stephen Rosenbaum, Jeff White, Scott Benza, Mike Meinardus
“Star Wars: Os Últimos Jedi,” Ben Morris, Mike Mulholland, Chris Corbould, Neal Scanlan
“Planeta dos Macacos: A Guerra,” Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett, Joel Whist

 

Caso queiram entrar na brincadeira, proponho um Bolão Random Girl Oscar 2018. Escolham seus favoritos, metam o famoso pitaco naqueles que acham superestimados e comecem a torcida para a última e mais aguardada premiação da temporada. E, claro, deixem tudo isso registrado nos comentários.

 

Deixo apenas um desejo para a cerimônia deste domingo: por favor, não troquem nenhum envelope, pois, por mais que renda uma chuva de memes e de trollagens nas redes sociais, não gostaria de estar na pele das pessoas envolvidas em uma situação dessas.

 

Até 2019, gente amada!

Mari
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