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29/mar

Quando vi este episódio de The Bold Type pela segunda vez, a fim de escrever este texto, eu estava em meio à típica crise sobre o que ando fazendo da minha vida. Uma indagação que ocorre quando estou nos meus famigerados dias cinza e que tem lá seu tom meio agravante porque não tenho mais 20 e poucos anos. E é aí que tudo pode se tornar desesperador. Afinal, ao se olhar ao redor, pode ser que você não veja/tenha muita coisa. O que faz dessa indagação um pesadelo.

 

Ao “concluirmos” o que necessariamente significa não ter/ver muitas coisas, nos deparamos com o bem material – que, talvez, não existe. Por mais que tenhamos outros sonhos, ao mesmo tempo parece que não podemos tê-los até cumprir alguma expectativa social. O que pode abrir margem para uma seleta onda de insatisfações que nos faz crer em nossa inutilidade. Afinal, material é tangível. Viajar é temporário.

 

Vale até dizer que passar um pente fino em nossas ambições e concluir que elas são totalmente fracas também é um exercício que não ajuda ninguém, mas o fazemos. Sabe-se lá por qual razão. Em vez de vivermos o momento e curtirmos o que temos/conquistamos, focamos em absurdos futuros.

 

Quando digo absurdos futuros é meramente porque muitas pessoas almejam coisas das quais não precisam. Algo que remete demais a atender a expectativa ao olhar do outro. E isso é bem ruim.

 

E o que isso tem a ver? Bem, este episódio de The Bold Type foi sobre a escrita e obviamente que isso mexeu com meus feels. A escrita é minha ferramenta de trabalho tão quanto minha faca de dois gumes. É com ela que quero atingir satisfação pessoal e não comprando, por exemplo, o carro do ano.

 

Antes de chegarmos aos comentários pertinentes sobre este episódio, preciso compartilhar uma breve história.

 

Inspirada na questão “o que ando fazendo da minha vida”, houve uma manhã de sexta em que tinha que assistir a um episódio de Chicago Fire para escrever a resenha e tudo mais. Porém, o torrent não estava disponível, o que abriu a brecha de voltar a dormir. Não o fiz porque me vi acompanhada daquela familiar angústia sobre o que tenho feito e alcançado.

 

Como toda criança mimada, respondi: nada. Tenso, eu sei, mas esse “nada” tem a ver secretamente com o propósito. Ao menos, é a minha crença e não abro mão dela. Sou dessas que abraça as frases prontas de “ter uma vida com propósito”. É a minha camisa!

 

Por não viver o meu propósito, que também acredito que nunca sei qual é, a insatisfação, que surge vez e outra, transmite a impressão de que não avanço. De que não gero as mudanças que gostaria. Até aí ok porque são reflexões que tendem a ser temporárias. Porém, o que dói é saber de novo que não trabalho com o que gosto. Sim, a mesma novela e também acho que nunca sei a resposta.

 

A resposta seria com base nessa pergunta: o que fazer com a minha escrita? Assim, de maneira que continue a ganhar dinheiro, mas cuidando do que aprecio? Como muitos sabem, não tem quem me faça exercer o jornalismo e nem a pau retorno para o caos dessa profissão. Um obstáculo esclarecido, pois, quando olho para minha vida, tudo que quero, acima de tudo, é paz de espírito.

 

Por ainda não conseguir encaixar as respostas, de maneira que eu enxergue o real quadro e mude minha vida, sigo presa em meu próprio episódio. Aquele em que a personagem encara uma sequência de loopings, ou seja, de acordar para viver o mesmo dia com os mesmos afazeres. A meta desse roteiro é quebrar o ciclo vicioso, mas, para isso, é preciso viver esses mesmos momentos para encontrar a brecha. É essa brecha que interromperá a repetição e abrirá para a reviravolta. É exaustivo só de falar sobre, mas é a realidade da qual me encontro. De novo.

 

Por enquanto, não encontrei a brecha e sigo firme atrás dela. Ou, talvez, já a encontrei, mas não a enxerguei ainda – e é capaz que esteja em negação, vamos acompanhar. Este é um ciclo que cabe a mim tentar quebrá-lo. Só não sei como e nesta mencionada manhã tentei encontrar novas saídas.

 

Parece bom, mas fico um tantinho mais para baixo. Parece que não tenho ambição e essa sensação de não ter ambição me desespera.

 

Uma das coisas que mais quero é sair da vida de escrever para outras pessoas que não entendem o poder da escrita. Essa rotina em específico não me deixa saudável. E eu prezo estar saudável, especialmente no âmbito mental. Prezo também harmonia, organização, cronograma e horários. Fatores que não têm me abatido tanto, mas, quando ocorre, eu perco minha compostura. Isso para uma INFJ é dor de cabeça intensa porque eu exponho todos meus comportamentos arredios. Sem contar que ando tão apegada aos meus valores que não consigo mais aceitar qualquer resmungo imbecil.

 

Viés de reflexão que me deu outra realização (que vivo deixando na caixinha da negação): não tenho plano B. Nunca tive e, às vezes, isso também me desespera. Não sei que outra coisa poderia fazer para sair do efeito sanfona de escrever para quem não entende o poder da escrita, e é quando me acho a pessoa mais sem talento do universo. É quando percebo meu imediatismo porque ando sem muita paciência para pensar a longo prazo – e isso é outro impasse.

 

É um tanto real que ambição tem muito a ver com plano de carreira. Eu nunca tive um plano de carreira e, com isso, nunca soube quem eu seria daqui uns 10 anos. Eu só sabia que queria escrever. Farei 32 anos muito em breve e ainda não sei quem quero ser aos 35. É uma constante que segue sem um tipo de resolução e nunca sei onde está o erro. O que me força a refletir sobre tudo que tenho e tudo que já fiz para assim encontrar o resultado que me levará ao passo seguinte.

 

Sério. Nesta mencionada manhã fiquei um tempo em um site destinado a introvertidos. Sou INFJ, a dita personalidade rara. De quebra, a personalidade que é a mais difícil de ter um sonho de carreira e uma carreira estável. Meramente porque esse MBTI passa muito tempo focado na busca pelo propósito. Queremos fazer o bem (e a escrita está inclusa). Queremos ser reconhecidos pela mudança. Quando vi a lista de profissões, queria me fazer de surpresa, especialmente na parte que indicava que jornalismo nunca deveria ser cogitada, mas apenas ri na escuridão do meu quarto. Lá constava algo na educação, ser escritora propriamente dita ou atuar com artes.

 

Basicamente fui fazer “teste vocacional” conforme meu MBTI. O que só aumentou a angústia.

 

As profissões mencionadas moram no fundo do meu âmago, mas não são valorizadas. Não dão o dito retorno, sendo que meu tipo de retorno é paz mental. É mudar a vida de alguém. É, como disse, viver o meu propósito. Ótimo, eu sei o que fazer da minha vida, mas meus desejos são interpelados pelo cotidiano fixo. O looping que causa exaustão, diminui meu tempo e etc. Às vezes, eu só quero chegar em casa e deixar de existir até o dia seguinte em reflexo do que vivi nessa repetição.

 

E para sair dessa repetição eu preciso descobrir, ou redescobrir, que tipo de escritora eu quero ser. Ponte que rebate em Jane, que sentiu esse peso depois de ficar famosinha ao publicar uma matéria sobre orgasmo. Ótimo seria se a personagem tivesse ficado saltitante. Não ficou porque essa não é a marca que ela quer deixar no mundo.

 

Essa moça simplesmente traduziu meu pesadelo.

 

The Bold Type - Jane

 

É fato que milhões de pessoas não são felizes com um determinado ritmo que as tiram do foco de perseguir o que realmente importa. Há quem consiga ser equilibrista e admiro demais esses humanos. No meu caso, meus projetos chegam a um ponto que se tornam desconexos e desfigurados conforme me afasto deles devido ao que me ocorre de negativo na dita rotina adulta. E esse negativo envolve a escrita. Quanto mais coisa ruim acontece, mais sinto que perco a identidade, pois sou sugada pelos vários desvios da rotina que não me trazem alegria. É aí que a INFJ em mim grita.

 

Eu posso saber qual é a minha ferramenta de domínio, mas chega uma hora que não sei mais como aplicá-la de maneira que me dê completude. De maneira que seja significativa. É aí que preciso me empurrar, nem que seja para publicar um texto aqui nesta casinha – e fico bem contente depois.

 

Eu escrevo. Vivo escrevendo. Ganho para escrever. Perfeito, mas a minha estagnação mental e emocional abala meu interesse de tornar a escrita em uma ação mais mágica. E aqui mora outro sonho de princesa porque não quero mais escrever para quem não entende o poder da escrita – só para ONGs e afins.

 

Todos meus dilemas moram com a escrita em si e nunca visualizei um plano B para essa ferramenta (a não ser escrever um livro). É essa brecha que preciso encontrar, ou reencontrar, para quebrar o ciclo.

 

Um ciclo que engatilha todas as minhas experiências ruins com a escrita e é quando paro de escrever as minhas coisas. É natural. Ainda não tratado. Por mais que eu treine mentalmente para me convencer de que o texto alterado não é minha culpa, por exemplo, eu sinto que é minha culpa.

 

Uma emoção que me persegue diariamente no trabalho e minha saúde mental sente.

 

Não muito recentemente, me senti dessa forma e eu revisava um texto pessoal em paralelo. Nunca me dei conta do quanto uma rasgada de um ser que não entende o poder da escrita me afeta, pois meu gatilho avisou para parar tudo que fazia para revisar meu trabalho particular de novo. Motivo? Supostamente estava uma bela de uma porcaria. Uma “verdade” que me congelou, como há muito tempo não me congelava. Senti-me triste. Sentir-me assim é fora do meu controle, mas, para minha alegria, não o reli. Fui mais forte!

 

Em contrapartida, vi duramente como é difícil manter a positividade quando aquilo que te dá dinheiro causa mais mal que bem. Como disse, eu preciso da harmonia para funcionar e é horrível quando atravessam essa sensação maravilhosa de dentro de mim. Está aí algo que tenho trabalhado, pois eu preciso do equilíbrio para dar o meu melhor nos dois âmbitos e assim terminar o dia bem. Ainda assim, não quer dizer que me sinta útil. Completa. Mentiria se dissesse isso porque o que componho de um lado não acarreta nenhuma diferença e é justamente o ponto que me faz questionar o que ando fazendo da minha vida. Tenho as ferramentas, mas cadê o movimento?

 

E daí que este episódio de The Bold Type bateu na tecla que considero delicada visto a minha carreira-não-carreira com o jornalismo. Na trama, Jane abre brecha para o assunto que me assombra: que tipo de assinatura você quer deixar com sua escrita?

 

No jornalismo, basicamente seria sua especialidade, aquilo que fará as pessoas correrem atrás dos seus textos. Eu nunca corri atrás de especialidade alguma porque nenhuma pós-graduação me interessou. Mais um sinal de ausência de plano B. Salvo jornalismo cultural, eu tenho tanto ranço dessa área que tentar investir nela só me deixaria mais infeliz.

 

Jane não quer ser a famosa escritora que fala sobre sexo porque, do seu ponto de vista, há coisas mais importantes a serem tratadas. Ela quer algo maior para aplicar seu poder de escrita e esse maior não tem nada a ver com sexo e moda, pautas constantes na Scarlet. Posicionamento que senti muito na faculdade porque eu queria escrever sobre entretenimento e não política.

 

Algo que mudou com o passar dos anos como podem perceber. Por isso amo este site.

 

Jane pode amar trabalhar na Scarlet, mas é um tanto evidente que lá ela não escreverá sobre assuntos que lhe apetecem. No caso, política. Não quer dizer que a personagem não possa misturar os dois – que foi o que ocorreu neste 3º capítulo de TBT –, mas não é uma oportunidade recorrente no meio de comunicação que conta com sua preciosidade em pessoa e em escrita. Ela quer dar voz a assuntos transformadores e não ser aquela que trata das ditas futilidades. Ela quer transformar em vez de pautar o estilo de uma mulher – que foi exatamente a meta deste episódio.

 

O que chamou minha atenção foi o fato dela querer sua escrita como ferramenta transformadora. Reconheci-me nisso. Um pensamento que compactuo demais e que me fez nunca entender a treta pelo crédito. Eu não queria isso no transcorrer da faculdade. Eu só queria dar meu melhor, algo que é relativo para mim. Afinal, eu consigo me expressar satisfatoriamente naquilo que acredito. Naquilo que gera engajamento emocional. Pontos que conflitam com a busca do estrelato no jornalismo que, por vezes, não valoriza o texto. Não lhe dá satisfação. Jane degusta seus minutos de fama por uma matéria que ela diz que não sente orgulho, apesar de não sentir vergonha por ter vindo de um ponto de vista privado e pessoal. Só que a personagem quer ver seu nome estampado no seu propósito.

 

Uma situação da qual me identifiquei demais porque nunca me senti contente em receber crédito por determinadas matérias. Meramente porque, apesar de reconhecer que eu estava na área ou fazendo algo certo, não me satisfazia com o que era produzido. Justamente porque não era sobre o que eu gostaria de escrever. Várias vezes me vi impassível diante do meu nome na matéria, seja porque meu nome estava escrito errado ou porque a pauta não me realizava.

 

E tenho certeza que me sentiria da mesma forma que Jane diante dos resultados da matéria sobre o orgasmo. Não teria vergonha, mas não seria a primeira matéria do meu portfólio. Não é sobre isso que quero deixar a minha marca, a ferida pontuada ao longo das conversas da personagem com Ryan.

 

Lição número três: seja sua própria escritora

 

The Bold Type - Jane

 

Ser a pessoa do entretenimento me deixou com a impressão de que eu era o alien da sala. Algo que Jane sente neste episódio ao tentar descolar uma entrevista com a congressista. Na sua tentativa de tentar capturar uma citação, se vê a discrepância do seu propósito. Ela é a garota da revista de moda, se veste com essa identidade, enquanto ao seu redor só há os jornalistas políticos engravatados. O que lhe rende uma olhadela de cima a baixo. Instante que a faz notar que também não quer ser apenas a escritora de moda.

 

Eu demorei para traçar o caminho que eu queria e isso só ocorreu por meio do Random Girl. Foi com este site que acabei moldando meu intento na escrita e sou eternamente grata ao meu professor de rádio que se saiu como o próprio quote de Jacqueline neste episódio:

 

“Você tem essa ideia do tipo de escritora que deveria ser. Não deixe isso segurá-la do tipo de escritora que você poderia ser.”

 

Na faculdade, sempre me via na saia justa quanto ao tipo de jornalista que eu deveria ser. Nunca me perguntei, ou me perguntaram, que tipo de jornalista eu poderia ser e não culpo ninguém. Eu mesma não sabia o que fazia naquele curso. Eu só sabia que queria escrever, mas não necessariamente para uma Veja da vida.

 

Notar que você meio que “precisa” mudar para ter voz no meio jornalístico (e tem quem já nasceu pronto e essa conversa não é para eles) me deixou sem chão. Mudou demais minha perspectiva quanto a essa carreira e, automaticamente, me vi batalhando contra essa “regra” (e tantas outras). Nunca tive o intento de mudar para ser um sucesso. Até brinco ao dizer que meu flop nesse mundo se deve ao fato de que não vendi minha alma. Sad but true.

 

Meu último ano que foi um marco porque finalmente tive liberdade de me expressar verdadeiramente. Inclusive no meu TCC. Mas, nos anos anteriores, capenguei demais pela falta de propósito. Além disso, pelo dito entrave de gostar de entretenimento e isso não ser prioridade em aula. O que me deixava mais isolada, sem contar com um pouco de vergonha por não atender a dita expectativa da maioria. Atualmente me vejo livre disso, mas, quando relembro, fico estressada com o absurdo.

 

E sempre que tenho chance resgato o que esse professor disse para mim porque mudou demais a minha perspectiva sobre a escritora que eu poderia ser. Sim, escritora. Não me relaciono mais com o jornalismo (e nunca me relacionei na verdade). Ele foi sucinto na ferida em dois questionamentos: o veículo que gosto e mais o que gosto de escrever. Naquele tempo, era sim sobre entretenimento. Hoje, me identifico mais com Jane porque eu quero transformar com a escrita. É o que me traz satisfação e eu mesma tenho que correr atrás. Afinal, aqueles que não compreendem o poder da escrita não me darão isso. Ao menos, nunca cheguei perto de ter isso.

 

Eu trabalho para ter o salário. O que não é ruim. Sou grata por encontrar um emprego em uma nova época difícil, mas eu adoraria ganhar o mesmo valor em cima do que gosto de criar. Como forma de compensação, tenho meus sites, mas, na manhã mencionada, em que parei para pensar sobre a vida, me vi sedenta por mais.

 

O que não é nenhuma novidade. Me entedio fácil e preciso sempre inovar. O que ocorre hoje é que não vejo inovação. Ao menos, por enquanto, ok?

 

The Bold Type - Kat

 

Este episódio de The Bold Type trouxe dois pontos de vista interessantes por meio de duas personagens diferentes. De um lado, Jane discutiu essa assinatura que você quer deixar no mundo. Do outro, Kat, que veio como um complemento devido aos trolls que a atacaram por fazer uma crítica de um aparelho tecnológico pensado apenas para satisfazer os hormônios masculinos. Ato que atraiu uma leva de comentários ameaçadores que alcançaram sua conta pessoal. Ela foi exposta na web e, com isso, recebeu comentários nada legais.

 

Conforme esse perrengue se desenvolvia, Kat fingia que estava tudo bem até falhar na apresentação desse novo aparelho tecnológico. Ela desmorona quando uma foto sua cai na web e ainda assim a personagem não para de engajar com os trolls. Foi só quando mensagens positivas começaram a entrar em cena que essa jovem teve um sopro em seus pensamentos nublados e que casou muito com a proposta de Jane: escrever com bondade.

 

O que me faz acrescentar a questão da veracidade emocional.

 

Sempre digo que só consigo desenvolver algum texto em determinado timing emocional porque assim me transfiro e tento mostrar a quem lê o que me afligia em dado momento. Por isso que escrevo textos grandes demais e, às vezes, me sinto culpada por isso. Mas minhas emoções exacerbam e eu não consigo me conter.

 

Escrever com bondade. Escrever de acordo com suas preferências. Passos que me transformaram na escritora que sou agora. Uma soma que muito me apetece e que tenho aplicado dia após dia conforme cuido dos meus sites. Se eu acho que um comentário quer engajar treta ou algo assim, não me dou ao trabalho de responder porque escolho a positividade. Se eu acho que o texto não está verdadeiro, nem me dou ao trabalho de postá-lo. E assim sigo.

 

Comportamentos muito esclarecidos em mim, mas que não me eliminam de ter dias em que indago o que faço da minha vida. Quando saio dessa conversa mental, percebo que esses instantes ocorrem devido a alguma insatisfação no trabalho, que aperta meus botões negativos, muito bem criados na época em que cumpri meu primeiro estágio em jornalismo. Sinto-me mal, o grande peso diante desse looping que vivo. O que denuncia que é, eu sei de algumas brechas. O que preciso é cimentá-las de vez. Não me deixar tão à mercê de quem não entende do poder da escrita visto que isso me destrói.

 

O que transparece outro dilema. No caso, nadar demais em ideias e nunca aplicar efetivamente as soluções. Não consigo atravessar esse looping e ainda não descobri o motivo real. Quando descobri-lo, capaz que saia dessa repetição – e não vejo a hora para isso ocorrer. É muito fácil perder todas as crenças quando um lado da vida não está nos conformes. Independentemente de você ter a completa consciência de que é boa no que faz. De que pode fazer muito mais.

 

É o famigerado ciclo sem fim e que consome uma penca de adultos por segundo.

 

Concluindo

 

 

The Bold Type - Jane

 

Foi com este episódio que The Bold Type me conquistou. Essa identificação foi extremamente forte e bateu com mais força no tempo atual que escrevo este texto. Ainda não tenho ideia de que escritora eu poderia ser – e está aí outro ciclo vicioso. Quando lembro da lista de empregos possíveis a uma INFJ, dá vontade de chorar porque, considerando a parte de mim que, por vezes, me trai por estar tão atrelada ao social, parece que aceitar o flop soa correto.

 

Jane trouxe essa singela reflexão sobre o tipo de escritora que você quer ser. Que marca você quer deixar com essa ferramenta. Sobre não ser tachada por escrever um tipo de coisa que, por vezes, nem é o que você quer. A personagem não quer ser lembrada unicamente pela sua matéria do orgasmo e é aí que entramos no quem queremos ser. No fato de que a mudança nem sempre é fácil, pois depende unicamente de nós.

 

Kat e ela trouxeram à tona uma pauta e tanto que também trafegou no comportamento de quem recebe a informação. O que comentamos online faz muita diferença e influencia no papel de quem escreve. A matéria maldosa da congressista mais os comentários batem no meu constante questionamento sobre ambas as partes se prestarem a esse tipo de papel. O jornalista será marcado para sempre por esse tipo de matéria. Isso é felicidade?

 

E isso foi me fechando para a profissão porque meu nome é minha assinatura. E penso que minha assinatura tem que estar brilhando radiante no que me apetece. É quando se invoca o desapego no trabalho feito de segunda a sexta porque você sabe aonde tem valor e pode não ser ali – e você tem que se lembrar de que precisa do bendito salário e vida que segue.

 

A conclusão é que somos responsáveis por essa transformação. Vide o impacto que Jane acarretou em Ryan, depois de um embate sobre escrita sexista. De fato, é a gente que escolhe o que queremos expor por aí. E é o que penso todo santo dia quando me indago sobre o que fazer com a minha escrita. Ou, no que diabos estou fazendo aqui.

 

Eu já faço muita coisa com a escrita e sei que, às vezes, não me dou o devido crédito. Quem sabe, eu possa começar a partir disso a fim de quebrar o meu ciclo. Vai que dá certo, né?

 

No mais, Jane nos incita a pensar sobre os escritores que podemos ser. Pensamento que cabe em qualquer profissão, pois, no fim das contas, depende de nós a marca que deixaremos neste mundo. Eu espero que seja sempre a melhor marca, aquela regada com todas as cores do seu propósito.

Stefs
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