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08/mar

Este é aquele texto que me vi extremamente na dúvida se deveria centralizar em histórias ou em representatividade. Considerando que ainda não me acho detentora de tanta informação sobre o segundo item, dei uma revertida na bússola e mudei o questionamento: por que representatividade não é só ter a mulher em destaque? Uma indagação que me toquei que estava presente em mim praticamente o tempo inteiro e que pode ser sentida nas minhas resenhas de séries.

 

Sempre dou um jeito de dar vários pitacos sobre representatividade nas resenhas, mas está aí uma palavra que, do meu ponto de vista, remete demais à questão de história. Do contexto do qual a personagem está inserida. Detalhe que também me faz lembrar do quanto considero representatividade uma palavra ampla demais para mantê-la unicamente focada no viés de raça e de gênero. Ainda assim, é fato unânime que mulheres ainda contam com narrativas medíocres, que mulheres brancas seguem priorizadas para estampar o protagonismo de séries e de filmes, e que várias que pertencem à minoria seguem estereotipadas e com falsa representatividade.

 

Por eu não pertencer à minoria para ter um pouco mais de segurança nos argumentos, meu calcanhar de Aquiles se tornou realmente a questão de história. Do que é trazido à mesa com base em qualquer personagem feminina em cena. Independentemente das suas origens. Algo que remete um bocado ao Teste de Bechdel, que analisa quantas mulheres está em cena mais o fato se fala ou não de homens. Uma medida que traz um peso significado porque, quando duas mulheres falam de homens ou elas possuem interesse pelo mesmo cara, se abre espaço para o trope de mulheres rivais.

 

E quem ainda aguenta um papo desses?

 

Assim, inserir duas mulheres rivais, independentemente dos motivos, não evita um desenvolvimento diferenciado. Temos Meninas Malvadas como exemplo em que a conclusão entrega o quão importante e relevante são meninas e mulheres permanecerem uma ao lado da outra. Havendo uma moral positiva, que não pise em cima do que chamamos de sororidade, está, em parte, tudo certo. Em parte porque não é toda história que engata esse caminho.

 

No caso da TV, há muita queimação de etapa no quesito desenvolvimento. Principalmente quando necessitam dar uma suavizada em uma personagem para que uma dita história funcione o mais rápido possível. Ato que ocorre bastante quando há “necessidade” de romance – e o cara normalmente tende a ser aquele bem lixoso, o que abre alas para a romantização do abuso. Algo que, mais recentemente, ocorreu em The Vampire Diaries. Houve um show de descaraterizações femininas para que romances, em maioria com homens abusivos e violentos, ocorressem.

 

Ou, na pior das chances, elas morriam para gerar o famigerado manpain.

 

Ah, mas era série de vampiro. E o que tenho a ver? Já notaram quantas mulheres foram brutalmente atacadas nessa série? Que Caroline Forbes foi estuprada? Me poupem!

 

O mais preocupante é quando essas storylines são desenvolvidas por mulheres. O que foi o caso do grande hit da CW – emissora famosíssima em romantizar abuso e usar LGBT como isca.

 

Não é segredo para ninguém que sou uma pessoa que precisa de uma ligação pessoal e emocional com tudo que consome. Em um passado não tão distante, eu ignorava o que era contado do ponto de vista feminino e achava até um tanto normal uma mulher facilmente aceitar um cara simplesmente do nada. Ah, romance é bonitinho, né? Mas, com toda certeza! Só não é bonito quando a personagem passa a ser capacho do cara (e estou sendo bem suave).

 

Eu não tinha o discernimento para fazer essas e outras separações. De enxergar que o meu apoio em determinadas situações foram deveras problemáticas. Algo que ninguém nasce sabendo. Comigo, só foi começar a desenrolar depois da Era Twilight e, ainda assim, não entendia o que ocorria – até porque eu vivi um relacionamento abusivo. Tenho só ao feminismo para agradecer por ter me apresentado essa tal de representatividade. Aprendizado que abriu um pouco mais meus olhos sobre o tratamento da figura feminina nas mídias que consumo com mais afinco.

 

Conforme me empenhava nas resenhas e estudava de pouquinho em pouquinho estereótipos femininos mais tropes de televisão, minha mente se abriu para um novo mundo. Um mundo que tende a ser bom e ruim porque você começa a filtrar tudo que consome. E, quanto mais você cavuca, parece que não há mais nada a ser aproveitado. Principalmente na TV, em que as coisas têm gradativamente se alterado do ano passado para cá. E nem é muita coisa porque os homens seguem dominando várias emissoras e pouco se importam. Ou fingem que se importam com aquelas storylines de prestação de serviço temporária e que ninguém é obrigada.

 

Isto é apenas um exemplo.

 

Quando não há representatividade

 

Representatividade - Katniss

 

Houve um encontro do I Am That Girl, cujo tema foi personagens femininas. Foi quando me dei um tanto mais por mim sobre representatividade feminina. Eu não estou representada em praticamente nada, embora a mulher branca esteja o tempo todo em destaque. Escrevi sobre isso na Revista Pixel e foi quando caí na real de que representar a mulher não é apenas tê-la no centro. É sobre ela me contar algo de relevante ao ponto de ser relacionável.

 

Inclusive, não é apenas colocar uma mulher branca de protagonista porque ela não representa todas as mulheres. O mesmo para sua história que também pode não ressoar com uma mulher branca – o meu caso.

 

Apesar de mulheres brancas terem vivido (e viverem) no centro das narrativas, raramente alguma conta com um plot realmente bom. Daqueles em que ela é dona da sua própria vida porque assim decidiu ou não “precisa” de um homem para “funcionar”. Alguns casos que são usados do ponto de vista contrário e que tornam seu dito protagonismo uma farsa. Afinal, ela está em função do personagem masculino e está aí um grupo de mulheres (brancas) da ficção que não me interessam.

 

No encontro, citei a Katniss Everdeen como exemplo e ela não é uma personagem branca (só em Hollywood mesmo). A escolha dela foi a base da identificação com sua história, que remete à minha adolescência, mas nada mais que isso. Recentemente, relembrei de Peyton Sawyer, da série One Tree Hill, e de Joey Potter, de Dawson’s Creek. Mas, apesar delas terem suas histórias pessoais inspiradoras, relacionadas à música e à escrita, ambas nadaram em um triângulo amoroso para serem um tanto mais relevantes. O triângulo era o que importava perto de seus talentos que nada mais eram suas essências como personagens.

 

Reflexões que também me ajudaram a definir por conta que representatividade não é só ter a mulher no protagonismo – e sei que não sou a única que pensa assim (e espero que não mesmo).

 

Quando busquei personagens das quais me identificasse para expor nesse encontro do IATG, eu queria histórias e falhei em encontrá-las. Não havia nenhuma na minha prateleira, a não ser Fangirl, assinado por Rainbow Rowell. Havia muito protagonismo feminino, mas nada de relevante. O que me fez notar que as narrativas das quais me espelhava eram masculinas.

 

Por anos eu achava que Sam Winchester, de Supernatural, era eu e nada mais. O claro efeito da falta de representatividade.

 

Desta forma, concluí que representatividade necessita da mulher mais uma história que envolve e que engaja com o que é proposto. A questão da mensagem, aquela que responde a minha necessidade de conexão com o que é apresentado. Às vezes, você se identifica com a história contada porque, de certa forma, ela é verossímil. Não importa a origem da mulher em cena. O plot calha em diversas realidades e briga com os estereótipos que muitos roteiristas ainda se usam como a suposta garantia do sucesso. Mas nem sempre é assim, o que rende falso protagonismo/representatividade.

 

Como a Katniss, que escalaram uma atriz branca para interpretá-la. Ainda assim sua história é relevante, mas deu um protagonismo/representatividade pela metade. Agiram no pressuposto de que ter uma mulher no centro é o bastante, o que não é verdade. E nem é útil. E nem muda nada.

 

Mulheres rivais. Mulheres que morrem pelo ou para o cara. Mulheres que se tornam boazinhas do nada pelo ou para o cara. As personagens ainda giram muito em função dos personagens masculinos e é aqui que eu tenho cavucado bastante. É como se não existisse história independente para a mulher. E quando acreditamos que ela existe, surge um homem do nada para torná-la dependente ou para fazê-la se apaixonar (do nada) ou porque ela realmente está precisada de um cara (também do nada porque todo mundo respira romance). O homem surge na vida da mulher como um tipo de salvação da história. Pela lógica, é o que todo mundo quer.

 

Quando acreditamos na história solo de uma mulher, há sempre aquele maldito momento que os roteiristas acham que um homem precisa entrar em cena. Quando não precisa.

 

E, como sempre digo, eu não sou “antirromance”. Eu sou anti a esses empurrões sem nexo.

 

Um processo inverso calha em mim quando acompanho as storylines de personagens das séries que assisto. Eu analiso a história primeiro e depois encaro a mulher em cena (isso apenas ocorre naturalmente). O cérebro começa a trabalhar e a filtrar informações no intento de dar uma conclusão sobre o que vejo. Que pode ser realmente uma boa história, seja para mulher negra ou branca, ou um estereótipo – e é aí que começo a encarar a representatividade mais a sério.

 

Eu acredito que representatividade não é apenas estar lá. É estar lá e ter uma história relevante. De que adianta ter uma mulher negra no centro carregando uma história medíocre?

 

Representatividade é inspiração. É ter exemplos. Se a TV nos diz que ser mulher é sempre estar infeliz por causa do homem ou puxar o tapete da amiguinha, bem, temos um sério problema.

 

Algo que me faz lembrar de Chicago Med, outra série que costumava resenhar. Há uma personagem negra que entra em praticamente todos os requisitos do estereótipo da mulher negra em um antro dominado por pessoas brancas (e na maioria homens como manda as séries médicas): ela é enfermeira. Nada contra. É aceitável (mas já pararam para notar que negras sempre ficam abaixo dos médicos brancos?). E ela é ótima no que faz. Mas o que vem emendado a esse motivo dela ser apenas enfermeira é o que causou indigestão.

 

Representatividade---April - Chicago Med

 

April abriu mão dos estudos para que o irmão (um babaca mal-agradecido vale dizer) crescesse profissionalmente – na mesma área. Mal conheceu um cara e ficou noiva dele – porque a série dá atenção aos médicos brancos e é isso aí. Contraiu uma doença que comprometia sua gravidez – porque não tinha mesmo algo relevante para inventar, como fazê-la perseguir o seu verdadeiro sonho. Foi lançada em outro romance sem nem ao menos refletir a perda do bebê – porque para curar carência e tapar buraco de uma problemática, vamos socar um homem aí. Em nenhum momento lhe dão um instante para respirar. Em nenhum momento lhe dão um instante empoderador porque sua vida, até a 2ª temporada, girou entre três homens.

 

E ao menos dois julgaram suas decisões e a botaram para baixo.

 

E ela é maravilhosa. Mas não o suficiente para estudar e ser uma médica de prestígio.

 

Nisso, temos mais dois estereótipos nessa série: há uma negra que toma conta da ala de atendimento e da triagem. Ela é incrível, mas, quando não é enfiada na cadeia, ela é enfiada na cadeia. E há a diretora-geral do hospital que é uma mulher negra (e normalmente é um cara negro, só para vocês verem esse padrão das trevas) que em vez de mostrar sua competência teve que sofrer pelo abandono do marido que ocorreu absolutamente do nada.

 

Há três mulheres negras em Chicago Med e que movimentam o hospital mais que todos os personagens brancos. Representatividade check. Mas suas histórias são medíocres. De dar vergonha mesmo. De berrar dispêndio de cena e de falta de criatividade.

 

Mas não há muito que se esperar de uma franquia que é dominada por homens a não ser abandoná-la. Até as mulheres brancas não contam com histórias legais e, quando possuem, são basicamente a mesma coisa – como lidar com criança abusada ou caso de estupro.

 

É quando minha raiva fica incandescente.

 

Esses pontos de vista me ajudaram bastante no decorrer das resenhas. É muito comum a gente falar mal da personagem X sem nem ao menos entender o que ocorre. Eu mesma fui essa pessoa. A pessoa que não perdia tempo de chamar Elena Gilbert (TVD) de Elesma (entre outras coisas). É ofensivo, demais, porque basicamente reflete como nos comportamos no cotidiano.

 

Sem contar que abre margem para o papo de personagem forte vs. fraca. Aprendi o quanto isso é minimizador. Se todas as mulheres são aceitas pelos seus altos e baixos, por que as separamos entre fortes e fracas? Há dias em que estamos vulneráveis, que estamos muito mal das pernas. Inferiorizar tristezas abre para a estereotipagem emocional. Sinaliza que a mulher que chora é fraca – algo que cabe ao homem também. Comparativo que também utilizei dezenas de vezes.

 

Supostamente, uma protagonista tende a ser mais forte que a secundária porque precisa “ter” essa de ofuscar. Também é minimizador e dá tom de desvalorização a essas personagens.

 

Vai me dizer que você é “forte” o tempo inteiro?

 

Essa barragem reflete que nenhuma mulher pode se expressar vulneravelmente. Ela só precisa ser forte. Mas o que é ser forte? Não é enfrentar adversidades? Isso é evolução e amadurecimento. O que nos torna mais resistentes ao que pode ter nos ocorrido.

 

Por essas e outras que aprendi a não mais julgar personagem feminina porque a maneira como ela é exposta não é culpa da atriz que a representa, mas de quem a escreve. E por que está ruim? Porque os roteiristas ou entraram em um vício de escrita danado ou acreditam que o estereótipo/o trope funcionam e seguem em frente. Fica elas por elas. O que podemos fazer é sinalizar o que há de errado. E as resenhas têm sido meu meio de fazer isso na medida do possível.

 

A maneira como as personagens femininas são apresentadas ainda cria essa discrepância em torno de relevância. É como se só algumas histórias importassem sendo que todas importam. Afinal, você precisa conferi-las para saber o que está certo e errado.

 

E essas histórias precisam oferecer aprendizado. Inspiração. Fazer com que nos identifiquemos com a narrativa. Algo que tem melhorado, mas ainda há muito a se trabalhar.

 

Muito do tempo de resenhas me ensinou e me educou a olhar com mais carinho para essas mulheres. No mundo do entretenimento é muito comum replicar apelidinhos sobre essas personagens sendo que o que é necessário é um olhar com mais rigor. Só assim para mudar o hábito de tropes e de estereótipos e de falsa representatividade/protagonismo.

 

Homens seguem enaltecidos e, na maioria, por todos os motivos errados. Ou porque o ator é um modelo (como praticamente todo o elenco da CW) e porque ele sofre demais porque não se acha merecedor da garota (e isso se torna um romance abusivo porque o cara ultrapassa o limite).

 

Por essas e outras que escolhi focar nas histórias e assim desencadear meu estudo tranquilo sobre representatividade. É o que funciona na minha mente. Olhar aonde esta mulher se encontra, como ela se move, o que a faz desse X jeito, e quem a representa. Uma visão que tem me ajudado a não engajar mais com lorotas sobre personagem feminina. O que torna isso um aprendizado de dentro para fora. Como parar de culpabilizar a mulher por tudo em cena. Principalmente pela infelicidade do homem e esse homem ganhar tudo em storyline.

 

Há também a questão de identificação com essas narrativas. Sei que a maioria das mulheres em cena é branca, o que me faz, automaticamente, muito bem representada. Mas, como disse, eu sou apegada a histórias. Preciso ver relevância nelas. Propósito. E são poucas, de maneira geral, que oportunizam esse tipo de experiência. Que me faz lembrar do quanto sua trajetória é incrível. O que abre para meu antigo comportamento (mencionado acima) de resmungar sobre essas mesmas personagens. Elas meramente não me traziam nada a não ser um balde de trope televisivo.

 

Não basta ter apenas a mulher branca. É sobre o que essa mulher branca me contará. Aí sim ela será completa para mim. E imagino que o mesmo se aplica sobre a mulher negra. Não é fazê-la existir na trama, mas sobre o que ela compartilhará conosco uma vez que ganha os holofotes.

 

Tudo bem ser a enfermeira, mas, a partir do momento que você replica o estereótipo, essa representatividade cai pela metade. Como assim? É o caso da mulher negra como token (token black girl). Ela só está ali para mostrar que uma série está supostamente diversa, mas não tem uma história que preste ou diálogo que esteja fora do antro comum – aka vamos falar de homem.

 

Assim, este texto é mais ou menos um informe dos motivos dos quais me envolvo tanto com as histórias – algo que não é de hoje, pois me move desde sempre. Muito do meu texto em resenha mudou e sou muito grata por isso. Me ajuda. Me ensina. Me tira da sombra.

 

E saber que ajudo algumas pessoas no processo me deixa feliz demais da conta!

 

Ajuda para iniciantes

 

Representatividade - Teste-Bechdel

 

Uma das formas mais famosas, e até que muito simples, de analisar a relevância do papel feminino em cena é o Teste de Bechdel. Ele é muito usado no cinema e analisa três itens:

 

● Se a história tem mais de uma mulher;

 

● Se elas conversam entre si;

 

● Sobre qualquer coisa que não seja um homem.

 

Sério, isso é um ótimo começo para analisar o papel das mulheres em praticamente tudo que você consome.

 

Vejam bem: a maioria das storylines que cerca mulheres, especialmente no consumo diário das séries, tem a rivalidade por um homem. Ou as fazem falar só de homem entre si. Em suma, as mulheres têm que conversar sobre pautas mais relevantes e que não girem ao redor de personagem masculino. A partir do momento que elas só fazem isso, sabemos que o papel delas ali não é importante. Afinal, uma ou mais só estão de ponte para dar mais poder ao personagem masculino. E é bem provável que esse personagem masculino não vale um golpe.

 

Não há só esse teste para analisar se o que as mulheres recebem como história está livre de qualquer ponto de vista masculino (enaltecer o homem ou só estar ali para gerar o manpain). Eis uma listinha breve, mas muito interessante:

 

Ellen Willis: se você trocar os gêneros, a história seguirá tendo sentido?;

 

Sexy Lamp: se você substituir a personagem feminina por uma sexy lamp, a história seguirá funcionando?;

 

Mako Mori: pelo menos uma personagem tem sua própria narrativa e que não é sobre apoiar o homem? (esse teste é um dos meus favoritos);

 

Tauriel: há alguma mulher que é realmente boa no que faz?.

 

Há com certeza muitos desses testes espalhados pela internet. Esses são alguns que considerei mais interessantes e que cabem perfeitamente para qualquer análise de narrativa voltada para personagens femininas. O Bechdel é o epicentro.

 

E qual seria o propósito desses testes? Sabe quando você resmunga tanto de uma série de maneira a pensar se vale a pena seguir em frente com ela? Principalmente se você for aquela pessoa que, assim como eu, acompanha ensandecidamente os passos das personagens femininas em cena? Bem, esse é um dos meios para que você tome decisões no que consome.

 

Por mais que pontuemos os problemas, parece que não há solução (especialmente se você resenha séries e é do Brasil). Ainda assim, é preciso falar porque há outras pessoas que podem se usar do seu posicionamento para se desconstruir do senso comum quanto às narrativas sobre e para mulheres. Ao se embasar em um desses testes, penso que você começará, a passos de bebê, a cortar o que é nocivo. Você dá uma freada no entretenimento que consumirá – e consumir entretenimento leva muito tempo do seu dia, reflitam.

 

Importante: a proposta do Teste Bechdel não é pontuar mídia feminista. Há muitos filmes que passam no teste, mas, de certa forma, dão uma desmoralizada no papel feminino – como filmes de ação, terror, comédias românticas, exemplos que tendem a ser extremamente misóginos. Ainda assim, esse teste me deu um pontapé para notar, por meio de uma regra muito simples, o descaso com a relevância da mulher em cena. Às vezes eu falho no processo, não nego, mas o importante é aprender.

 

Não foi há milhões de anos que percebi que não vemos tanto conteúdo em que a vida toda do homem gira em torno de uma mulher. Vemos o oposto e ela sempre é levada ao abate justamente para enaltecê-lo ou, como mencionei, para torná-lo um humano melhor. Outra coisa que aprendi recentemente, menos de três anos, e tenho me desanuviado desde então.

 

E esses testes oferecem a chance de tirar um pouco a névoa. Como o Teste de Raça (The Race Bechdel), que sugere: dois personagens negros (ou de qualquer outra minoria) falam sobre coisas que não envolve os caras brancos (e também vale mencionar a questão de só falar e lidar com crime).

 

É dito que é mais fácil uma série passar no Teste Bechdel. Principalmente aqueles com “Ensemble Cast”, ou seja, composto por um elenco principal que compartilha do mesmo tempo e de importância na produção. Ótimo, mas, ainda assim, há várias que falham nesse quesito. Como as que são voltadas para o público adolescente que consome esses conteúdos desesperadamente e que aderem comportamentos que normalmente não são saudáveis.

 

O Teste Bechdel para TV sugere: 7 episódios precisam passar no teste em uma série com 13.

 

Esses testes não tornarão ninguém especialista em construção de roteiros para mulheres. Nem serão referências primordiais para protagonismo, representatividade e o feminismo em si. Porém, é uma mão na roda para quem quer entender qual é o santo problema com determinadas storylines femininas. É muito útil, especialmente para quem quer começar a navegar nessas análises e a compreender porque queremos histórias melhores para mulheres, não apenas contar com sua presença. Que representatividade vai muito além da presença feminina.

 

E se vocês quiserem acompanhar o início dessa saga, ela se encontra aqui: Vai ter textão sobre personagens femininas sim!

Stefs
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