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28/abr

Em mais uma semana, que aproxima o derradeiro fim desta temporada, Chicago Fire seguiu firme no seu pretexto despretensioso. Agora, o que resta basicamente é cavucar o que os roteiristas decidiram que são pontas soltas para preencher o que resta de trama. Além disso, para dar um jeito de alcançar a conclusão com a sensação de que algo realmente foi contado.

 

Histórias contadas nunca deixarão de ter, mas alguma delas teve nexo? Penso que não. Nem muito menos conexão uma com a outra para assim render um finale compassado e uniforme. E está aí algo que duvido muito.

 

O episódio tratou a promoção, não promoção, de Boden. Muito bonitinha no diálogo, mas, como sempre, nada se concretizou. O personagem conquistou o direito ao cerne esta semana graças à negativa dada por Grissom e o que se deu a partir daí também não foi nada novo. Trouxeram (também) pela milésima vez o tom profissional vs. pessoal, mas muito superficialmente. O que me deixa taciturna (também) pela milésima vez diante da verdade sobre o quanto faz falta o background dessa turma. E não background raso, que não chega a canto algum, mas aquele que dá vontade de sair pegando todo mundo no colo. Saudade de ter essa sensação!

 

O caso de Boden exemplifica bem o que mencionei acima. Seu posicionamento depois de saber que não ganharia a promoção, que o preencheu de expectativa para se tornar uma chateação temporária, tirou um tanto da força da sua conversa com Donna. Uma conversa que assentou essa storyline que entra para o ranking de nasceu apenas para cumprir tempo de tela. O arremate dado neste episódio tirou a chance do que menciono praticamente em toda resenha: profundidade. Resolveram essa história por meio de um barco, presente que o personagem se deu para cobrir uma decepção. O que não tiro os méritos porque gerou a simbologia em cima do pensamento de que precisamos viver mais e trabalhar um tanto menos.

 

Porém, tornaram tudo uma questão de “wake up call”, sendo que o Chief sempre foi muito esclarecido quanto à sua profissão. O que trouxe uma troca de mensagem: ele prefere a ação em vez de ficar sentado atrás de uma mesa – algo que a gente sabe há anos.

 

Precisavam usar desse mesmo papo? Não. Mas tinha algo de diferente para contar a essa altura da temporada? Também não. O que resta? Sorrir e acenar.

 

Boden

 

Apesar da simplória suposta finalização dessa história, suposta porque a palavra promoção se arrastará até o fim desta temporada, foi bom acompanhar Boden nessa breve jornada de (falsa) transição. É cansativo quando batem no mesmo assunto, mas tentaram trazer um diferencial para encobrir a repetição da vez. Que não deixou de ser repetição, diga-se de passagem, mas, dessa vez, não incomodou tanto.

 

A sorte é que qualquer storyline com esse personagem tem seu próprio jeito de encantar. Tem seu próprio jeito de dar certo. Sem a menor dificuldade. Boden tem uma vulnerabilidade gostosa de acompanhar, relacionável, e é raro não mergulhar em seu turbilhão emocional. Principalmente em suas palavras que tapam os buracos de um episódio vazio – como este.

 

Foi ótimo vê-lo discutir com Severide (uma junção maravilhosa) sobre salto na carreira, aspirações e as possíveis ausências de conquistas pessoais enquanto se dá o sangue para o trabalho. Mesmo não conquistando a chance que o livraria de um futuro óbito, já que na ação não há tanta segurança de vida, o Chief levou a negativa com a maturidade esperada. Mesmo afundando um pouco o significado do mencionado papo com a esposa. E poderiam ter parado nessa reflexão. Nada a ver o troço da grana, um viés de encaixe malfeito.

 

A inserção (do nada) da aparente propina rendeu um derrapão sentido com certa força. Foi um tanto difícil despertar para a tentativa dos roteiristas em emendar isso aos desdobramentos que acompanhavam Boden desde o primeiro resgate. O roteiro, ao menos nessa parte, fluía muito bem sem esse “incidente”, o que acarretou uma escolha infeliz que não provou coisa alguma. Além disso, fez o favor de truncar a trama gratuitamente. Nem rolou suspense e nem tensão. Talvez, só a ideia de que seria um teste de Grissom e nada mais. Ou que Grissom é duas caras.

 

Assim, quem mandaria propina para o 51º quando nem resgate anda tendo direito? Me respeita! Essa história só teria um tanto mais de sentido se rolasse continuidade na próxima semana. Artifício que a S6 nem tem se preocupado.

 

Boden e Severide

 

Voltemos ao barco. A parte boa-não-tão-boa-mas-fez-sentido. O barco não deixa de ser um símbolo de liberdade. Afinal, é o símbolo que faz Boden, e até Severide e Casey, ser ele mesmo sem o uniforme. Um carocinho dolorido cutucado com sucesso e que reavivou a verdade – que comentei na semana passada – de que Chicago Fire precisa de uma humanizada. Mais precisamente para cima de seus personagens. A série aumenta cada vez mais um tipo de vazio que representa a falta de história relevante.

 

Tudo tem girado em função de terceiros ou da pauta profissão/transição (que broxa porque não tem plot twist), quando o mais eficiente é mostrar a turma puramente em sua individualidade. Um toque que está esquecido há eras e é muito triste. Além de desgastante, vale dizer, pois nos vemos querendo sempre um tantinho mais, como no caso do Chief, e nada é dado.

 

O que é dado em grande peso são investimentos que não fazem sentido, como as picuinhas tolas (Stella vs. Otis/Grissom vs. Severide/Cruz vs. seus romances falidos). Escolhas que reforçam cada vez mais a acomodação da turma.

 

O que me faz mencionar brevemente a recuperação milagrosa de Otis, que não rendeu nada além do sentimento de desrespeito quando falamos sobre reabilitação. Me poupa, né?

 

Enfim. Contamos com mais um episódio cujo lema foi “amo ser bombeiro” e é exaustivo (e não me custa repetir isso). Meio mundo sabe desse amor e não é necessário se usar de um chamado para provar esse ponto já muito bem provado praticamente toda semana. Boden não precisava desse dito wake up call, porém, foi bonitinho o gosto de nostalgia.

 

E foi exatamente isso que Boden tentou empregar: nostalgia. Infelizmente, sem muito sucesso, pois essa sua história caiu na mesma regra da saideira de Cordova: simples e indolor. Mas sem tentar vender a importância de fazer a diferença. Principalmente quando não nos damos bem dentro de uma situação que parece extremamente ganha. Não podemos parar de buscar coisas boas, mesmo quando perdemos. Uma ótima moral que poderia ter engatado mais drama.

 

O episódio tinha tudo para ser deveras emocional. Ainda mais quando Severide estava incluso e escutou coisas maravilhosas. Algo que nem Grissom fez pelo Tenente.

 

Concluindo

 

Dawson e Bria

 

A semana teve poucos chamados, que intentaram dar força ao plot de Boden. Sem muito sucesso, mas tudo bem. Tentaram fortalecer a questão de preocupações pessoais, mas caíram no pequeno erro de empurrarem um caos quando não precisava. No fim, tudo não passou de uma lição de viver a vida como se deve. Independentemente de você ter grana para comprar um barco, apenas compre o barco.

 

Como disse, este episódio tinha tudo para ser emocional. Porém, o texto jogou para todos os lados. Além da grana, empurraram um excesso de plots menores que nem precisava. A zona de Cruz é ridícula, mas nada mais ridículo que jogar Brett para cima de Cruz. De novo! Não consigo conceber esse posicionamento ioiô da paramédica que, infelizmente, virou chamariz para história ruim.

 

Quis morrer com aquela olhadinha dela para cima de Cruz. Gente, qual é a dificuldade de dar uma história de verdade para a Brett? Ignoraram Brettonio na semana passada para isso? Passo os dois casos, pois a princesinha merece muito mais que esses dois embustes.

 

Competindo com essa meleca, lá estava Stella. O que diabos foi essa “treta” de volante? Eu tento amar de forma igual o grupo do alívio cômico, mas tenho que confessar que Herrmann afunda cada vez mais no meu conceito (e acho que posso até incluir Otis e Cruz a essa altura da temporada porque está complicadíssimo digeri-los). Para deixar ainda mais péssimo, Kidd passou pelas etapas do machismo no trabalho. Para deixar ainda mais péssimo² tiveram a cara de pau de camuflar esse machismo por meio da camaradagem dos homens em nome de Otis. Para, né? Quer enganar quem? Foi enojante a atitude de Christopher Herrmann, falei.

 

E teve o reencontro Bria e Dawson que não ganhou a relevância que imaginei. Ao menos, não ainda. Apesar de ter meus contratempos com essa storyline, já que Dawsey é exemplo de soma de personagens que precisa de histórias mais frescas e fora de suas zonas de conforto, gostei da dedicação da paramédica em ajeitar a adolescente para o baile. Foi fofo. Gerou cumplicidade. Pontuou a insegurança da menina sobre não ser como as manas do colégio.

 

Mas… Para quê tentar vender suspense sobre o retorno de Bria? A santa mania de criar caso quando não tem caso algum.

 

Valorosa demais a atitude de Gabby com Bria. O tom materno obviamente deu ideia a várias coisas e a deixa Dawsey só agregou para refletir sobre o quanto Derek e amigos devem ao casal. Ainda não me desce aquele papo de “não teve bebê”, gente. Um desrespeito sem precedentes.

 

E não posso sair sem deixar de mencionar que Casey deu uma crescida. Pena que foi em meio ao clima baixo-astral de um Boden que adoraria que contasse com histórias melhores. Como todo mundo do 51º.

 

E assim caminhamos para a próxima semana. Que a Deusa nos ajude!

Stefs
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