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21/abr

Só agora me toquei que estamos prestes a mais um final de temporada – que passou tão rápido que nem vi. Chicago Fire segue em um caminho sem rumo e este é um bom ponto para dizer que resta seguir o ritmo. Confesso que não há muito que se empolgar diante das promessas e dos retornos daqui por diante. Um sentimento que compartilhei com este episódio, que teve como meta encerrar a jornada de Cordova. Uma jornada que, bem, nem existiu. Nem mostrou para que veio. Meramente porque desenvolvimento se tornou uma palavra do tempo pretérito nesta S6.

 

Acompanhamos mais uma nota evidente de que a turma de Chicago Fire curtiu a pegada investigativa. Fato que aumentou a orfandade dos incêndios de valor, um dos grandes pecados desta temporada, e que claramente ninguém me parece muito incomodado. Com a ausência deste artifício, que não deveria ter sido excluído tão fatalmente da trama, independentemente de orçamento, mais uma vez contamos com um conflito que quis dizer algo, mas não disse nada. O caso de grana roubada de um cartel não passou de um sutil conflito para mover Cordova e a turma. Um plano de fundo descaradíssimo que não encheu os olhos e que mostrou comodidade de escrita.

 

Mas, apesar dos pesares, o episódio em si funcionou à sua maneira.

 

O roteiro desta semana foi simplório, mas cumpriu seu objetivo. No caso, a despedida de Cordova. Intercalar um chamado no outro, emendando o início e a causa do conflito, foi de certa forma benéfico. Mas, como mencionei, a estrela foi o bombeiro que teve que provar seu valor para vários nada. A meta estipulada para esse personagem desde o início. O caso em si só existiu para destacar o raro cara que ficou de boa no 51º e que teve que vazar por “questões morais”. “Luta” que destacou que esse senhor tem certo caráter.

 

Ótimo, mas não foi lá aquelas coisas. Como se provar em um universo que não tem trazido complexidades à mesa? Fica difícil competir com essa constante chamada descaso que impede o brilho dos personagens.

 

Cordova e Casey

 

O que me faz pensar que as apostas sobre Cordova foi com relação ao seu carisma. Ele se tornou um tantinho carismático desde o episódio anterior e deu meio certo (meio porque seguiu enchendo o saco de Dawson). Embora eu tenha torcido o nariz sobre todo aquele breve caos juvenil em torno de Dawsey, o cara atingiu um nervo graças às interações com Casey. Ato que me fez digeri-lo razoavelmente e esperar por uma melhoria. Sentimentos e expectativas pela metade já que tudo poderia se firmar uma vez que ele se acomodasse permanentemente no 51º – outra pauta discutida e que não deu para botar fé porque nada se cumpre em Chicago Fire ultimamente.

 

No fundo, chego a lamentar um tico sua saideira. Um tanto precoce, especialmente porque o personagem não provou nada além de ser inocente de um furto diante dos olhos de Casey. Só não digo que foi um flop completo porque a série não tinha mesmo o que ofertar a esse cidadão. Cordova foi pintado de agente provocador, fazendo pouco caso de Otis, insinuando que seria o melhor bombeiro da casa e que tentaria mexer no OTP, mas nada disso vingou. Brecha que inseriu o carisma mais o fato dele ter optado em ficar quieto e respeitar o espaço do outro – menos de Dawson, ponto suficiente para me fazer mudar de opinião sobre esse cidadão rapidinho.

 

Male, male, o fato de Cordova ter ficado de boa desde a semana passada contribuiu para um fim de jornada até que justo. Para insinuar sua relevância, houve praticamente uma campanha para que ele permanecesse no 51º. Ao ponto de Otis endossar. O que deu significância. E para ter essa significância todos os aspectos da trama se voltaram para esse jovem.

 

O roteiro foi construído para que o personagem rumasse para seu minuto final de participação no grupo. O primeiro e o segundo chamados criaram essa ordenança por meio de um mistério fajuto que engatou no adeus. Mas, como disse, Cordova não provou o valor que aparentemente prometia.

 

Ele foi finalizado como uma figura que tinha lá suas boas intenções. Que não era tão ruim assim. Que ficaria na dele e exerceria seu trabalho. Que se manteria longe de Dawson (e ele vazou sem dizer nada a ela e achei ideal). O bombeiro saiu de cena sem realmente mostrar a que veio dentro da nova oportunidade – o que rolou no 3º chamado foi meio ridículo, confesso.

 

O que me faz confessar: os roteiristas queriam torná-lo uma pedra no sapato, como todos os novatos que passaram por Chicago Fire, mas Cordova saiu da fórmula. Não sei vocês, mas foi exatamente assim que me senti.

 

Cordova

 

Claro que não houve assim tanta escapatória da fórmula. Houve o suficiente. Afinal, Cordova entrou no mais do mesmo de causar terror no 51º. Contudo, seu comportamento neste episódio acarretou uma dose de empatia – que normalmente não é para se ter quando estamos diante de novatos. O bombeiro tinha interesse de realmente fazer parte da casa, mas não deu certo no final das contas. Ele se sentiu um empecilho e está aí algo que achei “milagroso” porque newbie não assume erro – a não ser que haja intenção de torná-lo regular só para ter mais caldo no futuro.

 

E não duvidaria de um retorno porque há uma reticência entre Gabby e ele – e confesso que as falas deles me deixaram passada na BR. Apesar do bombeiro mostrar boas intenções para cima de Casey, o mesmo não ocorreu com a paramédica. Cordova encheu desde o dia 1, com a singela “pressão” imposta para guardar um segredo sobre o que ambos compartilharam no passado. Pareceu uma intenção boa, mas pincelou certo egoísmo. Babaquice mesmo.

 

Tudo isso para Gabby se tornar desimportante. Ela só foi a possível indicação de que Cordova não prestava enquanto Casey mostrou que esse mesmo cara tem boas intenções. Que joguinho mais bizarro.

 

O que posso dizer com certeza é que Cordova contou com o mesmo nível de preocupação desde sua inserção: banal e simples. Ele não saiu como vilão e nem teve tempo de se mostrar um camarada. O bombeiro se tornou uma figura neutra e o texto fez justiça à neutralidade de uma trajetória que nunca teve a intenção de se tornar algo grande. Foi um encerramento em bons termos e penso que esse personagem mereceu. Não dava para jogar confete.

 

A deixa dada a esse personagem largou a sensação de que sua história poderia ter rendido mais. A dinâmica dele com Casey atingiu um ponto ideal para se desdobrar por mais alguns episódios. Seria algo interessante de se ver (acho) já que faz tempo que não tem novato em fase de aprendizado no 51º. Porém, considerando o rumo que esta temporada atingiu, é bem real que o mantivessem para desmantelar Dawsey. Juro que tremi quando Gabby e Cordova discutem brevemente porque eu mesma não queria vê-la se questionar sobre os sentimentos dele e como ela mesma se sentia com a revelação dada na semana passada. O OTP já não tem contado com muita coisa e forçá-los a um triângulo amoroso exigiria da paciência que não tenho.

 

Já me bastou Dawsey desconfiando brevemente um do outro neste episódio. Essa cena me deixou de testa quente. Ainda bem que houve recompensação no finalzinho dessa história. Uns nenês mesmo.

 

O que concluo é que Cordova foi um projeto que não saiu como o esperado. Compartilhando minha real impressão com vocês, intencionaram mesmo torná-lo um inimigo do 51º e um entrave em Dawsey, mas as coisas se transfiguraram de maneira diferente. Não é à toa que o personagem se encontrou em vários níveis de discrepância e “mudou” muito rápido. Uma hora o rapaz foi o mala da vila e depois estava todo solícito e apoiador. E essa sua última faceta até que abateu a vontade de sua permanência. Porém, penso que não seria uma boa ideia por motivos de Dawson.

 

Concluindo

 

Stella

 

Apesar dos chamados terem sido destinados para encerrar a trajetória de Cordova, a semana foi sobre trabalho e elogio. Salvo Stellaride que foram centralizados na dinâmica atual do relacionamento e gostei muito da atitude de Stella. Totalmente compreensível sua insegurança quanto a Severide. Em contrapartida, defendo o que comentei na resenha passada: ela não merecia ouvir aquela baboseira de Jennifer.

 

Só que o grande porém é que a cutucada mostrou seu valor. Severide teve que reagir ao ser colocado na parede. Confesso que ri com ceticismo sobre o dito “tento me descobrir”, pois sabemos que isso não acontece (ou não acontecerá). Sad but true. O que deixa Stellaride em um posto “preocupante”. De um lado, deu para sentir aquela sensação boa de que o Tenente finalmente terá o desenvolvimento que merece. Só que Stella não merece sofrer com esse processo. Esse plot é uma faca de dois gumes. Não tem onde e como se apoiar. E eu senti isso com força total neste episódio, pois Kidd ruminou por uma semana o que Jennifer disse.

 

O que digo sobre salto temporal…

 

Algo que refletiu em um Otis que caminhava corretamente. Gente, isso não ficou muito apressado? Não que eu esteja espantada, mas, como sempre, surreal demais essa storyline. E ficará ainda mais surreal se ele retornar depois de uma onda de excesso de exercícios. Um fato que transmite totalmente a mensagem errada sobre reabilitação.

 

No geral, o roteiro estava arrumadinho. Amarrou um chamado no outro, largando seus pequenos conflitos que intentaram botar o caráter de Cordova em cheque. Era óbvio que o cidadão seria inocentado, mas valeu por ter trazido um ar meio que diferente. Não foi lá aquela coisa grandiosa, mas, com o pouco que esta temporada tem engatado, um rosto como desse rapaz de certa forma compensou o vazio de trama. Agora resta saber como Chicago Fire rumará para o seu fim. Bria logo menos pinta aí e eu não confio nem um pouco no que engatarão.

 

E só para não passar batido: história do Herrmann desnecessária. Não ornou com nada.

 

E só para não passar batido²: o trio de manas reunido fez meu coração feliz. Sentia falta.

 

E só para não passar batido³: a conversa de Casey e de Stella, pela Deusa, nunca ouvi tantas verdades sobre Gabby e Severide. Fez-me até indagar onde está o resto do background desses dois (assim como dos outros personagens). A gente fica tão entorpecida com determinados pontos porque se tornaram tão ausentes, como a vida pessoal que não se resume apenas à vida profissional e ao romance. Sinto falta dos podres dessa galera, real e oficial.

Stefs
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