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04/abr

Hoje retorno com mais um Maricota Indica! Dessa vez, além de recomendar séries imperdíveis, decidi abordar algo que venho percebendo: julgamos algo simplesmente por acreditarmos que pertence somente ao público que o conteúdo foi destinado.

 

Tive a oportunidade de assistir uma sessão especial para clientes no cinema que frequento. Para minha adorável surpresa, exibiram Com Amor, Simon, o novo filme da Fox Searchlight. Como li o livro, fiquei extasiada com a surpresa, mas algo passou pela minha cabeça. Me questionei se as pessoas ali presentes abraçariam a história pelo que ela é. Sem precisar colocá-la numa caixa, forrando-a de rótulos. O que elas realmente pensaram nunca saberei, mas, avaliando a atmosfera leve, os risos e a atenção dada, pude sentir que o filme cumpriu com seu objetivo.

 

Com Amor, Simon foi criado com a intenção de representar a comunidade LGBT. Como também para convidar todas as pessoas a agarrar sua história.

 

Vocês devem se perguntar o que isso tem haver com o post de hoje. Bom, além de introduzir a resenha que posteriormente publicarei aqui no RG, usei o filme como exemplo do fato de que podemos sim enxergar algo além de sua fachada.

 

Foi então que escolhi essas cinco produções. Além de guardarem um lugar especial na minha lista de favoritas, cada uma a sua forma se encaixa nessa temática. Seja por ser feminista demais ou dramalhona demais, elas estão fadadas aos rótulos que receberam desde sua criação. Acredito que elas deveriam atingir diferenciados grupos de pessoas. Não somente aqueles que os índices sinalizam.

 

The Handmaid’s Tale, Jane The Virgin, Jessica Jones, The Marvelous Mrs. Maisel e UnREAL são totalmente diferentes em sua concepção. Ainda assim, todas possuem algo em comum. Todas abraçam e se apropriam de sua identidade, passando por cima do próprio rótulo que estão fadadas. Cativam, entretém, impactam e emocionam, criando sua base de telespectadores. Não importando a audiência e a maior visibilidade que alguns recebem em relação a outras produções.

 

Como adoro promover tudo aquilo que amo e invisto meu tempo, fica aqui dicas de séries que qualquer um deveria assistir. Especialmente para vocês entenderem realidades diferentes das suas.

 

The Handmaid’s Tale (Hulu)

 

The Handmaid's Tale Série

 

“Tudo que é silenciado clamará para ser ouvido, ainda que silenciosamente.”

 

Como alguém que sempre teve o silêncio como principal aliado, entendo perfeitamente o poder da citação acima. Sabe aquele velho ditado de que o silêncio vale mais que mil palavras? Bom, no caso de The Handmaid’s Tale, palavras precisam ser ditas. Nunca imaginei que seria arrebatada por uma história em curto espaço de tempo.

 

O Conto da Aia foi publicado em 1983 e Margaret Atwood revolucionou uma geração com uma história que transgrediu o tempo. A autora possui uma escrita rica em detalhes e, consequentemente, incômoda. É como se, a cada página virada, toda a sensação vivenciada entrasse sob sua pele. Infelizmente, a adaptação fez da série um tipo que não se recomenda a alguém próximo, mas sua temática se faz necessária. Não só para o público feminino.

 

Sua premissa se tornou cada vez mais relevante, mesmo que navegue em uma sociedade fictícia distópica. Se vocês não sabem, distopia é proveniente do termo dys (ruim) e topos (lugar). Na medicina, o termo é utilizado para designar anomalias de órgãos, principalmente na genitália feminina. Já para a filosofia, caracteriza uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios de opressão, como totalitarismo, privação extrema e retorno a costumes antigos. Existem exemplos claros na literatura, sejam em clássicos como 1984 e Admirável Mundo Novo, até publicações mais atuais, como as sagas Jogos Vorazes e Maze Runner.

 

Hulu, crescente plataforma de streaming norte-americana, adquiriu os diretos para produzir a série. Ela estreou no ano passado e contou com a responsabilidade de se tornar propriamente relevante. Afinal, foi em 1990 que essa mesma história ganhou uma adaptação para o cinema, mas não causou o mesmo impacto na época. Considerando o clima político e social nos Estados Unidos e no mundo atualmente, The Handmaid’s Tale chegou para sacudir o entretenimento. Ela gera, de forma mais visual e sentida, a discussão que Atwood tanto pretendeu com seu livro.

 

Encabeçada pela incomparável Elizabeth Moss, consagrada por seu papel como Peggy Olson em Mad Men, THT conta com um elenco secundário brilhante. Este que contribui e que possui sua própria agenda a ser seguida. Dentre eles estão Ann Dowd (The Leftovers), Alexis Bledel (Gilmore Girls), Samira Wiley (Orange is The New Black), Joseph Fiennes (Shakespeare Apaixonado),  Yvonne Strahovski (Chuck) e Max Minghella (A Rede Social).

 

Tecnicamente impecável, preza pela simbologia de sua coloração vermelha, pulsante ao feminino. Além disso, pelas suas tomadas de câmera, intimistas ou em planos distantes. Utilizando o recurso de voice-over, no qual a protagonista Offred descreve seu dia a dia, acompanhamos desde o momento da sua captura até suas obrigações dentro do casarão a qual serve como concubina aka escrava sexual.

 

Se escorando em valores pudicos e bíblicos, o livre arbítrio é anulado. O que induz o vigorar de uma nova lei. Tais mulheres, ainda férteis, tem como obrigação repopular a decaída nação de Gilead. Abençoadas pelo fruto, como mesmo ditam, as aias são colocadas em um círculo de abuso, de dor e de ruína. Delas é arrancado a força o direito de decidir por seu corpo, entre outras escolhas.

 

Alguns devem acreditar que produções como esta são mais uma pauta na agenda “feminazi”, termo que repudio completamente. Pelo contrário, se feitas da maneira certa, dão voz ao terror que muitas mulheres sentem. O simples fato de andar na rua e olhar pra trás é exemplo disso.

 

Renovada para a 2ª temporada, com estreia prevista para 25 de abril, sua trama será expandida, ultrapassando o livro de Atwood. Ela carregará o peso de sua positiva recepção, visto que foi contemplada nas principais premiações do ano passado. The Handmaid’s Tale colocará suas personagens cada vez mais no centro de suas narrativas e, o que antes ficou silencioso, agora tende a esbravejar.

 

Jane The Virgin (The CW)

 

Jane The Virgin - Série

 

Recentemente, me deparei com o artigo da Emily Nussbaum para o The New Yorker, intitulado Jane the Virgin is Not a Guilty Pleasure. Foi então que refleti que meu julgamento, antes de assistir a série do canal The CW, era contrário a essa afirmação. Só quando me propus a maratonar as duas primeiras temporadas que percebi o quão errada estava.

 

Classificar algo como “guilty pleasure” é como dizer que gosta, mas sente vergonha. E vergonha está bem longe do que sinto ao assistir a essa adaptação de uma telenovela venezuelana. Comédias românticas, novelas, romances literários e até mesmo determinados reality shows são colocados em caixas destinadas para nós, mulheres. Sabemos que existem exceções, mas, no fim, os índices apontam a maioria feminina.

 

Jemme Snyder Urman, showrunner da série, se alimentou de todos esses rótulos para criar Jane the Virgin. Contrário ao que é esperado de uma produção deste gênero, vemos que os clichês, que muitos julgam como fúteis e desnecessários, são aceitos exatamente pelo que são.

 

Urman e sua equipe criativa dão voz a um grupo de mulheres distintas e reais. Já os homens em suas vidas participam ativamente das discussões e das mudanças, muitas delas dignas de uma telenovela, certo? Para quem pegou a referência do nosso encantador narrador, meus parabéns.

 

Jane the Virgin celebra a cultura latina, sem colocá-la como um número para preencher a cota sexy e caliente de um elenco. Gina Rodriguez colocou seu nome no mapa ao entregar uma das performances mais genuínas e apaixonantes dentre as séries que assisto. E, digo aqui, não é apenas mais um exemplo de personagem feminina. Ela é uma personagem com P maiúsculo e ponto final.

 

São as três gerações das Villanueva que criam e remodelam a importância de personagens como as de Jane, Silmara e Abuela Alba. Cada qual recebe a atenção merecida, desbravando o que é ser mulher, perante seus sonhos, desejos e ambições, independentemente da idade. Seus conflitos internos e também com aqueles que fazem parte de suas vidas são palpáveis. Mesmo perante o tom exagerado e dramático, típico de uma telenovela, torna-se impossível não abraçar essa realidade.

 

Os personagens não são lineares. Daqueles que somente se enquadram em uma só qualidade e/ou comportamento. Eles evoluem e surpreendem, dando profundidade às suas tramas. Rafael e Petra, por exemplo, foram apresentados como superficiais, privilegiados e egoístas, mas são contemplados com um constante arco de redenção.

 

Tal premissa pode revirar o olhar de muitos. Como convencer alguém a assistir uma telenovela onde uma jovem latina de 23 anos é acidentalmente inseminada? Dentre encontros e desencontros, é uma série cuja protagonista tenta balancear sua nova realidade. Com a irreverência de seu narrador e a sentida química dessa família dentro e fora das telas, Jane the Virgin merece sim mais crédito do que lhe é dado.

 

Jessica Jones (Netflix)

 

Jessica Jones Pôster

 

Vivemos na era dos heróis. Do domínio de universos expandidos. De conflitos, de destruições e de planos malévolos. Seja na terra ou em outras galáxias. Independentemente do seu grau de nerdice, respiramos tais histórias, mesmo não intencionalmente.

 

Confesso que assisto quase tudo que leva a letra “H” no peito tanto em canais abertos ou via streaming. Por vezes insisto, mas também sei quando me libertar, como foi o caso de Arrow. Ainda assim, algumas delas ficam guardadas em um lugar especial.

 

Jessica Jones, Matt Murdock, Barry Allen e Kara Denvers são alguns dos nomes que guardo no meu potinho e muito se deve àqueles que os interpretam. Passei a ter mais acesso ao mundo dos quadrinhos nos últimos anos, dado que adquiri-los no Brasil não era possível. Com isso, expandi um pouco meu conhecimento neste amplo universo.

 

Como toda leva heroica, existem aqueles que fogem dos rótulos aos quais o cargo compete. E esse é o caso de Jessica Jones. Seu heroísmo é acidental e contrariado já que, se pudesse ficar quieta, com certeza ela o faria. Porém, considerando a misteriosa origem de seus poderes, os problemas a perseguem.

 

Vale mencionar seu trabalho como Investigadora Particular, que se encaixa perfeitamente com sua personalidade. Mesmo trabalhando nas sombras, Jessica sabe quando deve se impor para ganhar um caso.

 

Sua 1ª temporada, composta por 13 episódios, foi liberada em novembro de 2015. Desde então, Krysten Ritter, antes conhecida por seus trabalhos em Breaking Bad e Don’t Trust the B—- in Apartment 23, ganhou visibilidade ao interpretar a investigadora particular mais controversa de todas. Ritter é o mais puro exemplo de “perfect casting”. E isso já pode ser comprovado durante o episódio piloto de Jessica Jones. Diferente da abordagem no cinema, e até em séries como Gotham e Agents of S.H.I.E.L.D, nas quais cenas de ação são mais exploradas, JJ foge do status quo.

 

Em seu primeiro arco, houve foco intenso em traumas psicológicos e as sequelas deixadas devido a relacionamentos abusivos. Jessica, mesmo sem entender ao certo quem é e como se tornou essa mulher extremamente forte, é suscetível ao domínio daquele que jura amá-la, mas que só quer mesmo controlá-la para se beneficiar. Conhecido nos quadrinhos como o Homem-Púrpura, a série parceria Marvel/Netflix dá vida a um dos vilões mais interessantes. Nem precisaria dizer que isso só foi possível graças a assombrosa interpretação de David Tennant, que dispensa apresentações se você é potterhead, whovian ou os dois.

 

Sua dinâmica com Jessica é o core da 1ª temporada, pois além de controlar sua mente, ele manipula tudo e todos ao seu redor. Porém, quando isso afeta uma das poucas pessoas que a nossa hero-cof cof– ína ama, Killgrave percebe que o buraco é bem embaixo com sua musa. Trish serve como a bússola que conecta Jessica ao mundo, por mais que ela evite ao máximo interagir com ele.

 

Depois de uma bela recepção no canal de streaming e dos elogios da crítica, restava saber quando a série voltaria para seu 2º ano. Foi então que o marketing da Netflix colocou seu lançamento no dia Internacional da Mulher, com a enfática divulgação de que os 13 episódios dessa temporada foram dirigidos por mulheres.

 

Jessica retorna diferente do terror psicológico presente na temporada anterior. Dessa vez, há o constante conflito com sua identidade, mais precisamente sua origem. Sabendo que o acidente que matara sua família causou mudanças em sua fisicalidade, resta a ela e seus fiéis sidekicks, Malcolm e Trish, descobrirem a verdade por trás da clínica experimental IGH.

 

The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon Prime)

 

The Marvelous Mrs. Maisel Pôster

 

Quem é seriador das antigas como eu, sabe que o nome The WB chega a dar um quentinho no coração. A marca é pioneira dos dramas teens e jovem adultos, garantindo a famosa sofrência semanal que tanto fez e ainda faz parte da vida daqueles que amam o gênero. Na sua grade estiveram Gilmore Girls, Dawson’s Creek, Felicity, Everwood, Charmed, Smallville, Supernatural e One Tree Hill, sendo essas duas últimas as únicas que migrariam para o novo canal The CW. Resultado da fusão entre The WB e UPN.

 

Como alguém que se manteve fiel até mesmo após a fusão, acompanhei todas as produções acima mencionadas, com excessão de Supernatural. Sim, eu sou a louca das séries. Bom, toda essa introdução foi para mencionar que, graças a Gilmore Girls, conheci a comandante de Star Hollows, a criadora Amy Sherman-Palladino. Declaro abertamente que Lorelai e Roy Gilmore me irritam profundamente. Tanto na época que a série estava no ar quanto na recente maratona de A Year in The Life na Netflix, minha opinião se manteve.

 

Independentemente disso, sei que ela é uma showrunner que acompanharei para o resto da vida. Como no caso de Bunheads, finada série de apenas 18 episódios transmitida pela ABC Family, agora Freeform. Criada junto com Lamar Damon, infelizmente não foi renovada e entrou para a lista de que deixa saudade. Recordo que a série foi um porto seguro em diversos momentos. Um lugar quentinho e leve para visitar.

 

Ano passado, Palladino atacou novamente e dessa vez foi um tiro certeiro. The Marvelous Mrs. Maisel estreou no canal streaming Amazon Prime em março de 2017. Desde lá, arranca elogios da crítica. Além disso, conquistou evidência graças aos dois prêmios Globo de Ouro. Consagrada como Melhor Série Comédia e Melhor Atriz, esse é o tipo de produção que se torna, com o passar do tempo, uma agradável e inusitada experiência televisiva.

 

The Marvelous Mrs. Maisel, que soa até como o título de uma nova história em quadrinhos, nos transporta para a Nova Iorque dos anos 50. Lá, os costumes tradicionais colidem com os avanços que se iniciavam na época. Rachel Brosnahan interpreta a protagonista Miriam “Midge” Maisel, uma jovem mulher casada com dois filhos e que tem os pais extremamente presentes.

 

Sei que por vezes é difícil assistir a uma produção de época. Principalmente se sua mente está fincada no hoje. Midge é o claro exemplo da mulher perfeita, com as medidas, vestimentas, cabelo e trejeitos impecáveis. Sua vida é privilegiada que chega até a arder os olhos, mas nem tudo é mil maravilhas. Seu casamento com Joel, o homem que ama e que jurou passar o resto de sua vida, desmorona por traição. Sem justificativas plausíveis, o que a empurra para um rumo diferente.

 

Ok, mas e aí? O que me faria realmente acompanhá-la, além dos aparentes clichês que inicialmente oferece? Pensando com a mentalidade da época, o esperado era que a mulher se fingisse de cega frente à traição ou qualquer peripécia vinda do marido. Aquele famoso “homens são assim mesmo, está na natureza deles”. Aqui, Midge não vira o rosto. Pelo contrário, ela bate a porta na cara e o expulsa de casa.

 

E é partir desse momento que The Marvelous Mrs. Maisel se torna efetivamente maravilhosa. Brosnahan encanta como nunca antes, trazendo uma personagem oposta a sua em House of Cards. Aqui ela é encantadora e jovial. Mesmo diante de uma grande mudança, Midge traça o caminho para se reinventar, mesmo que sua família e a própria sociedade vá contra sua iniciativa.

 

Toda super-heroína precisa de uma sidekick. Nesse caso, Susie não poderia ser simplesmente colocada como um mero braço direito. Alex Borstein dá vida a essa mulher que trabalha em um comedy club que Midge acompanhava o marido – que sim, tentou entrar no comedy business. Conhecida por seu jeitão direto, o famoso “sem papas na língua”, é ela quem impulsiona a protagonista a investir em seu nato talento. Este que surge nos momentos mais espontâneos e inesperados.

 

Cômica e ágil, como qualquer produção de Palladino, sua nova protagonista migra de bela, recatada e do lar para assalariada e aspirante a comediante stand-up. Sim, essa é a premissa da série e se alguém pensa em rir dela e não com ela, já adianto que estará cometendo um grande erro. Contando com um cliffhanger que deixa qualquer mulher moderna pra lá de revoltada, basta lembrar que Midge, apesar de fora da caixa para a época, ainda vê seu comportamento e escolhas ditados por ela.

 

UnREAL (Lifetime)

 

UnREAL Pôster

 

Quem nunca assistiu uma temporada ou um episódio de BBB que atire a primeira pedra. Bom, caso realmente não tenha, meus parabéns. Nunca compreenderei a obsessão do ser humano em saber da vida do outro ou mesmo o senso de controle que aparenta ter pelo simples fato de acompanhar a vida de diversos indivíduos confinados.

 

Bom, esse não é o caso de UnREAL. Sua atmosfera se aproxima mais da realidade norte-americana e sua fixação por reality shows de relacionamento. Inclusive, os de musicais e de talento.

 

A série tem como premissa explorar os bastidores da produção de um reality de relacionamento chamado Everlasting. O que realmente fascina é como as protagonistas manipulam e controlam o programa. Ambas criam uma atmosfera regada de escândalos, de controvérsias e de escolhas inescrupulosas.

 

Sim, no início questionei meus motivos para assisti-la. Mas quando se tem Shiri Appleby (Roswell) e Constance Zimmer (House of Cards) comandando tudo, não há outro caminho. Uma interpreta Rachel, jovem produtora do programa, e a outra Quinn a produtora executiva. Juntas, elas puxam as cordinhas visando a audiência.

 

As escolhas, nada ortodoxas, por vezes colocam toda a equipe técnica e os participantes no limite físico e psicológico. Somente quando Quinn é promovida a showrunner, devido ao afastamento de seu ex-marido, o bonachão Chet, que a personagem mostra quão longe é capaz de ir para deixar sua marca no showbiz.

 

Sarah Gertrude Shapiro e Marti Noxon cocriaram a série, que tomou forma a partir do curta-metragem Sequin Raze escrito e dirigido por Shapiro. Tentando trazer diferentes perfis, atendendo a demanda do fiel público que retorna a cada temporada, UnREAL abraça a origem de sua inspiração. Cada episódio enrosca o telespectador em sua intoxicante teia.

 

Independentemente de gostar ou não do gênero, eu mesma não aprecio, a produção é altamente recomendada. Uma surpresa visto que o canal Lifetime é motivo de deboche lá nos Estados Unidos, principalmente seus filmes originais, muitos deles inspirados em eventos ou celebridades. Com UnREAL, a emissora mostra que pode sim ser levada a sério, bastando não julgar a série pelo que ela representa.

 

O interessante aqui são duas personagens, nem vou levantar a lameira do “fortes e femininas”, que não vieram ao mundo para pedir desculpa pelo jeito que são e querem as coisas. Rachel tenta quebrar seu ciclo vicioso, mas esse ambiente  armado de poder, de luxúria e de manipulação sempre vence. Já Quinn comanda o circo com maestria, pois ali é o único lugar que tem controle total.

 

Com um texto afiado e performances estelares, UnREAL é a ultima recomendação deste Maricota Indica. Caso assistam qualquer uma das séries mencionadas, comentem abaixo o que os fez assisti-la. E se também concordam que muitas séries acabam não tendo o reconhecimento que merecem devido aos rótulos colocados antes mesmo de iniciarem sua corrida.

Mari
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