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18/abr

Hoje, trago novamente uma reflexão sobre representatividade. Porém, com foco sobre o quanto precisamos ser mais interseccionais.

 

Caso não se lembrem, sempre que tenho chance comento sobre o quanto não basta apenas ter uma mulher como protagonista de uma trama. Ela precisa comunicar algo importante, que não seja diálogos regados sobre qual é o homem mais bonito do escritório, por exemplo. Além disso, não basta ter somente a mulher branca centralizada, como a dita “solução” para todas as mulheres – e é nesse último tópico que entra a interseccionalidade.

 

Interseccionalidade? Isso mesmo. Representatividade puxa o feminismo e o feminismo precisa ser interseccional.

 

E hoje meu foco vai mais para a mulher negra, ok?

 

Interseccionalidade é um termo cunhado pela professora norte-americana Kimberlé Crenshaw.  Ela define essa palavra mágica da seguinte forma:

 

“A interseccionalidade chama a atenção para as invisibilidades que existem no feminismo, no anti-racismo, na política de classe. Obviamente que toma muito trabalho para nos desafiar consistentemente a estar atentos a aspectos de poder que nós mesmos não experimentamos.”

 

Para deixar um tantinho mais claro:

 

“A principal coisa que a ‘Interseccionalidade’ está tentando fazer, eu diria, é evidenciar que o feminismo, que é excessivamente branco, classe média, cisgênero e capacitista, representa apenas um tipo de ponto de vista — e não reflete sobre as experiências de diferentes mulheres, que enfrentam múltiplas facetas e camadas presentes em suas vidas.” – Fonte: Blogueiras Feministas.

 

Vamos aplicar essas palavras sobre interseccionalidade no comportamento da mídia/entretenimento, os meus reais focos aqui. É a classe média (e/ou alta), cisgênero e branca que recebe mais atenção. Que séries/filmes dão mais atenção quando “focam” em representatividade. Ambos os lados decidem por uma vertente e, por vezes, a desenrolam como se fizessem um grande favor, especialmente para as mulheres. Quando, na verdade, seguem com o desserviço. Afinal, ainda há a visão de uma mulher para representar todas. Tão quanto uma única pauta no feminismo que converse com todas, como a questão de equiparidade de salários que os gringos dão mais atenção (e que mudou um pouco devido ao caso Harvey).

 

Com essas questões, fica simples de ver que há destaque para um grupo em específico de mulheres. E esse grupo em específico é formado por mulheres brancas.

 

Mulheres brancas se tornaram porta-vozes de várias problemáticas dentro e fora do feminismo enquanto outras ficam no canto da sala. As vozes da minoria ainda não são devidamente ouvidas. O que frisa, intencionalmente ou não, que os problemas das mulheres brancas são mais importantes. Tanto na hora de vocalizar um impasse, como o Time’s Up, quanto para gerar lucro no mundo do entretenimento. O que resulta nessa “filosofia” que ainda segue forte em Hollywood – e por aqui também.

 

Quando se pensa em representatividade, ainda se pensa na mulher branca. Para todas. Até mesmo nessas adaptações que contam com mudança de gênero – sendo que o que precisamos é de novas histórias para todas as mulheres e não aquelas em que os homens figuraram por anos.

 

Mas por quais motivos isso ocorre? Bem, explicar essa questão levaria textos imensos. Sem contar que falar do protagonismo negro não é meu papel. Independentemente, este é um assunto que muito me incomoda, mesmo eu sendo a garota branca que “vive estampada” em todos os cantos.

 

E é por isso que escrevi este texto e espero transmitir meu pensamento para vocês!

 

Bell Hooks escreveu em Feminism is for Everybody:

 

“Embora as mulheres negras fossem ativas desde o início no movimento feminista contemporâneo, elas não se tornaram as “estrelas”, que atraíam a atenção da mídia de massa. Muitas vezes, as mulheres negras ativas no movimento feminista eram feministas revolucionárias (como muitas lésbicas brancas). Elas já estavam em desacordo com as feministas reformistas que resolutamente queriam projetar uma visão do movimento como sendo apenas sobre as mulheres ganhando igualdade com os homens no sistema existente. Mesmo antes de a raça se tornar uma questão falada nos círculos feministas, era claro para as mulheres negras (e para suas aliadas revolucionárias na luta) que elas nunca teriam igualdade dentro do patriarcado capitalista da supremacia branca existente.”

 

E isso se vê a torto e a direito no nosso entretenimento de cada dia.

 

Entre os anos 2015 a 2016, houve vários debates de mulheres para mulheres e de mulheres chamando a atenção sobre o baixo leque de representatividade em conteúdos que sempre são pensados para os homens. Fins de 2016 e o decorrer de 2017 mostraram sua diferença, mas uma diferença ainda não tão impactante. Apesar dos avanços positivos que temos hoje, é inegável que a representatividade virou um produto de lucro. Em grande parte do tempo, representatividade não é levada a sério, sendo apenas um meio para alguém receber confete.

 

Ouvi recentemente algo como “apropriação de luta” e é isso que muita mídia/produto tem feito. Muitos vendem o falso ativismo justamente por terem consciência das pautas do momento.

 

Vai me dizer que blusinha empoderadora no shopping sempre foi normal para vocês?

 

Seja como for, a representatividade segue sendo pensada unicamente como o ato de incluir uma mulher no centro. Basta lhe dar um posto de relevância e ok. Não é bem assim. Meramente porque há muitas histórias de personagens no centro que se desmantelam por motivos imbecis.

 

Exemplos: a mulher só está ali para gerar dor masculina (manpain) ou sua felicidade se baseia em ficar com o cara que tem crush desde o primeiro minuto.

 

Resultado: isso cai na regra de má construção de storyline que prejudica a representatividade positiva da mulher.

 

A mídia nunca escondeu sua “preferência” em priorizar mulheres brancas. Vamos relembrar da grande capa de final de ano da revista TIME. Aquela que destacou as mulheres como “pessoa do ano” por terem denunciado seus abusos para Hollywood toda ouvir. Denúncias feitas dentro da tag #MeToo, que se tornou um movimento puxado por Alyssa Milano – sendo que o crédito do movimento #MeToo é de uma mulher negra. E essa mulher negra não estampou a mencionada capa.

 

Usarei Taylor Swift de exemplo para o quote destacado acima. Aos meus olhos, a cantora não tinha que estar nesta capa, muito embora tenha participado da conversa. Só que seu caso veio antes de Harvey e a capa da TIME foi em grande maioria sobre aquelas que vocalizaram contra esse predador e que seguiram Milano no #MeToo.

 

Pela citação de Hooks, é evidente que a mídia sabia o que fazia ao posicionar Taylor ali: vender mais a capa. E não digo na maldade. É o que ocorre nesse antro da comunicação. Apesar da conversa ser relevante para todas as mulheres, houve aí uma estratégia. Supostamente, ninguém compraria essa edição da TIME se não houvesse ao menos um rosto que valesse a grana.

 

E essa é uma lógica praticamente diária porque a indústria precisa de dinheiro.

 

Apesar do que disse acima, foi bom ter a Taylor na capa. Assim como todas essas mulheres. Mas ainda assim temos um grande exemplo, que corrobora as palavras de Hooks, de que no meio da luta feminista e nas questões de representatividade sempre dão um jeitinho de destacar a mulher branca. A mulher negra o que tenho a ver…

 

Tarana Burke

 

Tarana Burke criou o movimento #MeToo. Ela foi movida a tal ato ao ser ouvinte de uma jovem que relatou seu abuso sexual e, mais tarde, criou uma ONG, a Just BE Inc., para ajudar vítimas que passam por esse tipo de situação. Para promover sua iniciativa e alertar como assédios são mais comuns do que imaginamos, eis que nasceu esse slogan que eclodiu anos depois por meio de Milano, que puxou a conversa se utilizando dessa tag.

 

Milano garantiu que não sabia de nada e entrou em contato com Burke imediatamente após a postagem da tag. Independentemente, quem ganhou os créditos pelo #MeToo não foi a mulher negra. Tanara nem chegou perto da capa da TIME, mas concedeu entrevistas. Inclusive, dividiu seu protagonismo.

 

Não pensem que acho esse partilhar ruim. Eu acho incrível. Mostra que podemos ser aliadas e precisamos ser aliadas uma das outras. Porém, sem tirar o protagonismo de um referente grupo (mulher branca tem que respeitar espaço de fala da luta da mulher negra, é bem simples).

 

Querendo ou não, a mídia faz isso, embranquece tudo. Querendo ou não, há mulheres brancas que simplesmente deixam a coisa toda fluir e tenho certeza que o #MeToo fluiria se não tivessem pontuado que uma mulher negra era a verdadeira responsável pelo movimento em questão. E, vejam bem, a Wikipédia, por exemplo, dá todos os créditos à Milano e o baile assim seguiu. Tudo bem que foi ela quem popularizou a tag de novo, algo realmente incrível pelas conversas que tal ato incitou. Em contrapartida, é um tanto óbvio que esse protagonismo caiu na conta da mulher branca e isso segue me deixando desconfortável.

 

De todo jeito, a mídia não quer que nada seja interseccional e nós, como mulheres brancas, temos que pontuar a interseccionalidade.

 

É o dito: nós só temos um trabalho, não tirar protagonismo de outras manas.

 

Enquanto não atuarmos com uma visão mais interseccional é fato que a mídia seguirá “cômoda”. Que só uma realidade será abordada. E que só uma mulher será escolhida para “representar” todas.

 

O feminismo interseccional abre para sermos aliadas. Para conhecermos uma a história da outra. Só que Hollywood não quer que isso ocorra, bem como várias mídias ao redor do mundo. Vamos lembrar do caso de racismo que abateu Taís Araújo. Quem pintou no Fantástico, gente? Um casal branco que não sofre racismo direto e que não tem poder de fala nesse quesito. Não desmereço o que a criança passou, mas vocês entendem o que quero dizer sobre embranquecer tudo? Esse é um exemplo muito nosso do que rolou na revista TIME.

 

A falta de diversidade

 

Doutora - Doctor Who

 

Provavelmente, representatividade interseccional é algo que não existe, mas “inventei” a junção das palavras por falta de uma colocação melhor. Prometo que vocês entenderão onde quero chegar (oremos para que sim porque tudo isso é bem novo para mim).

 

Priorizar a mulher branca também afeta escalações femininas. É quando vemos mais puramente o quanto a representatividade perde muito da sua essência. Afinal, há quem se use da meta de só mostrar serviço. No dia seguinte, basta fingir que nada disso aconteceu e retomar furtivamente o posto ao homem.

 

Representar a mulher positivamente já deveria ser um ato natural, mas ainda se vê tal feito apenas pelo confete. Além disso, do que digo sobre pegar uma mulher para representar todas.

 

No caso, lá se vai mais uma mulher branca. E é quando precisamos refletir sobre o nosso feminismo. Ele é interseccional? Se não for, claro que a representatividade da mulher branca fica bem ok.

 

Um exemplo: eu fiquei superfeliz com a ideia de contar com uma Doutora mulher (menção a Doctor Who). Mas eu fiquei mais feliz pela companion negra (depois de eras) inserida na mesma série e ela ainda ser lésbica.

 

Só que, olhando bem, Bill Potts, a companion negra, estava de aliada de um homem branco. O que não é uma surpresa porque Doctor Who teve Martha Jones (e todas as companheiras femininas são nada mais que companheiras apesar de seus atos heroicos). Só que na hora de ouvirem a necessidade de ter uma Doutora mulher, pensaram no que é aceitável. A mulher branca.

 

Ah, mas não é representatividade feminina ter uma Doutora? É sim. Bastante. É uma vitória tremenda para uma série secular, branca e dominada por homens. Até entendo que a “preferência” tenha sido uma mulher branca porque a galera que assiste Doctor Who é tradicional ao extremo (e muito do fandom decepcionou com contra-argumentos machistas). Vamos dizer que seria um teste para as pessoas se acostumarem, mas esse argumento é problemático. É como dizer que botar uma mulher negra, por exemplo, no mesmo lugar seria algo “extremamente assustador”.

 

Entendem mais ou menos onde quero chegar? Mulher branca ainda corresponde para todas as mulheres. Sendo que representatividade rima com outra palavra: diversidade.

 

Eu amei muito a escolha da Jodie, mas Jodie representa o tipo padrão. Um rosto “mais aceitável” para uma mudança em uma série sempre dominada por homens. Soou meio que “ao aceitarem essa mulher poderemos aderir outras na sequência”. Um pensamento extremamente problemático também.

 

A representação da mulher segue na forma da mulher branca. O Oscar, por exemplo, segue dominado por mulheres brancas. Daí, entramos no que Viola Davis disse uma vez: falta oportunidade para a mulher negra. E não só para elas, viu?

 

Doctor Who não é famosa pela sua diversidade. Como disse, Jodie é uma vitória incrível, mas não para todas as mulheres. O feeling que me abateu, passada a euforia de quem assumiria a TARDIS depois de Capaldi, foi igual ao estar diante da capa da Time: ok ter mulher, mas só existe mulher branca?

 

É aquele fragmento do fragmento porque eu sou imensamente mais feliz com cada conquista feminina, especialmente quando falamos sobre representatividade e protagonismo da mulher no entretenimento. Afinal, eu mesma, como mulher branca, não me sinto representada em absolutamente nada. Mas eu estou em todos os lugares, o que, supostamente, diminui minha taxa de reclamação.

 

Sendo que não diminui porque muita mulher branca não tem representatividade positiva.

 

Por isso que sempre bato na tecla de que não é uma questão de ter a mulher no centro. É sobre que mensagem ela emitirá. Não menos importante: o que ela inspirará uma vez nesse cerne. Não menos importante ainda: quem a representa. Não menos importante ainda²: se sua caracterização é positiva, longe dos estereótipos. 

 

Mulheres representam as mais diferentes realidades e Hollywood para se dizer feminista tem escalado mais mulheres, mas mulheres brancas. Por isso filmes como Pantera Negra soam revolucionários sendo que não deviam ser. Há uma comunidade negra que tem muita história para contar e para compartilhar. Há talentos negros sempre esquecidos lá no fundo da sala.

 

Como disse, não posso dizer muito sobre o protagonismo negro, mas, ultimamente, eu tenho ficado contente pela metade. Uma parte fica contente pela mulher em destaque, mas falta a interseccionalidade do feminismo no entretenimento de maneira geral. Com isso, ainda existe a dificuldade de vermos representatividades mais diversas.

 

Bell Hooks escreveu em Feminism is for Everybody:

 

“Inicialmente, os investidores capitalistas da indústria cosmética e da moda temiam que o feminismo destruísse seus negócios. Eles colocaram seu dinheiro em campanhas de mídia que banalizaram a liberação das mulheres ao retratar imagens que sugeriam que as feministas eram grandes, hipermasculinas e simplesmente feias. Na realidade, as mulheres envolvidas no movimento feminista vieram em todas as formas e tamanhos. Nós éramos totalmente diversas. E como é emocionante estar livre para apreciar nossas diferenças sem julgamento ou competição.”

 

O trecho acima também evidencia o que vemos diariamente. É o feminismo branco que está sempre estampado, especialmente em tudo que é coisa gringa. É o “feminismo aceito” porque ele é branco.

 

E enxergar isso é simples: qual é o padrão de beleza ainda perpetuado hoje?

 

A mídia em si ainda é muito conservadora, em grande parte anti-feminista e preconceituosa. O mesmo se aplica ao entretenimento, como os grandes canais estrangeiros que seguem dominados por homens que apenas acham como uma mulher é e quais histórias supostamente as representam. Colocar uma mulher em destaque, ainda mais branca, ainda soa em grande parte do tempo como um favor e não um gesto de que estamos sendo ouvidas. Ao menos, é assim que, às vezes, me sinto. E me dá um incômodo quando se percebe que é migalha que recebemos. Uma migalha que não dá quietude.

 

Nisso, voltemos ao assunto do post. O entretenimento está longe do feminismo interseccional e estudar um pouco sobre tem me ajudado mais a ver o quanto esse mesmo entretenimento (dentre vários âmbitos) ainda não compreendeu a real mensagem por detrás da representatividade feminina. Por detrás do feminismo que é muito além do feminismo branco. Não é um “cala a boca”, que é mais ou menos como me sinto quando uma mulher milagrosamente ganha o cerne de uma série. E sei que em vários casos o ato é realmente genuíno, mas só porque, geralmente, vem da mão de outra mulher. E isso é meio exaustivo porque a qualquer momento se vê uma revista TIME.

 

Quando não são mulheres brancas, temos as questões de iscas. Quantas personagens bissexuais ou lésbicas foram cortadas de suas séries em nome do relacionamento hétero? Incontáveis. É a falsa representatividade que dura apenas pelo período do buzz porque os envolvidos já possuem a mente feita sobre o que intentam para a trama. É meio que um vamos participar da conversa aqui rapidinho e depois a gente bota ponto final.

 

A conversa que dura até hoje nesse quesito é sobre a Lexa de The 100.

 

O mesmo vale para a mulher protagonista que, de uma hora para a outra, vira meio para manpain ou perde todas as suas características em nome de um relacionamento – que normalmente é extremamente abusivo e acaba extremamente romantizado. Ah, mas ela é a protagonista! É, mas não conta com nada representativo. Empoderador e inspirador.

 

Isso são alguns exemplos do desserviço e que merecem um olhar mais atento quando celebramos mulheres no centro. Que merecem um olhar do feminismo interseccional, independentemente de ser o entretenimento (já que feminismo interseccional tem seu cunho político e social). Tem sido realmente uma felicidade gritante ver mulher com mais destaque e com histórias mais relevantes, mas a diversidade de mulheres e de histórias ainda peca.

 

Bell Hooks escreveu em Feminism is for Everybody:

 

“Certamente, foi do interesse de uma indústria supremacista branca, capitalista e patriarcal de moda e de cosméticos glamorizar novamente as noções sexistas de beleza. A mídia de massa seguiu o exemplo. Nos filmes, na televisão e nas propagandas públicas, imagens de mulheres magras, de cabelos loiros com expressão de que matariam por uma boa refeição, tornaram-se a norma. De volta com uma vingança, imagens sexistas de beleza feminina abundam e ameaçam desfazer muito do progresso obtido pelas intervenções feministas.”

 

Esse quote acima amarra a questão de padrão de beleza e que também compromete a questão de interseccionalidade. Jodie não deixa de ser um padrão europeu assim como Taylor que se tornou um tipo de padrão americano. Loiras, altas, belíssimas e assim por diante. Características das quais a mídia está acostumada, que estampa o feminismo branco midiático. Que estampa o mesmo tipo de mulher que não representa todas. Essa mídia desvalida outras vertentes do feminismo. De quebra, segue criando mais inseguranças físicas diante da conversa sobre representatividade.

 

Eu sei o quanto essa representatividade de um único padrão me afetou ao longo da adolescência e não posso nem imaginar como uma adolescente negra se sente. Até porque, mesmo que as personagens brancas não tenham boas histórias, a mulher branca está sempre lá. Você consegue se identificar mesmo que seja em parcos fragmentos. A adolescente negra não.

 

Precisamos de uma visão mais ampla do que significa a representatividade. Não é apenas uma questão de estar lá. Precisamos de mais diversidade. Precisamos de mais interseccionalidade. Precisamos questionar mais até que ponto estamos satisfeitas com o protagonismo feminino.

 

Afinal, a mídia e o entretenimento no geral ainda acreditam que é apenas dar, sendo que muito segue ainda tomado no processo.

 

 

Deixarei alguns artigos que podem dar uma luz sobre interseccionalidade e sobre o quanto a mídia e o entretenimento ainda têm muita lição de casa para fazer. Espero que tenham gostado deste post e peço desculpas se soei meio incoerente ou se paguei micão. Ainda tenho dificuldade em expor este meu lado, mas eu precisava postar este texto.

 

1. Palestra de Kimberlé Crenshaw ao TED
2. A capa da Time só representa o racismo do feminismo branco
3. Por que o movimento #Eutambém é diferente para negras, asiáticas e latinas
4. Feminismo Interseccional: um conceito em construção
5. Por um olhar interseccional

Stefs
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