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28/maio

Eis o episódio que me fez chorar like a baby por duas vezes consecutivas e que me fez firmar a minha fidelidade (já muito bem firmada ao longo das tramas passadas) com The Bold Type. Sem dúvidas, este foi o texto mais difícil de escrever porque sua moral veio a base de um desdobramento que respingou em Jacqueline. Um desdobramento que é muito complicado de expor em palavras.

 

Um desdobramento que tem gatilho: estupro. Um assunto que foi debatido, sem uso da “demonstração” do ato, impulsionando mais uma vez o pensar sobre como transcrever o trauma de outras pessoas. Inclusive, o quanto não sabemos como uma pessoa exatamente se sente.

 

De início, vemos as meninas tentando dar um nó nas pontas soltas criadas no episódio anterior. Atitude que deu um tipo de tom do qual acredito muito: a vida tem seu próprio jeito de cobrar o que não lidamos. Seja pela criação de um cenário parecido ou por meio da história de uma pessoa ou os dois. Viés que transformou este roteiro em um obstáculo rumo à superação, dividido em quatro partes considerando que Jacqueline exerceu um papel tremendamente essencial.

 

Eu sou a pessoa do nada é por acaso porque tudo está escrito. Eu acredito nos sinais da vida. Nas indiretas da vida. Nas cobranças da vida. Esse último ponto, simboliza, aos meus olhinhos, o famoso ciclo vicioso que, de alguma forma, precisamos quebrar para colher o real aprendizado de determinada situação. Ou para finalmente superarmos o que for. Ou para interrompermos um looping nocivo. Independentemente do caminho e da causa, a vida nos cutuca assertivamente no que nos dói ou no que está pendente a fim de checar se realmente estamos livres. Se ultrapassamos a dificuldade. Se lidamos com nossos fantasmas. Todo santo dia, a vida quer saber se descobrimos o sentido verdadeiro da pintura que desenha nossos impasses e do espaço que ocupamos.

 

E nem sempre a resposta ou o saldo são positivos. Ainda escolhemos seguir em frente e, com isso, ignorar o fardo que não nos esquece apesar da tentativa funesta de fingir que esquecemos. Tudo está ali, dentro de nós. Um tudo que pode ser despertado por meio de histórias verossimilhantes que nos faz notar que a dor, os fantasmas, as cicatrizes ainda exercem sua influência. E, talvez, nos mantêm no ciclo vicioso que é a resposta de que não lidamos (ainda) com determinados impasses.

 

Quem não passa a vassoura por cima dos problemas e os lança para debaixo do tapete que atire a primeira pedra.

 

Nesse lance de cobranças da vida, este episódio fez uma ode ao primeiro capítulo de The Bold Type. Vemos Jane tendo a chance de trabalhar no primeiro pitch que sugeriu à Jacqueline no piloto, Kat seguindo com a angústia de ficar na Scarlet ou de viajar pelo mundo e Sutton enfrentando o resultado de um flagrante já que se engajara em outro relacionamento às escondidas (com Alex). Circunstâncias que rimaram com assuntos e aprendizados inacabados – e algumas coisas já haviam sido vistas em episódios anteriores. Tudo pensado para dar um tom de decisões definitivas, gerar novos pontos de virada e engatar a entonação de finalização (visto que a série não havia sido renovada durante a exibição deste episódio).

 

Um season finale de acelerar e de desacelerar o coração. Inclusive, de fazer lembrar que, nós mulheres, podemos e devemos nos apoiar.

 

The Bold Type - Jane

 

Logicamente, Jane norteou grande parte da trama. Posto que lhe foi dado desde o início de The Bold Type. Como mencionei, seu primeiro pitch, trocado pela pauta de ir atrás de um ex irrastreável no piloto, retorna como uma ironia do destino. Afinal, a personagem decidiu ir trabalhar na Incite e nada mais digno que ter uma matéria incrível para fechar seu ciclo na Scarlet. Uma matéria de cunho político que fazia tempo que não caía na mesa de Sloan.

 

Dessa vez, ela tratou o estupro de Mia e a forma de protesto que a mesma criou para expressar a ausência de justiça que ainda persiste nesses casos. Um assunto e tanto que contrastou o fato de que Jane lidou com uma dobradinha de pautas ruins, que pesou na sua decisão de dar um novo salto na carreira. Aqui, é o encerramento do seu papel na Scarlet e a premissa deste episódio soou também como um pretexto para que Jacqueline percebesse, talvez em um futuro próximo, a incrível colaboradora que perdeu para a concorrência.

 

A pauta de estupro funcionou como uma faca de dois gumes (mas de um jeito extremamente positivo). Além do ocorrido com Mia e sua forma de protesto, esse viés também abriu brecha de discussão para a expressão ativista nos tempos atuais. Além disso, no como empatizamos com vítimas de estupro. Hoje, se manifestar em pró de algo/alguém tem sua concentração online (apesar das manifestações de rua). Uma ação que não deixa de ser passiva justamente por, na maioria das vezes, representar um barulho temporário. Com prazo de validade. Sem troca de calor humano.

 

Algo que é discutido muito sutilmente quando Jane entrevista Mia. Na explosão da denúncia e no desenrolar do julgamento, a fonte contou com o barulho ensurdecedor. Meio mundo a apoiou, especialmente online. Lindíssimo, mas, conforme o assunto perdia a força, ela se viu por si mesma. Ela se viu praticamente falando sozinha. O que a inspirou a criar seu próprio ato de protesto. Um ato que inspira e que abre para mulheres dividirem seus pesos ou apenas demonstrarem apoio.

 

O foco no desdobramento de Mia traz uma Jacqueline totalmente diferente. Da mulher apoiadora e que deixa seus jornalistas trabalharem livremente, a editora-chefe passou a sufocar uma Jane que nem sequer havia contado que vazaria da Scarlet depois que entregasse a matéria. Um comportamento visto como normal, pois escrever sobre o trauma de outra pessoa não é fácil. Uma lição muito bem pontuada neste episódio já que ainda acompanhamos a irresponsabilidade jornalística em pautar determinados assuntos. Como o estupro.

 

Ainda vemos headlines que culpam a vítima e exoneram o homem.

 

The Bold Type - Mia

 

Mia Lawrence não conquistou justiça pelo seu estupro, mas não se fechou. Ela fica em um mesmo ponto do parque, calada, segurando dois pesos que simbolizam a balança da Justiça. Pesos que ninguém jamais saberá a dimensão. Pesos que são particulares de cada uma. Pesos que abrem a chance para outras vítimas expor o que também carregam em segredo. Protesto que explicita um fato que cabe na profissão jornalista (e que não me custa repetir): é difícil capturar o trauma de uma pessoa e colocá-lo em uma matéria de forma humanizada. Detalhe ainda falho na nossa grande mídia e que revolta ao escolher quase sempre deslegitimar a dor acarretada por um crime como esse.

 

Como disse, tudo para exonerar o homem e cultivar mais a cultura do estupro.

 

É uma grande pauta para uma pequenina Jane que demonstra confiança do início ao fim. Ela quer entregar a sua melhor matéria, mas Jacqueline a estremece apoiada na muleta de cuidado na escrita. De pedir mais aprofundamento ao mesmo tempo que quer cuidado com esse mesmo aprofundamento. Foi estressante para Sloan, que também estava receosa em decepcionar a mulher que é sua fonte de inspiração. Antes do fim, descobrimos por quais motivos tal assunto se tornou evidentemente pessoal para a líder da Scarlet. E foi aí que descambei de tanto chorar.

 

Demorei um bocado para acertar o tom deste texto porque eu não tenho palavras para expressar como me senti ao longo deste episódio. Principalmente diante da cena mais impactante e que será ovacionada por mim para todo sempre. Do nada, Jacqueline surge e quebra o círculo sagrado de Jane, Kat e Sutton ao redor de Mia e pega os pesos. Um instante que transforma o episódio de uma hora para a outra. Um instante que mostra que uma voz pode se transformar em um protesto uníssono.

 

Em nenhum momento Jacqueline entregou que é vítima de estupro e o impacto foi certeiro. Doeu no âmago. Seu comportamento agitado em torno dessa pauta pareceu comum porque ela mesma queria transformar a Scarlet em um veículo mais político. Sem contar que a editora-chefe explicou à Jane os motivos de não tê-la deixado ser responsável por tal pauta no dia 1, o que conjugou extremo profissionalismo da sua parte. A todo instante deste finale, essa mulher declarou o quanto essa matéria poderia revolucionar, chamar a atenção para todas as vítimas, mas jamais imaginei que a própria se tornaria personagem do mesmo texto.

 

Assim como várias storylines que compuseram esta temporada de The Bold Type, aqui vemos mais um percurso surpresa. Uma reviravolta que não dava para esperar ou sequer imaginar. Foi um tapa que fortaleceu e expôs o quanto os textos desta série são fluidos, orgânicos e envolventes. Não há entrega óbvia sobre o que virá a seguir, apesar de acharmos que X coisa pode mesmo acontecer.

 

Foi um baque tremendo ver Jacqueline abandonar a festa da Scarlet, subir aqueles degraus e aliviar o peso de Mia ao assumir o seu peso. Um protesto que havia perdido a validade aos olhos da mídia e das mídias sociais, mas não do ponto de vista das mulheres que foram estupradas.

 

The Bold Type - Campanha

 

A união de Kat e de Jane foi extremamente importante neste episódio. Mais precisamente no mencionado papo de ativismo. Sloan sugere a ampliação da visibilidade de Mia por meio das redes sociais da Scarlet e Edison acompanha a movimentação online – o que cresce seus tão sonhados números que, no fim, não a deixam radiante como o esperado. Pegada que não é tão estranha a nós, mas move uma Jacqueline negativamente. A editora-chefe quer mais que comentários online. Ela quer presença. Ela quer as pessoas ao redor da real protagonista deste season finale.

 

A própria Mia representou as vítimas de estupro de uma maneira que pareceu simples. Porém, sua atitude transpareceu o efeito devastador do silêncio ser a dita única solução nesses casos. Como aconteceu com Jacqueline que, depois do ocorrido, voltou ao trabalho como se nada tivesse acontecido. Sem pensar em prestar denuncia por medo. Quantas histórias ganham esse fim, não né?

 

A reclamação de Jacqueline, em cima do comportamento online, questionou o ativismo de sofá. Reagir online é rápido, aparentemente eficaz, mas não deixa de ser temporário. Kat defende, claro, pois compreende seu trabalho como ninguém. Porém, a editora-chefe não aceita essa ausência humana. Ninguém foi lá, nem que fosse para fazer companhia para Mia. A não ser Jane que trouxe Kat e Sutton. O que frisa algo que compreendemos desde que existimos: a presença vale mais que um comentário online, sem sombra de dúvidas.

 

Mas o online é importante sim, claro. Dá força ao ativismo, pois tende a ser a única forma que algumas pessoas possuem em demonstrar apoio a determinada causa. É quando vemos hashtags perderem o caráter de futilidade para unir/reunir um caso urgente e relevante.

 

Bem como as vítimas de qualquer forma de abuso. Como a tag do Primeiro Assédio.

 

A reviravolta deste episódio rendeu a cena mais poderosa de The Bold Type. Que compete muito com a descoberta de Jane sobre sua tendência ao BRCA. A maneira como apresentaram a preocupação de Jacqueline não nos preparou para sua revelação. Fico arrepiada só de rememorar a cena, que contou com o embalo de Quiet, da Milck, que se tornou o hino do Women’s March em 2017.

 

Da líder inspiradora, vemos uma mulher em sua vulnerabilidade. Uma mulher caindo na real sobre a perda da noção referente à quantidade de peso que ainda carrega sobre seu estupro. Sobre um evento que a mudou e que a tirou de sua normalidade. Mia serviu como um despertar, que concilia com a verdade de que, às vezes, preferimos não lidar com nossos traumas. Preferimos não medir o peso que ainda carregamos. Eu mesma me identifico porque sou perseguida pelos meus traumas mais complexos. Traumas esses que me fizeram agir a base da solução comum: o silêncio.

 

Um silêncio que Mia não deu. Um silêncio que Jacqueline quebrou.

 

Mas é esse mesmo silêncio que suga outras vítimas. Não restando muito a não ser angustiar na companhia de seu peso. Um peso que ainda não parece digno de justiça.

 

Um peso que ainda é dito que é culpa sua.

 

Lição número dez: você não está sozinha

 

The Bold Type - Jacqueline

 

“Mia perguntou se um dia ela se sentiria normal outra vez, e eu só posso falar pela minha própria experiência, mas eu diria que a resposta é não. Mas você encontra um novo normal e funciona tanto que, às vezes, você não lembra que não é. Eu não acho que eu tenha percebido o tanto de peso que eu ainda carregava.” – Jacqueline.

 

Mia é o despertar de Jacqueline e de todas as mulheres que foram estupradas. Mia é uma fonte de inspiração não apenas por querer sua justiça, mas por não ter se calado. Ela fica lá, em pé no parque, segurando seus pesos, um ato de coragem que traz outras mulheres para aliviarem o fardo uma da outra ao mesmo tempo que uma assume o seu. Não é preciso dizer nada, apenas agir. É um ato. É uma troca que entregou outra verdade: não estamos sozinhas.

 

Mia encontrou sua própria maneira de vocalizar que não ganhara justiça. Jane ganhou a responsabilidade de resgatar essa história para mostrar que mulheres não devem se calar. Jacqueline percebeu que devia se envolver porque o silêncio não faz bem a ninguém.

 

Mia e Jacqueline têm que conviver com o fato de que seus estupradores seguiram impunes. E elas ouviram que deveriam seguir normalmente. Ambas vocalizam esse tipo de normal em que você, na verdade, encontra um novo normal depois do que lhe ocorreu. Cria-se uma nova camada de si que, por vezes, nos distancia do trauma – a proteção mental. E esse trauma é revivido diante de histórias que recontam o que passamos e não enfrentamos. E é neste momento que, possivelmente, mensuramos o quanto esse peso, esse fardo que nos prende, ainda suga o que resta de nós.

 

Quando olhei para essas personagens em questão, vi muitas coisas, especialmente sobre essa questão de um novo normal. Inclusive, do quanto a dor pode ser maior que você mesma. Ao longo dos anos, eu criei muitas camadas de um novo normal e, pensando aqui, ainda não me sinto normal. Talvez, nunca me sentirei normal, mas parei de me recriar assim que escolhi vocalizar o que aconteceu comigo. Depois dessa partilha, hoje sinto mais facilidade de falar sobre meus traumas, de como superei alguns e outros não.

 

No finale, The Bold Type entregou a importância da partilha. Podemos não sentir a mesma coisa, ainda mais se vivenciamos um episódio semelhante, mas podemos aliviar o fardo uma da outra. Podemos estar lá para tentar amenizar alguns danos.

 

Mia sinaliza o quanto histórias de estupro são temporárias. Ao menos, na grande mídia, a mesma que trata o assunto como pauta quente para deixá-la cair no esquecimento. Jane e Kat não deixaram isso ocorrer e formaram uma força online e presencial que sinalizou que essa conversa é importante. Que vítimas de estupro precisam ser ouvidas e que os estupradores precisam pagar.

 

Vale até dizer que essa storyline amarrou muitos outros eventos de The Bold Type. Como o slut-shaming de Kat, pois Mia deixa claro que ser exposta nas mídias da Scarlet não deixará quem não gosta dela muito feliz.

 

O que também calha na campanha do câncer de mama. Queremos as histórias felizes, não é? Para quê ouvir as histórias de vítimas de estupro? Claro que é uma coisa chata, né? Indagações que dizem muito sobre falta de empatia.

 

Mia não é uma história feliz porque foi estuprada e o fato dela vocalizar isso, antes de Jane abordá-la, a tornou a figura chata. A figura que ninguém quer ouvir e, por isso, merece os trolls da internet que deslegitimam sua dor. Sendo que sua história é importante, mas ainda assim há quem a cale.

 

Porque no silêncio é como se nada daquilo tivesse acontecido. No silêncio, Mia, bem como tantas mulheres que foram estupradas, não existe. Por não existir, não há com que se preocupar.

 

E é por isso que sempre nos oferecem o silêncio. Assim, pra evitar aquela dor de cabeça, sacam?

 

Dizer a verdade é assumir que uma parte de nós foi perdida. Ou danificada. E essa mesma verdade pode nos libertar. Não totalmente, mas o suficiente para seguirmos adiante. O que calha no novo normal, que encontramos por conta porque ninguém fará isso a não ser nós mesmas.

 

The Bold Type - Jane e Jacqueline

 

Todo o trabalho político sutil de The Bold Type alcançou sua maior expressão neste episódio. Principalmente na relação entre Jane e Jacqueline. Houve uma troca de sapatos, ao ponto da editora-chefe também se transformar em uma fonte. O que deixou a reflexão de que podemos não ter o mesmo peso nesta vida, mas nada nos impede de estarmos lá. Não precisamos segurar todo o peso da pessoa, mas podemos dizer que estamos aqui e que podemos ajudar no que for preciso.

 

Mia e Jacqueline terão o estupro como parte de suas histórias para sempre e penso que é na maneira como criamos um novo normal que nos levará a um tipo de superação. É apenas uma impressão que este episódio deixou, pois cada uma sabe da sua dor e o que é preciso para amenizá-la.

 

Se há outro aprendizado que este episódio deu é que: não adianta condensarmos o que houve, ou ignorarmos, ou viver sob uma faceta que não existe e seguir adiante. Em algum momento, a vida cobrará. A vida quererá saber se estamos bem e em paz. A vida virá cedendo um novo reflexo, seja por meio da história de alguém ou de algum gatilho entregue sem querer, para medirmos o tamanho do peso que ainda carregamos. Algumas marcas não se curam, são carregadas para sempre, mas é nesse novo normal que, talvez, conseguiremos ser livres.

 

E eu sei que carregarei as minhas marcas para sempre. Meu desdobramento não é um estupro, mas um acontecimento que ainda sou incapaz de dar nome. Só sei que foi esse ponto que descarrilou muitas coisas. Como a falta de confiança em mim mesma, a falta de coragem em me expor (que fortalece minha autopreservação) e o receio maior de todos de me envolver com um homem. Jacqueline é quem menciona essa ideia de novo normal e fez sentido para mim. Apesar do que houve, a gente precisa seguir. Carregando esse peso para o resto das nossas vidas.

 

E toda vez que lembramos, um novo normal nasce para voltarmos ao nosso eixo.

 

A gente carrega esse peso para sempre e, com sorte, haverá alguém para segurá-lo um pouco. Não unicamente para aliviar o nosso espírito, mas, talvez, para dizer o famoso: eu também.

 

Concluindo

 

The Bold Type - trio

 

Mia foi o principal peão deste finale. Por meio dela, Jane se abriu para o ativismo, Kat vivenciou o aumento de seguidores nas redes sociais da Scarlet (algo que, no fim, ela ficou descontente) e Jacqueline revelou sua própria verdade. Sutton ficou isolada desse plot por ter vivido a cobrança de que namoro às escondidas não funciona. Independentemente de onde cada uma estava neste episódio, os sinais e as cobranças da vida as empurraram para novas reviravoltas.

 

De maneira geral, o trio bateu de frente com a vida e questionaram o famoso até quando. Querendo ou não, precisamos quebrar as correntes apesar do peso que carregamos. Precisamos lidar com assuntos inacabados para assim seguirmos adiante. É o que acredito e é o que me faz se contorcer internamente desde que me entendo por gente já que tenho meus próprios traumas e receios. Não é fácil, pois sempre rola aquela sensação de dar um passo adiante e outros vinte para trás. É preciso lutar e relutar, mesmo quando há dias em que não queremos sair da cama.

 

Como disse, este episódio sinalizou para o piloto da série. Fora do peso de Mia, relembramos que precisamos ter aventuras. Ser o tipo bold. Liberar o inferno em quem nos segurar. As frases que iniciaram e finalizaram esses 10 capítulos de Jane, Sutton e Kat.

 

Houve a repetição do discurso de Jacqueline dado no primeiro episódio, mas, dessa vez, não foi tão impactante. Não quando trouxeram uma história tão forte que escancarou o quanto as mulheres precisam se apoiar mais. O quanto as mulheres não podem se silenciar. O piloto trouxe pura sororidade e o finale fechou da mesma maneira. O que rolou com Mia trouxe amor na internet e impactou com a presença do trio e a revelação de Jacqueline. Uma história que não será esquecida.

 

O roteiro em si iniciou com essa de correr riscos, arrematando o episódio passado, e de nos expormos por aí. Porque a vida é curta. Jane é dona desse discurso porque sabe que tem o diagnóstico de BRCA e que isso pode, em algum timing do futuro, roubá-la da vida que tem agora. Mesmo com o estupro sendo premissa, o que se aprende é: precisamos de uma vida livre de medo. O que não é fácil, mas se encaixa no conceito de novo normal. Um novo normal que é facilmente esquecido justamente pelo medo.

 

E o medo sempre tem seu próprio jeito de vencer. Eu tenho horror de andar à noite (porque fui assaltada) e sempre tenho que sair dos rolês consideravelmente cedo (pelo horário ou porque minha mãe vai me buscar). Tenho horror de pessoas atrás de mim ou que ficam muito escoradas – e evito fazer o mesmo, especialmente quando são mulheres. São nesses, e em outros instantes, que meu novo normal me escapa porque fui ferida e jamais me esquecerei do ferimento. Um ferimento que, quando menos espero, revela que ainda me controla.

 

A vida pode se encurtar mais na nossa busca constante do novo normal. Não sei como poderia arrematar esse raciocínio porque cada uma sabe o peso da dor que possui. Cada uma sabe o que fazer para amenizar seu próprio peso. O que funciona para mim, pode não funcionar para você. Mas… Apoio é tudo nessa vida. Inclusive, ser um suporte quando o silêncio parece a única solução.

 

Duramente, aprendi a acreditar que o passado pode não nos definir. Podemos carregar o peso, mas não podemos deixar isso ser unicamente o que nos define no fim. Uma tarefa que é uma constante. Não tem prazo para terminar porque um trauma como o estupro não é simplesmente apagável.

 

O season finale de The Bold Type arrematou todo o empoderamento pincelado ao longo da sua jornada. Inclusive, seu papel como nossa melhor amiga. Nossa irmã mais velha que quer mesmo que arrisquemos mais e que lutemos por nós mesmas. No fim, Jane vai para a Incite depois de entregar uma matéria incrível, Kat chutou o balde e foi viajar e Sutton se desprendeu de seus relacionamentos. A conclusão bold para três mulheres que mostraram o que realmente querem e que nunca deixaram a sororidade desvanecer. Essa é uma irmandade que não tremeu, nem com os assuntos mais banais. Uma irmandade que apoiou Mia e sua narrativa quase invisível.

 

Uma irmandade que espera que sejamos boas com quem somos e com as mulheres que estão na nossa vida.

 

O que me leva a repetir a última lição desta temporada de The Bold Type: você não está sozinha. Um clichezão para algumas pessoas, mas a pura verdade para outras como Mia, que não querem ser silenciadas. Nem muito menos terem suas histórias esquecidas.

 

The Bold Type - Kat, Sutton e Jane

Imagem via: dailyboldtype.tumblr.com

 

Aaaaa!!!! Encerro por aqui os textos sobre esta temporada de The Bold Type e espero que tenham curtido. Peço desculpas novamente pelo atraso, ok? Logo menos, nos veremos nas resenhas da 2ª temporada.

 

Dia 12 chega logo! ❤

Stefs
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