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26/maio

Finalmente chegamos ao penúltimo episódio de The Bold Type. Não que isso seja um alívio, pois eu poderia falar sobre esta série infinitamente. Confesso que nem acredito que consegui cumprir a tempo essas resenhas-reflexões porque, como podem ter notado, furei o cronograma várias vezes.

 

Obviamente que estamos diante de mais um episódio: antes tarde do que nunca. Peço desculpas por todos os atrasos, ok?

 

Agora, vamos ao que importa.

 

Como toda trama pré-finale, esta veio pincelada com mais pontas soltas e algumas reviravoltas. Todas para moldar um tipo de futuro para as personagens e assim ser trabalhadas na conclusão. Ao contrário do episódio anterior que teve babado e confusão, ao ponto de manter o trio um tantinho mais separado, aqui houve muito envolvimento das protagonistas. Meramente porque foi Kat quem precisou de apoio dessa vez por motivos de uma Adena que foi barrada no aeroporto.

 

Não tive a oportunidade de falar sobre Kat e Adena nos outros textos porque ambas não chegaram a um passo tão importante como neste episódio. Fato que não deslegitima o desenvolvimento da relação delas, trabalhada de pouquinho em pouquinho nos capítulos anteriores. Os desdobramentos deste roteiro deixaram claros que, desde o início, a preocupação era dar mais atenção ao background de Adena. Justamente para ela não ser mais uma personagem lésbica sem aprofundamento – já que a televisão segue fazendo pouco caso de personagens lésbicas.

 

Felizmente, chego aqui consciente de que Kadena não foi caso de queerbaiting. Impressão que rolou conforme minhas pesquisas. A angústia causada pelo distanciamento dessas jovens foi necessária para se ter progresso. Para que ambas se conhecessem melhor. Para que ambas chegassem neste ponto de virada sem atropelamentos.

 

The Bold Type - Kat e Adena

 

Para quem não se lembra, esse relacionamento começou a ser moldado no piloto. Isso quer dizer que levaram 9 episódios para trazer a maior entrega desta temporada. Toda a angústia morou em Kat, pois a personagem se dizia heterossexual. O que ela passou a sentir por Adena a pegou de surpresa e combateu tudo que acreditava. Infelizmente, de um jeitinho um tanto na margem, mas, pela promo da S2, parece que teremos certo aprofundamento nesse quesito.

 

Norte de pensamento que me faz aproveitar o instante e comentar brevemente sobre o desenvolvimento de Kat, pois ainda acredito que ela acabou meio que de lado. É lindo vê-la vocalizar a parte política da série, mas a questão de raça, por exemplo, ficou de lado (como na cena em que ela soca o policial para defender Adena e, bem, ela é negra). Reassistindo esta temporada, percebi que cabe dar “certa relevada” porque, como disse, o foco sempre foi em Adena. Entremear essa personagem no meio da rotina das meninas foi necessário, especialmente para enraizar a recíproca sentimental e a química do shipper Kadena.

 

Destaco esse assunto porque houve uns momentos em que Kat pagou mico demais e deixou a sensação de que era alienada ou algo assim. A começar por um questionamento que ficou nas entrelinhas (porque ela meio que a fez, mas não com essas palavras): por quais motivos Adena seria barrada nos Estados Unidos? Sutton e Jane clarearam esse impasse episódios atrás e foi incômodo ver Edison na nave. Afinal, ela tem um lado político aparentemente esclarecido.

 

Foi sim um baita deslize de caracterização da parte dos roteiristas e que acabou sendo cobrado pelo fandom. Um ponto que parece que será remediado na S2 também (vide promos) e isso me deixa um tanto aliviada.

 

Para entender melhor o cenário: Kat tem amigas brancas. Trabalha em uma revista em que a maioria é branca e que o público-alvo é mulher branca. Mas ela não é branca, mas só tem problema de mulher branca. Posso até dizer que os roteiristas se nublaram porque essa personagem é “privilegiada”. Eita, como assim?

 

Pelo contexto da série, ela é uma mulher negra, rica, heterossexual, independente e americana – o último fato combate o dilema de Adena que é muçulmana. Uma soma que, com este episódio, me fez capturar que Kat basicamente reage ao ativismo dado pela mídia (algo como o #MeToo que segue sendo abordado como ato de mulher branca e nem é). Repito que é lindo vê-la engajada, mas se esqueceram de que falamos de uma mana negra. Apesar dela ter um combo de “privilégios”, os EUA é racista. Os EUA ainda não sorri para ela sem cobrar alguma coisa.

 

Quando Kat soca o policial, tudo que se pensa é na forma como uma negra é tratada diante dessa autoridade. Porém, deram uma solução simples, a base da intervenção de Jacqueline que a tira da saia justa. Um simples exemplo que destaca o esquecimento de que essa jovem representa uma minoria, verdade não retratada na série, e que a tornaram unicamente vocal dentro do feminismo branco.

 

Voltando ao episódio, não posso dizer muito sobre representatividade LGBT pelos motivos óbvios, então, vamos falar de emoções. Kadena entra como esperança na TV atual, pois, na maioria dos casos, essa comunidade enfrenta a doença de isca. Dessa forma, é normal ter receio ao se estar diante de uma relação homoafetiva porque essa mídia não pensa duas vezes em matar esses personagens.

 

Eu sei sobre a negatividade do queerbaiting, algo que segue desavergonhado e que me deixa de testa quente também. Afinal, ainda existe pouco caso quanto à representação LGBT. É sim complicado acreditar que um casal lésbico é entregue genuinamente quando é comum torná-lo invisível. Ou, pior, ver uma delas ser aniquilada pela angústia ou porque o casal heterossexual precisa vencer. The Bold Type mostrou que, de certa forma, se preocupa. E espero mesmo que só venham acertos daqui pra frente ao redor de Kadena.

 

Até porque penso que foi normal acreditar que Kadena daria errado antes de ter propriamente nascido. Que se tratava de teste de buzz que acabaria sendo arrastado porque os fãs curtiram a interação de ambas (e seria muleta para tentar uma renovação). Eu mesma fiquei com o pé atrás e chego aqui feliz da vida.

 

The Bold Type - Kadena

 

Este episódio mostrou que a história dessas personagens está, aparentemente, longe de terminar. Aqui foi o início, cheio de risos, de toques, de trocas e do ápice. Ambas foram o coração da trama, não entregando apenas dois tipos de representação, mas uma história que fluiu organicamente. Cheia de sensibilidade e de cumplicidade. E é difícil ver duas personagens lésbicas conversarem entre si antes de aceitar o que sentem uma pela outra e assim correrem atrás de transformar o que sentem em uma relação saudável.

 

Hoje, muito do romance na TV ainda é sobre angústia vs. morte ou manpain. E quando uma série, especialmente destinada ao público feminino, cuida de quem está em cena, bem, merece todos os aplausos. Não menos importante, o pedido para que não estrague tudo.

 

Os roteiristas se preocuparam com a construção desse relacionamento. Além disso, com a troca de conhecimento. O que me faz concluir que esta temporada foi sobre Adena. Ela quem trouxe mais background étnico. Como neste episódio, cujo tema abordou um pouquinho sobre imigração em dia de comitiva do Trump. Uma coisa acabou casando com a outra e foi ótimo de assistir.

 

A parte mais significativa para mim foi ver Kadena trocando experiências no aeroporto munidas de seus passaportes. Fiquei toda babona! Experiência que me fez rememorar a timeline de Adena, que entrou na série com um relacionamento que se tornou bambo a partir do momento que ela passou a dar certa reciprocidade ao que Kat demonstrava (do seu próprio jeito desconexo). Uma França as separou para finalmente uni-las. Para que ambas, enfim, ajeitassem os ponteiros.

 

Foi o último giro da roleta. O fatídico a hora é agora. Foi um instante de partilha que trouxe muita verdade e muita vulnerabilidade. Além disso, o gostinho de querer viver a vida um pouco mais. Fato esse que volta com tudo para estapear uma Kat que demonstrou infelicidade pela promoção forçada na Scarlet no episódio anterior. Adena viajou o mundo e em cada experiência ela descobriu mais de si. Uma confidência que trouxe certo complexo em Edison, que não conhece outra realidade a não ser a que ocupa atualmente. Realização que reforça meu comentário de que essa personagem nunca viu nada além do seu “privilégio” – e mal posso esperar para conhecer os pais dessa mocinha na S2 e compreender esse aspecto.

 

The Bold Type - Kat e Adena

 

No episódio anterior, Kat se sentiu atraída com a ideia de viajar o mundo – e que trouxe Adena de volta para este. Aqui, ela oscila imersa na mesma ideia e chegou pertíssimo de passar pela catraca (porque ela comprou uma passagem para ter acesso à mozona). O que confronta o episódio 1×07, em que Edison diz que quer ser uma chefe e uma chefe melhor. Sendo que, na realidade, ela quer quebrar suas próprias barreiras e conhecer o mundo. Se for com Adena, melhor ainda.

 

Realizações que assentaram a moral, quase camuflada, deste episódio: correr riscos. Kat precisa de riscos porque está acomodada. Pensamento que nada tem a ver com Adena, embora seja ela a inspiração e o volante para que Edison chegue a essa conclusão.

 

Kat é bastante impulsiva, o que torna a palavra risco praticamente seu codinome. Ela não pensa duas vezes em tomar uma ação, algo que ocorreu a partir do momento em que soube que Adena estava presa na alfândega do aeroporto. E tantas outras vezes, como a censura do Instagram e o árduo trabalho em tentar manter sua colaboradora. A personagem não pensou duas vezes em agir dentro do que acreditava, mas, vejam bem, tudo está conectado ao outro. Ou à Scarlet.

 

Para si mesma, Edison nunca fez nada. A maldição de ser bem-sucedida aos 25 anos (o que é um prazer também) que traz uma meia verdade: uma vez que se tem o profissional no lugar, parece que não precisamos de mais nada. Só viver pelo emprego. Ideia que essa personagem confronta ao descobrir que não quer ser essa pessoa.

 

Desde o começo de The Bold Type, Kat nunca hesitou em ir atrás do que acredita. Mesmo que o saldo lhe rendesse tapas na face. Em contrapartida, quando o papo é fazer por si mesma, ela oscila demais. Por medo. Por achar que o lugar que ocupa é excelente. É, às vezes, somos exatamente essa pessoa. Eu mesma funciono rapidamente pelo outro, mas, por mim, bem…

 

A questão de correr riscos também rebateu em Jane que ficou na penumbra neste episódio. A personagem seguiu firme com o embate de aceitar ou não o emprego na Incite – e acaba por aceitá-lo. Acho que nem preciso dizer que me identifiquei bastante, né? De certa forma, o que transcorreu em dúvida da parte de Sloan reforçou o que comentei no episódio passado. Aqui, não houve medo, mas sim a confiança em se dar uma oportunidade diferente. Mesmo que seja profissional.

 

Uma confiança diante de uma mudança alimentada pela própria rotina da Scarlet neste episódio. Tudo estava montado para Jane ir para a Incite e cada circunstância negativa caiu como uma luva. Quem quer escrever sobre esfoliação no bumbum quando se ama de paixão pautas políticas? Isso dá em ranço. Em total desânimo na carreira. E quando uma oportunidade dessas vem, bem, é sempre muito mais sensato aceitar. Nem me incluo nessa, pois sou Kat nesse quesito (fato comentado também no episódio passado. Sou meu próprio entrave, af).

 

O início deste episódio já endossa a decisão que Jane tomará, pois Jacqueline lhe deu a responsabilidade de escrever um quiz. Um quiz que a tira da própria ideia de escrever uma matéria sobre moda andrógina e de imbuir uma conscientização – que foi repassada para Alex. Depois de todo o pipipipopopo sobre demissão, a editora-chefe faz menos da sua redatora, mesmo sem querer. Sei lá, sei que jornalismo pede versatilidade, ainda mais dentro de uma grande redação, mas, honestamente, achei mancada.

 

Uma mancada que não deixou de ter sua razão. Como tudo que transcorre nesta série que é um quebra-cabeça muito bonitinho de acompanhar.

 

Em dia de comitiva do Trump, Jane ficou presa na Scarlet vivenciando esse bico de sinuca. Ir ou não para a Incite? Nesse estresse, Ryan retorna, demitido, e serve de grilo falante. É ele quem transmite a mensagem geral do episódio ao dizer que Sloan quando arrisca colhe mais resultados.

 

Essa não é uma regra que cabe para todos? Conflitar a zona de conforto para ver a magia do outro lado? Assunto que compôs também as oscilações de Kat, que chega ao finale consciente do que tem que fazer (#spoiler).

 

Lição número nove: corra riscos

 

The Bold Type - Jane

 

Confesso que, às vezes, me sinto muito como Jane. Gosto do calmo e do fluido, sem grandes reviravoltas na rotina. O que entrega que sou sim um tanto relutante a mudanças e penso que seria mais maleável a elas se sentisse mais confiança do lado oposto. Do lado de quem oferece, por assim dizer. É o que normalmente tem me perseguido, desde que me formei, porque eu estou muito exausta de altas promessas e essas promessas não se revelarem como o esperado.

 

Ou, talvez, eu seja como Kat. Muito tempo ocupando o mesmo espaço e nem sei mais como sair dele. Algo que me identifico também, pois, às vezes, me sinto acomodada demais.

 

É por isso que até retorno ao meu sonho repetitivo em que preciso encontrar a brecha para sair dele. Enquanto eu não encontrar essa brecha, seguirei quicando entre empregos que não me darão o que eu quero (e o que eu quero é me sentir agente de mudança). O que me faz afirmar que tenho dedo muito podre para job porque sempre dou de cara com a verdade de que nada nele me inspira ou me motiva ou os empregadores são abusivos. É, me dei o direito de ser um tanto dramatiquinha.

 

Por outro lado, sou muito recompensada pelas pessoas que acabo conhecendo. O que tornou esses jobs (tirando as maçãs podres) muito mais sustentáveis/toleráveis. E sou grata!

 

Às vezes, me acho utópica demais e daí nascem personagens como Jane para me confrontar. Quem tem essa veia de querer fazer a diferença por meio da escrita, não quer saber de escrever quiz. Mas, como se trata do ganha-pão, a gente acaba escrevendo o quiz. Valeu mesmo capitalismo!

 

Eu acredito na escrita e a escrita é minha voz, mas, mesmo tendo meu ganha-pão, é horrível chegar ao fim do dia com a sensação de que falhei. Que não criei nada de relevante. Que o cliente nem se importa porque está preocupado demais em enaltecer seu ego (nada novo sob o Sol).

 

Quando essa voz não é bem usada, o calmo e o fluido perdem a graça. A gente começa a se contorcer por caos. Por desafios. Por coisas novas. Ao menos, isso é da minha personalidade que persegue significado e que se entedia quando se sente inútil. Mas algumas áreas destroem as pessoas, o que as tornam mais relutantes a mudar o que já parece bom. Confesso que me encaixo nesse grupo de vez em quando. Ato que me faz terminar como Kat. Com um passaporte vazio.

 

Pela falta de inspiração, por me sentir mecânica e por ver que meu job não alimenta meu espírito (porque está ocupado demais em destruí-lo), trocar de emprego se torna meu hit. Por isso me demito bastante. Como Jane bem pontuou, não dá para ficar em um lugar em que você sabe que já aprendeu tudo que tinha que aprender. E complemento: que você sabe que não crescerá mais. Ninguém merece, mesmo, ocupar um lugar consciente de que não haverá outro. Que será só aquele, com as mesmas propostas, mesma encheção de saco, etc. É se limitar em consequência do espaço – e que reforça meu comentário sobre nos transformarmos na firma.

 

Feliz ou infelizmente, o que disse acima encontra sua contradição devido ao dinheiro. A gente se submete a cada cilada justamente porque não dá para ficar desempregado. Não no Brasil.

 

Com certeza, eu tremeria na base ao receber uma proposta como a da Incite. Meus olhos brilharam com as pautas que Jane recebeu, o que reforçou minha proximidade com essa personagem. Não é à toa que, recentemente, estava caçando sites com esse viés para tentar colaborar. Essa personagem tem a política na veia e, ao assistir The Bold Type de novo, percebi que essa parte de sua caracterização também não é tão explorada. O que se assemelha a falta de profundidade na caracterização de Kat. Assim como a amiga, Sloan fica bastante na superfície e não culpo ninguém.

 

Até porque The Bold Type só foi renovada depois da conclusão da 1ª temporada. O que faz desse ano da série um puro estudo de território. Como acontece com praticamente toda série iniciante.

 

A ideia de ter que sentar para fazer o mesmo texto todo dia, consciente de que nada daquilo mudará sua vida e a vida de alguém, é um martírio que carrego desde que comecei a levar minha escrita mais a sério. É o martírio da própria Jane que fica possessa com a ideia de escrever um quiz. Quando você descobre o que quer transmitir por meio da ferramenta que melhor domina, determinados empregos começam a entrar como um conflito. Mas, como disse, você precisa desse conflito por motivos de dinheiro. Um dinheiro que pode ser passagem para algo maior.

 

The Bold Type - Kat

 

Kat e Jane se viram empurradas no que as determinarão no season finale. Kat se sente menor por não ter tido mais experiências, algo tratado em episódios anteriores. Jane confronta a significância da sua escrita que foi se perdendo desde que participou do painel de vozes emergentes. Como aprendi não muito recentemente, somos responsáveis pelo lugar que ocupamos. Ninguém mais tem essa culpa a não ser nós mesmos. Todos os dias, precisamos decidir onde queremos ficar. E o que queremos fazer. Normalmente, não há nenhuma resposta, pois amém que temos um job – o que pode iniciar o processo de aniquilação pessoal.

 

Jane tem medo de correr riscos. Kat toma os riscos para os outros e não para si. Jane é puro overthinking enquanto Kat revelou que nem pra tudo ela está disposta a agir sem hesitar. Assim, é no final que ambas encontram suas diferenças. Kat não vai embora com Adena porque isso requer mais razão que emoção por se tratar de uma mudança brusca. Jane aceita o emprego na Incite porque matutou o dia inteiro sobre os prós de ambos os veículos.

 

É importante pensar antes de correr o risco, ok? Impulsividade é bom, mas, nem sempre, rende o que você precisa. Vamos evitar frustrações, sim? Afinal, nem tudo que parecemos prontos é para nós.

 

Jane encarou sua circunstância como o movimento do universo, algo que obviamente me identifiquei. Ela recebeu sinais que a impulsionaram a tomar uma decisão que será um trampolim na sua carreira (ou outro pesadelo porque a área de comunicação só piora). Particularmente falando, seria essa pessoa. Apesar que, às vezes, não me sinto corajosa. Tenho muito projeto encalhado e sempre penso que ninguém se importará. Sendo que a única pessoa que importa no processo sou eu.

 

No fundo, acho que sei qual é minha brecha. É tirar esses projetos da ilha encalhada. Kat saiu desse looping e viu que precisa de novas experiências porque tem uma rotina mecânica. Ela precisa sair do comum, não apenas para ficar mais perto de Adena, mas para se redescobrir.

 

Meus anos sem emprego tiveram um início bom e, depois, descarrilaram para desespero e comportamentos nocivos (pois época da crise no BR). Ainda assim, consegui ver o que me é importante. Criei projetos. Encarei um desafio que jamais pensei. Hoje, estou muito bem esclarecida sobre o que eu quero, mas acho que falta coragem. Falta sair do overthinking infernal e topar o plano seguinte.

 

Eu fico demais dentro da minha cabeça, gente. Muito pensar e pouca ação. O que me faz dizer que todo mundo precisa de uma pausa. Na repetição, não enxergamos o que queremos de verdade. Fora dela, parece que um novo mundo se abre e é possível se descobrir, ou se redescobrir, a partir daí.

 

Afirmação que combina perfeitamente com o famoso sair da zona de conforto.

 

Seja como for, é fácil eu dizer para todo mundo correr riscos quando eu mesma não corro tanto assim. Mas endosso o papo de tirar uma pausa, sair da rotina, buscar sua própria verdade. Aqueles três anos representam um arco da minha história que fluiu sem eu perceber. Bastou tirar o piloto automático (o emprego) para eu me redescobrir (até mesmo durante o período em que o desemprego me consumiu por inteiro). A mesmice atrapalha ao mesmo tempo que pode clarificar a nuance de que, de novo, você vive a mesma experiência. Sendo que você é capaz de se abrir para outras.

 

Eu preciso do emprego. Bem como milhões de pessoas. Só que considero necessário cada um se lembrar de que o job não nos define. Basta fazer o que se acredita por fora e deixar a porta aberta para novas chances se apresentar – o que é difícil, pois, como contei, sou meu próprio entrave.

 

Eu gosto sim do alinhado, do organizado e do fluido. Eu necessito disso para funcionar. Não sou a humana do caos, o que me fez fugir de Rádio e TV sem pensar duas vezes. No caos, eu esqueço quem eu sou verdadeiramente e isso não é justo. Não é justo para ninguém.

 

Correr um pouco de risco faz bem e o risco que tenho me dado é me expor um tanto mais. Exposição é um drama, especialmente porque sou introvertida. O introvertido quer acarretar mudanças no mundo no cantinho e caladinho, e estou bem com isso. Mas não posso deixar tudo na caixinha.

 

Em contrapartida, ser cabeça dura demais me priva de novas experiências. Tanto pelo medo quanto pela dita certeza de que nada será diferente. Que apenas entrarei em mais uma cilada e que precisarei criar minhas próprias oportunidades (que ficam na minha cabeça). Proteger-me mais e lembrar do que importa. O que é difícil, pois a rotina nos suga. E a negatividade também.

 

O máximo que posso dizer é: não hesite. Se seu coração diz que é o certo a se fazer, apesar dos sinais enfiando mais pressão ao momento, faça. E essa parte eu digo com propriedade porque eu escuto minha intuição e minha emoção. Até então, tal posicionamento não me rendeu nada ruim.

 

E penso que para Kat e Jane também não. A menos, por enquanto.

Stefs
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