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21/maio

Este episódio demorou um bocado para mostrar qual era o seu propósito e, sem dúvidas, entra também para o hall de mais fracos desta temporada. Porém, não foi de todo ruim. Repito que uma das coisas mais maravilhosas de The Bold Type é garantir qualidade até quando não tem tanta história para desenrolar. Neste caso, houve muito sobre o relacionamento das meninas, seja profissional ou romântico ou os dois.

 

Desde o 6º episódio, os roteiristas começaram a dar enfoque aos personagens secundários. Mais precisamente os masculinos. Aqui, foi a vez de Alex e de Richard, os dois caras que circulam ao redor de Sutton. Até então, tiveram a proeza de não tornar essa dinâmica em triângulo amoroso e vocês não sabem como fiquei feliz com isso. Espero que a 2ª temporada não caia nessa maldição que tende a levar uma série/storyline para a boca do lixo.

 

Independentemente do destaque desses dois jovens, as protagonistas deram continuidade às suas jornadas. Sutton segue em seu início de carreira no mundo da moda e permanece focada em convencer Oliver de que é muito mais que uma assistente. Kat passa pela primeira experiência de ter uma colaboradora para chamar de sua, sendo chefe e querendo ser a melhor chefe do mundo. Jane descobre que seu relacionamento com Ryan ainda não é o relacionamento que almeja, embora comece a sentir borboletas no estômago. Histórias muito diferentes, distantes demais para se entrecruzarem, mas que disseram um pouco mais dessas lindas graças à centralização de Richard.

 

Parece nada a ver, mas fez todo sentido. Meramente porque Richard dá um jeito de colocá-las na mesma página, no intento de conhecer melhor Jane e Kat. É aí que ele finalmente percebe que essa de ter um relacionamento escondido não é assim tão valoroso. Além disso, que esse tipo de intimidade com as meninas pode criar atrito entre pessoal e profissional. Último fato que Kat incita sem pensar duas vezes.

 

Pelo foco em Richard, a premissa deste episódio rebate em Sutton. Devido às circunstâncias, ela também passa a questionar o namoro, que ganha certo peso diante da mancada da assistente de Kat – e que dá corda para Kat agir do seu jeito enérgico e impulsivo. Em outras palavras, a novata desliza e a situação descarrila na frente desse homem que repassa depressa a informação à Jacqueline.

 

E Kat acha que não é o correto. O que gera conflito de interesses. A única que se salva é Jane, ocupadíssima com a pauta da semana.

 

Para esclarecer os ponteiros, Richard é o advogado da Scarlet. E ele acabou sendo, sem querer, o advogado do diabo. Sua ação foi correta, mas transmitiu a mensagem “errada”. Afinal, ele é boy de uma das meninas e tinha que ficar ao lado delas. É questão de cumplicidade, né?

 

Não desse jeito, mas menina Kat levou para o sentido literal porque queria manter sua assistente.

 

Sutton e Richard

 

Resultado que acaba um tanto escorado, pois o objetivo do episódio não era sobre relacionamentos. Na verdade, era sobre o que o trio deseja verdadeiramente para a vida. No geral. Dessa forma, a situação com a assistente foi apenas um braço para os outros conflitos. Juntos, o trio refletiu o saldo de mais um dia difícil e deixou sua lição.

 

No caso, alcançar aquele desejo que você sabe que te fará se sentir mais completa e que é muito difícil vocalizar por aí. Temos nossas desconfianças com tudo e com todos, e, às vezes, nossos sonhos ficam só pra gente. As meninas ensinam o quanto é bom compartilhar o que há de mais secreto em nosso ser e que ninguém deveria ter vergonha em se expor desse jeito. Em assumir o que deseja do fundo do coração uma vez que se encontra um espaço seguro.

 

Visão que as mostrou percorrendo mais capítulos de suas jornadas. Dessa vez, em busca de sua própria verdade. O que meio que arremata a conversa sobre ser de verdade e se envolver unicamente com o que aquece o coração. Pontos de vista que se fragmentaram entre desejos profissionais e pessoais, o que trouxe a quebra da mesmice de três jovens quererem sucesso apenas onde trabalham. Houve o ampliar do fato de que essas personagens são multifacetadas. Inclusive, o firmar de um compromisso que nos faz parte dessa dinâmica. Ao ponto de nos vermos refletindo também sobre anseios e desejos secretos.

 

O episódio em si trouxe muito estresse enquanto tentava alcançar a genuinidade em cima do que essas meninas realmente querem para a vida. Do fundo do coração. Como o caso já mencionado entre Richard e Sutton. Uma relação que, pessoalmente, concluí ser nem um pouco saudável. Ao menos, no quesito de ser escondido já que sempre as true colors aparecerão. E foi o caso.

 

Não culpo nenhum dos dois. Para ser bem honesta, gosto muito de Richard pelo simples fato dele ter representado um namorado que apoia sua namorada. Ele tem limites. O personagem foi o líder de torcida de Sutton ao longo da transição de carreira dela e está aí algo que curti bastante de assistir. Os roteiros foram seguros em apostar nesse relacionamento e conseguiram dar naturalidade nesse processo. Não havia culpa, nem os julgamentos que, seis capítulos depois, se sucederam neste episódio. Mais precisamente em cima do fato de que o moço não pode se misturar com as amigas da namorada e nem assumir o namorico devido às burocracias da Scarlet.

 

Último ponto que ele, cheio de erro, dá prioridade. Posicionamento que ofusca a preocupação de Sutton quanto ao que ocorreu na presença de Kat. Em meio ao caos da assistente, ela nem sequer pensou sobre sua carreira também. Apenas pensou no melhor dele e isso dá sempre ruim.

 

Nem tudo que parece normal em nossas vidas é saudável, como a relação de Richard e de Sutton, por exemplo. Não é um ponto digno de mandar textão verbal, não ainda, mas é sim um tanto problemático por se manter às escondidas. Como disse, não tenho muito do que reclamar dele, a não ser seu breve posicionamento (e até que muito natural por se tratar do homem sempre protegido pelo patriarcado). Só que o personagem se esqueceu, em meio à treta, de que ambos estariam arruinados se o namorico viesse à tona. Ou simplesmente não estariam, o que é mais fácil acreditar visto que The Bold Type tem seu feminismo furtivo – e seria uma investida mais legal.

 

Mas tudo pela angústia. E, com este episódio, já se passou metade da temporada. É aquele momento que os envolvidos com uma série começam a mexer no que parece intocável.

 

Kat e Richard

 

De fato, não dava para exigir muito de Richard. Nem muito menos um comportamento “feministo”. No fim, sua atitude deu mais verdade para o impasse, pois abriu os olhos dos dois. Sem dificuldades. Um relacionamento extremamente maduro, apesar da mancada de “manchar minha carreira”.

 

Um papo que se deve mais à burocracia da Scarlet – e que algumas empresas têm para evitar problemas de assédio contra as mulheres. A emoção falou mais alto que a razão sim, mas o bacana foi ver duas pessoas maduras se despindo e vendo que não é maravilhoso viver nas sombras. Não quando há um relacionamento sério e com reciprocidade. Ninguém merece ser privada de ir ao restaurante com o mozão só porque há uma política na empresa que mais atrapalha que ajuda nesses casos.

 

Ainda mais quando é mulher, a sempre arruinada na carreira.

 

E pesa demais para Sutton porque ela não pertence a um alto nível hierárquico.

 

Confesso que ainda reflito se gosto dessa parte. No caso desse trope, a mulher sempre fica abaixo do homem. O que, automaticamente, faz o homem ter esse tipo de atitude justamente pela angústia.

 

Um pensamento que até cabe na atitude de Jane em terminar com Ryan (e ele trabalha em outra revista). O personagem recebeu um rótulo por escrever sobre sexo e ir atrás de experiências para ter de onde criar seus textos. Uma soma de fatos que não é segredo na série. É escancarado. Só que Sloan quer competir com ele e percebe que não nasceu para essa vida de um encontro por noite. Medida fácil porque sua pauta da semana foi testar um App de relacionamentos.

 

Jane e Ryan

 

Jane tenta, mas esse tipo de dinâmica não combina com sua personalidade. O que gera o que ainda considero uma  tremenda falha de comunicação entre Ryan e ela. E ele se mostrou disposto a se abrir, mas a mente dela sobre terminar estava feita. Uma vez decidida, ela não volta atrás não.

 

Tudo porque Jane se viu querendo algo muito simples e que, até então, Ryan não pode lhe dar: um amor de verdade. Ao menos, é o que a moça acredita e ela não pensa duas vezes em cortar o rolo. Algo refrescante de se ver porque sempre se espera que personagem jornalista deseje o já batido clichê de ser melhor na profissão. De quebra, não ter respeito por ninguém para ter essa conquista. Sloan quer esse sucesso, mas ela quer muito mais um companheiro e formar uma família. Como a dinâmica de Jacqueline com o marido fofíssimo – vista no 1×06 e um tiquinho neste também.

 

O que sobra Kat que, sem Adena, centralizou-se totalmente no profissional. Desde o episódio 6, muito se vê da postura da personagem que é a voz mais política de The Bold Type. Jane pode ter conquistado seus méritos ao longo desta temporada, mas Edison é o epicentro do ativismo sutil na revista. Da revolta diante da censura dos mamilos femininos, ela agora passou a batalhar para manter sua colaboradora. No calor da emoção, que é quando essa jovem faz muita das suas burradas, Richard tomou na testa. O que rende assim o estopim para o fim do namoro de Sutton.

 

Kat acreditou que daria conta de tudo, mas falhou. Nem sua teimosia salvou sua colaboradora. Ainda assim, desde o episódio passado, essa personagem ganhou meu coração. Além de fofíssima (pois Aisha Dee), ela vocaliza muito dos problemas de ser mulher no antro daquela redação.

 

Como deu para perceber, houve muita história neste episódio e todas pareciam não ter conexão. Contudo, muita lição sutil veio à tona. Pareceu mais uma trama supérflua, mas, pensando nos próximos capítulos, o que rolou aqui rendeu decisões futuras importantíssimas.

 

Foi até bom revê-lo porque algumas coisas fizeram mais sentido na minha mente. Principalmente no que condiz aos desejos de cada personagem. A própria verdade que foi lindíssima de se ver.

 

Lição número sete: sua própria verdade

 

Jane, Sutton e Kat

 

Quase perto do final, este episódio trouxe o contexto mais pertinente da trama. Pensando aqui, o resto pode ser considerado meio dispensável porque foi apenas um ponto de virada para as meninas ficarem solteiras ao mesmo tempo. Mesmo assim, repito que tudo no contexto encontrou seu próprio jeito de arrematar uma conclusão que foi lindíssima de se ver.

 

O motivo? É difícil ver mulheres vocalizando o que realmente almejam. Principalmente uma para a outra. Especialmente verdadeiramente, longe das expectativas dos outros ou do mundo no geral.

 

Há um tempinho, a cena principal deste episódio caiu na minha TL. Mencionei-a e disse o quanto ela é importante. Além da postura positiva das três personagens, elas mesmas soaram muito confortáveis em suas decisões. Decisões que só vieram devido aos empecilhos deste roteiro. Criados para fazê-las refletir sobre desejos que poderiam ser esmagados caso os escritores optassem pelos mais belos clichês. Como só o sonho profissional – o que não considero ruim, mas mulher deseja muito mais.

 

Vale destacar que elas também se sentiram seguras em dividir entre si o que muitas de nós ainda segreda em nome da competitividade/rivalidade feminina. O que reforça ainda mais a importância dessa cena.

 

Kat disse que quer ser uma chefe de qualidade. Sutton disse que quer que seu relacionamento com Richard tome um novo rumo (isso antes do término). Jane quer um relacionamento cheio de amor e de mimos para chamar de seu. Uma disse isso na face da outra. Verdadeira e puramente. Muito além dos nachos, a tríade cedeu cumplicidade uma a outra. Houve atrito, como entre Sutton e Kat, mas foi mágico ver mais uma vez que The Bold Type escolhe sempre manter suas personagens unidas. Elas conversam (sempre) sobre os empecilhos e os saldos do dia (que simbolizam cada episódio semanal). Até mesmo na realização de futuro que almejam. Ao menos, em um determinado momento.

 

E essa cena se tornou um ícone para mim porque nem todas as garotas conseguem ter essa partilha com outras garotas. Em The Bold Type, não há olhadelas de lado. Não há crítica. Não há riso sarcástico. Não há a ideia de que uma ali dará um jeito de puxar o tapete da outra. Elas formam seu próprio lar seguro. Elas se amam e até nos momentos mais desastrosos o grupo se escolhe em vez da intempérie do momento. O que diluiu os artifícios de mulheres rivais, ainda mais em ambientes corporativos como a Scarlet ou diante dos homens que existem nessa série.

 

Essa cena também ensina. Ela mostra que não há vergonha você querer para sua vida um amor para chamar de seu. Nem torcer para que seu relacionamento amoroso melhore. Nem muito menos querer ser uma líder melhor para inspirar outras pessoas. Mulheres são seres multifacetadas, algo que a televisão e o cinema ainda se esquecem. Assim, The Bold Type entregou essa verdade ao distinguir suas personagens em seus sonhos ao mesmo tempo que as tornam únicas nesse aspecto.

 

Além de querer entrar no mundo da moda, descobrir sua sexualidade e escrever com um ponto de vista mais político, The Bold Type trouxe para seu trio a simplicidade da vida. Que vai muito além da romantização de ser workaholic – algo que nem Jacqueline é.

 

Apesar da ausência de uma trama mais instigante, o que ficou de mensagem neste episódio é que devemos encontrar nossa própria verdade e assumi-la. De peito aberto. Sem vergonha. Nada é tolo se acreditamos. Tudo que é nosso é importante. E ter com quem compartilhar essa importância torna toda essa experiência ainda mais mágica.

 

Minha própria verdade é querer tocar o máximo de pessoas que conseguir por meio da escrita. Isso não me anula de querer também estabilidade financeira, conhecer novos lugares, comprar roupas legais… Mas o que está no meu âmago é usar dessa ferramenta, que considero deveras poderosa, e levar alguma mensagem que se preze. Nada mais que isso. Isso para mim é o que basta.

 

Ao menos, neste dia.

 

E seja lá qual for sua própria verdade, siga em frente.

 

E não tenha vergonha dela.

Stefs
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