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19/jun

Faz muito tempo que não comento nada sobre a escrita, ou minhas experiências com a escrita, e hoje vim mudar esse negócio. Ouvi um amém?

 

Sei que não tratar esse assunto tem sido um grande desfalque do Random Girl e sinto muito por isso. Como tudo na vida, o que eu precisava mesmo era estipular um tipo de ordem para manter minha escrita em dia e foi ao estipular essa ordem que reencontrei minha inspiração para falar justamente sobre a escrita.

 

Sendo redundante assim mesmo!

 

Para quem ainda não sabe, o tema deste mês ainda é Regeneração e a escrita é o meu maior processo de regeneração. Por meio dela, descubro emoções escondidas e crio histórias. É minha expressão de mundo. É uma constante que, claro, precisa obter suas nuances dentro de algum tipo de propósito. Se não há a liga entre eu e o texto, em forma de emoção certa, e pretexto sincero, não consigo seguir muito adiante.

 

Além disso, não consigo me sentir satisfeita. O que rende uma leva de empaques, de procrastinações e de desistências.

 

Salvo as experiências nos trabalhos da vida em que a minha escrita é forçada. A parte que me aniquila, mas a gente precisa de dinheiro para sobreviver neste mundo que é cruel com todo mundo.

 

Então, finalmente vamos lá porque eu tenho novidades.

 

 

Há uns anos, comentei bastante sobre o We Project.

 

E onde está o We Project?

 

Bem, na gaveta.

 

Eu não esperava que este projeto fosse tirar um cochilo porque me empenhei demais nele. Não conseguia ficar um dia sem escrever uma linha que fosse. Tinha satisfação em compartilhar que escrevia essa história. Cheguei até a ler o Prólogo para umas manas maravilhosas, com as mãos bambas. Foi uma experiência e tanto, mas, quando menos percebi, Amy e seu mundo já estavam engavetados.

 

Por ter terminado os três livros, acreditei que finalmente daria mais um passo na batalha de tentar ser uma escritora publicada, mas, feliz ou infelizmente, empaquei na revisão. Eu tenho grandes dificuldades de reler meus textos, salvo os de trabalho e os que escrevo mais por diversão. Eu tenho uma autocrítica gigantesca e, quando menos notei, o We Project estava mudando muito mais que o intencionado.

 

Meramente porque eu comecei a achar que nada se encaixava.

 

“Abandonar” o We Project foi um ato muito natural. Aconteceu com força total em 2016, o ano atribulado, cheio de mais baixos que altos. 2017 entrou com uma carinha melhor, com direito a uma adaptação de rotina graças ao emprego novo, marcando a época em que senti falta de escrever. Mas a vontade de revisitar o primeiro filho não veio. E eu tentei. Juro que tentei!

 

Parece que há um abismo entre a Stefs 2013-2015 e a de 2017-até então.

 

E eu só tenho o ano par a quem culpar. Sim, eu acredito nessa coisa de que anos ímpares sempre são melhores para mim.

 

O ritmo que conquistei entre 2013 a 2015 desapareceu graças ao 2016 caótico. Não tinha nem forças para me manter lendo uma quantidade de páginas por dia. Minha autoestima estava no limbo tão quanto minha autoconfiança. Tudo que escrevi nessa época foi bem nas coxas. Pelos meus problemas terem tomado conta de mim, perdi as emoções que me faziam retornar ao We Project. Fizesse chuva ou sol. Não havia mais a conexão emocional que me inspirava a escrever.

 

2017 veio como o ano em que voltei a realmente a escrever. Não o We Project, mas posts para este site e o Contra as Feras. O We Project se manteve, e ainda se mantém, quentinho na gaveta porque, agora, é uma questão de coragem encará-lo depois de tanto tempo. E eu marquei esse momento para fins de 2018, depois que eu terminar o primeiro rascunho da minha história atual.

 

Sim, lá vai a Stefs de novo com essa de escrever e depois parar.

 

Mas agora estou um tantinho mais madura. Quem sabe o jogo vira. Como dizem por aí, antes tarde do que nunca, né?

 

Meses se passaram e eu achei mesmo que nunca mais escreveria. Se eu já brigava em tentar manter meus dois projetos em dia, quem dirá sentar para produzir nem que fosse um poema. Mas foi 2017 que me gratificou com o retorno ao ofício, no mencionado NaNoWriMo. Literalmente, usei o evento como desculpa para voltar a escrever. E foi nesse evento que saí com uma história nova.

 

De novembro até a publicação deste post, muita coisa mudou, claro.

 

Diário de Escrita

 

Ao longo do meu processo de retomar a escrita, depois de praticamente um ano de marasmo criativo, senti muitas dificuldades. Como fazia muito tempo que não produzia nada de criativo nesse quesito, passei muito tempo mais me cobrando que efetivamente escrevendo. Um processo que pesou bastante ao longo do NaNoWriMo visto que o We Project saiu de mim com facilidade.

 

Fato: o We Project parecia que morava em mim há séculos. Sem contar que eu não tinha tanta experiência como escritora-que-agora-vai-levar-tudo-a-sério-com-uma-história-original entre os anos de 2013-2015, então, apenas segui o que achava correto por mero instinto. Por agora saber a necessidade de disciplina, onde/como empaco e o que me deixa no mood corpo mole, foi difícil lutar contra esse combo das trevas por descostume. Além disso, e principalmente, por eu ser a pessoa que segue o coração na escrita. Escuto mais esse órgão vital que qualquer outline prévio, mas me vi nadando em busca de um roteiro do enredo alinhadíssimo.

 

Claro que não me dei bem.

 

Por eu seguir quase sempre meu instinto, outline para mim só mesmo na superfície (como para lembrar o que personagem X faz da vida). Eu percebi que esse tipo de ordem na escrita me prende demais e aprendi a não dar tanta prioridade assim. O We Project começou a desgastar porque nadei em uma penca de roteiros que se tornaram labirintos.

 

E quando tem muito nó assim, eu prefiro mesmo me distanciar. No caso do We Project, nem foi uma escolha. Parecia que era para ser de tanto que estava vidrada no processo e tudo mais.

 

A retomada da escrita também rendeu o rio de cobranças e de inseguranças. Normalmente, eu nem penso quando sento para escrever, mas, dessa vez, eu me vi pensando demais. Nenhum início parecia bom. Nenhuma das personagens parecia se encaixar. Dois detalhes puxadíssimos de se cobrar quando se está no começo. Afinal, você não conhece sua história profundamente nas primeiras páginas – e, claro, eu queria muito ser a sabichona e me lasquei toda.

 

E essa cobrança não teve sentido porque, com o We Project, deixei fluir. Segui muito mais meu instinto que as dezenas de outline. Esse é meu modo de escrita, mas passei a questionar até esse aspecto.

 

Obviamente que me questionei se ainda queria escrever histórias. Quando a gente está na fase da ingenuidade, tudo parece possível. Mas, quando a gente perde essa ingenuidade, tudo parece gesso.

 

Por me questionar demais, engasguei e não venci o NaNoWriMo 2017. O que não me deixou encucada porque, como já contei por aqui, eu usei esse evento para me redescobrir na escrita. Desde o início não estava focada em bater as 50.000 palavras porque isso perdeu o nexo para mim. Escrever tão apressadamente pode não garantir o melhor desfrute do processo. Principalmente para quem tenta pela primeira vez. Ficamos tão afobados em vencer que, às vezes, não aproveitamos o ritual.

 

Eu mesma a pessoa do menos é mais.

 

Por ter escrito basicamente um sci-fi soft, engatar um drama me pareceu muito melzinho na chupeta. Até porque a maioria das fanfics que escrevi no passado foi drama. Tudo que esperava do meu comportamento não me acompanhou, mas não briguei tanto assim comigo mesma. Eu tenho brigado agora porque, quase sete meses depois, parece que ainda não saí do início.

 

(mas eu saí, amém, vamos acreditar!).

 

Dizer isso pode soar que estou a sete meses escrevendo. Na verdade, eu estou no processo, na ordem da receita, há sete meses, com a mesma história, tentando desvendá-la. A escrita realmente engatou no último feriado de maio. A deixa para resolver esse embate. Era engatar ou largar.

 

E eu estava perto de largar.

 

Mas encontrei a liga emocional e desde então não parei.

 

Junho entrou e finalmente vejo o que quero com essa história. Depois de praticamente sete meses entre escritas picotadas, sem muito interesse e sem muita crença no processo. É uma vitória de quem estava se deixando levar bravamente pela autossabotagem e culpando o tempo pela pouca oferta de horas para eu sentar e escrever – e, hoje, acordo junto com os passarinhos.

 

A verdade é que eu precisava de mais disciplina para manter a história fluindo. O mesmo vale para o meu interesse, pois, conforme o espaçamento muito grande de produção de capítulos, eu não sentia conexão com o enredo. Eu já gostava muito da personagem e não queria desistir dela. Não quando eu tenho uma personagem na gaveta – e que a esmurra vez e outra querendo atenção. Mas eu mesma criei um abismo e, no mencionado feriado, resolvi saltar para seguir atrás do que quero.

 

Ao contrário da Amy do We Project (e eu gosto muito de nomes que começam com a letra A, percebam), que rendeu um amor à primeira vista em poucos atos, Alice demorou para me dar liga para seguir adiante. Ela, como personagem, sempre esteve muito funcional para mim. Porém, sua história, embora muito clara na minha mente, não me deixava preocupada. Em outras palavras, eu não tinha a angústia.

 

Nisso, volto aos primeiros parágrafos deste texto. Para quem me conhece, ou já deu uma lida em alguns posts desta casinha referentes à escrita, sabe que preciso de conexão emocional para escrever. No caso de textos para o Random Girl, preciso de um motivo para me expressar e, a partir disso, desenvolver meu ponto de vista. No caso de enredos, preciso ficar tão preocupada com as personagens que peço desculpa ao longo do processo por acarretar tanta dor.

 

O maior sinal disso é chorar com a personagem, entendam.

 

A história da Alice capengou por sete meses e se transfigurou em todos eles. Não houve um mês sem mudança na trama, juro!

 

Em tópicos, as coisas se resumem assim: 

 

Diário de Escrita

 

❤ Tudo começou com Alice tendo 20 e poucos anos. Eu queria um reencontro dela com a antiga turma da escola. O início do explorar de um segredo que motivara seu sumiço por X tempo;

 

❤ O segredo para mim estava totalmente esclarecido, mas não conseguia engajá-lo com uma Alice de 20 e poucos anos. Então, diminuí Alice para 18 anos;

 

❤ Parecia correto, a coisa começou a fluir, mas engasguei na voz narrativa. Justamente porque grande parte de Young Adult se dá em 1ª pessoa e me vi nesse bico de sinuca por muitos meses. Foi nessa treta que a jornada de Alice empacou totalmente porque eu sou teimosa demais – o que significa que segui em 3ª pessoa mesmo a 3ª pessoa não me trazendo liga emocional;

 

❤ Eu prefiro escrever em 3ª pessoa, não adianta. Porém, por ter rejuvenescido Alice, o gênero literário inspirou mudança e se transformou em um Young Adult. E, por mais que eu quisesse continuar com um YA em 3ª pessoa (visto que você pode escolher o POV que quiser para escrever qualquer gênero), eu me vi automaticamente percebendo a necessidade de testar Alice em 1ª pessoa;

 

❤ Lá fui eu reescrever em 1ª pessoa e novos fatos se alteraram. Ao reverter o que tinha para essa voz ativa, descobri que esse era o melhor POV. Porém, ainda insisti na 3ª pessoa. Eu não queria largar do osso. O que isso significa? Mais meses brigando com a minha teimosia;

 

❤ Até dei os dois textos para uma amiga ler e ela votou na 1ª pessoa. Sorri e acenei porque eu bem achava que essa minha amiga não leu o negócio direito;

 

❤ Ah, a teimosia! Penso que tenho uns 6 rascunhos divididos entre 1ª e 3ª pessoa. Só que Alice queria falar e eu não pude mais impedi-la desse fato. Desfecho em 1ª pessoa e assim segue.

 

Qual é o real dilema da 1ª pessoa?

 

O dilema é que 1ª pessoa nunca me interessou como modo de escrita. Além disso, reluto um tanto mais quando essa é a voz ativa justamente pela proposta deste post: liga emocional. Pode ser que não tenha lido bons livros com essa perspectiva (minha referência sempre será O Apanhador no Campo de Centeio porque senti de tudo e mais um pouco – meu critério de bom livro), mas sempre me pareceu impessoal demais. Nem todos os narradores pareciam amigos confidentes ao pé da minha orelha.

 

E meu medo é que Alice termine desse jeito. Pode ser inevitável já que é gosto de quem lê.

 

Apesar de não parecer, tive experiência de escrita com esse POV. Como uma fanfic de Twilight, que nem sei mais onde está, e uma de Jogos Vorazes, one-shot sobre o Finnick (e vocês podem ler essa vergonha aqui). Ver para onde Alice queria ir me deixou mais medrosa. Ainda sigo medrosa, achando que confundo as vozes, mas eu preciso confiar em alguma coisa.

 

Como na evolução dos capítulos.

 

Graças às dificuldades trazidas por escrever em 1ª pessoa, tive que estudar. Mesmo estudando, demorei um bocado para me sentir confortável. E, por não me sentir confortável, voltei várias vezes para a 3ª pessoa.

 

Isso durou até o fatídico feriado de maio em que finalmente aceitei que Alice queria ser narrada em 1ª pessoa. Dos quatro dias de folga, roubei um para reler criticamente o que tinha produzido (e a rotina do job meio que me impedia/impede disso). A meta era reconhecer esse território, todo mastigado, ajustar alguns pontos/fatos, e tentar escrever de onde havia parado. Foi uma manhã e metade de uma tarde nesse processo e me vi satisfeita. Contudo, o medo sempre vem e sempre contesto se esse enredo não está na minha própria voz ou algo assim. É desesperador demais, mas sigo firme.

 

Essa satisfação não existia ao longo do processo de acertos, pois me vi estressada e desacreditada por mim mesma. Quis largar de mão porque eu tenho agonia de projetos que engasgam por muito tempo. Mas eu não queria desistir da Alice sem realmente ter tentado. E eu tentei de verdade!

 

Para quem tinha só 3 capítulos, hoje eu tenho quase 10. Hoje, eu estou relendo o que produzi até agora para fechar pontas – porque minha mente afoita dispara nos conflitos centrais e os coloca à frente do resto, não pode. Estou bem contente, vocês não fazem ideia. Sinto-me, literalmente, como se começasse de novo a escrever, mas com muito mais atropelos que a minha factual primeira vez.

 

E o sucesso veio do fato de que não desisti e não tenho intenção de desistir.

 

O mérito disso, além de dar um tapa no arquivo, foi encontrar minha liga com a personagem. Algo que aconteceu semanas depois do reinício da escrita dessa história. Demorou, muito, mas encontrei a voz dela e sua angústia, o que trouxe a mudança do seu segredo. Isso, no capítulo 5. Cedo até.

 

Essa conexão só deu na minha cara quando me vi chorando com a personagem.

 

Uma praxe, gente!

 

Neste dia, fui trabalhar me sentindo imbatível. Eu tinha acertado o tom da história e ninguém poderia me atingir. Não quer dizer que tudo está seguro porque escrever em 1ª pessoa tem mais desafios que em 3ª. Ao menos para mim que nunca investiu em histórias em 1ª pessoa, mas, como disse, tenho que seguir firme ou mais um enredo vai pra gaveta.

 

E como tudo está agora?

 

Diário de Escrita

 

Alice é uma jovem que fará 17 anos em breve. Ela tem um segredo que a deixou de fora da rotina familiar e escolar por um ano. O que a faz repetente. O que a faz inadequada. Esse segredo ninguém sabe, mas mudou e segue mudando sua visão sobre algumas coisas.

 

Narrado em 1ª pessoa, Alice já me rendeu sonhos (que se tornaram plots de causa) e lágrimas.

 

E, ah!, ela tem um irmão que também me dificultou ter conexão. Menino Henrique (que Alice meio que ama muito, tipo muito, mas morre de medo do irmão a bichinha).

 

Bom, é só isso que posso contar no momento. Espero compartilhar mais no futuro próximo.

 

É muito bom falar sobre a escrita depois de anos, hein? Quem sabe agora eu deixo de me autossabotar e boto Alice no mundo.

 

.(e Amy esmurra a gaveta mais uma vez cobrando a atenção da mamãe).

 

Gifs via: dailyboldtype.

Stefs
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